No dia 20 de maio de 2008, o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó (DEM), convocou uma coletiva para defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembléia Legislativa com o objetivo de investigar irregularidades em contratos firmados sem licitação pelo Banrisul com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs). Feijó defendeu o afastamento de Fernando Lemos da presidência do banco e pediu à governadora Yeda Crusius (PSDB) que tomasse medidas “imediatas e urgentes”.
Na época, o vice-governador denunciou o desvio de cerca de R$ 18 milhões dos cofres públicos. Segundo Feijó, esse dinheiro teria saído do Banrisul para a Faurgs sem ser contabilizado. O banco teria repassado R$ 24 milhões para a Faurgs. No mesmo período, apontou, foi contabilizada a entrada de apenas R$ 6 milhões na fundação. Uma empresa terceirizada que prestaria serviços exclusivamente para a fundação teria recebido o restante. Feijó disse que sua denúncia estava baseada em investigações do Ministério Público.
A governadora, como se sabe, não deu ouvidos a Feijó e manteve Lemos no cargo até a semana passada quando anunciou seu afastamento da presidência do Banrisul. A imprensa de Porto Alegre noticiou o caso como uma troca rotineira, parte do processo de mudanças no secretariado causado pelos prazos de desincompatibilização do calendário eleitoral. Curiosamente, nem aquele que sai (Lemos), nem o que entra (o ex-secretário de Planejamento, Mateus Bandeira), irão concorrer a algum cargo. Qual é, então, a explicação para a troca no comando do Banrisul?
A pedido do Ministério Público de Contas, o Tribunal de Contas do Estado decidiu realizar uma inspeção extraordinária no banco. Até hoje, o resultado dessa inspeção não foi divulgado. A possibilidade desse anúncio ocorrer nos próximos dias estaria entre as causas da saída de Lemos do Banrisul e sua indicação para o Tribunal de Justiça Militar. “Mais do que uma retribuição pelos serviços prestados à cleptocracia, com uma gorda aposentadoria, é uma maneira de garantir a ele, na prática, o salvo-conduto que a condição de Magistrado, mesmo de uma excrescência como o Tribunal Militar, proporciona”, observa Adão Paiani, advogado e ex-ouvidor da Secretaria de Segurança Pública do RS. Mas essa conta, assinala ainda Paiani, não deve ser debitada exclusivamente a Yeda. “Não vamos esquecer quem é o padrinho político dele: o Senador de indignação seletiva e moral geográfica, Pedro Simon”.
Simon só se manifestou sobre o caso para sair em defesa de Fernando Lemos, quando este foi alvo de pesadas acusações por parte do vice-governador Paulo Feijó. O Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado apontaram irregularidades nos contratos do Banrisul com a Faurgs. O MP considerou ilegal a dispensa de licitação e a prática de sub-contratação de empresas por parte da fundação. Só duas empresas do consultor Lauro Tachibana receberam R$ 10,6 milhões dos R$ 19,8 milhões repassados pelo banco à fundação como pagamento pela realização de uma “consultoria estratégica”.
Após o anúncio da realização de uma inspeção extraordinária no banco pelo TCE, o assunto foi paulatinamente caindo no esquecimento. Adão Paiani critica a falta de informações sobre o caso:
“Essa demora está fugindo a qualquer razoabilidade, dado o conteúdo e a qualidade das informações prestadas pelo vice-governador Paulo Feijó. A forma de indicação dos conselheiros do TCE, a exemplo dos juízes do Tribunal de Justiça Militar, tem servido para que uma estrutura que deveria ser isenta e efetivamente fiscalizatória se transforme em refúgio ou recompensa, ou os dois juntos, dos saqueadores do patrimônio público. Coisa que Yeda tem feito com a desfaçatez que lhe é peculiar, com o silêncio cúmplice de uma mídia regiamente abastecida com verbas publicitárias milionárias”.

on Mar 21st, 2010 at 9:21 pm
Penso que se este cidadão for “presenteado” com um encosto no tal tribunal da polícia ostensiva o MP deverá pedira Prisão Prefventiva desta governadora. Está o dito sendo investigado por corrupção no desvio de milhões de reais do banco. O busilis da questão é que o MP está, assim como o polícia ostensiva, demasiado envolvido na administraçao e assim sendo, tudo pode ocorrer neste estado.
O MP já foi uma instituição respeitável. Na Comarca de Capão da Canoa o MP tem tido umas atitudes incompreensíveis.
on Mar 22nd, 2010 at 6:12 am
Fará uma bela dupla de magistrados ao lado do velho e bom Coroné MendeSS !
Mais una pérola do Novo Jeyto…..
on Mar 22nd, 2010 at 7:21 am
Há algo de podre no reino da Dinamarca.
on Mar 22nd, 2010 at 7:22 am
A possível divulgação desta inspeção do TCE não seria a causa da “desilusão” do patético Pedro Simon que, “desiludido”, estaria analisando a possibilidade de abandonar a vida pública, conforme noticiou a Primeira Prenda da RBS em sua Página Dez deste fim de semana? Não seria uma “desilusão” preventiva?
on Mar 22nd, 2010 at 9:56 am
O Relator da Inspeção Extraordinária no Banrisul é o Lorenzon (ex-PMDB) por isso ela está devagar quase parando.
Quer dizer não vai dar em nada.
Companheiro julgando companheiro dá nisso. Primeiro senta em cima do processo para ver se o assunto morre ou cai no esquecimento e ficar mais fácil arquivá-lo.
É isso ai
on Mar 22nd, 2010 at 10:19 am
O Fernando Lemos sempre foi um bedel do Simon. Um acólito, talvez seja a melhor palavra.
Uma amoralidade nomeá-lo para um Tribunal que já está para ser extinto.
A Assembléia terá que votar de um lado a extinção do mesmo e de outro, a nomeação de um novo juiz. Uma incongruência.
Uma vergonha, também.
on Mar 22nd, 2010 at 11:43 am
Se me permitem, gostaria de chamar a atenção para dois aspectos sobre o tratamento que a imprensa gaúcha ( o PIG de bambachas), sosbretudo tudo a ZH, está dando à questão da substituição da empresa responsável pelos contraladores eletrônicos do trânsito nas RS (pardais): primeiro, tal qual na troca no Banrisul, a substituição da empresa Engebrás S.A. pela empresa Eliseu Kopp e Cia Ltda. está sendo abordada como algo rotineiro, como se não houvesse nada de errado com o contrato até então vigente (Engebrás). Aliás, a mesma coisa ocorreu no final do ano passado início de 2010 com as lomadas eletrônicas: licitação não muto transparente, vitória da proposta que não era a melhor para os cofres do estado, substituição da empresa ilegalmente dada como vencedora. No caso atual dos pardais, deixando de lado seu “ímpeto investigatório”, o PIG gaudério apenas ressalta a economia de até 2 milhões de reais que o estado terá com o novo contrato, esquecendo-se que o atual deixou prejuízos para os cofres públicos e que alguém do governo aprovou e assinou o mesmo. Não há questionamento nem mesmo quanto à imprevidência e demora da administração tucana na substituição da Engebrás. A matéria de ZH, sábado, sobre o assunto é uma relíquia ilustrativa de como se deve fazer para desinformar. A segunda questão é quanto ao entendimento atual que a imprensa de botas e esporas tem dos chamados pardais. Em acentuado tom de lamento estes jornais reclamam da ausência daqueles equipamentos nas estradas estaduais por um período de até dois meses, passando pelo feriado da semana santa. Em 2009, e com os pardais multando a pleno, pelo menos 70 pessoas morreram vítimas de acidentes rodoviários nesta mesma época. E com os controladores em pleno funcionamento. Choramingam que, sem operar, isto é sem multar, os pardais deixarão de arrecadar diariamente 40 mil reais aos cofres do estado e que o prejuízo, desde que foram desativados para a troca de empresa, já superou a casa dos 600 mil reais. Vocês se lembram que a um certo tempo os pardais e lombadas eletrônicas do estado foram motivo de uma campanha contrária destes mesmos meios de comunicação que chegou à beixa da incitação à desobediência civil? Que por conta disto aquele foi um período em que mais pardais e lombadas eletrônicas se depredou neste estado? Que um hoje deputado peemedebista elegeu-se vereador em Porto Alegre com a ajuda do seu “pardal faturador”? (difícil é saber qual dos dois é de fato o faturador)Que os jornais e seus “comunicadores” condenavam a “fúria arrecadatória” de então e que os pardais careciam de um sentido pedagógico para os maus motoristas? Lembram que havia deputados da então oposição que anunciavam em seus sites o mapa da localização dos controladores como num verdadeiro convite à transgressão da lei? De um deputado da mesma oposição, que depois virou secretário de transporte do governo Rigotto, que teve aprovado um projeto, com o voto da totalidade da bancada oposicionista, ampliando, indistintamente, de 80 para 100 quilômetro a velocidade máxima nas rodovias estaduais? Projeto este que, por contrariar a tudo, da técnica ao bom senso, teve seu veto acolhido pela unanimidade da Assembléia, a menos de uma mês após a sua fatídica aprovação. E agora vem a Zero Hora e outros da mesma estirpe lamentar o dinheiro perdido e o possível aumento de vítimas na páscoa? Chega a ser um escárnio à inteligência do povo gaúcho.
on Mar 22nd, 2010 at 12:22 pm
Hummm que fedentina . . .
on Mar 22nd, 2010 at 1:31 pm
Na minha opinião, a Tia Yeda, já deveria estar, há muito tempo , fazendo companhia pro Arruda.
on Mar 22nd, 2010 at 1:49 pm
Este moço já foi presenteado pelo seu padrinho em 1990 com a presidencia da extinta Caixa Estadual,isto que é carinho.
on Mar 22nd, 2010 at 2:38 pm
Um dia, no futuro, um atento estudante de sociologia há-de fazer uma tese correlacionando o atraso a que chegaremos e a influência da mídia majoritária deste estado. A tese mostrará, estou certo, a regressão social sendo determinada pela predominância dos interesses ideológicos-econômicos dos proprietários da empresa de comunicação.
E, então, haverá choro e ranger de dentes. Espero que não tarde muito.
on Mar 22nd, 2010 at 3:04 pm
Pesquisa Methodus/PSB saindo do forno: http://www.camejo.com.br/attachments/477_019-0274(PE)mar10.pdf
on Mar 22nd, 2010 at 4:37 pm
Sugestão: assim como no RJ tem o retiro dos artistas, a gente poderia mudar o nome do TJM para retiro dos amigos de Yeda…
on Mar 22nd, 2010 at 5:22 pm
“…da Dinamarca.”? Que nada, da República Guasca.
on Mar 22nd, 2010 at 8:03 pm
BETO SÃO PEDRO: uma verdadeira e triste retrospectiva da história dos pardais , que vinha para humanizar o trânsito e os “formadores de opinião” e alguns políticos, jogaram no lixo! SAMUEL: concordo plenamente com teu comentário! O RS virou um Estado sem lei, o exemplo vem de cima e, breve “haverá choro e ranger de dentes”! O PIG, fazendo “Polêmicas”, Conversas Cruzadas” e outros debates, para tentar descobrir o que está acontecendo !
on Apr 12th, 2010 at 6:37 pm
Já pensou se o TCE ou o BC auditarem as operações de crédito? aí a casa cai.