Esta semana reforçou a percepção de que a chamada grande imprensa brasileira – ou antiga imprensa, como afirma, entre outros, o cineasta Jorge Furtado – está não apenas desempenhando o papel de uma “oposição fragilizada”, mas também defendendo, sem mediações ou sutilezas, os interesses da política externa dos Estados Unidos. Estariam fragilizados também estes interesses? Em um certo sentido, sim. A iniciativa do governo brasileiro, em conjunto com o governo da Turquia, de buscar uma solução negociada para a crise nuclear envolvendo o Irã mostrou que é possível outro caminho do que aquele das “guerras preventivas”, dos “bombardeios cirúrgicos”, do “choque e do pavor”. O presidente Lula, representando o Estado brasileiro, fez um movimento ousado e corajoso. E acertou em cheio.
Nas horas seguintes aos primeiros anúncios do acordo, começaram a surgir vozes e textos tentando diminuir ou simplesmente desqualificar o feito alcançado. A pressa é compreensível. Dias antes, o pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, havia dito durante uma entrevista em Porto Alegre, que jamais receberia ou se reuniria, caso fosse eleito, com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Além da postura submissa às ordens que o Departamento de Estado norte-americano ainda insiste em querer ditar o mundo, a declaração de Serra mostrou a pequenez do horizonte de visão do postulante ao cargo mais importante da República brasileira e um dos mais importantes hoje para todos os países que apostam na desmilitarização da agenda política das nações.
Ao caminhar na direção oposta daquela defendida por Serra, Lula mostrou coragem pessoal, ousadia estratégica e, acima de tudo, compromisso com a construção de um mundo onde os conflitos e diferenças sejam resolvidos através da conversa e das negociações – que podem, sim, muitas vezes, ser exaustivas e mesmo pouco frutíferas no curto prazo – ao invés da solução eficiente da morte e da destruição. Eficiente para quê? – cabe perguntar. Não certamente para a vida de milhões de pessoas que pode ser salva em função de uma dessas conversas complicadas que algumas pessoas preferem não ter. A omissão e a covardia andam de mãos dadas com a impossibilidade de se dizer abertamente o que se está pensando.
Isso ficou muito claro no discurso de vários articulistas da imprensa nacional, preocupados em desdobrar a fala de Serra. Na verdade, a crítica principal dirigida a Lula era a crítica a iniciativa de ir conversar com Ahmadinejad. Como assim? Quem esse sujeito (o presidente da República, no caso) pensa que é? Quem o Brasil pensa que é? Não foi por acaso que a repercussão do acordo na imprensa internacional foi maior e mais positivo do que no Brasil. A diferença de horizonte só expõe o tamanho, a qualidade da visão e o compromisso de quem fala. Mas, se a visão é curta, por um lado, é crescentemente virulenta, por outro. E o grau dessa virulência parece ser proporcional aos acertos do governo brasileiro. Dois dias após o anúncio do acordo, o jornal Zero Hora comemorava com um destaque de capa: “EUA atropelam acordo de Lula”. O desejo virulento do atropelamento pelo menos foi transparente quanto ao alvo: o Lula. É disso que se trata.
Há outros pressupostos neste discurso de submissão a um passado recente quando o Brasil e a América Latina sabiam qual era o seu lugar. (Clique aqui para ler mais)


on May 21st, 2010 at 10:32 pm
Com toda razão o texto exemplifica de uma maneira simples e objetiva, tanto que o resultado apresentado pelas negociações realizadas de parte do Brasil, trouxeram pontos positivos a política externa deste país, talvez e certamente a imprensa nacional procurou não focar neste sentido, tal o grau de manipulação esta mesma imprensa tenta colocar no pensamento do povo brasileiro. Não é de hoje que este tipo de manipulação tenta, a torto e direito invocar no sentido de que este país não tem capacidade de participação a nível nacional e internacional. Se não vejamos, quem diria que um dia estaria ali um brasileiro, de reconhecimento pelo seu Governo até agora realizado, demonstrar a potencial que este país representa a nível internacional, tudo em cima da política adotada até então, na qual demonstrou que estamos no caminho certo de um processo de revolução das discussões mundiais, que acabam afetado a todos de um modo geral, é necessário o diálogo que possamos atingir os objetivos, isto tem feito de forma clara e objetiva na política externa deste país. Se queremos ser uma potência, devemos mostrar aos outros país da capacidade de articulação a nível internacional. Demonstramos aí nosso amadurecimento, se hoje estamos neste patamar, devemos reconhecer o que foi feito até agora. Se para essa direita raivosa que aí está, em todos os níveis desta sociedade, fique para ela claro, que o país está mudando, que os projetos até agora realizados estão dando certo, houve a melhora de qualidade de vida de todos os brasileiros. Será que não se vê na sociedade algo contrário a isso. Questão de tempo, estaremos no pico da grande mudança deste país, para que hoje, no presente e no futuro possamos dar uma qualidade de vida melhor a todos os brasileiros. A questão que está em discussão não foi o resultado obtido e, sim, por que se trata do Presidente Lula, que demonstrou, quer queiram ou não, que ele é o cara a nível mundial, positivo para ele, positivo para o país.
on May 22nd, 2010 at 11:31 pm
Diplomacia e/ ou Barbárie?
A imprensa brasileira demonstra que está mais para a barbárie do que para a diplomacia. Apresenta um comportamento típico dos incapazes de desenvolver uma comunicação que tenha conteúdo inteligente e consciência social e pública. Isso acontece, em razão de sua impotência para a busca de novos referênciais filosóficos que possibilitariam o seu ingresso num nível superior do processo civilizador!!!!
on May 25th, 2010 at 10:53 am
Para o PIG nacional e principalmente a Globo o Brasil que eles defendem o país da pátria de chuteiras, quando a seleção brasileira de futebol joga, seleção de volei ou qualquer outro tipo de esportes. É difícil para estes canalhas dessa imprensa tendenciosa pró direita engolir que um presidente saído das classe mais pobres dessa nação faça tanto sucesso lá no exterior. Agora que é epoca de copa do mundo enchem o nosso saco com comerciais que devemos ser patriotas, brasileiros. Bando de sem vergonhas. Me dá tanto nojo ligar a TV e ver o imbecil do Galvão Bueno com aquela cara de cínico. Em uma pesquisa feita algum tempo atrás mostrou que a metade dos brasileiros não gostam de futebol o que cai por terra o que a maldita Globo tenta empurrar goela abaixo dos idiotas que nós somos o país do futebol. Desejo ser uma Índia no futebol, mas um Canadá em termos de serviços(saúde, educação, políticas sociais) prestados a população, principalmente a mais pobre. Eu mesmo nao gosto de futebol, prefiro escutar as minhas bandinhas do que ter que aturrar a globo e um Galvão Bueno.
Tang chen.