Submarino.com.br
Marco Weissheimer Rotating Header Image

A renúncia de Fogaça: um balanço de 63 meses

Por Paulo Muzell

No final deste mês de março, José Fogaça (PMDB) renuncia ao cargo de prefeito de Porto Alegre, por ele exercido por um longo período de 63 meses. Momento adequado para que se faça uma avaliação, uma reflexão retrospectiva. Hora de medir os “prós” e os “contras”, avaliar o que foi feito ou deixou de ser feito nestes mais de cinco anos. Foi, não há qualquer dúvida, um governo pródigo de slogans, anúncios e promessas e muito pobre em realizações.

O saldo do balanço é extremamente negativo. Os investimentos da Prefeitura diminuíram, os serviços municipais pioraram, há uma aguda crise na saúde, temos uma cidade mais suja, mal iluminada, com suas praças e áreas verdes mal cuidadas, um trânsito caótico. Denúncias de desvios e propinas se multiplicaram.

A oposição – com a mais absoluta razão – o acusa de privatista e aí estão os episódios da frustrada tentativa de entregar à iniciativa privada o cadastro do ISSQN da Fazenda Municipal; a parceria público-privada que cedeu a exploração do Araújo Viana (foto) a uma empresa; o camelódromo construído e explorado pela iniciativa privada; o desmonte do DMLU; as mudanças no Plano Diretor favorecendo os interesses da especulação imobiliária, incluindo-se aí a entrega do “filé”, do “funil” do centro da cidade – permitindo até a construção de shoppings e espigões com até de 100 de altura, sem qualquer estudo preliminar de impacto viário – tudo sob o “manto” e o pretexto da revitalização do Cais do Porto.

Os servidores municipais se queixam – também com a mais absoluta razão – da secundarização do seu papel como protagonista nas ações e projetos da Prefeitura: diminuíram seus salários, aumentaram as desigualdades e os privilégios, reduziu-se seu efetivo enquanto avançou a terceirização e o número dos “amiguinhos” do governo: cargos em comissão e estagiários. O SIMPA revela ou números. Nas Secretarias municipais existiam no começo de 2005 – primeiro ano de Fogaça – apenas 267 cargos em comissão. No final de 2009 já eram 476, quase o dobro! Se incluirmos as autarquias e fundações seu total atinge mais de 750! Só na Procempa, uma empresa técnica de informática, existem 52! A pergunta é: trata-se de uma empresa de informática ou de um “depósito de políticos desempregados” em eventual exílio por “problemas” com eles ocorridos?

O número de estagiários das Secretarias era pouco mais de 1.000 em 2005, no final de 2008 já atingiam 2 mil e trezentos! O gasto com serviços de terceiros (pessoa física e jurídica e auditorias) pulou de 596 milhões em 2004, para 734 milhões em 2008, um aumento de quase 140 milhões de reais por ano de uma despesa que ocupa espaço crescente, reduzindo salários e os investimentos no orçamento municipal.

Apesar de fortemente blindado pela mídia – especialmente pela RBS –, não há nenhum dúvida que o ex-senador e ex-prefeito terá sérias dificuldades para explicar na campanha eleitoral que se avizinha seu lamentável desempenho à frente da Prefeitura de Porto Alegre.

Share and Enjoy:
  • Digg
  • Sphinn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Mixx
  • Google

12 Comentários on “A renúncia de Fogaça: um balanço de 63 meses”

  1. #1 Farpa
    on Mar 17th, 2010 at 6:47 pm

    Porto Alegre é demais!!! Parabéns aos “politizados” portoalegrenses, a maioria diga-se de passagem, que retiraram a nossa cidade do cenário nacional e internacional, e nos devolveram ao ostracismo, que já haviamos esquecido, mal acostumados que ficamos durante administação petista.Só falta agora elegerem o Zambiasi .

    [Reply]

  2. #2 FLAvio
    on Mar 17th, 2010 at 10:22 pm

    Enquanto o fogassa tiver o apoio da RBS vai ficar dificil cobrar explicações afinal o povo é anestesiado por esta empresa.

    [Reply]

  3. #3 Cesar - Itaqui-RS
    on Mar 18th, 2010 at 8:41 am

    Sugiro aos idealizadores da campanha que realizem uma pesquisa com os portoalegrenses, sobre o grau de satisfação com a administração do renunciante ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça.
    Assim o povo riofgrandense poderá analisar melhor o desempemho do dito candidato antes de se arrepender.

    [Reply]

  4. #4 J. Ferrari
    on Mar 18th, 2010 at 9:38 am

    É tudo verdade. Mas gostaria de lembrar que, em Santa Maria, o governo do PT na Prefeitura (prefeito Valdeci) privatizou a fiscalização do ISSQN na cidade, cedendo a uma empresa privada não só os cadastros, mas o controle de todo o processo de arrecadação e cobrança….

    [Reply]

  5. #5 Fernando F
    on Mar 18th, 2010 at 10:22 am

    O camelódromo “construído e explorado pela iniciativa privada”, não é bem assim. Pode ser “explorado” pela iniciativa privada, mas a segurança é da guarda municipal e quando algum permissionário não paga aluguel é autuado pela SMIC. Ou seja, só a parte boa é da iniciativa privada.
    E o estacionamento do camelódromo, que não estava no processo original?

    [Reply]

  6. #6 Simone Rasche
    on Mar 18th, 2010 at 11:28 am

    Ontem assisti um show muito legal no Dante Barone (Assembléia) – Instrumental RS com a Pata de Elefante e outros e lembrei do Araújo Viana. Poderíamos ainda ter esse local como um espaço cultural dos gaúchos. É lamentável!

    [Reply]

  7. #7 paulo muzell
    on Mar 18th, 2010 at 2:34 pm

    Ferrari: desconheço e vou dar uma pesquisada sobre o que aconteceu lá em S. Maria. De toda forma, se ocorreu a “privatização das atividades fazendárias” com a entrega do cadastro a uma empresa, com quebra do sigilo fiscal, o prefeito Valdeci deve ser igualmente criticado.

    [Reply]

  8. #8 Arthur Marx
    on Mar 18th, 2010 at 6:08 pm

    É Porto Assalto servindo de referência e plataforma de lançamento do cantor-compositor-poeta ao governo de Rio Grande do Crime… Nosso futuro é brilhante.

    [Reply]

  9. #9 mariah
    on Mar 18th, 2010 at 9:24 pm

    Ainda acredito que essa nulidade que não é conhecida no interior, não consiga se eleger. Cultura e educação para o RS, só se o Tarso ganhar. Caso contrário, mais 4 anos de atraso.

    [Reply]

  10. #10 Teresinha Carpes
    on Mar 19th, 2010 at 12:20 am

    Quem está pagando a resposta que o Fogaça,está dando todo a respeito da Sollus,24 horas por dia?

    [Reply]

  11. #11 Luciana
    on Mar 21st, 2010 at 7:33 am

    Pois é Paulo, mas bem feito para os municipários e seu sindicato, que apoiaram em massa o Fogaça!
    Quanto ao Plano Diretor, não é bem assim. As mudanças no Plano Diretor, excetuando o cais, foram elaboradas ainda no nosso governo.
    Também tivemos erros e temos que reconhecê-los porque também fomos nós que propusemos/ permitimos que as alturas dos edifícios fossem às alturas.

    [Reply]

  12. #12 Leonardo
    on Mar 25th, 2010 at 8:37 am

    Infelizmente os gaucho poderão eleger um nulidade desses. Um dia eu cheguei acreditar que os gauchos eram mais politizados mas depois que elegeram Rigotto e Yeda eu não duvido de nada mais.

    [Reply]

Deixe um comentário