Artigo do economista argentino Jorge Beisntein, professor na Universidade de Buenos Aires, analisa o significado político da candidatura Serra e as implicações da proposta feita pelo tucano de flexibilizar o Mercosul. Beinstein escreve:
As declarações hostis ao Mercosul feitas por José Serra diante de empresários da Federação de Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), deveriam ser tomadas como um sinal de alarme não só no Brasil, mas também na maior parte dos países da região. As declarações do candidato direitista aparecem como um convite ao suicídio do sistema industrial brasileiro que ficaria exposto à feroz concorrência na América Latina de países desesperados por aumentar suas vendas.
A proposta de Serra vai na contramão da tendência global dominante rumo às integrações periféricas que aparecem como respostas às crescentes dificuldades das economias das potências centrais (EUA, União Européia e Japão). O que Serra propõe é um caminho perverso: sair do processo integrador periférico e submeter-se completamente às turbulências do mercado internacional sem nenhum tipo de escudo protetor regional ou periférico trans-regional. Deste modo, o Brasil passaria a fazer parte da estratégia de recomposição geopolítica imperial dos EUA, onde um dos capítulos decisivos é a desestruturação das integrações periféricas tanto na Eurásia quanto na América Latina.
Serra propõe substituir o Mercosul e as demais alianças periféricas (Unasul, BRIC, etc.) por um conjunto de tratados de livre comércio. A retirada política do Brasil significaria automaticamente um decisivo aumento da influência dos EUA na América Latina, abrindo o caminho para suas estratégias de desestabilização e conquista.
No esquema Serra, sem a rede protetora de aproximações e acordos políticos, econômicos e culturais, o Brasil teria só um caminho para prosseguir em seu desenvolvimento comercial em um mundo cada vez mais difícil: o da competição selvagem respaldada por salários e impostos reduzidos, ou seja, apoiada na miséria crescente do grosso de sua população (começando pelos assalariados e seguindo pelas classes médias), no apequenamento do Estado e, inevitavelmente, na expansão das estruturas repressivas destinadas a manter a ordem social e política; em resumo, na deterioração acelerada das liberdades democráticas. Como vemos, o processo começa com um discurso comercial e culmina necessariamente com um modelo político claramente autoritário.
Deste modo, Serra passa a formar parte do leque de políticos latinoamericanos de raiz neoliberal, nostálgicos das velhas relações neocoloniais com o Império. Estes dirigentes superados pelas tendências integradoras e autonomizantes hoje dominantes na periferia lançaram-se a uma reconquista desesperada dos governos. O tempo joga contra eles, a realidade vai lhes escapando, o senhor imperial que desejam servir está enredado em seus próprios e muito graves problemas, tornando-o cada vez mais irracional. Há um aumento da irracionalidade nos sistemas de poder do centro decadente do mundo e também em seus serventes periféricos. (A íntegra do artigo)

on May 3rd, 2010 at 3:28 pm
Mercado livre é balela de economista. Não existe, nem no Brasil, nem na Argentina, França, Estados Unidos ou onde mais se procure no globo terrestre. Todo mundo protege, todo mundo subsidia, todos os governos injetam dinheiro onde lhes convém.
on May 3rd, 2010 at 6:37 pm
Já tem muito empresário mudando o voto do Serra para o Lula. O José quer voltar a dependência do mercado norte-americano que se encontra em recessão. Mais algumas declarações destas e a Marina passa na frente dele. Dilma 52%, Marina 28% e Serra 20%. Só os gaúchos burros é que votaram nele para fazer um cemitério no terreno da Ford em Guaíba.
on May 4th, 2010 at 8:43 am
Caros Marco e amigos do RS
O sonho (e o pesadelo de todos brasileiros decentes) do fuhrer da Móoca e transportar a destruição praticada em SP para o resto do país. O avatar do Partido Republicano norte-americano (o psdb) ainda não percebeu que o neoliberalismo só existe na cabeça dos jumentos de sua assessoria econômica. Para continuar em sua rota rumo ao Inferno, SP vai reconduzir a opus dei ao Governo do Estado, com sóror Alkimim re-eleito.
on May 4th, 2010 at 9:16 am
Observando o despreparo do candidato do PSDB. O Brasil ampliou as vendas para os principais blocos econômicos, no mês de abril, exceto para a África, onde as exportações brasileiras caíram 32% em relação ao mesmo mês de 2009. Mas, o que mais chamou a atenção do secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, foi o aumento das vendas em 61,4% para os países do Mercosul, puxadas, principalmente, pela Argentina. Do total de US$ 1,65 bilhão que os exportadores brasileiros venderam para o Mercosul, US$ 1,298 bilhão foram para a Argentina. Ele lembrou que em abril de 2009 a venda de nossos produtos para o mercado argentino somaram só US$ 824 milhões. Mudando de assunto, que estória estranha essa dos USA pressionar o Irã pelo fim da corrida nuclear tendo eles mais de 5500 ogivas oficialmente admitidas e o Irã nenhuma.
on May 4th, 2010 at 2:43 pm
Tendo em vista a pouca serventia que tem o senado federal, aqui vai minha singela homenagem à Ângela Merkel dos pampas, ex-Miss Lagoa Vermelha e atriz figurante do “maior” épico do cinema guasca – “Não aperta Aparício” (José Mendes, 1969). O nome dela aparece na lista que aparece depois dos principais nomes (é a antepenúltima) …
http://www.youtube.com/watch?v=ugVir72-cJY