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Choques de gestão?

Miguel Idiart Gomes (*)

É lamentável a morte do estudante Valtair Jardim de Oliveira, 21 anos, na parada de ônibus da avenida João Pessoa, em frente a UFRGS, em Porto Alegre. Como se já não bastasse o descaso com a segurança pública – dias atrás um estudante da UFRGS foi esfaqueado por um ladrão nos arredores da universidade -, agora as paradas de ônibus da capital apresentam um novo risco: choque elétrico.

A universidade já havia comunicado a prefeitura sobre os choques, mas nada foi feito. O secretário de Mobilidade Urbana, Romano Bottin, relatou na rádio Gaúcha que a a parada de ônibus teria sido “interdidata” com uma simples fita e ambulantes a teriam retirado. Também falou que a EPTC teria comunicado a CEEE sobre o fato, uma vez que o problema seria da rede pública de energia elétrica: “A CEEE deveria ter tomado providências”, disse Botin.

O presidente da CEEE, Sérgio Campos de Morais, por sua vez, garantiu que a manutenção do poste de iluminação pública que teria causado a morte do jovem deve ser feita pelas equipe de mobiliário urbano da Capital. Assim, começou o jogo de empurra-empurra entre duas gestões aliadas: prefeitura e governo do estado.

O jovem que faleceu tinha uma banda e seu sonho era seguir nessa carreira. Sua última apresentação foi em São Leopoldo numa festa da Associação dos Funcionários do Banco do Brasil. Na ocasião Valtair insistiu que seus pais e demais familiares fossem assistir ao show. Segundo seu pai, a insistência foi grande, parecendo que Valtair havia sentido naquele momento que seria o último espetáculo de sua vida.

Na noite do absurdo ocorrido, uma testemunha chamada Tânia Moreira, ambulante, foi a primeira a atender o estudante. Segundo ela, o jovem estava gritando com os braços abertos e seus colegas acharam que era uma brincadeira, mas Tânia viu que se tratava de um choque. Tentaram levantar Valtair, mas ele já esatva inconsciente. Então chamaram o SAMU por telefone, o médico orientou para dar um beliscão nele, mas de nada adiantou. Passaram-se mais dez minutos e Valtair teria começado a ter convulsões, e após não reagido mais. Tânia, que trabalha nessa parada de ônibus, relatou que já havia denunciado o problema à prefeitura há mais de trinta dias.

O descaso na manutenção de equipamentos e serviços públicos em Porto Alegre é evidente. Basta andar pelas ruas, vilas e avenidas da cidade para ver a sujeira, buracos, falta de iluminação e principalmente a falta de respeito com a população.

Será preciso morrer mais uma pessoa para a grande imprensa denunciar o descaso com que nós, portoalegrenses e gaúchos, estamos sendo tratados. Estamos reféns desses governos corruptos e incompetentes.

Enquanto isso, o jogo de empurra-empurra continua…

(*) Estudante de Ciências Socias, na Unisinos

13 Comentários on “Choques de gestão?”

  1. #1 Marcelo Ribeiro
    on Apr 14th, 2010 at 2:36 pm

    Esse é o “Programa Luz para Todos”, do pior governo da história do RS!!! E a CEEE ainda diz que não tem nada com isso!!! Será que nenhuma das dezenas de empresas terceirizadas da CEEE percebeu uma barbaridade destas?

  2. #2 mano
    on Apr 14th, 2010 at 2:40 pm

    Já repararam na quantidade de incêndios ocorridos em POA nos últimos meses? É falta de fiscalização? É descaso? A culpa é de quem?

  3. #3 Cesar Shu
    on Apr 14th, 2010 at 3:27 pm

    Como é mesmo a musiquinha? Ah, lembrei! “Fogaça-a-a-a-a!”

  4. #4 ilo
    on Apr 14th, 2010 at 3:39 pm

    Quando eu digo que o RS, hoje, é um dos estados mais atrasados do país, as pessoas que passam o dia lendo ZH e assistindo a globo acham que é exagero.

    Também não se pode esquecer outro fato lamentável, a morte de uma estudante da UFGRS na João Pessoa soterrada por uma marquise, jovem aluna do curso de direito.

    Isto é um absurdo, é mais perigoso ser estudante da UFGRS do que soldado no Iraque ou Afeganistão!!!

  5. #5 Farpa
    on Apr 14th, 2010 at 3:42 pm

    Gente, a responsabilidade maior é da SMOV, pois o DIP (Departamento de Iluminação Pública) é o mantenedor da rede elétrica publica, o que era o caso do poste dentro da parada de onibus. Portanto dessa a CEEE está livre, a Pref. de Poa do glorioso Fogaça/Fortunati são os únicos responsáveis por essa tragédia, falta de manutenção e incompetencia levam a resultados desastrosos.

  6. #6 gerson luis miltzarek
    on Apr 14th, 2010 at 3:46 pm

    PARADA DA MORTE!

  7. #7 Maria Ivony Rodrigues
    on Apr 14th, 2010 at 6:48 pm

    No dia 19/02/2010 protocolei pedido (nº 0186661001) – isso depois da CEEE dizer NÃO SER DE SUA COMPETÊNCIA – para poda de galhos de uma caneleira que está dentro do meu pátio, e que, bate nos fios de alta tensão, provocando incêndio e talvez até energizando a mesma. Ontem resolvi perguntar quando viriam cortar os galhos e, pasmem, ao reclamar sobre a demora, me foi informado que terá que ser feita uma “vistoria”, para só depois de concluída, ser feita a dita poda, dos ditos galhos…. Quando? Só Deus sabe a resposta! Me pergunto: Que tipo de vistoria? Até onde eu saiba, isto nunca foi necessário… Vão esperar pegar fogo em minha casa, para somente depois fazerem a sua obrigação? Entre uma vistoria e o corte dos galhos, deve existir algo que a minha vã filosofia não alcança!
    Maria Ivony

  8. #8 suzete
    on Apr 14th, 2010 at 7:28 pm

    Marco, tenho motivos fortes para suspeitar que os comentarios sobre esta matéria no clicrbs, dando muito pau no fogaca sumiram. Tinha mais de 300 comentários e agora só tem 38, sendo que só consegui abrir DOIS!!
    É possível verificar isto????

  9. #9 Marco Aurélio Weissheimer
    on Apr 14th, 2010 at 9:25 pm

    Vou tentar, mas acho que não tenho como verificar isso, Suzete. Abraço.

  10. #10 marcos
    on Apr 15th, 2010 at 6:42 am

    Este é o choque de gestão, cantado em prosa e verso pelo Partido da RBS como a salvação da pátria guasca !

  11. #11 Tulio
    on Apr 15th, 2010 at 8:58 am

    Pior é assistir o Sr. “Butim”, atual diretor da EPTC, em entrevista à rede local de TV afirmando que a culpa é da populção, por não respeitar “áreas isoladas”.

    Uma vergonha isso tudo. Pertencendo ao quadro de funcionários municipais, é só o que resta sentir…

  12. #12 Suzie
    on Apr 15th, 2010 at 10:01 am

    Adorei ler mais um post do Miguel no RS Urgente!

  13. #13 Sobradinho
    on Apr 15th, 2010 at 10:53 am

    Certa vez fiz um comentário com relação a um fato semelhante a este, o ocorrido na Av. João Pessoa, em que uma marquise desabou e matou uma jovem universitária, e agora me dou o direito de dizer novamente, não sei se a morte foi o fato mais relevante neste momento, face a omissão, mas levando em consideração o empurra das responsabilidades, fico a imaginar que a a morte do jovem é encarada como um caso normal, tamanha a falta de respeito de Agentes Públicos ao se manifestarem perante a mídia, em que o caso é tratado de forma totalmente irresponsável, com total desrespeito com os familiares, com a sociedade como um todo, com o cidadão que paga impostos, com a forma cruel e estúpida que ocorreu neste caso, com o cuidado dos Agentes Públicos em tangenciar as respostas para se eximir da responsabilidade cívil e criminal, que a sociedade requer esclarecimentos, para que o fato não se transforme em dimensões polêmicas, que vão da omissão e talvez a execução deste jovem, em que é impossível se relatar de forma diferente, em que o Pres.da CEEE, o Diretor da EPTC, o Secretário da SMOV e o Pref. Mun. POA Sr. Fortunatti tratem este caso de uma forma tão cruel com os familiares deste jovem. Foram ao local do crime tentar dar explicações, porque o que ocorreu foi uma execução face a omissão total dos órgãos que deveriam preservar, fiscalizar, tomar todas as medidas imediatas desde o momento em que foi relatado por várias pessoas aos órgãos fiscalizadores. Espero que estes Agentes Públicos venham a público e se responsabilizem pelo fato ocorrido, também espero que estes órgãos públicos façam a devida reparação de indenização aos familiares do jovem executado, que não fiquem discutindo no Poder Judiciário que os mesmos não são responsáveis pelo fato ocorrido, que esta família, neste momento tão triste, sejam indenizados na forma da lei, não que esta indenização mudará os fatos, mas que sirva de exemplo para que outros fatos semelhantes não ocorram mais, que ao que parece se tornaram rotineiros neste Município e Estado. O povo de POA e todos os gaúchos neste momento estão de luto.Espero que não venham a público dizerem também que este ano é eleitoral e que estão criando polêmica neste caso com fins eleitorais, porque está sendo normal neste Estado, que tudo que deve ser investigado não tem o resultado e talvez a investigação a priori, porque o ano é eleitoral, e que as investigações devam ser realizadas em outro momento. Aos familiares meus sentimentos.

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