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Assassinato de Eliseu Santos: coincidências demais

Na coletiva que concederam sobre a morte de Eliseu Santos, os promotores até que se esforçaram para negar que haja uma crise entre o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil. Mas há. É evidente.

E a razão é uma só: a se confirmar a tese dos promotores de que Eliseu Santos foi morto por vingança e não num crime de latrocínio como sustentou a Polícia, esboroar-se-ão os elogios que a Polícia recebeu por ter, suspostamente, desvendado o crime em menos de 100 horas. Aliás, se o MP estiver certo, o que era elogio vira suspeição: afinal, porque a Polícia encerrou o caso tão rapidamente se havia, ainda, hipóteses a investigar antes de ser possível descartá-las? Teria havido pressão política para que as relações perigosas que o secretário de Fogaça mantinha não viessem a público?

Mas se os membros do MP agiram com elegância nas críticas que fizeram ao inquérito (falaram apenas em “ânsia de apresentar resultados”), o mesmo não se pode dizer dos delegados da cúpula da Polícia Civil. Alexandre Vieira, por exemplo, fez frases fortes como: “…eles (o MP) não tem absolutamente nada…” ou “…estamos com receio de que venham estragar esta investigação…” Tanta imprudência não convém a um delegado que comanda uma divisão já que antes de afirmar que os promotores não tem nada, preveniu-se dizendo “…se houver uma ligação telefônica, realmente eles vão ter uma prova…”. Quer dizer que o delegado Alexandre não tem certeza sobre se há ou não uma ligação telefônica entre os matadores e os supostos mandantes? E se houver?

Sobre a possibilidade de a investigação policial ser “estragada” pelo Ministério Público, bem, é dever dos promotores aprofundar a busca pela verdade em qualquer circunstância, mais ainda quando o inquérito policial não esgota todas as possibilidades de motivação do crime como parecer ter ocorrido no caso da morte de Eliseu.

Vieira foi o primeiro a levantar a hipótese de latrocínio. E o fez quando todos, policiais e repórteres, trabalhavam na tese de execução. Talvez por isso não tenha controlado a irritação e classificado a manifestação do MP como “…agressão que passou do limite institucional e passou para o âmbito pessoal…”. Seria oportuno que o delegado explicasse melhor esta opinião.

Para além da crise, contudo, há o crime. E aí é que a prova torce o rabo. O delegado Eliomar Franco disse que os matadores de Eliseu só usaram seus revólveres quando já estavam fugindo, ou seja, só atiraram porque o secretário reagiu. E nesta contra-reação é que teriam acertado a vítima. Mas amadores ou não, inexperientes ou não, o fato é que um dos tiros disparados contra Eliseu atingiu-lhe o coração, ou seja, retirou-lhe qualquer chance de sobrevivência.

Ainda segundo o delegado Franco, “…nenhuma testemunha disse que Eliseu estava sendo ameaçado…” Testemunha pode ser que não, contudo, o próprio secretário declarou isso tempos antes. E no depoimento que deu depois do crime, a esposa da vítima, Denise, declarou que o marido a alertara de que estava sendo seguido. Não se sabe o que o delegado Franco entende como ameaça, mas quem está sendo seguido certamente se sente… ameaçado.

Por fim, há um dado absolutamente relevante na fala dos promotores que os homens da Polícia Civil sequer comentam: a relação que havia entre os executores de Eliseu e os donos da empresa Reação. Esta empresa, vale lembrar, foi contratada por Eliseu Santos para fazer a vigilância dos postos de saúde da Capital. E fez o trabalho até o momento em que o proprietário, ex-PM e informante da Polícia Civil, Jorge Renato de Mello, gravou um vídeo em que aparecia pagando propina a um funcionário da secretaria, segundo ele, a mando do próprio Eliseu Santos. A propina, conforme Jorge Renato, seria para futuras campanhas políticas do secretário de Fogaça. Com a denúncia, as relações entre Eliseu Santos e a empresa azedaram de vez e o próprio secretário chegou a afirmar que teria sido ameaçado por “gente da Reação”. Mais: há testemunhas que garantem ter ouvido “gente da Reação” garantir que iria “se livrar do secretário”.

Pois bem, o Ministério Público descobriu que o homem que matou Eliseu Santos, e que por coincidência também se chama Eliseu (Pompeu Gomes), tem um irmão que trabalhou… na Reação. E que na cena do crime havia um quarto homem que seria Marcelo Dias Souza, ninguém menos do que o cunhado da enfermeira que atendeu Eliseu Pompeu Gomes no dia do crime. Coincidências? Para o Ministério Público, não. (Maneco)

11 Comentários on “Assassinato de Eliseu Santos: coincidências demais”

  1. #1 mineiro
    on Apr 5th, 2010 at 8:17 pm

    ta parecendo chicacago dos anos 20. se o povo de rs nao der uma virada , a coisa ta feia , tem que dar uma varrida nesse lixo de uma vez por todas. do geito que ta o caminho é a mesma coisa de sp . toma cuidado povo do rs , voces acredito eu nao igual ao povo de mg e sp. ainda ta em tempo , chuta essa lixeira para longe. um povo que preserva as tradiçoes nao pode se sugeitar a isso , tem que ser dilma na pres. e o candidato ai , eu nao sei qual é melhor, mas nao sendo dos demonios tucanos menos mal.

  2. #2 claudia
    on Apr 5th, 2010 at 8:34 pm

    Alexandre Vieria foi um dos delegados presos, pelo Governo Olívio Dutra, por fazer parte da banda podre da polícia. Ainda lembro dele algemado. Depois de tantos anos, não sei em que pé anda o processo. Outra, esse senhor tb foi causador da demissão do Secretário de Segurança Ênio Bacci. Por isso, é preciso estar atento aos poderes deste sujeito dentro da Polícia Civil.

  3. #3 Suzie
    on Apr 5th, 2010 at 10:47 pm

    Reforçando …o tal “anjo” Vieira…
    “Sobre os rumores de sua saída do governo, Bacci disse que eram boatos. Entrevista vai, entrevista vem, o secretário afirmou que o delegado Alexandre Vieira liderava um complô para derrubá-lo. A central de boatos funcionaria num computador da 17ª DP. O governo, Bacci à frente, estaria perto do fígado de policiais articulados com o crime organizado. Alexandre Vieira entra no ar, ao vivo. Disse que o secretário era leviano. A governadora estava na escuta e também entrou em campo. Classificou o episódio como “briga de guri”. No dia seguinte, Enio Bacci foi demitido. Oficialmente, porque ele optou “por expor, publicamente, fortes divergências internas dentro da Secretaria”.

    O delegado Alexandre Vieira foi preso em maio 2002, acusado de extorsão, prevaricação, falsidade ideológica, lavagem ou ocultação de bens e falso testemunho. Respondeu a processo e foi absolvido. Desde então, não estava lotado em delegacias distritais ou especializadas. No dia 15 de janeiro de 2007, foi lotado como titular na 17ª DP, instalada na região central de Porto Alegre – área com muitos bingos, jogo do bicho, tráfico de drogas, prostituição e pirataria. Agora, está afastado por determinação da governadora.”

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=429IMQ003

  4. #4 ilo
    on Apr 5th, 2010 at 11:23 pm

    Não tem jeito de se livrar do delegado Alexandre Vieira, como diz o outro, o homê é imexível e imorrível.

    Mas o fato é que temos mais um episódio burlesco e provinciano na aldeia, pintados para a guerra a polícia civil passou recibo de pequenez.

    O MP está fazendo seu papel e agindo conforme a lei, sobretudo conforme os fatos que apontam para um crime mais complexo do que o desejo de certos grupos palacianos.

  5. #5 Teresinha Carpes
    on Apr 6th, 2010 at 12:39 am

    Porque o MP,não denuncia o delegado Vieira,os promotores e a promotara,aguentoram firmes os desaforos do tal Vieira q é perigoso,mas os procuradores tem meios de fazer com que este cara respeite mais,o MP!Agora estou me lembrando mesmo êle o Vieira q ocupa um cargo importante neste latifundio de cargos dos cumpinchas da yed,e a Rádio Pampa,e a Bandeirantes,advinquem que êles apoiaram?Ora,a polícia política da Yeda(PSDB) E O Fogaça(PMDB)eSTE vIEIRA SAIU ALGEMADO POR PERTENCER A BANDA PODRE DA pOLÍCIA!s!São esta gente,q governa o EstDO E QUER GOVERNAR O pAÍS!!!

  6. #6 Luis Armidoro
    on Apr 6th, 2010 at 7:35 am

    Caros Marco, Maneco e amigos do RS:

    Não podemos generalizar, mas não se esqueçam de reportagens publicadas na revista “Carta Capital” (não me recordo a edição) a respeito do reacionarismo do Ministério Público Estadual do RS; ao promover uma ofensiva contra movimentos sociais.

  7. #7 ralf oliveira
    on Apr 6th, 2010 at 9:33 am

    “Judiciário concede liberdade provisória a delegado Alexandre Vieira
    O Delegado Alexandre Vieira, 47 anos, foi libertado no final da tarde desta segunda-feira (15/07). Ele se encontrava preso na cela do Grupamento de Operações Especiais (GOE), no prédio da Central de Polícia, em Porto Alegre, desde 20 de abril de 2002. A 5ª Vara Criminal, que havia decretado a prisão preventiva do policial, determinou agora sua libertação” . . . Noticiado em 15.07.2002 no site do Tribunal de Justiça, este sujeito não tira ninguem pra compadre !

  8. #8 Daniel Damiani
    on Apr 6th, 2010 at 1:49 pm

    Uma coisa me intrigou na versão rápida da polícia civil: criminoso tem profissão regulamentada?

    Porque ladrões de carro não poderiam (assim como qualquer pessoa) cometer um homicídio?

    O conselho dos assassinos não emite carteira de assassino pra assaltante de carro?

    E na área onde se rouba carros não se pode cometer assassinato?

    O Eliseu tinha só carteira A de criminoso que não permitia cometer assassinato, só latrocínio?

    Sim, porque o fato do Eliseu, o guri que atirou, ter envolvimento com gangue de roubo de carros e a região ser alvo de uma gangue foi o argumento furado utilizado pela polícia

  9. #9 antenor
    on Apr 6th, 2010 at 6:59 pm

    Marco,
    meu comentário sumiu. Esboroou-se?

  10. #10 Marco Aurélio Weissheimer
    on Apr 6th, 2010 at 8:30 pm

    Opa. Qual comentário, Antenor?

  11. #11 antenor
    on Apr 7th, 2010 at 9:58 am

    Marco, eu enviei um comentário que falava algo sobre a ressurreição do velho Alexandre Cofrinho, como o delegado é chamado nas altas rodas da malandragem,pelo governo desta “proba” senhora e de seus aliados, mesmo depois de ter sido tirado do ar no governo Olívio. E dizia ainda que tenho a esperança de que para o ano que vem as coisas mudem, pois ele(a)s, como já dizia o Maneco, ESBOROAR-SE-ÃO.
    Um abraço.

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