Paulo Muzell
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal enviou para votação em plenário o Projeto de Lei 265/2007, de autoria do deputado Paulo Maluf (PP-SP). Trata-se de um novo “projeto-mordaça”, que responsabiliza pessoalmente com o pagamento de indenização o promotor ou procurador que “agir de forma política ou de má fé”. O óbvio objetivo do projeto é intimidar os agentes do Ministério Público e impedi-los de recorrer aos institutos da ação popular, da ação civil pública e da ação de improbidade. O projeto de lei caracteriza-se como típica iniciativa de quem legisla em causa própria. Maluf é processado por corrupção aqui no Brasil e também no exterior. Um procurador de Nova York incluiu-o na lista dos procurados pela Interpol, o que significa que o ex-prefeito poderá ser preso ao se afastar do Brasil. Estranhamente o projeto recebeu o apoio do líder do governo Lula na Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) que “liberou a base” para votar como quiser e informou que a tendência do PT é votar contrariamente à iniciativa malufista. Menos mal.
A pergunta inevitável é: como este obscuro personagem, depois de décadas de práticas suspeitas, de dezenas de denúncias de envio ilegal de divisas para o exterior, de lavagem de dinheiro, de manipulação de licitações públicas e de muitos outros crimes do “colarinho branco” ainda está por aí, circulando impune, em pleno exercício de seus direitos políticos e, o pior, exercendo um elevado cargo de representação popular?
Uma das respostas óbvias é algo que todos sabemos: a baixíssima confiabilidade do sistema judiciário brasileiro. Caro, lento, empolado, corporativo, possibilitando excesso de recursos e expedientes de protelamento, que favorecem e tornam impune a bandidagem endinheirada. Aí está o processo Daniel Dantas-Opportunitty que é, provavelmente, o exemplo mais marcante e emblemático do que afirmamos.
Exemplo recente do flagrante corporativismo dos magistrados ficou claro quando o recém empossado presidente do Supremo mexeu numa verdadeira “abelheira” ao abordar o tema-tabú das escandalosas férias dos juízes brasileiros, propondo a sua redução. Pipocaram em todo país manifestações contrárias das suas associações de classe. Enquanto o cidadão comum tem direito a 30 dias, os juízes gozam 60 dias e mais, em média, 19 dias relativo a períodos de recesso. Essa anomalia permite que muitos magistrados “abram mão” de parte das férias, faturando um 14° e não raro um 15° salário no exercício, acrescido de um terço a mais que eleva os já polpudos salários.
Aqui neste cantinho do extremo sul do país tivemos recentemente dois lamentáveis exemplos do gritante conservadorismo, da submissão do Judiciário e do seu atrelamento à chefia do poder executivo. O primeiro foi o indiciamento, pelo Tribunal de Justiça, de uma vereadora da capital e da presidenta do CPERS , transformadas em réus numa ação movida pela ex-governadora em exercício. O pivô da ação foi a manifestação realizada frente àquela famosa “casa de origem suspeita”. O segundo foi a reversão, também pelo Tribunal de Justiça (TJ), de uma liminar que impedia a posse do ex-presidente do Banrisul como juiz do Tribunal Militar. Fez-se, novamente a vontade da soberana, o TJ reverteu a decisão judicial de primeira instância.
Fica fácil concluir porque o Ministério Público e não o Poder Judiciário é o alvo escolhido pelo ataque malufista.


on Apr 18th, 2010 at 7:26 pm
Ferias escandalosas dos juízes ?
Porque os trabalhadores não se propõem conquistar 60 dias para si eles mesmos ?
Perderam o pique, aprenderam a baixar o topete, pararam de morder os freios ?
Enquanto os siris do balde não se dão conta de que devem se ajudar a fugir ao invés de puxar os outros para baixo, uma juiza minha amiga diz que topa, desde que lhe paguem as horas extras.
Outra dica: querem justiça mais rápida ? Indaguem à OAB se nada do código de processo civil e penal pode ser abreviado. Afinal, processos complicados e demorados botam o pão na mesa deles.
on Apr 18th, 2010 at 8:37 pm
É fácil,encontrar alguém muito pior do que Maluf!Tem pessôas exercendo cargos de governadora/governador,que além de “supostamente”afanar,mandam MATAR!!!O Maluf,já mandou matar?Não?pois então não é tão perigoso assim,já esteve até atrás das grades,e os que mencionei acima,foram para trás das grades???Logo…
on Apr 19th, 2010 at 12:03 pm
Na primeira tentativa de aprovar uma Lei da Mordaça, no governo FHC, os parlamentares do PT fizeram um bonito movimento contrário ao projeto de lei, aparecendo todos amordaçados no plenário, foto registrada em quase todos os jornais. Hoje, o líder da bancada do partido é um entusiasta da Lei e os demais parlamentares do PT evitam declarar sua posição sobre o assunto. Por quê? Quem quer intimidar o ministério público é ligado ao crime organizado do colarinho branco. O que mudou no PT?