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Cavalo de Tróia

Zé Reis (*)

A História da Grécia Antiga registra a guerra entre gregos e troianos que foi encerrada com o episódio do “Cavalo de Tróia”, após um período de aproximadamente 10 anos de batalhas. Para dar fim ao longo período de enfrentamento, os gregos tramaram um plano que consistiu em avisar aos troianos que estavam desistindo da guerra e como símbolo da paz presentearam os mesmos com um portentoso cavalo de madeira. Os troianos aceitaram o presente e o conduziram para dentro de seus muros protetores. Após, uma noite de muita comemoração os troianos dormiram e foram surpreendidos por centenas de soldados gregos que saíram de dentro do “presente”. Estes soldados atacaram Tróia e abriram seus portões para que outros tantos entrassem levando a cidade à destruição total.

É baseado nesse episódio que surge a expressão popular “presente de grego” que representa situações em que somos surpreendidos por ações aparentemente benéficas que se tornam desagradáveis ou inconvenientes.

Valho-me da lembrança, para analisar os últimos lamentáveis acontecimentos ocorridos em Porto Alegre, após a troca do comando político da prefeitura. O atual prefeito José Fortunatti assumiu o posto em 30 de março, após a renúncia e transmissão do cargo pelo Sr. José Fogaça. Este administrou a nossa capital durante cinco anos e marcou sua gestão pela desídia, pela corrupção, pela inércia, pela queda na qualidade dos serviços, pela terceirização e o abandono da cidade.
Passados menos de um mês da assunção ao cargo pelo atual prefeito, a cidade ficou marcada pela morte criminosa de um jovem eletrecutado em uma parada de ônibus da Av. João Pessoa, pelo acidente fatal causado por um buraco mal fechado na Av. Wenceslau Escobar e pela quebra do sigilo bancário do ex-prefeito, José Fogaça, pelo Ministério Público Federal, por suposto envolvimento nas irregularidades da contratação do Instituto Sollus para administração dos PSFs.

Entendo que o atual prefeito, José Fortunatti, até então vice-prefeito e participe do caos da gestão de Fogaça, já deve ter percebido que ao realizar o sonho de ser prefeito da capital, acabou por receber um verdadeiro “presente de grego”.
Fraternalmente espero que haja o compromisso de Fortunatti em dar um novo sentido para a gestão pública no município retomando a seriedade, o compromisso com a qualidade dos serviços, o cuidado e o respeito à população.

(*) Cientista político e Secretário-Geral do PT de Porto Alegre

5 Comentários on “Cavalo de Tróia”

  1. #1 Rick
    on May 17th, 2010 at 5:19 pm

    O articulista faz uma análise correta.
    O que Fogaça passou adiante, com sua renúncia, foi um espinhoso abacaxi de licitações corrompidas, mortes políticas nebulosas, descontentamento dos municipários, terceirizações em larga escala.
    Fortunatti tem esta idéia fixa de ser prefeito eleito. Ficou muito frustado e abandonou o PT quando a convenção partidária optou por outros candidatos a prefeito, numa reacomodação das tendências internas.
    A população de Porto Alegre achava que com Fortunatti haveria mais dinamismo e transparência.
    Parece não ser o que acontece.
    E a mídia já não blinda o governo da coalização como nos bons tempos do Vento Negro…

  2. #2 Marco
    on May 17th, 2010 at 6:07 pm

    Caro “xará” Marco Aurélio: meus cumprimentos pela bela participação hoje no programa do Gustavo Mota, agora na rádio Band. Uma aula de como se faz jornalismo, e não partidarismo midiático de aluguel. É muito bom que o cidadão atento passe a perceber a diferença entre o novo jornalismo independente, que surge a partir da blogosfera, do pseudo-jornalismo da mídia tradicional, com seus donos, seus patrocinadores, seus interesses, suas manipulações, seus profissionais a soldo. Mais uma vez, meus parabéns.

  3. #3 Sobradinho
    on May 17th, 2010 at 6:07 pm

    É o ônus de ter assumido este pepino que ao que parece não mudou em nada, aliás fica muito difícil para o Pref.Mun.Fortunati explicar os fatos ocorridos no âmbito do erário municipal, seria ele até então uma figura (figurativa) no contexto da Pref., em que tomou conhecimentos dos fatos e nada fez para mudar, aliás ao meu, ver tem chancela para os fatos, se não se manifestou em tempo hábil, foi também omisso. Ao que parece, o que aconteceu no erário público foi um articulação de quadrilhas com apoio do erário público (Agentes Públicos), que começaram o saque de dinheiro público para fins de campanha. Foi a Empresa Reação (propina mensal em torno de R$ 10 mil, foi tanto o roubo, que ainda não sabe qual foi o custo total do roubo, em investigação), o Instituto Sollus (algo em torno de 10 milhões), a compra dos Legos sem Licitação Pública, algo em torno de R$ 3 milhões, a falta de transparência na negociação do Caís do Porto, aliás o maior Projeto Imobiliário lançado no mundo por uma Pref.Mun. bancada com dinheiro público seus custos de discussão e repassado a área privada, dizendo que o Projeto Imobiliário representa revitalização da orla. Está em curso mais uma negociata que deverá ter o aval do erário municipal (Pref.Mun. e Câmara Municipal de Porto Alegre), a famosa negociata do terreno da Fase, algo que tranquilamente passará pela Câmara Mun. graças a turma Aliada para aprovar projetos que tenha em foco o ramo imobiliário. Ao que parece este dois projetos marcarão certamente a Administração Fogaça e Fortunati, claro que com o apoio dos Vereadores da Câmara Mun. POA. Infelizmente um governo desastroso, corrupto, com falta total de transparência, com assassinato de Sec.Mun.Saúde, com articulação com quadrilhas criminosas, enfim um Governo articulado com o crime organizado. Para não esquecer: quem atestou a prestação de serviços do Instituto Sollus (mensalmente para fins de pagamento de fatura), até hoje a Pref.Mun. POA através do ex-Pref.Fogaça e atual Fortunati não esclareceram ao povo gaúcho. Com a palavra a Pref. Mun. POA.

  4. #4 Marco Aurélio Weissheimer
    on May 17th, 2010 at 6:45 pm

    Muito obrigado, Marco.

  5. #5 Eduardo
    on May 17th, 2010 at 11:58 pm

    O sr. Fortunatti em certa altura de sua vida percebeu que seu espaço pessoal no PT seria muito menor do que se fizesse uma carreira solo como “fugido” do PT e aproveitou as dificuldades do governo Olívio para se bandear para o PDT.
    O PT tem suas dificuldades, é aquela democracia de correntes, quando governa leva pau da imprensa do primeiro ao último dia, é difícil para a pessoa se fazer sem um grupo grande ao seu redor (como aliás em todo lugar), o financiamento das estruturas das correntes é difícil, mas fora do PT ele tem isso para colocar no currículo, de ser um “outsider”, de ter feito o seu “Caminho de Compostela” e saído do partido “leninista”, fato que ele pode apresentar como uma “evolução”.
    Mais ou menos como o Fernando Schuller.
    Só que quem dorme com cães acorda com pulgas, certos ditados não perdem a validade e a malta do anti-petismo reúne bichos de todos as origens, ela só se sustenta da forma como conhecemos no estado e na prefeitura, não desperdiça um cabo eleitoral, um vereador, todo apoio vale a pena, e depois a administração vira essa caca que vemos.

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