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Uma feira do povo: “Eles não são de fora, são daqui”

No show inesquecível que reuniu sábado à noite, no Gasômetro, nomes antológicos do rock gaúcho (Wander Wildner, Julio Reny, Frank Jorge & cia), lá pelas tantas um dos músicos comentou ao microfone: “Tem que vir gente de fora para acontecer uma coisa legal assim na cidade”. A coisa legal não era apenas o show, mas toda a Feira Nacional de Agricultura Familiar, sucesso absoluto de crítica e público. O comentário foi imediatamente seguido de uma correção: “Eles não são de fora, são daqui”. Eles, no caso, eram os organizadores da Feira, o “pessoal do MDA” (Ministério do Desenvolvimento Agrário). Foi logo no início do primeiro governo Lula que o pessoal daqui assumiu o MDA com Miguel Rossetto. Quando Rossetto deixou o ministério, quem assumiu foi Guilherme Cassel, gente daqui também. A alegria estampada no rosto de organizadores, feirantes, visitantes e participantes do evento realizado no Cais do Porto, à beira do Guaíba, foi a maior prova de que a política pode ser feita para causar bem estar e felicidade.

Poucas vezes, nos últimos anos, viu-se uma atividade pública cercada por tão alto astral. Parecia uma Feira do Livro às margens do Guaíba. Lembrou os melhores dias do Fórum Social Mundial. E mostrou, acima de tudo, o acerto da política de valorização da agricultura familiar no Brasil. Diversidade, riqueza de sabores, cores, cheiros, formas e pessoas. De fato, foi uma coisa muito legal, feita por gente daqui que se mudou para Brasília e que se sentiu muito feliz e justificadamente orgulhosa ao ver a alegria no rosto de seus conterrâneos. Por sinal, um deles comentou: “a gente foi ali, mas já volta.”

Um governo como o de Yeda Crusius jamais oferecerá algo parecido para a população. Por uma razão muito simples: trata-se de gente que não gosta de cheiro de povo.

Foto: Eduardo Aigner

14 Comentários on “Uma feira do povo: “Eles não são de fora, são daqui””

  1. #1 sil
    on May 17th, 2010 at 7:11 am

    Definitivamente depois do Fórum não havia visto um evento que unisse tantas pessoas, em uma descontração contagiante.
    E deu para provar que o Cais do Porto não precisa de grandes hotéis e restaurantes requintados para ser revitalizado, mas sim de um espaço plural onde todos possam passar bons momentos e não poucos, como querem alguns caciques da elitizinha “cheirosa” de Porto Alegre.

  2. #2 rose
    on May 17th, 2010 at 10:36 am

    Concordo integralmente contigo! Já na abertura uma alegria imensa ouvindo Richard Serraria e aquela finalização cheia de música, de batuques, de gente linda, de Brasil…queria ter abraçado cada um daqueles que se apresentavam naquele instante assim como quem abraça o Brasil!!

  3. #3 lia
    on May 17th, 2010 at 11:27 am

    Fiquei emocionada com tudo que aconteceu lá. Eu que ando muito descretente que tudo pode mudar, e querendo ir embora do Estado. Me deu um animo novo. Inclusive quem foi lá e viu a loja com a etiqueta Talentos do Brasil, viu um trabalho desenvolvido com la de carneiro, feito em São Borja, Uruguaiana, e Livramento, que nunca tinha aparecido por aqui, maravilhoso. Eu fui nesta feira no Rio, foi um sucesso estrondoso por lá. Ontem teve um show do Monobloco, foi MARAVILHOSO, tinha muita gente e todo mundo dançando muito. Acho que muita gente que estava lá, não sabia que era um evento do mda, eu gostaria muito de ter este tipo de evento com mais frequencia, respirei um ar mais leve esta semana, queria muito que de fato as coisas mudassem por aqui, tenho muita saudades de dias como estes.

  4. #4 Uma feira do povo: “Eles não são de fora, são daqui” « Somos andando
    on May 17th, 2010 at 1:02 pm

    [...] um comentário » Não deu para não roubar do RS Urgente o ótimo texto de Marco Weissheimer e a foto de Eduardo Aigner que mostra o Cais [...]

  5. #5 Neli
    on May 17th, 2010 at 1:04 pm

    Fui três vezes à Feira. A minha individualidade deve indicar o quanto estamos necessitados de estar em eventos publicos dessa grandeza, em todos os sentidos: organização, diversidade e qualidade dos produtos. E mais uma vez a teoria de Hannah Arendt de que a Felicidade está na Política, isto é, ela existe quando estamos juntos em espaços públicos. Portanto, a Felicidade é Pública.
    Essa coisa de fazer Políticas Sociais e Públicas, tenho a comprovação de que ninguém, no Brasil, faz melhor do que os trabalhadores do PT.

  6. #6 Laércio Malfatti
    on May 17th, 2010 at 1:48 pm

    Concordo absolutamente com o autor do texto e com o comentário de Sil. Há bastante tempo acompanho a evolução da agricultura familiar e cada vez mais acredito no seu potencial econômico e social, como decisivo da absorção da mão de obra rural e na distribuição de renda. No sábado estive no cais do porto, em família. A alegria e a cordialidade dos visitantes e feirantes foi invejável. A descontração associada ao motivo de estar ali, em muito superou qualquer evento dos ultimos tempos. Mesmo aqueles que foram ao cais unicamente com propósito comercial ficaram, sem dúvida, impressionados com o que viram.
    Se efetivamente o cais for transformado numa área elitizada, própria e apropriada pelos especuladores, a imagem que dele fica é de ter servido, antes disso, para um fim nobre, de acesso universal.

  7. #7 chico rigo
    on May 17th, 2010 at 3:18 pm

    FOI A MELHOR FEIRA QUE JA FUI NA VIDA!!!!
    MUITO LEGAL, SABOROSA E COM CHOPPES E CACHAÇAS ÓTIMAS!! A SIMPLICIDADE E SIMPATIA DOS EXPOSITORES COMOVIA..
    OS SHOW MARAVILHOSOS E O LUGAR E AS PESSOAS INCRIVEIS…
    SE FOSSE UMA FEIRA DA YEDA, AO INVÉS DE TER INHAME =, CASTANHAS, ACARAJES, ETC TERIA MC DONALDS..
    E AS BANDAS SERIAM AS QUE A ATLANTIDA(RBS) GOSTA

  8. #8 affonso alindo holz
    on May 17th, 2010 at 6:15 pm

    Imagine o vampiro(Serra) em Brasília e a veia loca(Yeda ou outro da direitalha guasca) aqui no RS, seria o fim da agricultura familiar, func. público. A solução seria ou morrer de fome ou morrer lutando, porque estes direitalhas só dialogam com a elite(latifundiários, empresários, donos da “grande” mídia, ministros do supremo). Nós trabalhadores(func. públicos, trabalhadores rurais, urbanos) que somos a maioria dos eleitores se votarmos e conscientizarmos a maioria desses trabalhadores a votar bem podemos acabar com essa ameaça.
    Tang chen.

  9. #9 elektrofossile
    on May 17th, 2010 at 7:50 pm

    Ótimo! Solidário e generoso esse “Brasil Rural Contemporâneo”! Queremos mais, Cassel!!!
    Levei várias pessoas lá e adoraram.
    Wander Wildner se despediu para uma temporada em Berlim.

    O outro panfleto daqui virou os contra-torpedeiros e disparou “Agronegócio quer fechar o MDA”. Claro! Elles não querem tanto sucesso para a agricultura familiar, ora!

  10. #10 Mariah
    on May 17th, 2010 at 10:31 pm

    Coisa organizada pela yerda e fogaça só teria ruralista e grandes pecuaristas. A agricultura familiar que é quem põe comida na mesa do Brasileiro é sempre desprezada por esses que governam só e sempre para os mesmos: latifundiários e cia.

  11. #11 Simone Rasche
    on May 18th, 2010 at 8:26 am

    Justamente esse o meu sentimento: “lembrou os melhores dias do Fórum Social Mundial”

  12. #12 Eduardo
    on May 18th, 2010 at 9:36 am

    Alguma chance da exposição fazer um tour pelo interior do estado ?

  13. #13 zé bronquinha
    on May 20th, 2010 at 11:04 am

    Estive por lá por dois dias. Fui ao show do Gil e no outro dia para conhgecer a feira, produtos e produtores. De fato tudo estava muito bom.Aliás o que se pretende ebem feito tem que ter um lugar lúdico como o nosso cais, que, lamentavelmente, já tem lei aprovada pelo municpio para presentear a iniciativa privada para alí comstruir um shopping ao lado da usina do gazômetro, um hotel de 33 andares nas imediações da rodoviária, derrunar pelo meno um armazém, construir uma estrutura de restaurantes finos ,lazer e entretenimento para os endinheirados da cidade e para os de fora. mais. Garagens subterrâneas para cinco mil carros, rebaixamento da avenida Mauá (subterrânea), envidraçar os armazéns do Cais que não forem derrubados. Este é um modelito trazido de Barcelona, na pessoa do Jaime Lerner e de seus sócios do governo Yeda e Fogaça/Fortunatti. Aliás. Como o porto é de responsabilidade do governo federal, terá este, via uma comissão que atua nessa área, que autorizar essa monstruosidade elitista. Quem for petista e Lulista que tente intervir contatando companehiros e amigos em Brasília. Boa sorte!

  14. #14 Richard Serraria
    on Aug 2nd, 2010 at 1:44 pm

    Muito obrigado pelas palavras carinhosas referentes ao trabalho apresentado no Brasil Rural Contemporâneo. Música negra no cone sul, Yakupampa: http://www.brasilautogestionario.org/2010/05/14/candombe-de-richard-serraria-e-convidados-afasta-o-frio-de-porto-alegre-na-primeira-noite-do-brasil-rural-contemporaneo/

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