O Jornal Sul 21 já está no ar e traz como destaque em sua primeira edição uma entrevista especial com Jorge Furtado. O cineasta recebeu o Sul 21 na sede da Casa de Cinema e falou sobre o atual ambiente político-cultural no Rio Grande do Sul e a relação do Estado com o Brasil. Na avaliação do cineasta, o RS sofre um certo isolamento em relação ao conjunto do país, fruto, entre outras coisas, de uma carregada carga de preconceito e de orgulho regionalista exacerbado. “Essa idéia de ficar louvando uma coisa porque é tua é algo que muitas vezes chega às raias do ridículo, como a prática de cantar o hino gaúcho antes de cada jogo de futebol. É um negócio bizarro”, exemplifica. (Leia a íntegra da entrevista)
Foto: Eduardo Seidl/Sul21


on May 11th, 2010 at 10:15 am
Perfeita a análise do Furtado.
O gaúcho se acha a última bolacha do pacote, a ideologia do gauchismo fez um estrago tremendo em várias gerações que compraram a idéia difundida, principalmente, pela mídia de que o RS é melhor do que o resto do país.
É um misto de provincianismo e de falta de estrada no corpo, quem viaja pelo país e pelo mundo sabe que o nosso estado é um dos entes federativos mais decadentes do país, eu diria que o RS vive das glórias do passado.
O herói gaúcho, o estancieiro, o latifundiário, é a figura saída da guerra perdida, a famosa revolução farroupilha, um janota que toma as decisões políticas para uma plebe de empregados que vai morrer nas pelejas da vida.
Escutar o hino rio-grandense cantado a plenos pulmões pela torcida do grêmio com a faixa de república rio-grandense é mais do que bizarro, é ridículo.
O país imaginário dos gaúchos não existe.
on May 11th, 2010 at 10:45 am
Discordo do Sr. Furtado, sempre fui muito bem recebido em qualquer parte do Brasil, tenho orgulho de ser gaucho sim, meus dois filhos cantam o hino gaúcho sempre com muito orgulho e amor a esta terra, se isso é ser ridículo, o que seria um povo que elegeu um cantor sertanejo e um costureiro, sem nenhuma vocação política??? isto seria ridículo????
on May 11th, 2010 at 11:21 am
O sítio está com problemas técnicos. Certamente é excesso de acessos.
on May 11th, 2010 at 11:41 am
AVE Jorge Furtado!
Tem muita gente revirando o passado, vivendo de lembranças, de guerra perdida enfim, PARADOS no tempo e se ofendem quando alguém põe o dedo na ferida: gaúcho com o orgulho ferido é danado, danado…
on May 11th, 2010 at 11:59 am
Usar esse exacerbado “gauchismo” é uma maneira muito inteligente da mídia e a elite gaúcha de manipular os milhões de idiotas que acreditam nisso. Usam e abusam dos autos elogios para ocultarem que enganar o povo é fácil, basta dizerem o que eles, acriticamente, querem ouvir.
on May 11th, 2010 at 12:13 pm
Metade a favor, metade contra, até agora.. hehe!!
infelizmente, não consegui ler o texto!! o Sul 21 tá fora do ar por problemas técnicos, é o que diz no site…
Pena mesmo! fiquei bastante curioso em conhecer, ainda mais depois de ler o Correio do Povo que o jornal tinha sido lançado..
boa sorte nessa nova empreitada a tds!
abração
on May 11th, 2010 at 12:27 pm
Não é causa para a soberba do gaúcho mas,
1. geopolíticamente pertencemos ao vale do Rio da Prata;
2. históricamente pertencemos ao extinto vice-reino espanhol (Linha de Tordesilhas).
Em fim, nenhum outro estado foi governado por tanto tempo e com essa intensidade pelo positivismo como o RS. Talvez por tudo isso que os vicentinos (paulistas) têm tanta birra com os gaúchos.
Agora é verdade que tem uns gaúchos muito grosso (barbaridade) que estragam nosso cartaz mundo afora!
on May 11th, 2010 at 12:29 pm
É o “complexo de vira-lata” dourado.
É o auto-engano.
“Superior”no Brasil… “inferior” mundialmente.
Adora mirar-se no hemisfério norte… no mundo.
Na minha cabeça sou(por ordem de valor):brasileira,gaúcha e alegretense!
on May 11th, 2010 at 12:30 pm
No início das sessões plenárias do CREA/RS, uma autarquia federal do sistema CONFEA/CREA’s, os dois hinos são cantados – do Brasil e do RS. Ridículo, querem que os engenheiros usem bombachas …
on May 11th, 2010 at 12:40 pm
Tem toda razão o Sr. Furtado em tecer comentários com relação ao RS, aliás aqui neste Estado que é comandado pela mídia local, onde a manipulação é caso concreto, num Estado em que órgãos (mídia escrita e falada) de poder econômico lançam candidatos em todos os pleitos, tanto a nível Estadual,Federal e Municipal, em que certos elementos de formação de opinião se utilizam do meio para impor a regras do jogo político, temos hoje um RS que padece de respeito em relação ao país, aliás neste RS em que todos se dizem honestos (políticos) temos na verdade um grupo de Agentes Públicos colocados em cargos estratégicos com a finalidade de saquear o erário público Estadual, Municipal e Federal, aliás nem os recursos repassados pelo Gov. Federal escapam da roubalheira. Enfim temos um RS em que não existe ética no trato da coisa pública, se utiliza o erário público com isenções fiscais em troca de favores políticos e para pagamento de campanhas políticas, é só verificar as doações feitas a muitos candidatos no site Transparência Brasil, ali se verifica como certas Empresas Privadas conseguem isenções fiscais intermináveis levando os cofres públicos a uma limpeza de recursos que acaba faltando em áreas da saúde, segurança e educação. Em uma análise geral se verifica também que neste RS se inventa muitas coisas com fins eleitorais, evidente tudo pago com dinheiro público com isenções e incentivos fiscais, vivemos também num Estado que através do Gov.Estadual e Municipal exerce a prática de lançamentos imobiliários de áreas que deveriam ser públicas, tudo com o intuíto de alegar que o RS mudará para melhor, evidente irá melhorar para eles que manipulam o Parlamento Gaúcho e as Câmaras Municipais, também não se pode deixar de comentar que o Parlamento Gaúcho até parece uma cadeia pública constituída de maus elementos, sem ética, em que se pratica atos lesivos ao erário público em conjunto como se fosse uma quadrilha ou máfia organizada nos porões do Palácio Piratini, enfim um RS que não inaltece em nada o orgulho do povo gaúcho, isso que faltou comentar outros fatos que deixam qualquer cidadão honesto de cara no chão. Este é o RS perante o Brasil.
on May 11th, 2010 at 12:59 pm
Está coberto de razão o Jorge, viajei três anos pelo país e pude ver que a fantasia do povo mais “politizado e mais desenvolvido do país” é uma ideia que mora só na cabeça dos gaúchos. A polêmica envolvendo a posição do Nei Lisboa sobre a música produzida no RS mostra bem como o povo aqui ‘se acha” e tem desprezo pelo resto do país. Além da notória aversão aos nossos vizinhos da Argentina.
E caro Pimentel, cantar o hino com orgulho só reforça a análise que o Jorge Furtado faz, e só uma pequena parcela elegeu esses dois representantes, além do que já elegemos coisas bem parecidas, ou piores, que essas dos paulistas, não somos diferentes dos demais.!
Maristela
on May 11th, 2010 at 1:24 pm
Se cantar o hino de um estado ente da federação a que se pertence é ridículo, o cineasta só confirma quão rídícula é nossa federação, a qual, lembremos, foi centrifugamente distribuída de uma forma mais do que ridícula.
Aliás, quanto ao título do “post”, não seria a recíproca verdadeira?
on May 11th, 2010 at 3:47 pm
Nem sabia dessa coisa de hino gaúcho nos estádios. Eu já deixei de ir aos estádios por não aguentar ouvir 20-40 mil pessoas gritando “ah, eu sou gaúcho!”. E esse problema apontado pelo Furtado não é coisa da direita ou da esquerda gaúcha. Ambas se aproveitam dessa suposta identidade. E com isto, fortalecem esse conceito.
Mesmo nesse blog, com certa regularidade aparecem nos comentários aqueles que se rogam como parte do “povo mais politizado do Brasil”. O comentário do Pimentel, acima, é um exemplo típico. O cara vem falar de cantor sertanejo e costureiro sem nenhuma vocação política, ok, mas e aqui? Nosso prefeito e possível futuro governador tem vocação política? Ou é uma nulidade? Ou é um compositor medíocre que se deu bem na política? Ou é todas as anteriores? E o nosso senador Zambiasi? É muito diferente? Ou é um apresentador de um circo radiofônico que se elegeu senador do (vamos lá!) estado mais importante desse Brasil? E se como apresentador de circo, ele era palhaço, agora que ele é político, os palhaços somos nós? Mas nós? Os mais politizados? Aqueles que não elegem cantor sertanejo deputado, mas que elegem compositor medíocre ao senador, depois o conduzem à prefeitura e, talvez, ao governo do estado? Ah, lembrei, temos ainda o Mano Changes… quaquaqua! Ele é cantor e… deputado! Mas temos ainda a nossa excelentíssima… bom, deixa pra lá.
Afinal, o que importa é que somos gaúchos e preservamos nossa “raça” daquilo que vem de fora (aquele circo humano-político que chamam de Brasil) e daquilo que nos ameaça de dentro do nosso território (índios, quilombolas, nossa flora e fauna,…).
Abraços!
on May 11th, 2010 at 6:07 pm
O povo gaúcho perdeu o direito de se achar “politizado” ao votar em Yedas e Fogaças…
on May 11th, 2010 at 8:04 pm
O rs é um estado mofado, vive do passado.Já escrevi isso muitas vezes e pensei que só eu achava isso aqui no estado, mas, felizmente, temos gaúchos não encilhados pela mídia conservadora e corrupta do rs.Até a UFRGS se tornou conservadora!
on May 11th, 2010 at 9:27 pm
Somos mal-agradecidos!
A agricultura gaúcha, com quebras de 30% a 50%, é anti-econômica e só sobrevive com subsídios da Federação, assim como o agreste nordestino.
on May 11th, 2010 at 9:38 pm
A mídia diz que a cultura estancieira pertence a todos os rincões do RS. Até mesmo naquele município de 2 mil habitantes encravado nos peraus da Serra, onde chega até a ser complicado andar a cavalo, com predominância de BRASILEIROS descendentes de imigrantes europeus, tem que ter pelo menos um CTG para cultivar a ‘nossa’ tradição. Nossa tradição?! Tradição latifundiária, que considera sociedade ideal aquela onde um rico estancieiro (patrão) manda na maioria dos pobres (agregados) e todos devem ser orgulhosos e felizes.
Tá bom. Confesso. Eu quis pertencer a esta suposta NOSSA origem, NOSSAS tradições, porém não encontrei nenhum indício que meu (tatatataravô tenha ganhado sesmaria (138 mil hectares) do Rei de Portugal ou mesmo do Imperador do Brasil. Acredito que sou minoria neste caso, pois os orgulhosos devem ter esta rica origem privilegiada.
on May 11th, 2010 at 11:22 pm
Não li o texto. O site expirocou. Mas em virtude da máxima, aí vai:
Se “o Rio Grande do Sul tem preconceito contra o Brasil”, “Saneamento Básico, o filme” (2007) tem preconceito contra o sul-rio-grandense, principalmente com aquele da serra que apenas “figura” como a paisagem ao longe, e bota longe nisso…
Eis as famosas lutas intestinais da “política de identidade” – num ventriloquismo escancarado de Hall & cia -, e Furtado defende a sua reconstruindo um “outro” dentro daquela velha estereotipia que ninguém mais é capaz de levantar um dedo a favor, a de cantar pela enésima vez o… Assim fica fácil, né?
Qual é a “política da identidade” por trás do discurso de Furtado?
Não seria um preconceito às avessas, disfarçado de “política da diferença”?
Não estaria ele tentando justamente afirmar a sua “política” ao defenestrar a outra com um “senso comum”?
A “identidade” brasileira está plenamente resolvida em sua “diferença” para ser assimilada de forma não problematizada pelos ditos “regionalismos”, e vice-versa?
O “multiculturalismo” furtadiano está a serviço de que e quem mesmo?
Cantar o hino rio-grandense numa partida de futebol é sintoma de quê mesmo? Fundamentalismo identitário?
E se fosse “Poker Face”, de Lady Gaga? Multiculturalismo cosmopolitista?
Não sei, mas sempre desconfiei tanto do “gaucho a pé” quanto do “a cavalo”… de “teixeirinhas & magrinhos”… de “casa de cinema & globo filmes”… de protagonismos e antagonismos simplistas que disfarçam certos purismos culturais que na verdade nunca houveram… zona de fronteira é assim, o contrabando cultural rola solto por baixo dos vestidos de prenda e das calças “boyfriend”… o que não é garantia de políticas “positivas ou negativas”…
Afirmar que a “identidade” do “outro” é preconceituosa é tomar a sua como parâmetro de “verdade”… e, afinal, que “verdade” é essa? A de mercado? A de uma única identidade cultural brasileira? A de quem mesmo?
N.D.A…
Abraços,
Mauro.
on May 11th, 2010 at 11:38 pm
Ah, lembrei de outra “política da diferença” furtadiana que agia mais ou menos assim em sua assepsia contra a “cultura preconceituosa do Rio Grande do Sul”: “Meu Tio matou um cara” (2004).
Que cidade era aquela mesma?
on May 12th, 2010 at 2:06 am
o furtado esta corretíssimo, isso é uma das atitudes mais ridículas que nós gaúchos fazemos. muito é culpa dessa mídia medíocre que só enfatiza isso, e o jornalismo onde fica?
cultivar as raízes não é rui
on May 12th, 2010 at 10:04 am
Caro Zeca,
teu comentário é perfeito! Alma lavada…ai ai!
Ah!!! E gargalhadas, valendo ainda chamar os colegas de trabalho
pra mostrar e ler trechos como este que faz referência ao ‘quaquaqua…Mano Changes’!!!!!
um abração
Rose
on May 12th, 2010 at 12:34 pm
O Rio Grande do Sul é o novo nordeste brasileiro, no mal sentido. É gritante sua decadência econômica, iniciada ainda na década de 80, cultural, com a máfia da RBS, e política, com a generalização da corrupção. Some-se a isso a degradação ambiental, que transformará este Estado, em três ou quatro décadas, num sertão nordestino. Mas a ficha ainda vai demorar a cair para os gaúchos.
on May 12th, 2010 at 2:12 pm
muito antes, pelo contrário, caro Furtado.
Abraço.
on May 12th, 2010 at 2:13 pm
Perfeitamente.
on May 12th, 2010 at 2:24 pm
o Sul 21 tá fora do ar. O que houve?
on May 12th, 2010 at 4:13 pm
Conversei agora com a Redação do Sul 21 e me informaram que os problemas já foram solucionados e estão fazendo alguns ajustes finais para colocar a página no ar de novo.
on May 12th, 2010 at 8:17 pm
Gente, obviamente todos estão certos. Estamos economicamente abaixo do cu do cachorro faz tempo, mas não se precisa de dinheiro para ter orgulho de ter uma identidade e cultivá-la. Os catalães e os bascos não tem porque abandorem suas identidades porque a Espanha foi um império poderoso e ainda é um país muito mais ricos do que serão (!) essas nações quando obtiverem independência. Oras, bolas.
on Jun 4th, 2010 at 10:28 am
Parabéns pela idéia. É preciso consciencialização que se traduz em percepção de si, do outro e da situação para se atuar com equilíbrio e segurança. Acima de tudo mente aberta para a mudança e a inovação com vistas ao desenvolvimento de “todos os homens e do homem todo”. Enquanto um povo avalia seus semelhantes da forma como alguns comentários aqui expressos, sinal que nos falta muita educação. Parabéns SUL21.
on Dec 2nd, 2010 at 11:18 am
o segundo comentário é a gênese do pensamento preconceituoso que toma conta de grande parte da populaçao gaúcha. até pode ser que o autor tenha escrito inconscientemente, mas oq impede que um cantor sertanejo ou um costureiro sejam eleitos deputados? nao vamos esquecer que o deputado que se lixa pra opiniao pública é gaúcho – e foi reeleito -, isso sem falar no escândalo do detran e tantos outros… sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra!?
on Dec 5th, 2010 at 12:13 pm
Se ele tem vergonha da sua origem, o povão nos estádios não tem nada com isso. Não gostam de ser gaúchos? Deixem que os outros gostem. Respeito e tolerância não faz mal a ninguém.
on Aug 28th, 2011 at 9:49 pm
Senhor Jorge Furtado,a qualidade de vida do Rio Grande do Sul não é superior à do resto do Brasil.O 1º colocado em IDH é o Distrito federal,o 2º é Santa Catarina e o 3º é São Paulo.O Rio Grande do Sul está atrás desses 3 em IDH.