“Unidos venceremos”: é uma frase das campanhas memoráveis de 68, ao lado de “O povo, unido, jamais será vencido”.
Bem, temperemos o ufanismo com um pouco de ironia: era também o nome que dávamos àquele arroz que tinha desandado, virando pasta grudenta, senão lasanha mal sucedida, nas repúblicas em que vivíamos, contra os impérios de plantão. Essa metáfora de duas faces me persegue, quando penso na política que está acontecendo no nosso Rio Grande do Sul. Se nada der errado, o companheiro Tarso deve vencer no primeiro turno – com Dilma também. Isso impõe uma reflexão.
Cansei de ler análises que explicam as baixas das frentes populares (PT à frente) nos últimos anos, nas eleições estaduais no RGS e em Porto Alegre (apesar de nas últimas termos progredido em outras cidades, inclusive na Grande POA) à presença sufocante da RBS nas comunicações. É claro que não dá para desconsiderar essa presença no espaço da nossa política. Mas a RBS existe desde os começos da ditadura. E, no entanto, só para ficar na seara petista, houve os 16 anos do PT em Porto Alegre, com o Fórum Social Mundial, o Orçamento Participativo, e muito mais. E o governo de Olívio Dutra. E aí por diante, para frente e para trás. A RBS não era a favor, naquelas épocas, de Pedro Simon nem de Alceu Collares, vamos lembrar. E eles venceram.
Nessa eleição de 2010 houve uma diferença, em relação às imediatamente anteriores, que pesa tanto quanto a presença da RBS (e da Globo, sua matriz). É que o PT, que é a força motriz das frentes populares no nosso estado, entrou, desde o começo, unido na disputa. Isso não acontecia desde aquela vez em que houve a disputa entre Olívio e Tarso pela reeleição ou eleição para o governo do Estado.
Desde então o PT tinha que se concentrar em fazer alianças internas, para soldar a chapa dividida. Agora a candidatura Tarso pode voltar-se para consolidar alianças externas, e isso se reflete, junto com as inconsistências das candidaturas outras, na expectativa da votação de domingo próximo. A pecha da divisão ficou para o PMDB do Rio Grande do Sul e sua candidatura hoje meio apagada: como assim, apoiar Dilma lá e não o PT aqui?
Tem uma coisa (perdoem-me os puristas) que a gramática cultural gaúcha não perdoa: partido, time, até time de botão, que entra dividido na peleia, perde. Isso vem de caramurus e farrapos, maragatos e pica-paus, etc. Porque não inspira confiança. Inda mais agora, em tempos de pluralidade cultural e política, o que é uma coisa boa para arejar nossas arcas do passado.
Mas não esqueçamos dos arcanos: eles não perdoam. Dividiu, perdeu. Discutiu, mas uniu, corre o risco de ganhar. Não como um arroz empastelado, que é o ideal da direita, misturando tudo numa meleca comum. Mas como o povo que, afinal, unido, nem que seja num belo dia do futuro inolvidável, jamais… sabemos o resto da frase.


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