Austeridade e transparência nos gastos públicos. Essas foram duas das regras anunciadas pelo governo Yeda Crusius (PSDB) como definidoras da política do déficit zero e do “novo jeito de governar”. Condutor dessa política, o ex-secretário da Fazenda, Aod Cunha, parece não ter julgado necessário aplicar essas regras dentro de casa. Mais de um ano depois de sua saída do governo, a população gaúcha ficou sabendo que ele e outros secretários recebiam uma gratificação ilegal de R$ 4,2 mil mensais.
Quem diz que ela é ilegal é o procurador geral do Ministério Público de Contas, Geraldo da Camino. Enquanto pregava arrocho salarial para os servidores públicos, Aod Cunha, como secretário da Fazenda, autorizava o pagamento da gratificação para si mesmo e para outros secretários como Mateus Bandeira (Planejamento, agora no Banrisul), Mariza Abreu (Educação, outra que defendia o arrocho salarial dos professores) e Carlos Otaviano Brenner de Moraes (na época, no Meio Ambiente). Em parecer encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado, Da Camino pede que Aod Cunha, na condição de Secretário da Fazenda e autorizador da despesa, devolva cerca de R$ 96 mil aos cofres públicos (valor referente ao pagamento de gratificações a secretários no ano de 2008).
Essa não é a primeira notícia dando conta do pagamento de “gratificações especiais” para secretários do governo Yeda. Ronei Ferrigolo, ex-presidente da Companhia de Processamento de Dados do Estado (Procergs), recebia uma “complementação salarial” de R$ 15 mil pagos pela entidade que o indicou para o governo, no caso a Federasul. Erik Camarano, por sua vez, recebia um complemento por meio de sua empresa de consultoria, a Pólo RS (uma ONG patrocinada por grandes empresários gaúchos).
É sabido que os salários de secretários são baixos, quando comparados ao de diretores e executivos da iniciativa privada. Em tese, aceitar uma indicação para uma secretaria exige espírito público, o que significa, entre outras coisas, aceitar ganhar menos. Mais ainda em um governo que aplicou um brutal arrocho salarial sobre os servidores e impôs um corte de custeio linear de 30% logo de saída. Mesmo assim, alguém ainda poderia considerar razoável um secretário de Estado receber uma gratificação mensal de R$ 4,2 mil, além do salário, pelos serviços prestados. O que não é nem um pouco razoável é manter isso escondido enquanto se discursa pedindo austeridade e sacrifício aos demais funcionários públicos.
Quando assumiu a Secretaria de Planejamento no início do governo Yeda, Ariosto Culau repetiu o mantra: “um choque de gestão será fundamental para estabelecer prioridades”. “Vamos gastar menos com contas de telefone, luz e água e tornar os processos de arrecadação mais eficientes”, anunciou. Uma das primeiras medidas de Culau, em 2007, foi o congelamento de parte dos salários do funcionalismo, fixando o texto de 2.500 reais por servidor e postergando o depósito de diferenças acima desse valor.
Então é isso aí: choque de gestão, arrocho e déficit zero para a maioria da população e dos servidores, e um complemento, uma gratificação amiga para os “de casa”, que ninguém é de ferro.


on Apr 8th, 2010 at 6:52 pm
O rapaz de recados da RBS, aquele jornalista investigativo de vereadores do interior jamais ficou sabendo disso. Foi preciso uma investigação árdua para se chegar a esse dado, né, pessoal? Não sei de quem o despudoramento é maior, se desses predadores ou dos seus porta-vozes. São uns sem-vergonha. Não assino mais por Diários Oficiais com roupa privada, mas sigo pagando impostos, então, Devolvam meu dinheiro, canalhas!
on Apr 8th, 2010 at 8:04 pm
Caros Marco e amigos do RS
Este foto parece a da convenção de membros de uma sociedade secreta de adoradores do Livro Negro de São Cipriano, ou algum workshop de sacanagens
on Apr 8th, 2010 at 9:46 pm
Claro, primeiro cada um deles encheu os bolsos, as guaicas e as cuecas de dinheiro, sem a menor cerimônia. A 1ª coisa que Yeda fez foi comprar a casa e aumentar o seu salário em 147%. Aí a companherada saiu botando a mão no nosso dinheiro e discursando austeridade.
on Apr 9th, 2010 at 8:11 am
Essa devolução é fácil: basta dona Yeda-Por-Menos-de-Cem-Mil-Eu-Nem-Levanto-da-Cadeira levantar da cadeira e deixar o troco de gorjeta para os cofres públicos.
Hein?…
Ah, ela tinha falado no sentido contrário?!
Mas ela é a mãeZona desse pessoal. É verdade que anunciou publicamente o fechamento das torneiras CX 2, 3 e 4 para seus afiliados e até deu-lhes o telefone do Dr. Cada-Um-Por-Si. Mas isso não assustou ninguém tampouco acordou a boiada. Então, acho que a quem não se suicidar antes ela vai dar um jeito de ajudar.
on Apr 9th, 2010 at 10:49 am
O que espanta é que, sob a fleuma da austeridade e desse papo bocó antipublicismo e antirrepublicanismo, há um comportamento delinquente e indolente. Uma falta total de modos, um descompromisso lúmpen com a lei. É como um bando de marginais contratados para cumprir um serviço. Eles podem até cumpri-lo bem, não perguntam quem paga e necessariamente vão tirar mais do que podem, ou do que foi contratado. Não sabem o que defendem, são ignorantes, despreparados. Mas o que realmente os alimenta é um sentimento hostil e delirante, contra a democracia. É uma coisa horrorosa, mesmo.
on Apr 9th, 2010 at 11:49 am
CAMBADA:
Grupo de pessoas, turma (dicionario informal da lingua portuguesa)
Yeda de resultados e sua CAMBADA !
on Apr 9th, 2010 at 12:40 pm
não seria bom esclarecer que a Marisa já tinha devolvido? abraço
on Apr 9th, 2010 at 1:28 pm
Cara de pau, cinismo e hipocrisia, sem limites, são ingredientes sempre presentes no comportamento e na ação dos neoliberais.
on Apr 9th, 2010 at 1:53 pm
Espírito público e mão grande, quiseste dizer…
on Apr 10th, 2010 at 7:14 pm
Um deles (AOD) falou varias vezes que tinha varios convites do exterior.Banco mundial, Universidades americanas etc.Voltou e vai trabalhar na Unimed em POA.
on Apr 11th, 2010 at 10:02 am
ECA! YRC! e AOD!
on Apr 12th, 2010 at 9:25 pm
Quando a gauchada vai acordar?
Será que a alienação e o cabresto são tão fortes assim?
Ou será porque a massa é mais cheirosa?
Deficit zero é alienação burra e muito burra por sinal!