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Sentimentos

Por Cristina Haubrich

Quem já passou pela infelicidade de perder alguém de sua família?

Muitos de nós. Estes, com toda certeza, sabem como é sofrido. Os demais imaginam. Digo, nem todos os demais. Somente as pessoas com uma mínima sensibilidade.

Pois bem, eu perdi meu pai e minha mãe em um acidente de trânsito no dia 2 de novembro de 2009, na Estrada do Mar.

Os sensíveis solidarizam-se e conseguem empaticamente sentir o que isto significa e as marcas que deixa.

Meu pai, motorista há muitos anos, sempre extremamente prudente e sem nada que desabonasse sua responsabilidade teve um mal súbito e isto foi o que provocou o acidente. Tudo o que passa e sente uma filha, os netos e demais familiares é indescritível.

Mesmo neste momento, no dia, na semana, nos meses seguintes precisamos enfrentar a situação e encaminhar várias documentações, solicitações, por conta de uma burocracia que dizem ser necessária para que tenhamos os direitos reconhecidos (liberação do veículo, seguro, auxílio funeral, etc).

No entanto, no dia 14 de fevereiro (vejam, 3 meses depois), ainda sem muitas das situações referidas no parágrafo anterior devidamente resolvidas, fui agredida com a visualização do veículo durante uma viagem pela referida estrada. Aqueles de sensibilidade mais aguçada devem imaginar a dificuldade que era, para mim, passar em tal estrada e o que senti ao ver o veículo. Não sei quem autorizou essa exposição. Porém, acredito que para a sua felicidade nunca deve ter passado por isso. O que deveria ser um final de semana para recarregar energias para um ano de trabalho transformou-se em um final de semana rememorando momentos terríveis.

Talvez até não estivesse tão empenhada em divulgar esse fato e solicitar mudanças neste tipo de postura se não tivesse isso agredido também a memória de uma pessoa que não pode defender-se. A imagem distorcida que milhares de pessoas que por ali passaram teriam daquele motorista causou-me revolta. Então percebi que moralmente eu tinha uma obrigação de defender não só aquele que sempre me deu bons exemplos em todos os sentidos, mas também possíveis futuras vítimas como nós.

É claro que existe um motivo para o carro estar ali: a campanha de prevenção de acidentes. Campanha esta com a qual concordo e a qual dignifico. Porém, meu pai não foi imprudente. Ele também foi vítima. Não de imprudência de ninguém. Não sei exatamente do quê. Destino? Não sei. Mas sei que não foi imprudência. Meu pai nunca foi imprudente no trânsito e de repente é exposta esta imagem errônea publicamente, sem mesmo a necessária – ou, parece neste caso, a desnecessária – burocracia da autorização da família.

Pois bem, não quero contestar a campanha. Sugiro apenas que utilizem veículos com a ciência da família e que tais veículos realmente tenham se envolvido em acidentes por imprudência. Ouso até propor que junto ao veículo seja colocado um painel com a causa do acidente: ingestão de álcool, excesso de velocidade, ultrapassagem em local proibido,etc.

Reitero, finalizando, que meu objetivo é apenas que outras pessoas não sintam o que senti e, principalmente, deixar claro que meu pai não teve culpa, não foi um acidente por imprudência.

4 Comentários on “Sentimentos”

  1. #1 Condotta
    on Mar 14th, 2010 at 11:00 pm

    Será que vão expor o carro do ex-governador Germano Rigotto como exemplo de motorista imprudente?

  2. #2 Eugenio, OFS
    on Mar 14th, 2010 at 11:49 pm

    Paz e bem!

    Que me consta,
    meso demolido
    o carro é de propriedade
    dos herdeiros;
    assim
    me parece possível
    acionar o estado
    por haver exposto o veículo.

  3. #3 jorge Loeffler
    on Mar 15th, 2010 at 10:57 am

    Prezada Cristina meus respeitos ao que restou de tua família. Vivemos um governo segundo alguns e que para mim não passa de um desgoverno. Autorização da família seria sim necessária.
    Penso que o maior fator de acidentes é a ausência quase total de policiamento nas rodovias. A função dessa polícia rodoviária do estado é estar presente diuturnamente nas rodovias da forma mais ostensiva possível e não é por outra razão que as viaturas da mesma são coloridas com decoração de carnaval. Se presentes nos chamados pontos negros, assim como no restante das rodovias por certo haveria sempre o cuidado por parte de todos os condutores e não de apenas alguns. Penso que isto seja indiscutível. No inverno te digo como residente em Xangri-Lá que esta polícia ostensiva rodoviária só aparece se houver algum acidente, caso contrário é apenas um fantasma. E mesmo na alta temporada não é sempre que cumprem sua obrigação. No dia 25 de dezembro último (dia de Natal) fomos a Estrela buscar nosso neto. Partimos de Xangri-Lá e tomamos a Estrada do Mar. Eram12h45min. Pois até Osório não vimos o menor rastro dessa polícia. E por várias vezes quase fomos jogados fora da estrada. À noite quando retornamos, usamos a RS-407 de Morro Alto até Xangri-Lá. A Estrada do Mar é uma rodovia muito perigosa exatamente pela ausência do policiamento. E mais, não bastassem os tais pardais que tem função meramente arrecadatória, essa policia rodoviária volta e meia esconde um radar atrás de uma vegetação qualquer e eles igualmente se escondem com o propósito claro de arrecadar mais. Ocorre que quando assim agem contrariando sua destinação CONSTITUCIONAL que é OSTENSIVA, agem como verdadeiros bandidos, pois assim agem os bandidos quando nos espreitam. Se houvesse governo estes que assim se comportam, verdadeiros marginais seriam excluídos do serviço público. Vamos colocar no governo alguém que realmente seja digno de governar o Rio Grande e que não seja dessa gente vinculada ao ladrão Arruda.

  4. #4 tatiana rosa
    on Mar 15th, 2010 at 2:20 pm

    A truculência de uma sociedade se mede pela negligência da dimensão do humano.
    Estamos mal.

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