
A página 8 de Zero Hora da última quinta-feira (dia 9) pode vir a ser uma das mais significativas de toda a disputa eleitoral pelo governo do Rio Grande do Sul em 2010. No alto da página, lê-se: Nova cartada – Campanha de Fogaça se rende e convoca Padilha. Ao dizer que o PMDB lança mão de uma “nova cartada”, o jornal constata que a campanha de Fogaça vem utilizando estratégias e discursos que, até agora, não convenceram o eleitor. Isto se comprova pelas pesquisas eleitoras nas quais o peemedebista já esteve quase empatado com Tarso Genro (PT) e depois despencou, inclusive com desvantagem relevante na própria cidade que administrou por dois mandatos. Ninguém admitiu ainda, mas a verdade é que a campanha Fogaça está em crise.
E o que acontece quando a direita gaúcha entra em crise? Chama-se o Padilha. Foi assim, por exemplo, quando Yeda Crusius, no auge dos escândalos do Detran, ameaçada até de perder o mandato, convocou todos os aliados para uma reunião de emergência no Centro Administrativo, em pleno domingo 8 de junho de 2008. Era tão grave a situação que até os presidentes dos partidos da base de Yeda foram convocados. E quem estava lá representando o PMDB de Fogaça/Simon? Isso mesmo: Padilha.
Era tão grave o momento que, ao final do encontro, se decidiu que todo o primeiro escalão poria seus cargos à disposição e se instalaria um gabinete de crise para o qual seriam chamados notáveis de todos os partidos. Naquele dia, Zero Hora registrou: “O deputado Eliseu Padilha disse que os partidos deram total liberdade para a governadora fazer as trocas que achar necessárias, sem se preocupar com a distribuição dos cargos por siglas”. Como se vê, Padilha garantia, naquela hora, total apoio do PMDB ao governo Yeda. Pois não é que a mesma Yeda, agora, é o alvo principal do PMDB? Sim, se a campanha de Yeda crescer, Fogaça corre o risco de nem ir para o segundo turno e repetir o desempenho de Rigotto que ficou em terceiro na eleição para governador (aliás, reza a lenda que aquela derrota deve-se, em grande parte, ao fato de Padilha e os seus comandados no PMDB terem abandonado o barco de Rigotto e abraçado a campanha de… Yeda).
Padilha é uma figura polêmica, envolvida em vários processos e denúncias. Quando foi ministro dos Transportes do governo FHC, foi alvo de suspeitas de superfaturamento de obras cujo desfalque aos cofres públicos chegou à casa das centenas de milhões de reais. E foi justamente por essa fama que a campanha de Fogaça resistiu o quanto pode em tê-lo por perto. Ainda na página 8 de ZH, pode-se ler que “líderes do PMDB afirmam que Fogaça…resistiu até onde podia à idéia de envolver Padilha na campanha. A intenção principal seria evitar, em um eventual governo, a partilha de cargos com o deputado – que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suspeitas de envolvimento em irregularidades apuradas pela Operação Solidária.”
Mas apesar de tudo, Padilha continua muito poderoso. Tanto que ao noticiar sua entrada em definitivo na campanha do PMDB, ZH diz que “Fogaça se rende”. Como assim, “se rende”? Por que um candidato a governador precisaria “se render” a alguém que é seu companheiro de partido e ocupa uma das principais funções do diretório estadual?
Importante perguntar, então: – A quê, exatamente, a campanha de Fogaça está se rendendo? Talvez a resposta esteja nas linhas que se seguem na própria matéria de ZH: “…a notícia de que o deputado estadual Marco Alba (PMDB) foi escolhido para comandar a campanha (de Fogaça) na Região Metropolitana já evidenciava indícios de que Padilha entrava em cena. Afilhado de Padilha, Alba só aceitou a função após o consentimento do padrinho político…” Marco “Costela” Alba, registre-se, segue a trilha de suspeições do padrinho (é o homem que ganhou 50 quilos de costela de uma empreiteira). Ele também responde na Justiça por suposta participação nas fraudes das grandes obras do governo… Yeda. Está explicado: Fogaça se rendeu mesmo. No desespero para salvar sua campanha, resolveu aceitar até mesmo a ajuda dos que, mais dia, menos dia, podem acabar, novamente, ao lado de Yeda. Mas não propriamente numa sala do Piratini. (Maneco)
Foto: Site de Eliseu Padilha
LEIA TAMBÉM: O secretário Marco Alba e os 50 quilos de costela

on Sep 10th, 2010 at 6:26 pm
Ué. eu achei que ele estava fazendo a campanha da desgovernada.
on Sep 10th, 2010 at 7:10 pm
Esse Padilha é mestre. Contando com muito poder no PMDB em várias localidades do Estado, com impressionante capacidade de mobilização ele vai jogando, negociando, convencendo, enfim, sempre ganhando.Custará caro ao PMDB não ter lhe dado a chance de concorrer ao senado. Amissíssimo de Michel Temer e de Serra, certamente ele, como dep. fed. bem votado, barganhará um ministério no novo governo federal. Aqui, se der Tarso estará fora do esquema, contudo, se der Yeda ou Fogaça estará dando as cartas na formação do gov. estadual. O sujeito é pioneiro na prática de vender lerrenos em loteamentos virtuais na praia. Como prefeito aumentou seu poder e seus negócios. Nunca teve ação judicial contra si transitado em julgado.Este é o mestre e referência para vários políticos de vários partidos.
on Sep 10th, 2010 at 9:12 pm
Sei não, mas anda circulando pela internet uma mensagem apócrifa denominada “torpedão” que pode estar relacionada com a rendição.
on Sep 10th, 2010 at 9:54 pm
O brilhante ACM referia-se a este varão de Plutarco dos pampas e do São Pedro Simon como “Eliseu Quadrilha”.Precisa mais?
on Sep 11th, 2010 at 12:15 am
Pois esse não foi o PAI do TIRO NO PÉ que escanteou o BOM MOÇO e elegeu a CRUZ CREDO?
on Sep 11th, 2010 at 6:02 am
Simplesmente porque Padilha sabe conduzir uma campanha como ninguém. Porque tem votos. Porque tem a maior militância expontânea ao seu lado. Pessoas que conhecem sua trajetória, suas realizações e seu poder e dinamismo de trabalhar sempre. São as pessoas que sabem que por onde ele passa, tudo se transforma. Como prefeito trasformou a cidade de Tramandaí em tudo que ela é hoje. Quem é daqui sabe. Como secretário geral do PMDB sempre foi lider atuante. Como ministro fez mais obras que qualquer outro e encaminhou grandes outras que hoje serão inauguradas. Chamaram este homem que como lider da CCJ que aprovou o texto do FICHA LIMPA em tempo recorde, conduziu os trabalhos e convenceu todos a aprovarem o maior projeto de anseio popular já visto em nossa história. Chamaram Padilha porque como Presidente da Fundação Ulysses Guimarães, ele criou o EAD(ensino a distância) que forma cidadãos. Que ensina ciência política a pessoas que ja mais tiveram acesso as informações sobre executivo, legislativo e judiciário, onde apartir dali estas pessoas ficam politizadas e prontas para escolherem por si só e não por grandes campanhas de marketing quem serão os seus governantes, e isto em todo o Brasil gratuitamente. Chamaram Padilha porque estão vendo a forte mobilização e apoio que ele tem recebido dos professores de todo os cantos do Brasil sobre as leis de sua autoria que elevarão os salários dos professores para algo mais perto do que é digno, e que ninguém até hoje teve coragem e vontade política para assim fazer. e de todo o seu projeto para este próximo mandato que disputa onde a educação será tratada como sempre se esperou em um país que sonha em crescer sem esmola do governo. Mas por capacidade intelectual e cultural de cada cidadão brasileiro. E porque nunca ninguém conseguiu provar NADA contra ele que naturalmente é alvo de críticas infundadas, e ciúmes naturais de pessoas tomadas pela vaidade e realismo de saberem que não tem a visão e o dinamismo deste que entra nesta briga de mangas arregaçadas, levantando a bandeira do partido que ama e milita com raça e valor!
on Sep 11th, 2010 at 10:43 am
Maneco, o retorno, em grande estilo, hein? Fico com a hipótese do Adroaldo. Acho que o email tem tudo a ver com isso.
on Sep 11th, 2010 at 3:04 pm
e a fraude do Projovem, vai ficar por isso mesmo? Fogaça e Mauro Zacher conseguiram abafar tudo?
on Sep 11th, 2010 at 3:34 pm
a turma do padilha tá bombando nas ruas de porto alegre..o servicinho sujo é com ele ehehe
on Sep 11th, 2010 at 11:07 pm
Esse Padilha é soda! Primeiro, como sócio do Kury, lembram do Kury & Padilha ? Depois tornou-se sócio do Nelson Jobin, no Escritório Ferrão em Brasília. Lobistas de primeira das mais variadas multinacionais. Padilha, como ministro dos transportes de FHC ( Deus nos ajude!) foi um defensor dos pedágios. Investigado na Operação Solidária da PF, recebendo $$$ da MAC Engenharia e da Ulbra…