Não há como deixar passar em branco o retorno de conhecida figura das sombras ao Palácio Piratini. O que em circunstâncias normais seria tão somente uma rotineira movimentação administrativa, no contexto da cleptocracia reinante toma as proporções de afronta à lei, à justiça, à cidadania e à paciência dos cidadãos. Um deboche vindo de quem demonstra convicção da impunidade sobre seus atos, mandos e desmandos, ou assume definitivamente ser versão moderna de Maria I, rainha lusitana do final do século XVIII ou ainda, o que é pior, age movida pelo mais absoluto terror.
Como convêm a uma corte insana, decisões desse jaez devem ser devidamente chanceladas pelo Bobo da Corte; que neste caso de bobo nada possui. Esse igualmente singular personagem, a quem chamaremos de Probo, o “guardião” da Transparência e da Probidade, considera mais importante atender aos deveres de lealdade para com a realeza que o resgatou do ostracismo, do que obedecer aos princípios elementares que devem mover a administração pública do reino, respeitando aqueles que pagam a conta. O que vindo de alguém que em priscas eras já atuou como fiscal da lei não é pouca coisa.
Probo julga absolutamente normal que alguém com histórico comprometedor permaneça oficialmente no entorno da soberana porque entende que os fatos apontados como improbos são tão somente resultado de missões cumpridas em absoluta fidelidade às ordens recebidas. E esforça-se para fazer crer que o véu do esquecimento já baixou sobre a consciência da plebe.
Mas por maior que seja seu esforço e dos escribas oficiais do reino, nada mudou no entendimento que se têm em relação à pequena, porém perigosa, figura que transita desenvolta pelos subterrâneos. Continua como citada nos escândalos que abalaram o reinado, e como tal permanece ré em ação que tramita entre os doutores da Lei.
Seu retorno para o lugar do qual nunca realmente saiu é mais uma demonstração de como um personagem obscuro pode influir sobre o poder, dependendo do grau de convencimento e de barganha que possua e do terror que possa inspirar em seu criador. E do conhecimento de coisas que não desapareceriam com um singelo passeio às margens plácidas de um lago, num final de tarde qualquer.
(*) Advogado


on May 4th, 2010 at 8:39 pm
Brilhante artigo, infelizmente inócuo diante da cegueira e do enfeitiçamento das instituições.
on May 4th, 2010 at 8:48 pm
Entendi quem seria uma pessoa mas a outra não Desculpe a ignorância mas não poderiam dizer claramente o nome de todos?
Clara y TERRY
on May 4th, 2010 at 11:03 pm
O texto está um pouco hermético para quem não conhece as confrarias do Palácio, embora de lá emane um odor, digamos assim, desagradável nos últimos anos.
on May 4th, 2010 at 11:43 pm
Parabéns Dr.Paiani,como sempre brilhante!!!A des-governadora Yeda,é nutrida pela imprensalona,e o maior escudeiro dela,a defende furiosamente quando algum ouvinte ousa discodar dos constantes puxa-saquismo dele com ela,o nome dele é:Milton Cardoso da rádio Bandeirantes,no horário das 22 horas até a 1 hora e 15 min(da madrugada)E tem mais êle repete toda hora,q se é um jornalista q a dona Yeda não gosta é dele,eu mandei vários torpêdos dizendo q ela gosta tanto dele(Milton Cardoso)que da publicidade do Banrisul,pra o programa dele,assim como a dona Yeda tem espalhado por todo o Rio Grande do Sul,os patrocinos:Banrisul,Corsam,Nossa Caixa,CEEE e etc…Abs
on May 4th, 2010 at 11:57 pm
Texto magnífico. Transformado em peça, reprisaria Voltaire, enrubrescendo um certo Luis XVI de saias.
on May 5th, 2010 at 12:38 am
Diz a abelinha que a aliança com o PP naufragou. Portanto a nossa madrasta [sic] precisa de reforço (de Valda, não as pastilhas – claro).
Hoje, na manifestação da FETRAF tinha um ônibus de PChó (Polícia de Choque) no CAFF (Centro Administrativo Fernando Ferrari). Enquanto isso Serra passeava por Santa Maria. Notícias? Que venha o 21 (Arózio?), e logo!
on May 6th, 2010 at 9:54 am
valna vilarin meneses . . .
on May 6th, 2010 at 11:08 pm
O fantasma da corrupção vindo das profundezas das sombras de Brasília vem para reforçar o time de corruptos do governo da Yeda. Abram alas que Walna voltou!
on May 7th, 2010 at 4:17 pm
Dar nome aos bois: Walna Vilarins Menezes, a imorrível, e Francisco Luçardo, o probo.