O escritor Armindo Trevisan divulgou texto de apoio à candidatura de Tarso Genro (PT) ao governo do Estado e também ao Manifesto pela Cultura lançado pela Unidade Popular pelo Rio Grande. Para Trevisan, o Rio Grande do Sul vive uma fase de desânimo, desinteresse e desestímulo que se reflete na vida cultural do Estado. Ele escreve:
Tarso é um dos raros políticos que tem condições de avaliar a problemática cultural. Ele é, inclusive, uma garantia de que é possível tirar nossa cultura do impasse em que se encontra, subvencionando-a e tornando-a, por assim dizer, um item da cesta básica de qualquer cidadão.
A verdade é que estamos atravessando uma fase de desânimo, de desinteresse, de desestímulo, que se reflete, de modo particular, na nossa educação, e nos setores da expressão artística: cinema, artes visuais, música, literatura, tradicionalismo, artesanato, etc.
Ao mesmo tempo que tem consciência da importância da globalização e das inovações da Internet, Tarso conhece o lado ardiloso de tais inovações, e de seus prazeres voláteis. Ele é um dos únicos políticos que conheço para quem o binômio ética-estética é mais do que um acessório de maquiagem política…Ética e estética, para Tarso, se complementam na incorruptibilidade do desempenho público, e na obrigação moral de promover todas as formas de criação cultural, pessoais ou coletivas.
Investir em política – sejamos razoáveis – é responsabilidade. Significa garantir um mínimo de espaço à liberdade pessoal dos cidadãos, e promover mitos e utopias do inconsciente coletivo. Porque, sem a memória histórica, sem a sensibilidade e a imaginação criadoras dos cérebros e dos corações mais lúcidos e projetivos, o exercício político acaba esterilizando-se em miragens sócio-econômicas que não preservam nem a identidade do povo, nem sua capacidade de enfrentar os desafios da distribuição de renda.
Foto: Site da Editora L&PM

on Aug 17th, 2010 at 11:34 am
Nos últimos governos do RS, a Cultura virou um item que só ganhava importância quando se falavam em fraudes na LIC ou na tentativa de entrega de algum patrimônio cultural à OSCIPs e assemelhados.
A Casa de Cultura fechou espaços e pouco tem, ultimamente, de atrativos culturais. O Instituto Estadual do Livro não promove mais concursos para lançamento de novos autores e nem sei como andam as coisas no prédio da André Puente. A OSPA nem teatro tem mais para ensaiar e por aí se vai a Cultura do RS, comandada até pouco tempo por uma moça da linhagem de Pedro Américo Leal, coronel enviuvado dos Anos de Chumbo.
Tarso é um homem de Cultura. Advogado informado, leitor e produtor de obras culturais, sabe que a desvalia que se tem feito com a Cultura serve aos interesses do obscurantismo e da alienação.
Por isso, o apoio de tão grande poeta e crítico cultural como Armindo Trevisan.