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Reforma da Saúde: o sentido político da vitória de Obama e o fim da era Reagan

Martín Granovsky, do jornal argentino Página 12, escreveu um ótimo artigo sobre o significado político da expressiva vitória de Obama ao aprovar a Reforma da Saúde no Congresso dos EUA:

Barack Obama apostou todas as fichas e conseguiu uma vitória na reforma do sistema de saúde, algo que Bill Clinton não havia conseguido e que o coloca, na tradição democrata, ao lado de Franklin Delano Roosevelt e Lyndon Johnson. Segundo David Leonhardt, colunista do The New York Times, para além das dúvidas sobre a reforma há uma coisa clara: “A lei aprovada por Obama é o maior ataque do governo federal contra a desigualdade econômica desde que a desigualdade começou a crescer há mais de três décadas”. A reforma da saúde, segundo o mesmo colunista, pode significar, em um sentido mais amplo, o começo do fim da era Reagan. Ele exemplifica:

Na redistribuição do orçamento que bancará o seguro médico participarão obrigatoriamente com seus aportes as famílias com renda superior a 250 mil dólares anuais. Está calculado pelo Tax Policy Center, de Washington, que, em 2013, as famílias com rendimentos superiores a 1 milhão de dólares/ano pagarão 46 mil dólares a mais do que hoje. Também sofrerão recortes os subsídios aos atuais seguros de saúde de executivos e acionistas de grandes empresas de seguros. Os pobres que até agora não recebiam ajuda passarão a recebê-la e as famílias com renda anual de 88.200 dólares, abaixo da qual encontra-se a linha da pobreza, serão beneficiadas. (A íntegra do artigo)

2 Comentários on “Reforma da Saúde: o sentido político da vitória de Obama e o fim da era Reagan”

  1. #1 Fernando
    on Mar 29th, 2010 at 4:43 pm

    Quando morava nos Estados Unidos morava num lugar excelente, um condomínio com piscina, perto da praia, tinha um carro ótimo, etc. Mas nunca consegui ter um bom plano de saúdo por ser absolutamente
    proibitivo.

    Tive um único problema de saúde quando morava em Fort Lauderdale, uma pedra no rim. Fui para uma emergência muito boa, rápida, fui mutíssimo bem atendido, me liberaram algumas horas depois, medicado, sem dor. Quando me apresentaram a conta quase que tive uma síncope. 1.500 dólares!! Tive que marcar uma consulta com um especialista no outro dia, mais 750 dólares!!

    Apesar de ter sido um baita desfalque no meu orçamento, paguei, mas fiquei pensando que ao invés de torrar em carro e “condo” de luxo, devia ter me precavido melhor para uma eventualidade. Fiz um levantamento de um plano de saúde mediano, não tenho doenças crônicas, não sou fumante nem sedentário. Queriam me cobrar 600 dólares por mês!!

    Resultado? Não fiz plano de saúde algum, e tratei de ir ao médico sempre que vinha a Porto Alegre.

    E tem gente que fala mal do SUS…

  2. #2 Jorge Nogueira
    on Mar 30th, 2010 at 8:41 am

    Achei esse artigo ufanista demais! A reforma “estatizante” de Obama foi celebrada pelo mercado financeiro e as seguradoras não deram um único pio (algumas até financiaram a campanha do Democrata). Porque? Porque a reforma de Obama vai garantir o lucro delas de qualquer jeito! E vai deixar sim setores da população descoberto e sem alternativa nenhuma!

    Por isso acho exagero dizer que ela significa a superação da era Reagan. E se estivermos pensando no neoliberalismo é só olhar a realidade ao nosso redor e se darão por conta de que nem com a crise financeira as classes dominantes recuaram no neoliberalismo! Ou o neoliberalês não segue nos discursos e reivindicações das classes dominantes globais?

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