O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, está sendo acusado de usar a estrutura da Polícia Civil para espionar aliados e promotores que atuavam na investigação do esquema de arrecadação e pagamento de propina, afirma matéria do jornal O Globo (14/02/2010). Segundo a reportagem, a suspeita ganhou força no início deste mês quando dois policiais civis de Goiás foram presos, acusados de espionarem parlamentares. Ex-secretária de Arruda, a deputada Eliana Pedrosa (DEM) denunciou que estava sendo seguida por carros de placa fria. As denúncias são muito semelhantes àquelas feitas pelo ex-ouvidor da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Adão Paiani, sobre o uso do aparato de segurança do Estado pelo governo Yeda Crusius (PSDB) para espionar adversários políticos.
Segundo Paiani, o chefe de gabinete da governadora, Ricardo Lied, comandou um esquema de utilização das estruturas de segurança do Estado e de seus mecanismos (como o sistema de escutas Guardião e o Sistema Integrado de Consultas da Secretaria de Segurança) para exercer chantagem e pressão política tanto contra adversários como para seus próprios integrantes. A Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre ajuizou ação civil pública de responsabilidade por atos de improbidade administrativa contra Ricardo Lied e dois delegados de Polícia do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico, por violação do sigilo profissional. No dia 14 de julho de 2009, eles fizeram uma estranha (e ilegal) visita ao então Diretor-Presidente do Detran, Sérgio Luiz Buchmann, para avisar-lhe que iriam prender seu filho.
Conforme Buchmann, o real objetivo da visita seria comprometê-lo com alguma irregularidade para justificar seu afastamento do Detran. Naquele momento, ele estava em rota de colisão com a governadora. Ao contrário do que apregoa sobre o tema da transparência, o governo estadual não fez qualquer investigação sobre a atuação de Ricardo Lied. A julgar pelo teor das acusações, nem poderia. A imprensa deixou de se interessar pelo tema e ficou tudo por isso mesmo. Em maio de 2009, Yeda conversou com Arruda sobre as investigações para elucidar a morte do ex-assessor tucano Marcelo Cavalcante. Na época, noticiou-se que a governadora teria pedido pressa na apuração. Um ano depois da morte, vários delegados passaram pelo caso e o inquérito segue sem uma conclusão. Com a prisão de Arruda, ao menos uma parte do conteúdo dessa caixa preta pode vir a público.

on Feb 14th, 2010 at 8:41 pm
Depois das acusações daqui e as de lá, estas com provas materiais irrefutáveis não resta dúvida que de que “trabalhavam” juntos. A morte do Cavalcante deve ter sido queima de arquivo. Como uma necropsia não aponta a causa “mortis”? Sou policial inativo e trabalhei mais de 30 anos na área de investigação e jamais ouvi afirmação tão tola e cretina. Aqui também a coisa cheira muito mal. Por que digo isto? Por que no dia seguinte ao assassinato do médico Becker vi em ZH fotografia do vidro da porta do motorista e observei a concentração dos tiros, evidência de que disparos feitos por alguém bem treinado e não um simples ladrãozinho. Trazia a matéria que dos disparos um não havia prosseguido no corpo. Por quê? Por ser munição recarregada. O calibre. 40, um híbrido criado a pedido do FBI para substituir o 9 mm parabellum que tem excelente poder de corte (penetração no alvo), mas não tem o chamado “Stoping Power”, ou poder de parada do calibre 45 já na época desativado. Este calibre, o. 40 é de uso exclusivo das polícias. Por ser de uso exclusivo e por ter sido pelo menos um dos cartuchos recarregados conclui naquele momento que o atirador era um policial. E logo conclui que não era da Policia Judiciária nunca usou munição recarregada, ao contrario da polícia ostensiva costumeira neste procedimento. Como afirmo tal?
Por que durante os anos de trabalho vi e ouvi muitos deles se queixarem que haviam retribuído disparos em confrontos e que estes disparos haviam batido na lataria de automóveis sem perfurá-la. Minha conclusão foi lógica e disse isto naquela mesma manhã ao editor do site http://www.litoralmania.com.br assim como disse ao editor do http://www.previdi.com.br para quem rabisco alguns textos. Não deu outra, pois algum tempo depois isto foi dito pelo pessoal da DH aos repórteres e veiculado em vários meios de comunicação de nossa Capital. Logo a seguir foi requerido pelas autoridades policiais que conduziam a investigação fosse decretado segredo de justiça sobre a mesma, o que foi atendido pelo PJ. Agora passados alguns meses mudaram a historia incluindo um médico, um batuqueiro e um traficante no rolo. Estranho não? Para mim houve clara manipulação, mudando os fatos que penso sejam claros. Se postas lado a lado estas duas mortes não resta dúvida que está clara que há interesses outros a desviar a atenção sobre os fatos. Penso que a quadrilha daqui e a de lá tenham sérias ramificações. De uma coisa tenho certeza, a de que os deputados de lá como os de cá são farinha do mesmo saco.
on Feb 15th, 2010 at 12:27 am
Essa associação entre os demo-tucanos explica porque o laudo da morte do Cavalcanti não concluiu nada, é um laudo que não “laudeia”, uma coisa ridícula, sem fundamento, tão mal feito que é impossível que não seja má-fé. Será que a polícia do DF atuou para impedir que se descobrisse a verdadeira causa da morte do Cavalcanti, porque o assassinato do Cavalcanti foi queima de arquivo…? E viva as polícias do DF e do RS…
on Feb 15th, 2010 at 2:22 pm
Marco:
Não tenho absolutamente nenhuma dúvida quanto à participação de membros do Governo do Distrito Federal na condução do lamentável inquérito policial que vai resultar na já anunciada indicação de “suicídio” de Marcelo Cavalcante. Tenho a proximidade suficiente com os fatos e as pessoas envolvidas para afirmar isso. A interação entre os dois governos sempre foi mais do que notória. Não foi a toa o recado mandado pelo Arruda à titular do Executivo gaúcho. Mais que um recado, foi um aviso. Deverá vir muito mais por aí.
O mesmo vale para a morte do Executivo da Alliance One, encontrado morto em Itumbiara/GO. A condução do inquérito pela Polícia goiana também padece do mesmo mal observado em Brasília. Estou aqui, sei do que estou falando. Conversei com policiais que trabalharam no inquérito e o modus operandi foi o mesmo.
Com relação a Ricardo Lied, podem se preparar para uma nova etapa de questionamentos e discussões sobre a conduta desse cidadão. Estou aguardando citação para responder em Juízo, como réu, processo de crime contra a honra proposto pelo Secretário da Transparência Francisco Luçardo pelas minhas declarações; nas quais o acuso de cometer crimes contra a administração pública ao negar-se a punir as condutas delituosas de Lied.
Não apenas vou reiterar integralmente as minhas declarações como também trazer elementos novos. O opaco Secretário da Transparência, tão experiente, veio buscar lã e vai sair tosquiado. Pode acreditar, minha defesa vai dar o que falar.
As práticas do Governo do Estado em utilizar-se das estruturas e mecanismos dos órgãos de segurança para chantagem e pressão política contra aliados e adversários, a exemplo do que estava sendo feito por Arruda no GDF, vão ser mostradas com ainda maior clareza. Isso eu asseguro.
Muito ainda espera esse desgoverno.Isso justifica a saida de mais um assessor de comunicação. Quem ainda é lúcido lá dentro, sabe o que vem pela frente.
on Feb 15th, 2010 at 9:29 pm
E dizem que somos um estado diferente dos demais, pois politizado. Politizado uma ova, pois se politizado haveria muitos comentários sobre este post que infelizmente se limita a apenas dois comentaristas que são incisivos. Onde andam os demais gaúchos, lúcidos, conscientes e machos para segurar a barra?Somos infelizmente um estado tal qual os demias com muita pouca gente consciente e com coragem para exprimir o que pensa.
on Feb 15th, 2010 at 10:27 pm
Certamente depois do carnaval, o Arruda consegue um HC,é natural e esperado.Resta saber o que ele vai fazer após deixar a proteção das dependências da PF.
Arruda não é burro,ele sabe.
Na eventualidade de uma cassação,o governador estaria sujeito a mesma lei que foi imposta a Marcelo Cavalcante e ao executivo da fumageira.
A lei da gravidade.
on Feb 16th, 2010 at 9:28 am
Entrevistado pela abelha, na manhã de hoje, o ministro Marco Aurélio Mello, dentre outras coisas, disse “que é lastimável o que tenha ocorrido com o governador Arruda”. Como o PIG se manifestará? Da mesma maneira que o fez em relação ao presidente?