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Governos, negócios imobiliários e a Copa de 2014: o Jockey Club é o pretexto da vez

Paulo Muzell

Primeiro foi o lamentável episódio do Pontal do Estaleiro. O governo Fogaça se omitiu e, com ampla maioria governista na Câmara Municipal, deixou que tramitasse e que fosse aprovado um escandaloso projeto de autoria de um obscuro vereador do PTB. Um projeto eivado de ilegalidades e que viabilizava um megaprojeto imobiliário que privatizava ampla área na orla do Guaíba. A forte reação pública ao projeto fez Fogaça vacilar e chamar uma consulta que decidiu pelo NÃO por ampla maioria.

Depois, a Prefeitura de Porto Alegre, “por fora” e à revelia das alterações do Plano Diretor da cidade, que tramitava no Legislativo municipal, utilizou-se do “escudo” Copa do Mundo de 2014 para, a “toque de caixa”, aprovar projetos que alteravam o plano diretor para beneficiar o Sport Club Internacional no seu projeto de modernizar o Beira Rio adequando-o às exigências da FIFA. Tivemos aí a aprovação do projeto de lei que alterava o regime urbanístico do Beira Rio e da área dos Eucaliptos. Por uma questão de isonomia – futebolísticamente o Rio Grande se divide em duas partes quase iguais – o Grêmio entrou de “carona” e também foi beneficiado com outras importantes alterações de zoneamento de uso, altura e índices construtivos das áreas do Olímpico e da futura Arena da zona norte.

Depois tivemos o projeto Cais do Porto, iniciativa conjunta da Prefeitura-governo do Estado. Novamente sem discussão maior foi aprovado outro megaprojeto que altera alturas e índices construtivos de uma área central da cidade, permitindo alturas de até 100 metros, construção de hotéis e estacionamento para mais de 5.000 carros na zona mais central e congestionada de Porto Alegre: a ponta do “funil” que é centro da cidade. Tudo isso, pasmem, sem que fosse apresentado uma solução – mesmo em nível de anteprojeto – para resolver o gravíssimo problema viário já existente, que, com a implantação do projeto, será seriamente agravado.

E mais recentemente Fortunati sucede Fogaça (mudança que deu origem ao governo Fo-Fo) e aprova, também de forma relâmpago, sem maiores avaliações, descumprindo exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal, um outro projeto de lei que concede anistia de IPTU, ISSQN, ITBI para os empreendimentos relacionados com a Copa 2014, credenciados pela própria FIFA.

Depois, Yeda atacou isoladamente e veio – com o pretexto de descentralizar e melhorar o atendimento da FASE – com a escandalosa proposta de venda de metade do morro de Santa Tereza que seria entregue à sanha da especulação imobiliária. Novamente uma grande mobilização impediu o absurdo, à exemplo do que ocorrera com o projeto do Pontal do Estaleiro. Yeda recuou e retirou o projeto.

Quando a gente imaginava que a fúria especuladora acalmara, que teríamos pelo menos uma pausa para respirar, a obscura governante ataca de novo. Desta vez o Jockey Club do Rio Grande do Sul é o pretexto. Através do projeto de lei 178/2010, Yeda propõe a alteração do decreto-lei estadual 813, de 4 de junho de 1945, que cedera área pública para a construção das cocheiras do Hipódromo do Cristal. Acontece que existe no referido decreto-lei um dispositivo de reversibilidade da área do Estado caso se verifique “o desvirtuamento dos fins determinantes da doação, ou seja, o seu uso para funcionamento do Hipódromo do Cristal”. Sábia e necessária cláusula reversiva que impede a privatização da área pela alteração do seu uso original. Pois o projeto de lei 178/2010 pretende tornar sem efeito a cláusula restritiva, permitindo que o Jockey Club venda a área para um empreendedor imobiliário que construirá imóveis comerciais e residenciais, revertendo a renda (pelo menos teoricamente) aos cofres do Jockey. Aqui o “escudo” é o Jockey , espécie de “manto” que encobre verdadeiro objetivo: o atendimento de interesses privados.

Foto 1 – A governadora Yeda Crusius, em audiência com o diretor-presidente da Multiplan, José Isaac Peres(E) e o presidente do Jockey Club do Rio Grande do Sul, Deuclides Palmeiro Gudolle, no dia 25 de junho de 2009, para apresentação de proposta para àrea do Jockey, em Porto Alegre.

Foto 2 – Projeto da Multiplan para o Jockey Club.

26 Comentários on “Governos, negócios imobiliários e a Copa de 2014: o Jockey Club é o pretexto da vez”

  1. #1 eric rodriguez
    on Jul 12th, 2010 at 10:31 pm

    POR FAVOR ALGUEM ATENTE PARA A BARBARIDADE DA SEG PUBLICA EM MG , A POLICIA USAVA UM SITIO PRIVADO (SITIO DO BOLA) QUE SE PASSAVA POR POLICIAL PARA TREINAR SUA CORPORAÇÀO, SENDO O BOLA POLICIAL EXPULSO DA POLICIA DE SP E EXPULSO DA POLICIA CIVIL DE MG , AINDA ASSIM AGIA COMO INSTRUTOR COM UNIFORME E ARMA NA CINTURA .
    IMAGINA O TIPO DE TREINAMENTO A QUE A POLICIA MINEIRA ERA SUBMETIDO, AH DESCOBRIU-SE QUE JA HA DENUNCIA DE MORTE E ESQUARTEJAMENTO RECAINDO SOBRE O INSTRUTOR DA POLICIA MINEIRA. ISSO SIM E CHOQUE DE GESTAO E PROFISSIONALISAÇÃO, OU SERÁ QUE ISTO É OBRA DA TAO DECANTADA TERCEIRIZAÇÃO, MERECE UM POST GENTE.
    AH FOI INCLUSIVE CONDECORADO.

  2. #2 Fernando
    on Jul 12th, 2010 at 10:57 pm

    A discussão não é se as obras são necessárias ou não, na minha opinião são. O cais do porto com aquele pavoroso muro tem que ser melhor aproveitado. Ali podemos ter restaurantes, cinemas, teatros, lojas, casas noturas, bares, etc. Os estádios de Porto Alegre são monumentos ao desconforto onde os frequentadores são tratados feito gado, relíquias do século passado. Aquela área do falido Jockey Club do RS pode ser melhor aproveitada, ao invés de ficar atraindo moscas e estrume.

    O problema é a falta de debate com a população, foi tudo feito a toque de caixa, na base do “vamo que vamo”. Mas o mais escandaloso foi a renúncia fiscal, estadual, municipal e federal também para os gastos com material de construção. Um verdadeiro Free-Shop do cimento e do ferro.

    Que fique claro, ninguém é contra o melhor aproveitamento do porto, do Pontal do Estaleiro e da Copa do Mundo em Porto Alegre. O preço que estamos pagando por isso é que me assusta. O Pontal não pode virar área residencial, pelas restrições que isso geraria a ciruculação da população na área, e tampouco comercial, pois ficaria abandonado à noite, sem vida alguma. Ali poderia haver um parque, uma marina pública, um espaço para shows, algo semelhante ao Battery Park em Nova York, o parque do extremo sul da ilha de Manhattan.

    Do jeito que está, está péssimo, do jeito que querem fazer, tampouco serve. As pessoas precisam viver, de moradias e a construção civil esta empregando como nunca, então tenho cuidado com essa perseguição à “Especulação Imobiliária”. Com a economia brasileira à toda máquina, mais pessoas estão comprando imóveis e a explosão imobiliária é um fenômeno natural.

    Nem tanto ao céu, nem tanto a terra.

  3. #3 Remindo Sauim
    on Jul 13th, 2010 at 10:24 am

    Este clube dos exploradores de cavalinhos tem que ser melhor investigado, não cuidam das calçadas em torno do hipódromo, tem seus funcionários morando em casas miseráveis. Acho que o estado do RS devia acabar com a jogatina e transformar aquela área num parque.

  4. #4 zé bronquinha
    on Jul 13th, 2010 at 11:39 am

    Caro Eric!
    O que tu te referes diz respeito aos assombrosos e comemoráveis números alcançados pelo Programa de Qualidade Total implementado pelo Instituto Falconi com sede em MG, que se rege por privatizações (sítio e polícia privada) e por metas (cadáver produzido) tal qual em SP. Aqui no RS este Instituto trabalha a soldo do “grande e despretencioso” Jorge Gerdau atuando no governo do estado e na prefeitura.

  5. #5 alvaro
    on Jul 13th, 2010 at 11:41 am

    MAS QUE ANSIA DESSA CHINELAGEM EMERGENTE DE SEMPRE TÁ QUERENDO POR A MÃO NO DINHEIRO PÚBLICO..A RAPINAGEM PARECE NÃO TEM LIMITES…

  6. #6 Edu Paiva
    on Jul 13th, 2010 at 12:26 pm

    O projeto do Grêmio é muito pior que o do Inter, pois permite prédios de 72 metros em uma região já saturada, sendo que esta altura é maior do que a permitida em toda a cidade.

  7. #7 Néia
    on Jul 13th, 2010 at 12:55 pm

    Fernando, concordo com quase tudo que dizes, mas aquecimento imobiliário não é o mesmo que “especulação”. Sou arquiteta e, por óbvio, quero que a cidade se conforme com dignidade, quero que todos possam morar dignamente e isso só será possível se forem edificadas muitas moradias mais. Isto é “aquecimento do mercado imobiliário” e vem na esteira da melhoria das condições de consumo da população. A “especulação” fica patente quando a base legal é “ajustada” aos interesses individuais de alguns mega empresários da construção civil. Essas pessoas – bem relacionadas com os políticos que estão no comando da cidade e do Estado – “criam valor” apenas com as alterações da lei, exclusivamente para seus mega empreendimentos, enriquecendo sem causa, apenas na troca de favores.
    Isto é especulação!
    Debatendo o assunto com vários colegas, chegamos à conclusão que restrições são necessárias para que sejam protegidos os próprios consumidores (todos deveriam ter direito a pelo menos duas horas de sol em suas residências, boa ventilação, possibilidade de sair de casa e chegar a um hospital, por exemplo, sem ficar parado num engarrafamento de duas horas, etc.). Mas é preciso que a lei (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental) valha para todos! São centenas de profissionais sérios que aprovam seus projetos dentro das regras e vêem, desolados, que para alguns a lei não é apenas elástica, como se transfigura completamente. Veja que uma coisa é um ajuste das diretrizes do Plano Diretor a uma situação real, já que é impossível prever tudo, todos os detalhes de um imóvel na lei genérica, e outra coisa muito diferente é dobrar ou triplicar alturas, índices, reduzir faixas de proteção a mananciais e outras coisas que estão acontecendo todos os dias e que só serão sentidas daqui a cinco ou dez anos. O Município de Porto Alegre só alcançou o sucesso que alcançou com as operações de Transferência do Direito de Construir para implantação de vias, praças, parques e escolas por que tinha um PDDU que era respeitado pelos sucessivos governantes antes de Fogaça. Este instrumento precioso depende da confiabilidade nas regras do Plano. Foi graças ao seu bom manejo que, desde 1979 (então veja que aqui não há qualquer defesa político partidária) Porto Alegre conseguiu fazer obras de menor custo para o contribuinte. Isto foi jogado no lixo desde que o interesse privado de alguns sobrepujou completamente o interesse público. A visão é predatória ao extremo! Quando o caos se tornar incontrolável eles abandonarão Porto Alegre e irão predar outra cidade por aí…
    Não é pouca coisa! Se nós queremos ou “precisamos” ficar, a hora de combater é agora! Depois do caos instalado e as muralhas edificadas, restará apenas lamentar e lembrar que não fizemos nossa parte quando ainda era tempo. Se é que ainda é tempo!

  8. #8 Henrique Wittler
    on Jul 13th, 2010 at 2:00 pm

    Ora bolas. Pela beleza se despreza leis ambientais. O código Ambiental do RS e o Federal, lei 4771/65 proibem construções em áreas sugeitas á inundações.
    O Código de Postura de POA proibe aterro nas margens do Rio Guaíba, mas nada disto vale para alguns o que vale é a beleza.
    Ora se alguem bonito bem feito matar alguem não deve ir para a cadeia só por sua beleza?
    Leis são convenções sociais para que o conviver seja pacifico. Desrespeitar uma Lei qualquer é desrespeitar qualquer uma. Eu ou outro ambientalista podemos nos sentir agredidos e reagir, então viriam os mesmos que não querem atender as Leis existente para nos prender e processar. Seria justo tal procedimento?
    Se a manha ou depois, em face destas construções aprovadas contra uma boa parcela, com conhecimento, da população, com conhecimento por parte do poder público de que suas construçõies poêm emrisco as áreas vizinhas por inundações, etc, vierem a matar por afogamento, curto elétrico ou outro motivo um familiar, teria eu o direito de matar os executores destas barbaridades perante as Leis Ambientais?
    Enquanto ouver Lei que sejam respeitadas, ou as revogemos.

  9. #9 Renato Arthur
    on Jul 13th, 2010 at 2:01 pm

    Alô Erick a Secretaria de Segurança Pública de MG era gerida pelo Aésio Neve (PSDB), qualquer semelhança é mera coincidencia (Otávio Germano). Preservar as área verde de PoA vai torná-la uma cidade diferenciada, mas tá difícil.

  10. #10 Henrique Wittler
    on Jul 13th, 2010 at 2:05 pm

    As obras dentro dos 500 m após 1965 deverão ser demolidas. Jurisprudência existem em outros Estados.
    Aqui vai levar mais algum tempo mas chegará o dia em que o Supremo deverá se pronunciar e ai quem envestiu na compra de imóveis nestas áreas deverão arcar com seus prejuízos.
    Numa sentença em Pernambuco, quando da apelação por ter construido dentro da APP prevista na 4771/65, alegando que o fizera porque o Plano Diretor, o IBAMA e o Órgão ambiental do Município permitira, o apelante teve com resposta “Não cabe a estes afrontarem a Lei 4771/65, demula-se”
    Procurem e verão.

  11. #11 Luciano
    on Jul 13th, 2010 at 2:09 pm

    Bah, Fernando, visão bem estreita que tu tens. Tu realmente sabes como funciona a especulação imobiliária e o malefício que causa nos moradores de classe média e classe média baixa de uma cidade? A valorização solo, do jeito absurdo que está tendo, e você continua achando que é perseguição. Por favor meu caro, estude um pouco sobre essa dinâmica suja que é a área da construção civil. Claro que as pessoas tem que ter onde morar. Mas duas coisas: 1)Quais pessoas? de que poder aquisitivo? 2)De que maneira são feitas essas tramóis pelo poder público, “abrindo as pernas” pro capital imobiliário (que financia sua campanha, SERÁ?)?

    Cara, se você olha pra cima, parace que em Porto Alegre está tudo bem, grandes prédios bonitos, “grandes apartamentos” (a maioria com 60m2 em média). Mas daí você olha pra baixo, olha pra rua, e o que você vê? Sujeira, serviços públicos EXTREMAMENTE mal administrados, mendigos morando na rua (e não me diga que é só o crack), pessoas morrendo eletrocutada, ônibus em mal estado, infra-estruturas sub-aproveitadas, e por aí vai. É uma VERGONHA ESSA CIDADE. Será que tudo não está funcionando em função da especulação do solo, ou tu achas que é perseguição. Saia do Moinhos de Vento e da Bela Vista e você vai ver o estado que está essa cidade.

    Como cidadão de Porto alegre me sinto envergonhado de ver tanto prédio lindo novo, para pessoas bonitas e cheirosas, fruto da economia que cresce, cresce, e nem sequer um asfalto pra tapar os buracos da nossa cidade, e nem sequer uma secretaria de assistencia social para cuidar dos mendigos, e nem sequer um DMLU que preste, e nem sequer uma SMOV competente, uma EPTC decente, ao invés desse bando de órgão público loteado de vereador não-eleito.

    PRESTE ATENÇÃO DO QUE ESTÁ ACONTECENDO MEU CARO.

  12. #12 Sobradinho
    on Jul 13th, 2010 at 4:00 pm

    Ora se a área que estão localizadas as cocheiras e de mais áreas do Jockey como agora são áreas públicas cedidas pelo Gov. RS para atender o pretexto das corridas de cavalos e guarda do mesmo, como a área pode agora ser privatizada, revertendo uma parte do dinheiro para o Jockey, mais uma vez estão privatizando áreas públicas com vistas ao ente privado, se não interessa mais área que a devolva para o Gov. RS para ali se construir um grande parque, mas os malandros vão alterar novamente a legislação vigente a fim de privatizar áreas públicas com dinheiro público. Infelizmente o Gov. RS está tomado de uma quadrilha que realiza especulação imobiliária com fins privados, contando o apoio dos Vereadores da Câm.Mun.POA e Dep. Estaduais do Parlamento Gaúcho, aliás estas duas instituições se tornaram filiais dos ramos imobiliários. Posso imaginar o que deve correr por fora para aprovação destes projetos. Com referência à Copa de 2014 utilizaram-se se artimanhas para fins privados, utilizando-se de isenções fiscais para expandirem a especulação, cá entre nós este RS mais parece um RS sem lei, em que tudo vale, não importa a legislação, se a mesma é obstáculo iremos mudar para atender o ente privado. Já venderam o Caís do Porto, aliás o maior Projeto Imobiliário do Gov. RS e da Pref. Mun. POA comanda pela Sra. Yeda, Sr. Fogaça e Fortunati, mais parece um quadrilha que usam dos cargos públicos para venderem o patrimônio do povo gaúcho. As eleições estão próximas e certamente o povo gaúcho saberá limpar do Parlamento Gaúcho essa quadrilha de Corretores de Imóveis que envolvem Dep. Estaduais. Questão de tempo para modificar. Aliás os projetos são tocados a toque de caixa a fim de evitar que o próximo Governante não possa alterar essas negociatas. Fica a pergunta para os mesmos candidatos: o que farão com referência a essas negociatas.

  13. #13 funcionário
    on Jul 13th, 2010 at 4:33 pm

    Zé Bronquinha tem toda a razão.
    Depois de flertar algum tempo com Rigotto, o PGQP do Sr. Johanpeter se instalou na Prefeitura de Porto Alegre, com pilotos no DMAE e SMS.
    Eles tem funcionários e um espaço físico destinado a seus projetos.
    Promovem a implantação de um sistema 5 Ss, um tanto fajuto, já que a coisa se passa assim.
    Trazem o apresentador do programa Love Songs para vários dias D, em locais operacionais.
    O 5 S nada mais é do que limpeza, lavagem e varrição do local, animado a pagode em alto volume e brincadeiras do tipo recados por microfone e competição de times…
    Muito pouco como podem ver e tudo pago com dinheiro público.
    Deste tipo de político, só se pode esperar negociatas e o setor imobiliário é o filão do momento.
    Como a mídia silencia, ou até defende, estes capitalistas o que nos resta é o protesto nos blogs e a arregimentação de pessoas conscientes para se opor a este desastre…

  14. #14 Hermes Vargas dos Santos
    on Jul 13th, 2010 at 6:46 pm

    Eles querem botar a mão na Vila Hípica, em frente ao Iate Clube Guaíba, e próximo ao Veleiros do Sul. É mel na sopa, mas aí vem o Raul Seixas e diz: Eu sou a mosca que pousou em sua sopa … Não é tão simples assim, querer revogar o gravame da reversão! Ver em http://hidroviasinteriores.blogspot.com

  15. #15 Carlos Goulart
    on Jul 13th, 2010 at 9:51 pm

    Já que este blog tem abordado temas relacionados à especulação imobiliária, sugerimos também temas como as negociatas envolvendo prefeitura do PT, Condor e Goldztein no caso “Loteamento Germânia”. Outro tema interessante seria a “magnífica” III Perimetral, que no dizer de uma promotora do Ministério Público foi o maior crime ambiental da história de Porto Alegre.

  16. #16 Carlos Goulart
    on Jul 13th, 2010 at 10:08 pm

    Gostei da sua argumentação, Néia. Ocorre que, para cada vez mais gente, já é tarde demais. Conheço uma arquiteta que tem seu apê tomado de mofo por causa dos espigões que foram surgindo no entorno. Outra colega está saindo da região da Dom Pedro II porque o barulho e a poluição são insuportáveis; como vocês não previram recuos adequados para a via, a utilização para fins de moradia não é mais possível. Outra conhecida, executiva finlandesa, não agüentou o nível de ruído no seu escritório na Carlos Gomes e preferiu voltar para a Finlândia, onde barbaridades como a III Perimetral presumivelmente não seriam possíveis. É questão de tempo até Porto Alegre enfrentar um belo alagamento, inclusive na área do aeroporto, por conta da violenta desarborização e impermeabilização do solo que temos visto a partir da década de 90. E aí não adiantará chorar pelo leite derramado, pedir doações pela TV ou argumentar que “choveu muito”. Quem tem condições vai cair fora, e sobrarão os menos afortunados. Quem viver, verá.

  17. #17 Sobradinho
    on Jul 13th, 2010 at 10:21 pm

    Imobiliária Yeda=Fogaça=Fortunati=Dep.Aliados e Vereadores Aliados, nesta terra bendita vende-se de tudo, ao que parece em breve estará a venda a Estátua do Paixão Cortês. Infelizmente este é o RS comandado por Agentes Políticos transviados em Cargos Políticos. Haverá nova mobilização do povo do RS contra mais esta negociata de terreno público junto ao Jockey. Aliás neste RS ética e respeito com o povo gaúcho passa de longe. Em breve haverá eleições e o povo do RS irá varrer esta quadrilha que montou mais esta Imobiliária de especulação favorecendo o ente privado. Interessante que passo a imaginar que as comissões destas vendas terão direção certas para certas campanhas políticas deste ano eleitoral. Estaria sendo usado dinheiro destas especulações na Campanha Eleitoral do RS, fica a pergunta que ninguém respondeu até o momento. O povo do RS merece esclarecimentos.

  18. #18 Tulio
    on Jul 13th, 2010 at 10:32 pm

    Vou falar do que sei:

    1 – O Projeto do Cais do Porto ainda não existe. É mentiroso qualquer um que afirme “A” ou “B” sobre este projeto, cuja licitação ainda nem ocorreu (o projeto urbanístico e arquitetônico é parte das obrigações do vencedor da dita licitação, logo, a não ser que o Doc Brown seja um dos interessados, não há projeto ainda…). Não me oponho à adequada utilização da área do cais. Este, de longe, é o projeto mais bem conduzido pelo governo Yeda (e olha que n~eo gosto dela…). Foram feitos ajustes legais, desembartaçados os terrenos e matrículas, atribuído regime urbanístico, etc, etc. Não me importo que haja prédios com 100 metros na orla, nem com 100 andares. Me importa é a QUALIDADE destes projetos. Pelo que sei, há grupos internacionais de porte interessados neste projeto, o que pode ser garantia de coisa boa… já se cair nas graças de grupos locais sabidamente mesquinhos, a coisa fica feia, literalmente falando.

    2 – Sobre o jóquei, alguém aí aposta em cavalos, ainda hoje??? Qual a serventia de toda aquela área adjacente??? Para mim, parce que são estábulos, para as “centenas de cavalos”(sic) do jóquei.. Fala sério… acho que deve-se perder a hipocrisia e enxergar mais além do que a mesquinharia político-ideológica. Há que se preservar o que é preservável… Acho estranho que ninguém fala da relocação ou da regularização de várias vilas de Poa em gestões enteriores (grande parênteses: a despeito desse assunto, a gestão Fogunatti vem fazendo barbaridades urbanísticas, aliada ao programa “Minha casa, minha vida” do governo federal – quem conhece, sabe do que falo), nitidamente em locais inadequados, geograficamente e ambientalmente inadequados. E pior: estes, nem IPTU pagam. Eu e a maioria pagam alguma coisa. com certeza os que virem a residir num destes novos aptos projetadfos, pagarão também – enão será barato. Então, o que é melhor: deixar a área p/ os pangarés que não geram receita nenhuma, ou colocá-los em local adequado (aliás, pelo qeu me consta, a legislação ambiental municipal, proíbe criação de animais no ambiente da área intensiva) e abrir a área p/ novos empreendimentos???

    À vossa consideração,

  19. #19 paulo muzell
    on Jul 14th, 2010 at 10:46 am

    Tulio: aprovar uma lei municipal alterando o regime urbanístico de modo a permitir a construção de milhares e milhares de metros quadrados em área central já extremamente congestionada que exista pelo menos um anteprojeto que apresente de solução para o problema viário é uma irresponsabilidade. Além disso, não foi discutida e nem definida a forma de relação do interesse público com o privado, ou seja, que contrapartidas serão exigidas dos empreendedores para que lhes seja concedida a área pública. Quem arca com os ônus e quem recebe os bônus? Esta é a primeira pergunta que formula e responde um governo sério ao analisar um projeto.
    Já achar normal construir prédios de 100 andares junto a orla, significa erigir enormes barreiras que vão dificultar a insolação, a aeração e até a vista dos moradores que já estão instalados, algo claramente inaceitável.
    Por fim, já começou sim, o governo estadual já lançou o primeiro edital deste obscuro empreendimento…
    Paulo Muzell

  20. #20 Hermes Vargas dos Santos
    on Jul 14th, 2010 at 10:58 am

    Túlio:
    A licitação para arrendamento comercial do Cais Mauá já está em andamento. Ver em http://hidroviasinteriores.blogspot.com Eu me importo quanto à altura dos prédios que pretendem construir junto à Usina do Gasômetro e nas docas, perto da Rodoviária e da Av. Castelo Branco. Um shopping de 12 andares ao lado da Usina, que é um símbolo da Cidade, é uma afronta à população, pois esconde esse prédio histórico. Espigões de 33 andares junto a uma área já gongestionada, como é o caso dessa entrada da Capital, é uma estupidez incomum. Além disso, a iniciativa é ilegal, porque não conta com a aprovação da ANTAQ e do TCU – o proprietário da área é o Governo Federal! No caso da Vila Hípica, a legislação federal é muito clara – doação, hoje, só para entidades públicas; e tem que ter cláusula de reversão ao patrimônio público, no caso de deixarem de existir os motivos da doação! A iniciativa privada tem que construir seus prédios em terrenos privados, a serem adquiridos junto aos seus proprietários. É assim que o capitalismo deveria funcionar, não é verdade? Fazer fortuna em cima de terrenos públicos, sem ter que comprá-los junto ao mercado, é muito fácil! Eles são muito mais funcionários públicos do que se imagina – vivem só das tetas do erário …

  21. #21 Fernando
    on Jul 14th, 2010 at 12:27 pm

    Então só podemos ter servicos públicos bem administrados se não se construir na cidade? O dia em que acabarem os prédios “bonitos” para pesosas “bonitas e cheirosas” os mendigos , o crack, o estado dos ônibus, tudo será resolvido? Esse é teu dilema, no caso, falso dilema?

    Pior que meus amigos de direita que me acusam de ser “esquerda Veuve Cliquot”(O que nem dou bola, dou risada junto com eles), é quando alguém de esquerda me acusa de ter visão estreita. Não sou cavalo para usar enxergão.

    Sim, existe especulação do solo, especulação financeira(eu me aproveito dela como acionista da Petrobrás), especulação imobiliária e por aí vai. Tanto privada, como pública, ou como foram feitas as desapropriações para a duplicação da BR-101(Que por sinal está ótima)? Quantas pessoas estão com carretas passando na janela de suas casas com a duplicação?

    Pode ter certeza que eu presto atenção no que acontece, a diferença, é que eu vivo “aqui em baixo”, na realidade. Ou existe algum partido político que tenha o mínimo de representatividade não recebe doações de nenhuma empresa, seja do ramo que for? Algum partido nunca loteou nenhum orgão público?

    Bem vindo a vida real…

    P.S.: Eu nasci no Moinhos de Vento, e lá morei muito tempo, até ir morar na Zona Sul de Porto Alegre, onde meus pais ainda moram. Hoje moro na Cidade Baixa. Por acaso a minha posição geográfica em Porto Alegre faz minhas opiniões melhores ou piores?

  22. #22 Tulio
    on Jul 14th, 2010 at 2:50 pm

    Prezado Paulo,

    O regime urbanístico atribuído permite adensar menso do que a média do Centro, e o empreendimento em si vai utilizar índice construtivo de 1,0.

    Ao se apresentar o projeto, o mesmo deverá tramitar nas instâncias municipais de aprovação, onde srão avaliados os impactos e determinadas as compensações (é neste momento que deve haver atenção da sociedade articulada…), como bem já passou no CMDUA e no COHMPAC, tendo sido aprovado em ambos. Se não houve articulação par barrar em nenhum detes, aí está o MPF para isto mesmo.

    Quanto às barreiras de insolação e visuais, quero saber se alguém vai fazer desaparecerem as edificações altas existentes nos quarteirões entre a siqueira campos e a Mauá, pois pior barreira do que que a que alí existe, não conheço.

    Abraços

  23. #23 elektrofossile
    on Jul 15th, 2010 at 12:35 am

    Está grande a polêmica mas, porém, observo o seguinte:

    A sanha imobiliária está grande sobre a nossa cidade. E por ‘sanha imobiliária’ eu traduzo o seguinte: um [sic] investidor adquire, baratinho, uma área razoável e mete os cobres que tão sobrando. aí cresce uns prédios e os aptos que ele consegue vender já rendem uns bons bocados que lhe retornam os cobres que investiu. O resto ele aluga a preço de mercado o que lhe garante bons rendimentos mensais. Ele investe pq tem certeza que vai ganhar. E ganha muito.
    Esse jogo de milhões (vc já jogou Banco Imobiliário? é muito mais) rende e faz muita pressão sobre indivíduos e sobre Prefeituras, Piratinis e etc … Isso se chama ESPECULAção IMOBILIáRIA. Senão vejamos:
    História:
    Estádio dos Eucaliptos;
    Pontal dos Mellos (Estaleiro Só);
    Morro Santa Thereza;
    av Lima e Silva;
    e, agora, o Jokey Club.

    MAS, se formos perscrutar toda a Porto Alegre, há mais movimentações imobiliárias:
    próximo ao cruzamento da Protásio com a Antônio de Carvalho (beco Souza Costa, lá na Antònio de Carvalho). Não param de pulular projetos (a Corsan está sob pressão);
    o terreno da loja tumeleiro na avenida Bento Gonçalves virou um pombal de 5 ou 6 prédios que vai dar um problemão urbanístico (trânsito de automóveis, esgoto, lixo, …)
    os terrenos das indústrias Wallig e Geral (bairro Cristo Redentor), a mesma coisa;

    Não esqueço nunca o relato dum locutor da Ipanema FM que morava no xique auxiliadora, relatando que os bueiros espirravam merda para todos os cantos, por sobrecarregados.

    santa urbanística. onde vamos parar?

    alguém vai reagir? (que não seja fugir para os ressorts)

  24. #24 Tulio
    on Jul 15th, 2010 at 10:52 am

    Perfeito amigo, é aí que quero chegar…o problrma não se resume a um ou dois “projetos especiais”, mas à toda cidade que vem sendo vilipendiada, não necessariamente pela sanha dos investidores / especuladores…

    Os projetos que passam “batido” também trazem prejuízos, por falta de planejamento urbano adequado (leia-se, planejamento p/ crescimento ordenado, não p/ implantação de novos bairros, algo totalmente desnecessário na cidade já que há um superávit de índices na chamada “Macro zona 1″ e que poderia prover o crescimento de área construída por muitas dezenas de anos, simplemente renovando edificações). O melhor exemplo disso o colega colocou: As 5 torres na Bento Gonçalves – foram aprovadas como projeto ordinário e não houve nenhuma compensação, de qualquer tipo!!! Um absurdo, já que vão residir alí pelo menos umas 3000 pessoas. só em Porto Alegre, mesmo!!!!

    Para informação: número do processo da PMPA sobre o Cais do Porto, para quem quiser pedir vistas, pois o mesmo é público e quallquer cidadão tem o direito de acessá-lo – 002 316.484.00.5

    Abraços

  25. #25 Néia
    on Jul 15th, 2010 at 12:45 pm

    Este post, como é comum em postagens que se relacionem com a especulação imobiliária em POA, suscitou uma quantidade enorme de comentários. Mas o que me chama a atenção é que sempre nesses casos, há uma quantidade imensa de trolls que entram para tentar confundir quem lê “por cima” a postagem. Isso apenas demonstra de forma cabal que aí estão os maiores interesses de quem “emprega” esses comentaristas de aluguel para fazer a varredura nos blogs mais conceituados e lidos. Desta forma aumenta a certeza de que vocês “estão podendo”, alcançando cada vez mais leitores que se identificam com as análises postadas por vocês e, como não poderia deixar de ser, transformam-se em alvo preferencial desses visitantes contratados para defender o interesse especulativo. Ótimo! Parece que as coisas caminham muito bem. As conciências estão sendo despertadas e eles estão se debatendo na tentativa de secar o gelo que derrete mais e mais a cada dia…
    Parabéns!

  26. #26 Hélio Sassen Paz
    on Jul 16th, 2010 at 10:36 am

    Marco e Henrique Wittler,

    Por favor, leiam o meu post e, sobretudo, os links que adicionei a ele. Considero altamente recomendável entrevistar o economista Mauro Salvo do BC lotado em POA.

    http://heliopaz.com/2008/11/17/banco-central-suspeita-lavagem-de-dinheiro-na-construcao-civil-em-porto-alegre/

    []‘s,
    Hélio

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