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Yeda e o sonho da ressurreição

Por Paulo Muzell

O tema da “ressurreição” é tão velho quanto o próprio homem, está presente na mitologia e nas religiões. Traz consigo a sempre alimentada esperança de superação da morte, além do mistério e da magia de um retorno inesperado. Das religiões o tema migrou para a literatura e daí para o cinema. Estórias de vampiros e vampiras há mais de cem anos se sucedem nas telas, adicionando ao tema a “pimenta” do terror e do sexo, formando uma mistura tão do agrado do grande público. Bom para a indústria do cinema e para Hollywood, que encontrou aí um inesgotável “filão” para ganhar dinheiro.

Mas o tema é, também, velho e recorrente na política. Ao examinarmos o passado político brasileiro – remoto ou recente – encontramos inúmeros episódios de “tentativas de ressureição”. Felizmente para nós, invariavelmente mal sucedidas. Aí estão os exemplos do Ademar de Barros e do Jânio Quadros, e mais recentemente, do Malluf e do Collor.

Pois é aqui, neste remoto Rio Grande é que surge a mais nova, insistente, quase frenética, tentativa de ressureição. A personagem-postulante, a ex-governadora em exercício busca, de todas as formas e com forte apoio da mídia cabocla – e em especial do Correio do Povo do grupo Record – a recuperação de sua combalida imagem.

Envolvida em denúncias de desvios antes mesmo de assumir, a arrogância, a presunção e o autoritarismo foram marcas registradas do seu (des) governo. O resultado não poderia ser outro: nos últimos meses teve a pior avaliação dentre todos os governadores do país, sendo sua rejeição a maior.
A mídia local tentou sempre preservá-la, protegê-la, atribuindo-lhe qualidades e méritos inexistentes. “Uma esplêndida recuperação das finanças estaduais”, “déficit zero”, equilíbrio fiscal, base para a “construção de um novo Rio Grande”, afirmaram e afirmam sem pejo, à exaustão. Tudo postiço. A dívida estadual e os encargos do seu serviço cresceram, aumentou o déficit previdenciário, o governo não aplica os mínimos constitucionais em Saúde e Educação. Só aí “alivia” o déficit, ao sonegar 2 bilhões a cada ano à área social. E, ainda assim, em 2009 o balanço das contas do Tesouro registra um déficit de 67 milhões de reais.

Ela esteve por cair, foi por pouco, salvou-a o apoio incondicional do dr. Simon e de sua turma do PMDB. É, o dr. Simon aquele mesmo que faz pose de paladino da ética e que há alguns atrás ameaçou renunciar seu mandato de senador, alegando “desencanto com a política”.

Neste início de 2010, “salva pelo congo” a personagem-postulante começa a encenar a “farsa da ressureição”. Não lhe falta o apoio midiático: todos os dias os veículos locais e, invariavelmente, o Correio do Povo apresenta em destaque a postulante em “um mundo cor de rosa”: anunciando superávits, inaugurando obras, prometendo investir 2,8 bilhões em 2010. Se examinarmos o balanço consolidado do Estado de 2009, verificaremos que foram aplicados em investimentos “no amplo senso”, incluídas aí as inversões financeiras apenas 660 milhões de reais, o que significa que para obras destinou-se algo na faixa dos 400 milhões. Como investir 2,8 bilhões em 2010? Isso é uma irresponsabilidade: é anunciar e prometer o impossível!

Fiquem descansados os gaúchos. Apesar deste “generoso apoio” do Correio do Povo e dessa lamentável mídia cabocla – que não noticia e analisa fatos, mas que monta e encena pantomimas – a desejada “ressureição” não vai ocorrer. Ela é apenas mais uma esperança vã.

Ilustrações: Sátiro-Hupper

7 Comentários on “Yeda e o sonho da ressurreição”

  1. #1 marcos
    on Mar 22nd, 2010 at 7:15 pm

    É uma acinte o desfile de fotos de Yeda e seu mundo de faz de conta nas páginas do Correio do Povo, consegue ser tão ruim quanto as asneiras de Zero Hora !

  2. #2 Padilha
    on Mar 22nd, 2010 at 7:29 pm

    Tomara, mas tu sabe que o povo gaúcho anda tão sem vergonha que eu não dúvido de mais nada!

  3. #3 Renato Arthur
    on Mar 22nd, 2010 at 9:46 pm

    Ocorre que pmdb resolveu apoiar Dilma? e o psdb ficou sem palanque so restou yeda. Era tudo que o Serra não queria.

  4. #4 Sofio da Luz
    on Mar 22nd, 2010 at 11:26 pm

    É oportuna esta ‘peça’ publicitária do ‘ novo jeito de ressuscitar’. Em plena Campanha da Fraternidade que tem o sugestivo slogan ” Não se pode servir a Deus e ao dinheiro”, e no cintexto da fantástica equação coelho+ovos=chocolate/Jesus, o mínimo que poderíamos esperar é vê-la sendo crucificada(crusyus!) entre ladrões. Talvez se pudesse sugerir que após realizar os milagres de comprar uma Mansão no final da sua campanha ao governo do estado, de afundar até o pescoço num mar de lama(?)e corrupção nunca visto antes neste Rio Grande, e , num passe de mágica, aparecer por cima, ‘pagando’ de poderosa. E de gritar aos 4 ventos(rádio, jornal, tv, outdoors) as palavras mágicas: “Déficitis zerus”! Em meio a dívidas com Banco Mundial, os piores salários do Brasil na educação e na segurança(?) pública, e o déficit de 67 milhões no balanço das contas do Tesouro. Ela finalmente ressuscite, voe para muito longe e não apareça mais em carne-e-osso.

  5. #5 claudia cardoso
    on Mar 23rd, 2010 at 2:04 am

    Como diz amigo meu, não é de se admirar, se a louca do Piratini receber 15% de votos do eleitorado guasca… Com toda essa “ajuda”…

  6. #6 Luis Armidoro
    on Mar 23rd, 2010 at 7:41 am

    Caros Marco e amigos do RS:

    Observem sempre o que acontece em meu estado natal (SP), onde vivemos uma situação similar à da Alemanha Nazista:

    1 – A imprensa (rádios, tv, jornais, revistas; o PiG enfim) martela 24 horas por dia a incompetência, corrupção e incapacidade do Governo Federal – e esconde o desastre administrativo da administração tucana, que empurra SP para a rabeira em qualquer indicador que se avalie. (repita a mentira até virar verdade, dizia Goebbels)

    2 – A Administração Pública existe para um único fim: promover o Fuhrer da Móoca, que inaugura até maquete (e o PiG bate palmas). Enquanto isto, tarefas importantes para o cotidiano da população (saúde, educação e segurança públicos são largados).

    3 – Jornalistas que ousam criticar o Fuhrer são perseguidos.

    4 – Instalaram-se guetos na capital paulista: as favelas, onde são confinados os indesejáveis nordestinos (não votam); submetidos a raides da PM.

    Vejam bem, porque a lamentável criatura que (des)governa o RS – incapaz de pensar ou racionar, visto a sua limitação intelectual – irá emular seu Mestre (o Fuhrer da Móoca); aplicando em seu estado as “práticas adminsitrativas” do “choque de jestão” tucano – “jestão” com “j” mesmo, porque é obra de jumentos e jegues.

  7. #7 miguel grazziotin
    on Mar 23rd, 2010 at 9:56 am

    Aqui em Caxias do Sul, a rádio São Francisco parece um comite pela Yeda.
    É “fato positivo” sobre o governo e a governadora quase toda hora.
    Sempre nos radiojornais, temos uma boa notícia do governo estadual.
    Chega a ser constrangedor….

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