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Serra repete o discurso pró-ALCA da campanha de Alckmin em 2006

O pré-candidato à presidência da República, José Serra (PSDB), vem tentando consertar as críticas que fez ao Mercosul durante palestra na Federação de Indústrias de Minas Gerais. Serra disse que o bloco sulamericano era uma “farsa” e “uma barreira para que o Brasil possa fazer acordos comerciais”. Diante da repercussão negativa das declarações, especialmente nos países parceiros do Brasil no Mercosul, o ex-governador de São Paulo recuou dizendo que defende apenas a “flexibilização do bloco”. “O Mercosul deve ser flexibilizado de modo a evitar que seja um obstáculo para políticas mais agressivas de acordos internacionais”, disse Serra em entrevista à Folha de S.Paulo. A mudança de discurso, na verdade, foi uma troca de seis por meia dúzia. A integração sulamericana nunca faz parte da agenda de Serra e de seu partido o PSDB.

Além de desastradas diplomaticamente, as declarações de Serra não são sequer originais. Elas foram repetidas por lideranças tucanas no início da campanha de Geraldo Alckmin, em 2006. Logo após ser anunciado como candidato do PSDB à presidência da República, Alckmin começou a discutir com um grupo de especialistas reunidos por ele, que recebeu o apelido de República dos Bandeirantes. Esse grupo definiu a agenda do que seria um governo tucano no Brasil: reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais, fusão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (ou seja, o fim deste último), adoção da política do déficit nominal zero, menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

Ao chamar o Mercosul de “farsa” e defender a “flexibilização” do bloco, Serra está apenas repetindo o que disseram em 2006, Roberto Giannetti da Fonseca (empresário, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior), Arthur Virgílio (então líder do PSDB no Senado) e o governador de Minas Gerais Aécio Neves, entre outros. Em matéria publicada no dia 10 de janeiro de 2006, a Folha de S.Paulo definiu assim o pensamento de Giannetti da Fonseca sobre uma futura política externa tucana: “pouco simpático ao Mercosul no formato atual, cobra evolução mais rápida dos acordos comerciais com a ALCA e as negociações com a União Européia”. Em novembro de 2005, o senador Arthur Virgílio aproveitou a visita de George W. Bush para defender a retomada das negociações da ALCA.

Para Virgílio, a aliança comercial com os EUA era de interesse do Brasil e deveria “ser buscada e perseguida e não suportada ou adiada”. A ALCA surgirá com ou sem o Brasil, profetizou na época o senador tucano. “Sem o Brasil, ela fará a alegria do México”, acrescentou, defendendo que a prioridade da política externa brasileira deveria ser um pacto político com os EUA em troca de vantagens comerciais claras, incluindo aí a queda de barreiras alfandegárias. Nenhuma das previsões do senador se concretizou. A ALCA não surgiu sem o Brasil e o México não fez a festa com ela. Quando a maioria dos governos da América Latina decidiu apostar na integração regional em detrimento da proposta da ALCA, o discurso tucano perdeu força, sendo agora recuperado por Serra.

A simpatia do PSDB em relação à ALCA manifestou-se também através de outras iniciativas. Em 2003, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, encaminhou correspondência ao presidente Lula apresentando a candidatura de Belo Horizonte para abrigar a sede permanente da secretaria geral da futura Área de Livre Comércio das Américas. Na carta, Aécio defendeu, entre outras coisas, que o Brasil deveria incluir, na sua pauta de negociação sobre a criação da área de livre comércio hemisférica a proposta de trazer para cá a sede da organização. “A questão da cidade-sede da área de livre comércio torna-se particularmente estratégica. São evidentes os ganhos oriundos de abrigar a ALCA não apenas para Minas Gerais, mas para todo o Brasil”, profetizou o governador mineiro.

7 Comentários on “Serra repete o discurso pró-ALCA da campanha de Alckmin em 2006”

  1. #1 Celeste
    on Apr 26th, 2010 at 9:20 pm

    No site do jornal pagina 12 da Argentina, a chamada é ” uno que quiere volver a los ’90″ sobre a posição do candidato que pretende mesmo nos levar de volta a um tempo bastante infeliz para o povo brasileiro, mas no qual alguns fizeram ou começaram a fazer extraordinarias fortunas.

  2. #2 Marlene
    on Apr 26th, 2010 at 9:21 pm

    É o vampiro botando as asinhas de fora. Chôôô, urubu! Quanto mais ele fala, mais votos ele perde.

  3. #3 mano
    on Apr 26th, 2010 at 9:54 pm

    Ele quer recuperar o tempo perdido…Está com a agenda do instituto millenium…do millenium passado.Quanto retrocesso em uma pessoa só. Isso que dá acordar tarde…perde o bonde da história… ele tem refluxo ao falar mal do Lula…Freud, Reich, Jung, o Dr. Pinel, todos explicam. Vendeu a alma e o passado retorna enquanto sintoma.

  4. #4 elektrofossile
    on Apr 26th, 2010 at 10:29 pm

    Permalink http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-144615-2010-04-26.html

    Mas não seja por isso. Muitos exportadores brasileiros não gostariam dessa política demo-tucana suicida.

  5. #5 Thomas Morus
    on Apr 26th, 2010 at 11:26 pm

    Neoliberais, não estão contentes, só quebraram o mundo duas vezes em menos de cem anos. A miséria e a pobreza que eles causam é inenarrável. Mas se paga menos imposto né….
    Vejam o que está ocorrendo com a Islândia, Lituania, Grecia, e o que vai ocorrer com Portugal e com a Espanha….

  6. #6 Luis Armidoro
    on Apr 27th, 2010 at 8:38 am

    caros Marco e amigos do RS:

    Meu, é realmente um caso para tomar remédio de tarja negra: estes caras querem impor ao Brasil a mesma devastação que destruiu SP (governo tucano é a 11ª praga bíblica, vejam o que a yeda faz ao RS). Me envergonha morar na unidade mais reacionária da federação; alienada pelo PiG e capaz de produzir trastes como estes tucanos

  7. #7 affonso alindo holz
    on Apr 27th, 2010 at 2:14 pm

    A cara que estes dois vermes fazem na foto será da população brasileira se eses trastes viessem assumir novamente o comando do país. Temos que alertar os mais desinformados e não deixá-los que os mesmos deixam se levar pelo maldito anti petismo, $$$, mídia golpista, direitalha safada.
    Tang chen.

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