Alfredo Zaiat destaca, no Página 12, como o humor pode colaborar para compreender a crise na Grécia e crises anteriores. Com ironia, o humorista gráfico espanhol, conhecido como El Roto, fez uma ilustração na qual um banqueiro diz: “A operação foi um sucesso: fizemos parecer uma crise o que não passou de um saque”. O desastre das receitas do FMI para a Argentina, que desembocaram na crise de 2001, lembra o articulista, parece já ter sido esquecido. O mesmo “remédio” é agora empurrado goela abaixo da população grega. “Recessão, destruição de empregos, protestos populares e mortes, aumento de impostos regressivos e redução de salários e aposentadorias, que conformam um quadro de profunda deterioração social são considerados danos menores”, diz Zaiat em um artigo intitulado “Bancos sin mitos”.
O próximo momento da crise grega se mostra tão previsível, observa ainda o analista argentino, que a resposta dos líderes mundiais e organismos multilaterais provoca uma certa incredulidade. Afinal, não é a primeira vez que as medidas de “arrocho fiscal” são recomendadas a um país em crise. Zaiat resume: “A débâcle argentina de 2001 é tão recente que parece que não aconteceu, para seguirmos nos persuadindo na insistência na receita do fracasso, com o FMI relegitimado pelas potências como auditor e polícia do ajuste. Embora substancial nas decisões, esse comportamento não se deve apenas a uma concepção ortodoxa de abordagem da questão econômica. O aspecto central é a hegemonia das finanças na fase atual do capitalismo global, que orienta o sentido das medidas do ajuste”.
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Neoliberalismo se combate com…neoliberalismo (Cris Rodrigues/Somos Andando)

on May 15th, 2010 at 9:51 am
“Saqueo” não significa saque, mas sim roubo. E piada é mais embaixo.