Durante essa semana os jornais noticiaram a morte de três seguranças da embaixada dos EUA em Bagdá, sendo que dois deles eram de Uganda e o outro do Peru, todos contratados por uma empresa privada de segurança. De certa forma a presença desses agentes de segurança não é um fenômeno novo, mas o que é novo é a dimensão desses fornecedores internacionais de segurança privada, cujo tamanho e especialização são equivalentes, e por vezes superiores, às forças armadas de vários Estados.
Estima-se que o mercado dessas atividades inclua várias centenas de empresas, que geram receita anual global de mais de 100 bilhões de dólares e são frequentemente utilizadas pelos mais diferentes atores em conflitos: grandes potências, ditadores em países da periferia, paramilitares, cartéis de drogas e até mesmo as missões de paz.
Empresas privadas estão atuando em todos os setores que cuidam da segurança nacional dos serviços de inteligência dos EUA (cerca 70% do orçamento). Com o fim da Guerra Fria, as companhias militares privadas passaram a converter-se em soluções do mercado frente às novas tendências à privatização de várias funções governamentais. Crescimento do mercado privado de segurança anda de mãos dadas com a também crescente avaliação nos EUA de que as democracias não conseguem vencer as “pequenas guerras”, principalmente porque as exigências morais e políticas vão muito além do que a oposição doméstica está disposta a aceitar. (O artigo é de Reginaldo Nasser).


on Jul 25th, 2010 at 4:28 pm
As PMC(Private Military Companies) são usadas a torto e a direito por vários motivos. Primeiramente, a globalização levou empresas, e seus executivos, a lugares terrivelmente perigosos, do México ao Iêmen. Como as PMC`s são formadas por ex-soldados de forças especiais, geralmente americanas, inglesas, alemãs, canadenses e francesas, são consideradas as mais aptas para esse tipo de função. A família Safra(Banco Safra) só anda em São Paulo com proteção de ex-agentes israelenses. Na boate Pink Elephant em São Paulo junto com um grupo de amigos vi a geração mais jovem da família Safra chegar com seus próprios seguranças e bebidas. Algo paranóico.
Mas esse fenômeno não é novo, as guerras da África dos anos 60 e 70 eram povoadas por mercenários ingleses, suecos, belgas, franceses, etc. Havia até algo de romântico em suas histórias, algo mais ligado ao “rush” da guerra, do que ao dinheiro. Numa comparação à grosso modo, feito Corsários. Frederick Forsyth escreveu sobre eles em “Cães de Guerra”, onde um grupo de mercenários abandona o “contrato” e se junta a uma facção “boazinha” da guerra civil de um país fictício africano.
Mas atualmente é mais fácil deixar para uma PMC explicar porque um funcionário seu morreu, do que trazer mais soldado morto. Só se tem que ressaltar uma coisa, desde os escândalos da ex-Blackwater(agora chamada Xe), e da Triple Canopy os governo americano botou uma leve coleira nas PMC, não por algum tipo de interesse moral, mas por pressão dos militares americanos que se queixavam de gastar uma fortuna para treinar Boinas Verdes, SEALs e Deltas, que assim que podiam iam vender seus serviços as PMC. O salário de um operador PMC larga em 200.000 dólares anuais, mais benefícios. Nem os generais americanos ganham isso.
O monopólio da força militar tem que exclusivo do Estado, não pode ser passado a uma corporação que tem interesses financeiros acima de interesses de Estado. Mas como impedir, que por exemplo, a Petrobrás ou a Vale contratem esses serviços para proteger instalações e pessoal, por exemplo, na Nigéria? A Petrobrás nega até a morte, mas já usou serviços da PMC britância Aegis.
A lógica macabra é simples. Balearam uma criança? Mataram algum transuente que pareceu suspeito? Mais fácil que constranger um governo, é botar a culpa numa “empresa contratada”.
A vida lá fora não imperfeita. É impiedosa.
on Jul 26th, 2010 at 9:40 am
Qual é a diferença para uma criancinha iraquiana ou afegã ser baleada por um mariner ou um segurança de segurança privada. Não adianta diiscutir a cor da roupa se o rei está nú.