Aqui do cerrado goiano, observo as semelhanças entre os governos do Rio Grande e Brasília, na condução da coisa pública e aparelhamento estatal em benefício de grupos marginais. Um verdadeiro eixo entre os Palácios Piratini e Buriti, originado nas experiências dos titulares dos respectivos Executivos.
Medidas preventivas para dissociar as situações já foram tomadas pela mídia amiga do atual governo gaúcho. Mas a realidade tem lógica própria. Certo é que, ou céus e terra se movem para ajudar Arruda, ou o pássaro vai cantar. O tom já foi dado. Arruda nada tem a perder, e sabe cobrar favores. O infortúnio dele, no entanto, seria a sorte do Rio Grande.
Falando em conexões, infelizmente a CPI da Corrupção não questionou os inquéritos policiais das mortes de Marcelo Cavalcante e Nestor Mähler; pelo bloqueio da base aliada na Assembléia; mas também por disputas de beleza na própria oposição. Coisas tipo “prá que levantar essa questão se outro vai faturar em cima?”, ouvi mais de uma vez.
Em certo momento, na CPI, começou a se cristalizar a falsa idéia que os investigados eram carta fora do baralho; estavam acabados; só esperando o fim do mandato. Subestimou-se sua capacidade de articulação, escorados em segmentos importantes que sustentam a cleptocracia dominante e que já sinalizam sua continuidade.
A corrupção e a bandalheira que experimentamos não são diversas daquelas que grassam na maior parte do mundo. Só que aqui são recompensadas com a impunidade e a tolerância. O mal maior que temos a obrigação de combater, paradoxalmente, é a impunidade, e não a corrupção. Minorar as possibilidades dessa última depende de estabelecer a certeza da punição, e isso vem da inconformidade daqueles que pagam a conta.
Quando se permite que barbaridades como as cometidas pelo governo gaúcho ou candango dêem em absolutamente nada; sinalizando que estamos dispostos a tolerar, somente fortalecemos os membros da cleptocracia e aqueles que os apóiam. E continuamos alimentando um monstro insaciável. A rearticulação, no Rio Grande, do atual grupo dominante; incrivelmente, depois de tudo; em torno do mesmo nome, é resultado tanto da impunidade quanto do conformismo. E que existe uma pré-disposição a tolerar ainda mais.
Os gaúchos, de uma vez por todas, têm que decidir em que tipo de rincão do mundo querem viver. Aqui ao lado, em Brasília, o povo, na rua, já começou a responder. E aí? Ainda dá tempo. Pouco, mas dá.
(*) Advogado


on Feb 18th, 2010 at 10:36 am
Marcos,
com retumbante atraso, o último pronunciamento do paladino gaúcho da ética no Senado:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/02/18/simon-sobre-a-justica-e-a-satiagraha/#more-48840
Será que ele esperou para se pronunciar somente agora, ao julgar não haver mais risco dos casos envolvendo a Yeda pararem no STF?
on Feb 18th, 2010 at 4:20 pm
Na realidade foi requerido pela deputada Stela Farias acesso ao laudo da morte de Marcelo Cavalcante. Mas a resposta oficial, da polícia civil de Brasília, foi apenas um informe sobre a inconclusão da perícia e a prorrogação do prazo para a apresentação da mesma.
Logo, deve se fazer justiça a oposição, quanto a fiscalização deste assunto. Principalmente por ter sido observado, durante os últimos meses, um esforço em apontar os responsáveis pela bandalheira do estado de forma responsável e persistente.
on Feb 18th, 2010 at 4:56 pm
Foi só a coisa apertar (prisão do GDF) que ella foi se esconder, denovo.
A desgovernadora cancelou a agenda e só volta na segunda-feira (depois do enterro dos ossos).
Não precisa voltar, YRC. Eu deixo.
on Feb 19th, 2010 at 12:52 pm
Marco: esse moço (Adão Paiaini) que com grande esmero e talento defendia o governo Yeda quando era Ouvidor Agrário, agora lhe faz oposição(é o mesmo né?)…
Por acaso ele está filiado no DEM? E por acaso ele vai concorrer a Deputado Estadual ou Federal este ano?
Por gentileza, avise ele de que o Onix está em conversas com o nobre parlamentar Claudio Diaz para um nova aliança aqui no estado entre PSDB e DEM.
on Feb 19th, 2010 at 2:33 pm
é que nós somos tão politizados… que falácia absurda essa.
só torcer contra um partido, mesm0 quando saiba que está errado já mostra a falta de consciência politica de um povinho como o gaúcho. povo politix=zado.. sei