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“Choque de gestão” une Serra e Yeda. Dilma defende que não há gestão sem investimento

Na entrevista que concedeu após a sabatina na Confederação Nacional da Indústria, ontem, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, parecia estar falando diretamente à governadora Yeda Crusius quando disse que não se pode fazer cortes de despesas públicas de custeio (educação, serviços de saúde e segurança) sem critérios. Dilma, que segundo Lula é uma das grandes responsáveis pelo índice recorde de aprovação de seu governo exatamente por ser uma gestora de excelência, enfatizou que a redução de gastos públicos tem que de ser feita com cuidado e analisando caso a caso.

Experiente como é, a candidata do PT sabe que não há eficiência nem eficácia (termos tão ao gosto dos homens da qualidade total) num corte que impeça, por exemplo, o conserto de uma goteira num posto de saúde porque isto se transformará, em pouco tempo, num gasto muito maior já que os equipamentos e o prédio inteiro ficará comprometido. É o que alguns economistas chamam de custo social, aquele que advém de determinadas fórmulas mágicas como as que Yeda adota no Estado e que Serra defende para o país.

Na campanha, Yeda Crusius usou o bordão “novo jeito de governar” na tentativa de convencer a população gaúcha que imprimiria uma forma revolucionária capaz de tirar o Rio Grande do atoleiro. Uma vez eleita, descobriu-se que não havia nada de revolucionário no jeito Yeda de administrar. A prática tucana revelou-se tão somente uma mescla irresponsável de cortes lineares, indiscriminados e, portanto, irresponsáveis, com a complacência, quando não a cumplicidade, com o desvio de recursos públicos no aparelho estatal.

Agora, na campanha à Presidência, o Brasil assiste a uma repetição da ladainha dos cortes de custeio na boca de José Serra. Pelo menos ele não apresenta a “proposta” como se fosse “um novo jeito de governar”. Aparentenente, o tucano mantém este discurso confiando nos avalistas que o sustentam na grande imprensa nacional.

Há aí uma diferença enorme entre os dois principais candidatos à sucessão de Lula. Enquanto Serra busca a sintonia com o discurso de choque de gestão, que encontra eco entre a maioria dos colunistas, Dilma a alcança, na prática, com o povo brasileiro, graças às realizações do governo Lula. Ela leva a vantagem de ter feito parte de um governo que a mídia jamais engoliu mas que, mesmo assim, obteve o reconhecimento da população. Está livre, então, para dizer o que pensa de verdade. É por isso que na entrevista de ontem, mesmo sabendo que seria criticada pelo coro dos fanáticos do ajuste fical, declarou com simplicidade: “Todo mundo quer qualidade na saúde, na segurança pública, na educação, mas não se consegue isso sem investir. Isso não pode. Não pode falar que vai acabar com área X, tem que buscar maior eficiência dentro delas. Fazer corte e ver o que pode ser mudado. Falar de forma genérica parece que fica um discurso que é reminiscência da crise do mercado absoluto. Naquela época não se investia em estrada, não se aumentava salário mínimo”. (Maneco)

2 Comentários on ““Choque de gestão” une Serra e Yeda. Dilma defende que não há gestão sem investimento”

  1. #1 Luis Armidoro
    on May 26th, 2010 at 2:41 pm

    Caros Marco e amigos do RS

    Esta conversa furada de “novo jeito de governar”, “choque de jestão – com “j” de jumento mesmo” e outras bobagens são imposição do Consenso de Washigton aos neocons mentalmente subdesenvolvidos daqui. Só no avatar do Partido Republicano (o ex-psdb) se leva a sério o neo-liberalismo e a financeirização da economia. O Serra não é bobo porque NÃO apresenta o estado de SP como modelo. Como paulista, digo a vcs que vivemos o completo caos social e urbano:

    * Privatização do SUS (Oragnizações $ociai$ mordem uma grana pública, não atendem socorro e prestam contas porcamente destas verbas públicas)

    * Desastre na educação pública: agoro o Governo do Estado pediu arrego e vai contratar pessoas que não são da área para dar aulas de física, química e matemática. Como engenheiro, considero isto um escândalo: como alguém que não compreende fenômenos fisico, pode explicar a alguém o que é eletromagnetismo?

    * Segurança “privatizada” para o PCC (tente mostrar a fuça à noite em alguns lugares de SP que vc leva um balaço no meio da testa). Sem falar na PM (a nossa Brigada Militar), com licença para matar (que nem o 007)

    * Trânsito infernal : apesar da propaganda, os congestionamento diários ainda beiram os 180 KM

    * Inundações: o Jardim Romano (se lembram dele?)ainda tem trechos com água

    * Pedágios a cada 15 minutos (SP é um lugar tão miserável que as distâncias não são mais medidas por unidades de comprimento e sim unidades de tempo). Fui com minha esposa e filho a um passeio de maria Fumaça em Jaguariúna (cerca de 120 Km de SP). Paguei R$ 40,00 de pedágio (ida e volta), ou R$ 0,17/Km (considerando 240Km, ida e volta). E esta papagaiada de que “são as melhores estradas do Brasil” é cascata, porque a D. Pedro I está em petição de miséria.

    SP é um laboratório do que este cara quer fazer no Brasil (para deixar vcs do RS horrorizados, SP é ultra-reacionário, e vai eleger um atuante servidor da Opus Dei como governador

  2. #2 Marlene
    on May 26th, 2010 at 10:47 pm

    Observando a foto, tem-se a nítida impressão que Serra tentar puxar (tirar) a mão e ela segura firme e puxa mais… São dois que estão morrendo afogados, afundando, afundando….

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