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Estudo da Unesco condena concentração da mídia

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lancou o estudo “Indicadores de desenvolvimento da mídia: marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação”. Segundo o documento da Unesco, o Estado deve impedir a concentração indevida no setor de mídia e assegurar a pluralidade. “Os governos podem adotar regras para limitar a influência que um único grupo pode ter em um ou mais setores”, diz o estudo. A organização afirma que os responsáveis pelas leis antimonopólio precisam atuar livres de pressões políticas. “As autoridades devem ter, por exemplo, o poder de desfazer operações de mídia em que a pluralidade está ameaçada”, destaca.

O estudo recomenda ainda a divisão equitativa das frequências de rádio e televisão entre as emissoras públicas, privadas e comunitárias, e entre as estações nacionais, regionais e locais. Para a Unesco, a distribuição de concessões deve ser transparente e aberta ao público. “O processo deve ser supervisionado por órgão isento de interferência política ou interesses particulares”, afirma.

A publicação ressalta ainda a importância de se preservar a independência editorial e o sigilo das fontes jornalísticas. Além disso, conforme o texto, é preciso averiguar se a população e as organizações da sociedade civil participam da formulação de políticas públicas relativas à mídia.

A Unesco recomenda que o Estado não imponha restrições legais injustificadas à mídia e que as leis sobre crimes contra com a honra (como a difamação) imponham restrições o mais específicas possível para proteger a reputação dos indivíduos. Segundo o documento, a mídia não pode estar sujeita à censura prévia – ou seja, qualquer violação às regras para o conteúdo da mídia deve ser punida apenas após sua publicação ou divulgação.

Além disso, o Estado não deve tentar bloquear ou filtrar conteúdo da internet considerado sensível ou prejudicial. “Os provedores, sites, blogs e empresas de mídia na internet não têm a obrigação de registrar-se em um órgão público ou obter uma permissão dele”, informa.

Com relação ao sistema de rádio e televisão, a Unesco recomenda que haja às emissoras garantias legais de independência editorial contra interesses partidários e comerciais. O órgão regulador do setor também deve ser composto por integrantes escolhidos em processo transparente e democrático, e deve prestar contas à população.

Na terceira categoria de indicadores prevista no documento, a Unesco questiona se o conteúdo da mídia – seja ela pública, privada ou comunitária – reflete a diversidade de opiniões na sociedade, inclusive de grupos marginalizados. A UNESCO também considera essencial para o fortalecimento da democracia o desenvolvimento da mídia comunitária; a capacitação dos profissionais da área; e o avanço da infraestrutura de comunicação, para recepção da radiodifusão, acesso a telefones e à internet. As informações são da Agência Câmara.

3 Comentários on “Estudo da Unesco condena concentração da mídia”

  1. #1 carlos anselmo -fort-ce
    on Jul 28th, 2010 at 4:46 pm

    salve, marco aurélio,

    pelo visto o nosso brasil está na contramão da história.
    só o fato de permitirmos a propriedade cruzada dos meios de comunicação, proibida nos esteites e nas oropas, diz tudo de nossa situação, né não?

    abçs

  2. #2 Sammy
    on Jul 28th, 2010 at 5:36 pm

    Poderiam começar pelo RS, com o “glorioso” Grupo RBS. As poucas tentativas de regular a mídia neste país, foram fortemente criticadas por estes setores. Valeram-se dos discutíveis discursos de atentado a liberdade de impressa ou expressão e democracia. Ao invés de trazerem a discussão à sociedade, preferiram usar esses argumentos para demonizar qualquer tentativa de regulação.

  3. #3 Farpa
    on Jul 29th, 2010 at 12:16 pm

    Nesse ponto o governo Lula deixou muito a desejar. O Hélio Costa como ministro das comunicações foi um atraso memorável a qualquer regulamentação que tenta-se democratizar os meios de comunicações no Brasil.

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