Na terça-feira (9), a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul divulgou uma nota com o resultado de um julgamento que resultou na condenação de seis pessoas por furto de processo criminal e extorsão. O site do jornal Zero Hora publicou a notícia, mas, curiosamente, omitiu os nomes dos envolvidos. A maioria da imprensa gaúcha seguiu o mesmo padrão (maiores detalhes sobre o caso podem ser encontrados nos sites Espaço Vital e Vide Versus).
Entre os condenados está o delegado Luiz Carlos Correa Ribas (ex-assessor de Ênio Bacci na Secretaria Estadual de Segurança Pública). Ribas foi um dos pivôs da crise que provocou a queda de Bacci da pasta da Segurança, no início do governo Yeda, em 2007. Naquela época, indagado por ZH sobre quem havia derrubado Bacci, Ribas respondeu: “Os donos da montanha de dinheiro” (uma alusão aos responsáveis pela fraude no Detran). A história do processo que levou à condenação de Ribas e das outras cinco pessoas é escabrosa.
Em 16 de janeiro de 2004, Fernando Natalino Fernandes Neto foi ao Foro Federal de Porto Alegre e furtou a ação penal na qual era réu Rogério Daniel Reuter, dono de bingo na capital gaúcha. Este foi o primeiro suspeito a ser investigado pela Polícia Federal, pois teria interesses no sumiço do processo. No entanto, a Polícia Federal descobriu que Rogério era a vítima de esquema criminoso que pretendia explorar a sua posição no processo furtado (réu e suspeito natural do seu furto) para extorquir dele em torno de R$ 120 mil. Rogério recebeu ameaças de que seria preso pela Polícia Federal caso o processo não reaparecesse.
Segundo relato publicado no site Espaço Vital, no decorrer das investigações, a Polícia Federal chegou ao nome dos autores intelectuais do crime, entre eles advogados e um delegado da Polícia Civil. Para evitar uma prisão imediata, o delegado Ribas levou os policiais federais ao aeroporto Salgado Filho, onde o processo furtado estava escondido dentro de um armário guarda-volumes. Os nomes dos condenados no caso são os seguintes:
1. Roberto da Costa Gama de Carvalho, pela prática do delito de tentativa de extorsão: pena de quatro anos e quatro meses de reclusão no regime inicial semiaberto. As primeiras investigações apontavam tratar-se de advogado, mas ele não possui registro ativo na OAB-RS.
2. Luiz Carlos Correa Ribas, delegado de polícia, pela prática do delito de tentativa de extorsão: pena de quatro anos e quatro meses de reclusão no regime inicial semiaberto. Ele foi, em 2007, chefe de gabinete do então secretário de Segurança do RS, deputado federal Enio Bacci (PDT).
3. Fernando Natalino Fernandes Neto, pela prática do delito de subtração de processo: pena de um ano e onze meses de reclusão no regime inicialmente aberto;
4. Edson Luiz Keller Cintrão, pela prática do delito de subtração de processo: pena de dois anos e quatro meses de reclusão;
5. Jorge Michel Geara, pela prática do delito de tentativa de extorsão: pena de cinco anos de reclusão no regime inicial semiaberto. Geara foi considerado o mentor e principal articulador do grupo que furtou o processo e tentou extorquir Rogério Daniel Reuter.
6. Roberto Abílio Barcellos, pela prática do delito de tentativa de extorsão: pena de dois anos e oito meses de reclusão no regime inicial aberto.
A sentença não é definitiva. Defesa e Acusação podem recorrer. Pela gravidade dos atos praticados e pelos personagens envolvidos é um caso que mereceria mais atenção por parte da imprensa.







on Mar 13th, 2010 at 6:16 pm
Dizem os mais antigos, que num certo lugar, o xerife liberava alguns bandidos do flagrante com a condição de deverem um favor. Se ocorria um crime, estes bandidos liberados deveriam colaborar de maneira informal nas investigações. Para quem tem ‘uma montanha de dinheiro’, não custa nada comprar alguém ( que está ‘devendo’) para assumir a culpa em um crime, para resolver a investigação em um curto espaço de tempo.
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on Apr 21st, 2010 at 8:38 pm
Esclareço, que na relação dos nomes condenados pela justiça, aparece o delegado Luis Carlos Ribas, relacionado pelo “espaço vital” e “vide versus”, como meu chefe de gabinete .
Meu único chefe de gabinete, durante minha gestão como secretário de segurança foi o sr. Alexandre Schaffer . Grato
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