Na quinta-feira, feriado, 3 de junho, o tradicional programa de debates Conversas Cruzadas (TVCOM/RBS) teve como tema de discussão o presidente Lula. O programa foi emblemático, no sentido de exemplificar notavelmente um certo padrão sofisticado (mas não muito) de construção de pauta política. Para os que não acompanham, o programa diário comemora nestes dias 15 anos, tendo há 13 anos Lasier Martins como seu âncora.
Voltando ao dia 3, o apresentador abre, como de praxe, situando o tema. Inicia destacando a singularidade de Lula. Diz ele:
“Lula é ímpar, seja por sua história de vida, seja como ídolo maior da parte do eleitorado brasileiro e receber invejável aprovação, seja pela curiosidade mundial que desperta por onde anda em suas constantes viagens ao exterior, seja pela fama de seu estilo peculiar classificado inclusive como “o cara” pelo presidente mais poderoso do planeta. Entretanto, como é bem sabido, Lula, internamente, aqui no país, tem criado constantes controvérsias por posicionamentos políticos, condutas, pronunciamentos, podendo-se até exemplificar:
· suas simpatias por governos contestados de Fidel Castro, Chávez, Evo Morales e Ahmadinejad
· e igualmente quando critica o Judiciário Nacional
· ou critica o Tribunal de Contas da União por ter de cumprir rituais burocráticos que retardam licitações.
· também como agora ao ironizar pessoas que protestam contra a elevada carga tributária do Brasil
· como igualmente neste rol de fatos quando infringe e reincide em repetidas inobservâncias da lei eleitoral para fazer campanha aberta e antecipada da sua candidata do pleito de outubro
· Etecétera
O que o Conversas Cruzadas de hoje, pelos fatos invocados, quer discutir em função do período eleitoral que já se está vivendo é justamente o comportamento do presidente da República. Estará ele certo ao quebrar costumes – para não dizer infringir leis – quem sabe até querendo propor mudanças de paradigmas e, este comportamento presidencial, escorado no seu enorme prestígio pessoal, exercerá influência pequena, média ou decisiva no resultado das eleições de outubro? Que lições se pode retirar da atual conduta da figura mais notória da vida nacional? Será apenas censurável? Ou nem isso? E sim, digno de alguma admiração? Enfim, o comportamento do presidente da República é o tema do Conversas Cruzadas.”
Os leitores têm até aqui, textualmente, o que foi dito por Lasier. É um percurso sugestivo. Ele destaca o “Lula ímpar”, o “ídolo maior”, “a fama”, “o cara”, etc, e logo depois elenca os “posicionamentos controversos” propondo como centro do programa o “comportamento do presidente”, que “quebra costumes”, “infringe leis”, “muda paradigmas”.
É notável, como fica evidente, que setores políticos da mídia e da população fazem um deslocamento interessado – ao olhar os fatos políticos – para o aspecto comportamental. Me explico: (por isso o programa é emblemático) a exaltação-reconhecimento de Lula é posta neste caso para discutir o seu comportamento, os seus supostos excessos, o seu jeito. Desta forma não precisam discutir – porque não querem e não lhes convém – a sua “obra”. Este é o nome do jogo: comportamento, não políticas!
É claro que a tentação “comportamental” faz parte do universo político, bem como do seu marketing. É muito evidente que os comportamentos na política não são meros aspectos de personalidade; acabam sendo sempre, principalmente, escolhas políticas. Mas o reducionismo ao comportamental aproxima a política da trama novelesca, da simplificação maniqueísta e facilita a manipulação simbólica.
A outra vertente embutida na construção da pauta do programa é de fato a caracterização do Lula “fora da lei”, verbalizada expressamente. Aí as coisas se juntam, ele que é tão ímpar se conduziria também – como disse Serra, seu particular admirador – como alguém “acima do bem e do mal”.
Como, por definição, o programa é de conversas cruzadas, obviamente a contextualização editorial encontrou em alguns participantes desdobramentos mais eloqüentes, militantes e radicais para avançar na sugestão da pauta escolhida. E não deu outra. Os dois debatedores situados adequadamente à direita do mediador e equivocadamente à esquerda do olhar do espectador, defenderam energicamente as idéias:
1) de que claramente Lula teria um grande desprezo pelas instituições;
2) “tratorou” a oposição;
3) investe contra os outros poderes;
4) é o líder dos países totalitários.
É significativo que no momento de importantes dificuldades da candidatura Serra se tente atacar “o grande eleitor” e o líder eleito das grandes mudanças desses últimos anos. Mas não há surpresa na volta ao mesmo lugar: medo, produzir medo. Lula não é a liderança que se afirmou como presidente, na versão de alguns, é uma inquietante ameaça e um permanente transgressor.
Mas continua insuportável que não se reconheça, ao menos, que para mudar e avançar em algumas questões importantes para a sociedade brasileira é preciso mesmo quebrar alguns paradigmas, tensionar, enfrentar paralisias. Trata-se de mudanças elementares, necessárias e imprescindíveis. O conservadorismo brasileiro não consegue sequer nomear, pronunciar, soletrar o nome desses avanços. Também é incapaz de reconhecer outras políticas que não as suas.
Este comportamento é que é a ameaça autoritária.
Mas, sobretudo, é espantoso como, mesmo registrando o Brasil progressos tão significativos, nunca é a exaltação a essa realidade o nome da pauta.
De fato, esse padrão de abordagem repete-se por todo o Brasil.
Esta é a “campanha” que lhes sobrou.
Já perderam.


on Jun 9th, 2010 at 3:56 pm
Por tudo dito e outras questoes, é incrível como este programa seja interessante ao sempre levar pessoas que estao nos dois lados das questões debatidas. Pore’m, gostaria de lançar uma campanha e ver se alguem acata. Seria a seguinte: FORA LASIER, FICA BRITO! Enfim, o Brito no caso é o procurador aposentado que volta e meia substitui o Lasier, fato que engrandece infinitamente o programa. Uma coisa é o ignorante funcional e direitista do lasier; outra coisa é o Brito levando os debates.
E?
on Jun 9th, 2010 at 4:18 pm
“Os cães ladram e a caravana passa.”
Ditado árabe.
on Jun 9th, 2010 at 6:00 pm
Paulo Souza,
Rei morto, Viva o Rei!
Se tirar o Lasier, o próximo que assumir o programa será outro “Lasier”
Padrão RBS.
on Jun 9th, 2010 at 6:45 pm
Na paleta !!!!!!!
on Jun 9th, 2010 at 7:24 pm
Esta imprensa perdeu o bonde do futuro e insiste em agarrar-se ao seu apogeu, tentando arruinar todas as mudanças ,mas logo se tornaram passado.
on Jun 9th, 2010 at 8:04 pm
Tem certos programas, de certos “jornalistas”, que há muito não fazem parte do meu universo. São repetitivos, monótonos e não criam nada de novo, nenhuma tese estigante, nenhuma idéia digna de atenção. O tempo de Lasier, Políbios, Mendelkis e outros da mesma cepa está acabando, logo serão o que sempre foram, ” uns nadas”.
on Jun 9th, 2010 at 9:21 pm
Na verdade o público que atualmente acredita nos lasieres e demais foquinhas amestrados do seu Nelson é o mesmo de sempre, os que querem ouvir essas baboseiras dirigidas e tendenciosas.
on Jun 9th, 2010 at 9:41 pm
Pesquisa feita no próprio programa, há alguns meses, perguntava o posicionamento político de seu telespectador. Por ampla maioria ganhou a opção “sou de direita”. É preciso dizer mais alguma coisa? O programa fala para seu público e não creio que tenha alcance maior do que este, que é o da classe média, rural ou urbana, conservadora dos históricos atrasos do nosso Estado – os conhecidos 20% que sempre estão do mesmo lado do espectro político, não importa quem ou o que esteja, momentaneamente, representando esse espectro ou (re)construindo o seu velho discurso.
Não entendo por que pessoas que eu admiro, como o Koutzii, ao contrário de participarem do programa, não declinam e simplesmente enviam uma carta dizendo os motivos da sua não-participação? Ou, caso participem, porque não iniciam o debate externando sua posição sobre o próprio programa, seus donos e seu funcionário apresentador? Será que não estamos perdendo aquela radicalidade que tanto tempo nos distinguiu e fez-nos crescer como força progressiva e alternativa de esquerda para o nosso Estado?
De qualquer forma, parabéns pelo texto – ainda que tenha sido escrito em/para um espaço não-adversário, indica que esta disposição de ir à raiz dos problemas ainda está presente nas atitudes daqueles que confiei e confio meu voto.
on Jun 9th, 2010 at 10:00 pm
Meu estômago não me permite assistir lasier. Me dá ânsia de vômito. Quanto aos elogios iniciais é porque ele tb, como os políticos da oposição tem medo de atacar o Lula. Sabem que atacar o Lula significa perder audiência, perder votos. depois dos elogios, disfarçadamente, buscam algo de negativo, do ponto de vista deles.
on Jun 9th, 2010 at 10:50 pm
Repito: É impossível fazer oposição consequente, inovadora e propositiva ante o quadro que se desenha desde 2003. Só resta, objetivamente, uma opção ao José Erra: Dizer que vai melhorar o que precisa ser melhorado e manter o que está bom. Já vimos essa lenga-lenga no RS (Rigotto). Assim até eu! Porntanto, objetivamente: Você perdeu, Zé Erra!
on Jun 9th, 2010 at 11:23 pm
Não consigo também assistir “As conversas”,na maioria o programa é debatido por políicos q sendo oponentes do PT,não deixam estes falarem no seus tempos de responder aos ataques deles!!!!!
E por falar em oponentes,o PT,tem q chamar o Presidente do PDT,q é um líder trabalhista do mesmo perfil do Jango Goulart,o prefeito de Osório Romildo Bolzan,para colocar um freio na língua suja de alguns pedetistas,como é o caso do Kallil Sehhebe,e o todos os vereadores do PDT,que são anti-Lulistas e anti-Petistas e são a favores da Yeda(PSDB)e do fantasma Fogaça(PMDB)!O Kalil estava no programa do furioso jornalista e radialista Milton Cardoso,o Kalil e o Capoani,falaram mal do governo Olívio Dutra(PT) o tempo todo!Falaram mal do Presidente Lula o tempo todo,com o apoio do radialista e comunicador Milton Cardoso,q já no início do programa,começou a malhar a candidata Dilma Roussef!Como são covardes!!!!
on Jun 9th, 2010 at 11:49 pm
Infelizmente o Grupo RBS procura distorcer os fatos e realidade pelo qual passa o país neste momento, evidente que não será com um Programa de Palavras Cruzadas que este Grupo fará que o povo do RS não procure votar no melhor candidato que este país já teve.Quer queiram ou não,em nada mudará os rumos deste país, estamos atravessando um ótimo momento, nem todas as soluções foram encontradas em 8 anos, mas o país mudou muito, hoje o cidadão está sendo mais respeitado, o cidadão está tendo voz e espaço na sociedade, isso incomoda muita gente, muito enganaram este povo e acredito que este momento está mudando, questão de tempo, haveremos de conseguir atingir os objetivos para melhorar esta Nação, cada vez mais. Questão de oportunidade, o pleito está aí, as escolham estão abertas, seja prático e objetivo, procure votar no melhor.
on Jun 9th, 2010 at 11:53 pm
deixar de participar não considero uma boa ideia. a esquerda ou progressistas ou qualquer maneira que queiram chamar, devem ocupar este espaço e, como bem disseste, deixar clara seu posicionamento sobre a emissora, o programa e o bobo da corte, digo, apresentador. esclarecido o posicionamento, segue o “debate”.
on Jun 9th, 2010 at 11:54 pm
A RBS, como representante midiática do que há de mais atrasado e preconceituoso no pensamento reacionário gaúcho, precisa, de tempos em tempos, “rediscutir” a figura de Lula, de modo a requentar as frustradas tentativas de lhe causar algum desgaste político. É uma mistura de procedimento sistemático com psicopatia crônica. O que fazem no “Conversas Cruzadas” repetem amiúde no “Polêmica”, este no rádio.
Trata-se de uma recusa doentia em reconhecer a realidade política do país nos últimos 7 anos, trocando-a por tentativas periódicas de pautar e reescrever tais questões. Este comportamento irreal, que não se aceita de um grupo jornalístico (pois jornalismo se faz pautado por realidade, e não pautando-a) muitas vezes atinge nossa percepção, enquanto cidadãos, como um processo de auto-intoxicação.
E assim ocorre em toda a “grande” mídia brasileira. Definitivamente, esse pessoal não tem mais jeito. Só da nova e revolucionária experiência dos blogs políticos da Internet é que ressurgirá o jornalismo autêntico e decente.
on Jun 10th, 2010 at 1:27 am
Já fiz esta campanha . Mandei email para o Carbonera.
Que diferença, com o Brito!
Não posso assistir quando trazem o Wambert.
Está na “linha” do Berfran, Mario Bernard…
É um reaça desqualificado, preconceituoso, odioso…
É um NADA!
Rebaixa o nível do debate!
on Jun 10th, 2010 at 6:56 am
Essa análise me faz lembrar a de Richard Sennett no Declínio do Homem Público (As Tiranias da Intimidade, de 1988), por onde o autor demonstra através de acurada análise e uma série de exemplos, de que maneira desde o século XIX, mas principalmente no século XX a questão comportamental (relativa à personalidade) tem sido fortalecida e se colocado acima de qualquer proposta de verdadeira ação política (diga-se aí conjunta). Para o autor, questões de personalidade e intimidade tem desconstituido o espaço público, o espaço de ação conjunta e assim a política.
on Jun 10th, 2010 at 8:34 am
Caros Marco e amigos do RS:
Eu pensava que estes troços reaças só existiam no meu estado natal (SP), terra do Vampiro; mas vcs conseguem se superar aí no RS. Um camarada que faz uma análise rasa desta expressa a inteligência da direita braslieira, profunda como uma poça de água suja
on Jun 10th, 2010 at 8:58 am
A “turma” de sempre está tentando fazer com Lula o que já fizeram com João Goulart (Jango) em 64, se não, basta elencarmos quais eram as propostas dele na época, falava-se, por exemplo em “reforma agrária” e tantas outras idéias progressistas, os covardes de sempre jamais aceitarão isto… tentaram derrubar Lula em 2005 (mídia & oposição) e não suportaram o clamor do povo em ver que Lula mantia sua popularidade em alta mesmo ante todos os ataques de uma mídia histérica e furiosa… Já ouvi em agum lugar esta frase: “Não seremos os primeiros a dar o tiro, mas, com certeza, seremos os últimos”. Abraço a todos.
on Jun 10th, 2010 at 10:52 am
Pois é, a direita acusa a RBS de participar do eixo do mal para derrubar a governadora que é do PSDB.
A esquerda acha que a RBS não exalta os grandes feitos do governo Lula e só destaca suas quebras de costumos e infrações as leis.
Diante disso, acho que a RBS está cumprindo o seu papel, que é desagradar a direita e a esquerda e ganhar muito $$$ com isso hehehe
PS.: Esse negócio ta parecendo discussão Grenal, colorados juram que a RBS é gremista, e os gremistas odeiam a RBS pelo fato de serem todos colorados!
A Rede Baita Sol agradece a audiencia hehe!
on Jun 10th, 2010 at 12:10 pm
Na mosca!
Quem é criticado se acha perseguido. E por aí vamos.
on Jun 10th, 2010 at 5:53 pm
Em primeiro lugar: não dá para comparar os complexos embates políticos com joguinho de bola.
Segundo. Uma parcela pequena da direita gaúcha só se queixou eventualmente da RBS quando esta se viu obrigada a noticiar as escandalosas falcatruas que vieram à tona no governo Yeda. E mesmo neste período tivemos a oportunidade de assistir a várias estrelas da rede prestando solidariedade à desgovernadora, caso do Lasier Martins, do Paulo Santana, Davi Coimbra. Yeda e os demais implicados nos escândalos estaduais tiveram amplo espaço para se defender nos veículos da RBS, isto nunca foi concedido a Lula e ao PT.
Terceiro. A RBS não cumpre a sua função de informar com isenção. Ela não pode e não quer fazer isto. Yeda Crusius era funcionária da RBS, provavelmente voltará a ser a partir do ano que vem, se escapar da prisão. Ana Amélia Lemos, candidata ao senado pela chapa de Yeda, era funcionária da rede até ontem. É mais uma cria da casa. Um dos sócios desta empresa é Armínio Fraga, tucano de altíssima plumagem, ministro de FHC. A RBS comprou a estatal CRT na época em que o seu ex-funcionário, Antonio Brito, era o governador do estado.
E essa lista de comprometimentos não termina aqui, tem os empréstimos, tem a Maiojama, e por aí vai.
on Jun 10th, 2010 at 7:48 pm
Repasso aqui um comentário recolhido no Blog de PHA: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma. só uma Lei de Imprensa firme conseguiria disciplinar o setor. O escorpião não morde a si próprio” Este texto é atribuído ao jornalista americano J.PULITZER .
on Jun 11th, 2010 at 11:57 am
TEM TAMBÉM A DÍVIDA DA RBS COM A RECEITA FEDERAL !! 300 MILHÕES !!!