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General Pollyanna

Adão Paiani (*)

Partindo do princípio que o Secretário da Segurança do RS, General Edson de Oliveira Goularte, não tenha utilizado um ghost writer para o artigo publicado em Zero Hora, denominado “Gaúchos mais seguros”; recurso muito usado por quem não tem prática, paciência ou tempo para escrever – embora se duvide que falta de tempo seja o problema do General Secretário – ; somente podemos atribuir sua opinião sobre a segurança dos gaúchos a um grave sintoma da “Síndrome de Pollyanna”.

Talvez inspirado na personagem do clássico de Eleanor Porter, publicado há quase um século, Edson Goularte tem pautado sua passagem pela pasta da Segurança Pública pelo permanente exercício do “jogo do contente”, uma postura otimista que busca apenas ver o lado bom dos problemas. O que seria fácil de entender no contexto da literatura infanto-juvenil ou dos livros de auto-ajuda, se torna irresponsabilidade na gestão de uma área fundamental para qualquer governo, responsável pela proteção à vida e segurança da população; chegando às raias do crime de responsabilidade.

No livro, a protagonista Pollyanna Whittier, órfã, é deixada aos cuidados da severa tia Polly, e usa a imaginação para criar uma realidade paralela que a proteja das maldades desta e do mundo que a cerca. A propósito, alguém tem alguma dúvida de quem seria a cruel Tia Polly, em sua adaptação gaudéria? Tal postura pode até haver funcionado com Pollyanna, mas não acontece o mesmo com os gaúchos, que por mais que se esforcem não conseguem ver a realidade cor-de-rosa, com bolinhas da mesma cor, descrita pelo General no artigo que teve coragem de publicar.

Aliás, a medida dessa coragem bem pode ser avaliada pela postura omissa que caracteriza sua gestão; servindo apenas para agradecermos o fato de não haver nenhum conflito bélico à vista; pois a depender de lideranças assim, nos renderíamos antes de disparar o primeiro tiro. Os números que o Secretário desfia, como corolário de realizações, não refletem a realidade das ruas, a sensação de insegurança da população e muito menos a relação do Estado com os servidores da área, servindo apenas para escamotear os investimentos pífios do governo que representa.

No que tange à ação da Brigada Militar, espalhar novos brigadianos por pontos estrategicamente selecionados, utilizando recrutas recém formados e despreparados para a realidade das ruas, diversa daquela dos sonhos de Pollyana, tem tido um efeito mais visual e eleitoral do que outra coisa. Essa tática de impacto visual, positiva se tivesse o propósito de intimidar criminosos por uma presença ostensiva nas ruas, ocorre só em locais de maior movimento. Nas periferias, pequenos centros urbanos e no campo, o abandono continua o mesmo. E na corporação, a realidade de receber um dos salários mais aviltados do país permanece imutável.

Na Polícia Civil, delegacias sem condições de atender adequadamente aos cidadãos, por carência de servidores, equipamentos e titulares, são regra; agravada por um aparelhamento político brutal, que viu passar num mesmo governo, até agora, três titulares na Chefia de Polícia; cuja falta de firmeza na condução da corporação fez proliferarem os feudos, ocupadas por figuras bem conhecidas, e que, portanto, prescindem de ser nominadas.

O sistema prisional; com projetos ainda longe de saírem do papel, existindo apenas na imaginação fértil de Pollyana; continua o mesmo barril de pólvora. Servidores desmotivados, mal remunerados, sobrecarregados por uma crônica carência de pessoal, e sem equipamentos que possam garantir minimamente sua segurança e dos próprios apenados. E, o que é pior, comandados por uma superintendência composta por dirigentes atolados em denúncias de corrupção, servis e omissos – como convém a apadrinhados que se mantém nos cargos tão somente pelo bom relacionamento com tia Polly – mas cuja conduta acaba por refletir na imagem pública de toda uma categoria de servidores.

No Instituto-Geral de Perícias a situação não é melhor, somente menos visível, dada às características próprias do órgão e do trabalho de altíssima qualificação técnica dos seus integrantes, que conseguem superar a precariedade dos meios colocados a sua disposição, mesmo vendo encerrar mais um período de governo sem o atendimento de reivindicações históricas da categoria.

Mas nada disso é capaz de afastar o Secretário-General da sua visão idealizada, materializada em texto no qual, despudoradamente, utiliza termos como “Estratégias”, “Novos Paradigmas”, “Programas Estruturantes” ou “Contratualização de Metas”, apenas com o propósito de mascarar a verdadeira realidade de um governo sem identidade e projetos que justifiquem o fardo que será suportá-lo até 1° de janeiro de 2011.

(*) Advogado

9 Comentários on “General Pollyanna”

  1. #1 Germano S. Leite
    on May 22nd, 2010 at 6:31 pm

    Respeito a posição do secretário Goularte. Afinal, tenho certeza que ele tem motivos para dizer o que diz. Embora tenha minhas dúvidas quanto a natureza destes motivos.
    Mas gostaria de saber se, por exemplo (dentre os inúmeros exemplos que se acumulam diariamente), a família do aposentado rio-grandino Áureo Eloy Machado compartilha desta opinião de que nós, gaúchos, estejamos mais seguros.
    Eloy Machado, 77 anos, conhecido na cidade por seu passado na presidência do extinto Jockey Club, conversava na movimentada esquina das ruas 24 de Maio com Carlos Gomes (coração da cidade do Rio Grande), poucos minutos após as 15h da última quarta-feira (19). A alguns metros dali, uma dupla de assaltantes, que há dias praticam impunemente diversos assaltos a mão armada em estabelecimentos comerciais da cidade, dominavam funcionários de uma lotérica e limpavam os caixas.
    Na fuga, os dois bandidos arrastaram uma refém, funcionária da lotérica, por metade da quadra. Quando chegaram na esquina em que Eloy e os amigos conversavam, um dos assaltantes decidiu que seria melhor abrir caminho para a fuga à bala. Com um disparo certeiro na nuca de seu Eloy, que tombou já quase sem vida, o atirador conseguiu seu intento, embarcou com seu cúmplice em uma moto e sumiu. Aparecerá em breve novamente, com certeza, quando decidir que chegou o momento de seu próximo assalto.
    Enquanto isso, a neta de seu Eloy, que assistiu o avô baleado, no chão, a 15 metros de casa, esperando a morte, deve decidir: acredita no que leu na ZH, de que estamos mais seguros, ou no que viu com seus próprios olhos, marejados de lágrimas, da dor de perder o avô de maneira tão brutal?

  2. #2 jorge Loeffler
    on May 22nd, 2010 at 7:44 pm

    Aquele careca ali na esquerda com casado bege ou marron não é o coroné ladrão de telhas? Daquelas telhas que deveriam chegar aos pobres e desabrigados? Infelizmente o Piratini não é mais o mesmo, pois ali temos ordinários abrigados. Fora tya.

  3. #3 ProfeGélson
    on May 22nd, 2010 at 10:04 pm

    “Depois de mais uma pesquisa, a do Vox Populi, em que aparecem à frente nas pesquisas, Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB)”…..(ABELHINHA/ZH)…….OPA!!!!SE O TARSO TÁ NA FRENTE, O FOGAÇA TÁ ATRÁS!!!!!!OU ME ENGANEI????

  4. #4 Marlene
    on May 22nd, 2010 at 10:50 pm

    Céus, as caretas que aparecem nessa foto é para aterrorizar criancinhas! Cara de um, focinho feio-arrogante-ignorante do outro.

  5. #5 Amos Jimenez
    on May 22nd, 2010 at 11:20 pm

    Respeito a posição do secretário Goularte. Afinal, tenho certeza que ele tem motivos para dizer o que diz. Embora tenha minhas dúvidas quanto a natureza destes motivos.Mas gostaria de saber se, por exemplo (dentre os inúmeros exemplos que se acumulam diariamente), a família do aposentado rio-grandino Áureo Eloy Machado compartilha desta opinião de que nós, gaúchos, estejamos mais seguros.Eloy Machado, 77 anos, conhecido na cidade por seu passado na presidência do extinto Jockey Club, conversava na movimentada esquina das ruas 24 de Maio com Carlos Gomes (coração da cidade do Rio Grande), poucos minutos após as 15h da última quarta-feira (19). A alguns metros dali, uma dupla de assaltantes, que há dias praticam impunemente diversos assaltos a mão armada em estabelecimentos comerciais da cidade, dominavam funcionários de uma lotérica e limpavam os caixas.Na fuga, os dois bandidos arrastaram uma refém, funcionária da lotérica, por metade da quadra. Quando chegaram na esquina em que Eloy e os amigos conversavam, um dos assaltantes decidiu que seria melhor abrir caminho para a fuga à bala. Com um disparo certeiro na nuca de seu Eloy, que tombou já quase sem vida, o atirador conseguiu seu intento, embarcou com seu cúmplice em uma moto e sumiu. Aparecerá em breve novamente, com certeza, quando decidir que chegou o momento de seu próximo assalto.Enquanto isso, a neta de seu Eloy, que assistiu o avô baleado, no chão, a 15 metros de casa, esperando a morte, deve decidir: acredita no que leu na ZH, de que estamos mais seguros, ou no que viu com seus próprios olhos, marejados de lágrimas, da dor de perder o avô de maneira tão brutal?
    +1

  6. #6 Guilherme
    on May 24th, 2010 at 9:28 am

    Tenho notado mais brigadianos nas ruas, e operações policiais prendendo dezenas de bandidos na Grande Porto Alegre.
    Então, pra mim, a coisa está melhor do que estava antes…

  7. #7 Ary
    on May 24th, 2010 at 9:38 pm

    Um perfeito pateta! Nem vale a pena tecer considerações. Pateta!

  8. #8 jose luiz
    on May 25th, 2010 at 10:27 am

    a sensação de segurança que nós, cidadãos comuns, precisamos é quando prendem o criminoso que age na nossa rua. E isso não está acontecendo. O novo policiamento que estamos vendo nas avenidas de maior movimento é apenas para garantir a segurança dos bancos. Não estou nem aí para assaltantes de bancos. Eu quero é que prendam o bandido que assalta na minha rua, o bandido que arromba meu carro, o traficante que está rondando a porta da escola dos meus filhos… O assaltante de banco, aquele que dá manchete no jornal, por mim pode continuar na rua, pois esse não me incomoda, ele não quer meus trocados, o CD da minha “lata velha”, minha TV…!

  9. #9 Katarina Peixoto
    on May 26th, 2010 at 11:22 am

    Baita cara de oligofrênico. Com um anormal bullynesco de colete ao lado. Show de horrores total.

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