O texto abaixo é do escritor, professor de Filosofia, ensaísta e roteirista José Pablo Feinmann, colunista do Página 12, em artigo traduzido e reproduzido na Carta Maior. Feinmann sai em defesa do governo argentino na briga que este comprou com os grandes jornais do país. Sugiro atenta leitura.
O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático.(…)
O Poder – em cada país – tem de formar monopólios para ter unidade de ação. Não se tem todo o poder se se tem só a Papel Prensa, que implica, é verdade, o controle da palavra impressa. Mas há que ter outros controles. Sobretudo – hoje, no século XXI, nesta supraposmodernidade manejada pela imagem – o poder da imagem. E o da voz do rádio, sempre penetrante, omnipresente ao longo do dia. Trata-se da metralhadora midiática. Não deve parar. Por que este governo se complica nesta luta com gigantes sagrados, intocáveis? Ou o faz ou perece a qualquer momento.
Desde a campanha do senhor Blumberg se advertiu que os meios de comunicação podiam armar uma manifestação popular em poucas horas. Toda a cambada de Buenos Aires saiu com sua guarda atrás do engenheiro e impulsionada por Haddad e a ideologia-tacho que – então – era uma criação da Rádio 10. A ideologia-tacho é uma invenção puramente argentina. Como o ônibus, o doce de leite e Maradona. Alguém toma um táxi em qualquer parte do mundo e o taxista não o agride com suas opiniões políticas. Deixa-o viajar tranquilo. Sigamos: o segundo, terrível sinal de alarme foi durante as jornadas “destituintes” e “desgastantes” do “campo”.
Sem o apoio imoderado dos “meios de comunicação” teria sido um problema menor. Mas a fúria midiática chegou aos seus pontos mais estridentes. A “oposição”, não essa essa galeria patética de ambiciosos, torpes e imprestáveis políticos que peleiam melhor entre si do que com seus adversários, são os meios de comunicação. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. (A íntegra do artigo)


on Aug 31st, 2010 at 9:13 am
Só vou discordar da primeira parte da manchete. Os direita tem sim seus pensadores, mas realmente não estão nas redações de jornais. Os jornalistas são generalistas, escrevem sobre política e futebol com a mesma desenvoltura e nunca de modo muito inteligentes. Mas não esqueçam, Nelson Rodrigues, um dos maiores talentos de nossa terra era um homem de direita. Mas aqui, como na Argentina, atualmente essa profissão na grande mídia baixou seu QI.
on Aug 31st, 2010 at 12:45 pm
Concordo com o Remindo totalmente, existem sim talentos na direita. Aliás, talento não tem espectro ideológico. Rotular alguém negativamente por ser de direita não é atitude de alguém de esquerda, que é caracterizada pela tolerância e pluralidade. Histeria e vedetismo como se qualquer pessoa de esquerda fosse cúmplice dos crimes de Stalin é delírio do Olavo de Carvalho(A última dele agora é taxar a esquerda como cúmplice dos crimes de Hitler, culpando a esquerda pela radicalização política da República de Weimar). A direita não tem que ser extinta e erradicada, ela tem que ser derrotada no voto, na urna. Só assim talvez ela enxergue como esta na contramão da história.
Radicalizar e perder as estribeiras políticas é só dar munição à aqueles que nos rotulam de totalitários, etc.
on Aug 31st, 2010 at 12:57 pm
Sugiro a leitura completa do texto. O autor não está dizendo que não existem “talentos na direita”. Está dizendo que, na Argentina, os agentes formuladores de ação política estão na mídia (basta ver a comparação que ele faz com os políticos tradicionais mais preocupados com o varejo de seus pequenos interesses). O que o autor está dizendo não tem absolutamente nada a ver com tolerância e pluralidade. Ele está identificando os atores políticos no jogo do poder na Argentina.
on Aug 31st, 2010 at 3:59 pm
Sempre acaba-se derivando…rsrsrsrsrs…é o que da graça de debater por aqui. Abraços.
on Aug 31st, 2010 at 4:02 pm
CPI DO PIG já ……