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Paiani, sobre Caso Eliseu: “Tem muito furo aí”

O advogado Adão Paiani considerou bastante conveniente para a polícia a concessão de segredo de justiça nas investigações sobre o assassinato de Eliseu Santos. “A partir de agora, com uma versão oficial devidamente consolidada, a polícia poderá evitar que detalhes comprometedores e furos da versão, inclusive para a tese de latrocínio, sejam divulgados. Com o segredo de justiça inviabilizando qualquer declaração dos suspeitos detidos, tudo fica mais fácil para os interessados em baixar rápido a cortina”.

Para Paiani, o instituto do segredo de justiça está sendo vulgarizado no Rio Grande do Sul e “utilizado para varrer para debaixo do tapete circunstâncias e relações inconfessáveis”. Ele chama a atenção também para a pressa da polícia em apontar os autores:

“Como advogado que atua na área criminal, sempre desconfio de investigações feitas a toque de caixa, na ânsia de dar uma resposta à sociedade ou à imprensa. Isso normalmente não dá certo e acaba beneficiando os acusados. Fica evidente que a cúpula da Polícia Civil e, por conseqüência, os delegados responsáveis pelas investigações, foram colocados contra a parede. Tinham que encontrar os autores, preferencialmente desqualificando qualquer possibilidade de ter sido uma execução por motivos políticos ou queima de arquivo. Isso pode ter conseqüências trágicas na fase processual.”

E conclui: “Tem muito furo aí. Os próximos capítulos serão emocionantes”.

Na quinta-feira (4), o Chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, delegado João Paulo Martins, admitiu, em entrevista à rádio Gaúcha, que as investigações sobre o assassinato de Eliseu Santos foram aceleradas em virtude da pressão da imprensa e da opinião pública. Um dia após a Polícia divulgar suas conclusões sustentando que a morte foi resultado de uma tentativa de latrocínio e descartando a hipótese da execução, a Justiça determinou que as investigações fiquem sob segredo de justiça daqui para frente.

13 Comentários on “Paiani, sobre Caso Eliseu: “Tem muito furo aí””

  1. #1 Carlos Eduardo da Maia
    on Mar 5th, 2010 at 4:14 pm

    O exame de DNA é prova cabal. Assim como foi prova cabal o vídeo do Arruda. Essas provas da tecnologia moderna são praticamente incontestáveis. Muita gente torceu para que fosse execução, mas foi simples assalto. Eliseu morreu porque atirou e tudo isso poderia ter sido evitado se ele estacionasse o carro no Zaffari, do outro lado da rua.

  2. #2 Dilson
    on Mar 5th, 2010 at 4:19 pm

    Eu vejo um furo aí.

    Eliseu Santos não poderia morrer em um estado que melhou a segurança em 151%.
    A tese de latrocínio parece ser incoerente (ou pelo menos improvável) em um cenário onde estamos uma vez e meia mais seguros do que em 2003,no entanto o secretário está morto.

    Pelos números do outdoor,Eliseu Santos poderia estar vivo.

  3. #3 Joao
    on Mar 5th, 2010 at 4:23 pm

    Sem contar que foi o exame de DNA mais rápido já registrado. Como diria o presidente: “Nunca na história deste pais se verificou tão rapidamente o sequenciamento genético de um brasileiro”. A polícia londrina está com inveja!

  4. #4 miguel grazziotin
    on Mar 5th, 2010 at 4:30 pm

    Tenho a mesma opinião. Tudo muito conveniente. Já na tarde da decisão do segredo de justiça eu protestei no blog, e após falei longamente com um delegado que pediu sigilo.
    Quem quiser detalhes dá um pulo no blog.
    http://www.miguelgrazziotinonline.blogspot.com
    Para mim, está tudo muito certro e rápido demais…..tem cheiro de eleições 2010. E então eu pergunto. O cidadão comum está a salvo?
    Ou se por acaso se tornar um incomodo pode ser suicidado ou roubadovve assasinado?

  5. #5 Jordi
    on Mar 5th, 2010 at 5:09 pm

    Mas o DNA só provaria que foi esse sujeito, e não o motivo da morte. Tem que querer acreditar, mesmo…

  6. #6 Neno Fogaça
    on Mar 5th, 2010 at 6:51 pm

    ´Sugundo a mídia gaúcha o caso está deslindado. Rápido , não?

    1. Eliseu preso e Eliseu morto, como se pode ver tem o mesmo nome, pois segundo testemunhas ouviu chamar o no “Eliseu” na hora do “latrocínio”. Conveniente, não?
    2. O Preso é de Esteio, cidade onde reside um dos delegados do DEIC. Coincidência, não?
    3. O Preso é primário, tem bons antecedentes, estudava Adm. de Empresas, bom guri, segundo os vizinhos, mas andava sendo coopatado para fazer uns servicinhos (estava desempregado) – ingênuos seus parceiros em levá-lo a um roubo dessa natureza – significa que não passará muito tempo na cadeia. Azar o dele, não?
    4. As balas que o feriram transpassaram sua pele? Como descobriram a emfermeira que fez o curativo (visto ele ser sua amiga de infância, ela o delataria?)
    5. Como já foi dito: Foi o resultado de DNA mais rápido da história. Temos aqui o CSI Porto Alegre.
    6. Por fim, por que corre o inquérito em segredo de justiça?

  7. #7 Anônimo
    on Mar 5th, 2010 at 7:00 pm

    Eliseu, Eliseu, tanto fez que se … FERROU!!!

  8. #8 Marlene
    on Mar 5th, 2010 at 9:37 pm

    É mesmo! Por que o inquérito corre em segredo de justiça se já definiram que foi latrocínio? Já não está tudo elucidado? Este é um governo que tem coragem para matar… e esconder o pau.

  9. #9 nicabral
    on Mar 6th, 2010 at 7:08 am

    A guinada para tal resultado era óbvia (talvez seja isto que os assassinos e os estrategistas quisessem, destoar o conteúdo do ato em relação a um crime de encomenda, uma execução). Rapidamente concluído, surgem dois valores (simbólicos) importantes: o crime e os executores perdem interesse imediato (gerando o início da espiral do silêncio) e o segundo é o de que os responsáveis pela investigação agregam o valor competência (algo que vinha sendo explorado no âmbito da PF).
    Os passos para gerenciar a crise estão bem claros:
    1. isolar e acentuar os próximos ao assassinado como vítimas, consequentemente encontrar “entes” incapazes de reação jurídica ou simbólica (mídia), assassino algum irá revidar na imprensa a tese que o prejudica, muitos casos de assassinato bem encomendado são subcontratados (o assassino nem sabe quem o contratou. Sai caro, mas é mais eficiente);
    2. ampliar a qualidade da(s) vítimas ao máximo (os próximos), buscando no banco simbólico informações estratégicas necessárias (atos beneficientes, convivência familiar, religiosa, entre outros);
    3. constituir e solicitar uma rede de agentes que se pronunciam para a qualificação;
    4. Controlar as informações contrárias (manutenção de sigilo) e manter o relacionamento com a mídia (não-raro, um dito investigador midiático é/será beneficiado com uma informação supostamente sigilosa e esclarecedora, porque será, hein?);
    5. trabalhar com intensidade sobre a versão investigatória oficial, construindo hipóteses eventuais (daí porque os agentes cúmplices eventualmente apareçam em reportagens como aqueles que tiveram acesso a uma determinada informação;
    Eu tenho escrito algo similar em meu blog, o ww.usinadobem.blogspot.com.

  10. #10 Ronin
    on Mar 6th, 2010 at 7:18 am

    Corrupção.
    Subserviência.
    Incompetência.

  11. #11 Germano S. Leite
    on Mar 6th, 2010 at 11:32 am

    O instituto do segredo de justiça deveria ser exceção, mas parece estar virando regra, e logo em casos envolvendo pessoas públicas (onde há ainda mais interesse público em ser informado).
    Segundoi levantei em rápida pesquisa, seriam dois os casos que autorizariam a decretação de sigilo:

    1) quando há risco de exposição pública de questões privadas do investigado ou réu, como relacionamentos amorosos e doenças; 2) quando o processo contém documentos sigilosos, como extratos bancários ou escutas telefônicas.

    Não era o caso.

    Outra coisa: se foi latrocínio, como juram de pés juntos os veículos de comunicação, por que o sigilo, quando milhares de pessoas “comuns” são assassinadas por ano pelas mãos de assaltantes sem direito ao mesmo instituto?

  12. #12 Antônimo de Santo
    on Mar 6th, 2010 at 4:23 pm

    Sei não… Eu não sou advogado e nem pretendo ser, mas também assisto muito Cold Case. Mas, se eu fosse advogado de um desses meninos que estão sendo acusados de terem matado o homem, já teria minha versão para o caso: De fato, eles tinham furtado um Vectra e vieram dar uma banda em Porto Alegre. Andaram pra cá, andaram pra lá e bateu uma fome neles. Daí dois deles resolveram descer no Zaffari da Cristóvão para comprar um pão quentinho. Tá bom, eles andavam com uma arma, porque afinal, tinham roubado um Vectra … Mal desceram do carro, um louco começou a atirar neles e desferiu nove tiros. Eles naturalmente revidaram (legítima defesa) e, estando feridos, acabaram entrando no seu carro (o Vectra, que apavorado com o tiroteio andou até a rua de baixo) e trataram de fugir dali. Um deles foi procurar auxílio no Hospital de Esteio, caminho de casa. O outro achou que não precisava de ajuda. No dia seguinte, lendo a Zero Hora, descobriram que o louco que tinha atirado neles era o Secretário da Saúde de Porto Alegre (quem diria!!!) e que eles tinham conseguido atingi-lo também, coisa que nem pretendiam, porque afinal só estavam se defendendo. Ah, e ainda saíram da cena sem comprar o pão quentinho e, portanto, com fome …
    Acho que é por aí …

  13. #13 Ronin
    on Mar 8th, 2010 at 7:32 am

    Será “O Poderoso Lesmão”???

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