O deputado Elvino Bohn Gass, líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa, pediu hoje vistas ao projeto 388, do governo estadual, que autoriza a venda ou alienação pelo Estado de uma área de mais de 73 hectares no Morro Santa Teresa, em Porto Alegre. Bohn Gass também levantou, na Comissão de Constituição e Justiça, da Assembléia, uma série de dúvidas sobre o projeto. Algumas das principais são as seguintes:
Quanto vale, afinal, a área da FASE que o governo Yeda quer vender? E quanto custará o processo de descentralização das unidades de atendimento dos menores infratores? Onde serão construídas estas unidades? O governo garante que as novas instalações contarão com pessoal qualificado para atender os internos? O que será feito com as milhares de pessoas que moram na área onde hoje está situada a FASE? Haverá regularização? Como será feito o cadastramento? Estas pessoas vão ser transferidas para outro local? Que outro local? E as áreas de proteção ambiental, como ficam? Quem garante a preservação?
Bohn Gass apontou ainda dois fatos que, na sua avaliação, justificam o cuidado da oposição em relação ao projeto:
“O governo só enviou no dia 18 de março deste ano, uma avaliação da área feita em 27 de dezembro do ano passado, 13 dias depois de o projeto ter sido protocolado. Estranho, não é mesmo? Além do mais, o terreno de 73,3 hectares da FASE, que o governo pretende passar adiante e avalia em R$ 79,3 milhões, ou seja, R$ 1,082 milhão por hectare é uma pechincha se levarmos em conta que, próximo ao local, o Estádio dos Eucaliptos, com dois hectares, foi colocado à venda por R$ 20 milhões.”
Além disso, mencionou a manifestação do Sindicato dos Engenheiros (Senge) que, em nota pública, afirmou que o projeto contém ´flagrantes imprecisões técnicas`. “Sem que tudo isto seja esclarecido, votar este projeto é uma temeridade”, concluiu Bohn Gass.
Foto: Daniel Hammes


on Apr 27th, 2010 at 10:13 pm
É isso aí Bohn Gass! Olho aceso que o que vem desse governo cheira mal. Na certa, pelos encaminhamentos, ela está doando para algum cupincha que depois vai fazer generosas doações para a campanha da Yeda. E vão querer construir em morro para depois desabar tudo com as chuvas. Isso é área de preservação. Não pode ser vendida!!!
on Apr 27th, 2010 at 11:15 pm
Em nome das “crianças “, todos têm muita pressa de entregar o terreno ! Esta pressão, vai de políticos ao MP e judiciário! Precisar resolver o problema dos menores internos da FASE, necessàriamente, não significa desfazer-se do local à trôco de nada e, sabe-se bem para quem !
on Apr 28th, 2010 at 10:12 am
Mandei este comentário para a Coluna da Abelhinha que, em recente post, defendeu a venda do terreno da FASE. Como não tenho esperança de ser publicado por lá, envio para publicação aqui.
“É necessário, realmente, dar uma assistência de melhor qualidade e que possibilite a estes menores infratores uma possibilidade de reintegração.
Assim como é necessário resolver o problema da superlotação no sistema prisional.
O que não se pode deixar de visualizar é que o terreno da FASE situa-se em área nobre, provavelmente vale bem mais que o Executivo pede, e que existem muitas centenas de pessoas que não foram consideradas e que moram no local.
Sem falar no prejuízo ecológico que seria uma construção elitista e de grande porte numa encosta de morro. Ultimamente, todas as tragédias nacionais tem, de certo modo, contemplado construções avantajadas em morros.
É preciso dar voz ao contraditório. Embora a justiça considere a resolução da questão dos menores meritória, não sei se ela fechou questão com a legalidade de construções em zona de risco, com a questão do valor colocado no projeto e outros quesitos.
O Sindicato dos Engenheiros teve manifestação contrária, os moradores, também, os servidores da FASE, idem.
O debate é necessário e a atitude do deputado Bohn Gass é prudente ao pedir vistas ao projeto.”
Rick
on Apr 28th, 2010 at 10:41 am
Eu e minha esposa vínhamos pensando sobre isso dias atrás, quando passamos em frente ao terreno da FASE.
A conclusão, após algumas contas foi a seguinte:
1 – A área, após urbanizada, feitas as devidas doações ao poder público (sistema viário, áreas de preservação permamenente, áreas de escola e outros eventuais equipamentos públicos, etc, etc), vai viabilizar algo em torno de 45% a 65% do seu total;
2 – Calculando o preço de mercado de um terreno no bairro Menino Deus – referêncioa mais próxiama p/ mercado de classe média, encontra-se uma média de preço de R$ 1.000,00/m².
3 – Contas feitas: 73,3 ha=733.000m² * 0,65= 476.450m² x R$1.000= R$ 476.450.000,00
4 – Vamos adicionar um fator valorizador por conta da “vista para o Guaíba” e mais um por conta de “áreas de vegetação”, somados, uns 15%. Chegamos então à um valor bem diferente: R$ 547.917.500,00
Acho que esse valor chega bem perto.
Abraços
on Apr 28th, 2010 at 10:47 am
Mas bah tche! A governadora comprou a casa, digo, a MANSÃO, agora ta vendendo a caso dos outros……..mas como é q pode vivente!!!
on Apr 28th, 2010 at 11:43 am
Não faça caridade ou pose de bonzinho com o dinheiro e o sofrimento dos outros. Não sou um aventureiro e nem invasor. Moro há 50 anos na área da Fase (que não é da Fase, é minha). Meu pai, antes de falecer ano passado, morou mais de 60 anos, assim como toda a minha familia. A atual Fase (mudam as moscas, nesse caso o nome, e a m. continua a mesma), usucapiu a área quando se instalou ali, com meu pai morando no terreno já há 20 anos antes de eles chegarem. No projeto que voce defende, as milhares de pessoas que ali residem, pasmem, algumas desde a década de 30, e documentadas nem sequer são citadas. Além disse meu amigo, vivemos num estado de direito. Pelo que eu saiba, quando se fala em governo, está se falando em povo. Todo o poder emana do povo, principio da Democracia. A área é de proteção ambiental e registrada assim legalmente, portanto a venda é inconstitucional, mesmo que os nobres deputados assim não entendam. Meus pais e quase toda a minha familia, dedicaram metade de suas vidas à causa dos menores com honra e dedicação e temos certeza de que qualquer melhoria e modernização nessa relação sócio educativa é bem vinda. Mas não com esta venda casada e espúria onde se coloca o menor como lastro e motivo para vender de bandeja a última área preservada de Porto Alegre. Não vão levar, não vão vender. Yeda e outros como ela são meros passageiros, más nós os cidadãos, o povo, nós somos eternos…
on Apr 28th, 2010 at 3:05 pm
Marco, hoje na hora do almoço, me surgiu um insigth sobre este caso da venda da FASE.
De uns meses para cá comecei a notar a demonização do uso do crack e a preocupação na recondução de jovens ao caminho da normalidade social, campanha esta capitaneada pela RBS.
Hoje, vejo a Abelhinha pleitiar veementemente pelas crianças e adolescentes da FASE, dizendo que para a ressocialização delas o que menos conta é a venda do terreno da Padre Cacique.
Será que a maquiavélica RBS não contratou uma consultoria psicológica para, pouco a pouco, nos mostrar seu interesse pelos usuários de crack(muitos deles na FASE) e legitimar seus futuros negócios imobiliários?
Além disso, muniu-se de opinião de “especialistas”, fechando o ciclo de que o barulho produzido só tem a função de trancar o tráfego dos carros e servir a corporação de funcionários e certa esquerda…
Não sei se estou certo, mas deiXo aberto o debate.
Abraço.
RicK
on Apr 28th, 2010 at 4:21 pm
A velha prárica: é dando que se recebe… Yeda e seus asseclas e rbs e seu AGLOMERADO…
on Apr 28th, 2010 at 4:22 pm
Digo: prática…
on Apr 28th, 2010 at 7:50 pm
Mas que “indiada” mais insensível!
O negócio é todo voltado para as crianças!
A velha já garantiu a mansão dela e que todos conhecem. A Filha também, e que todo mundo sabe. E os netos não vão levar nada? E a casa de veraneio que vão perder o direito agora no fim do ano, quem repõe?
Estas reclamações são pura inveja e falta de sensibilidade com o futuros dos menores: Cruzius, Credo!
on Apr 28th, 2010 at 8:57 pm
Além da discrepância do valor, que garantia é essa dada pela turma da Yeda: o comprador receberá a área nobre de imediato, mas terá CINCO ANOS para entregar as novas unidades descentralizadas, ver em http://www.stcas.rs.gov.br/portal/index.php?menu=noticia_viz&cod_noticia=4968 , meio escondido, lá no meio do texto.
Nem reeleita??? hahaha ella vai inaugurar a nova FASE !!!
on Apr 29th, 2010 at 9:20 pm
Vc esqueceu de contabilizar os custos de urbanização (terraplanagem, abertura de ruas, esgoto, iluminação publica, etc.)
on Apr 29th, 2010 at 10:32 pm
Esqueceu também:
- Despesas com publicidade;
- Despesas com comercialização (corretagem ~ 6%);
- Impostos sobre a receita (IR, Cofins, PIS, CS);
- custo financeiro (tem que investir primeiro e esperar o retorno em alguns anos).
- taxa de risco (todo empreendimento tem risco….o mercado tem adotado entre 4 e 6%)
Sem contar que tem muito terreno no morro Santa Tereza que não pega R$ 500/m²…….(a base de cálculo foi R$ 1150/m² na média)….
Esse valor de R$ 547.917.500,00 vai cair muito….
on Apr 30th, 2010 at 11:57 am
O que fiz foi meramente um exercício comparativo para demonstrar que obviamente, o valor sugerido está muito abaixo de qualquer realidade mercadológica em Porto Alegre. Quanto aos valores que vce coloca, ao referenciar o valor de mercado de um bairro consolidado, como fiz, adotando o Menino Deus, fica subentendido que esse valor de R$/m² é p/ o preço final de um terreno urbanizado, no qual encontram-se embutidos todos os custos decorrentes de urbanização, comercialização e afins…
P/ falar a verdade, minha opinião é de que um terreno com estas dimensões e estas características aqui em Poa, não valha menos que 800 milhões.
Abraços
P.S.: A parte o caso todo, acho que não é a venda ou não venda do terreno que solucionará a questão da FASE. Quero ver todo o projeto de reestruturação (que certamente ainda não existe) elaborado p/ poder formar alguma opinião
on Jun 6th, 2010 at 10:59 am
Esta venda é um escândalo. O terreno vale dez vezes mais do que a avaliação apresentada pelo Governo.