É difícil, em tempos de eleições, manter a boca fechada – ou se isolar na consideração de que o futuro diz mais que o presente, em que afloram paixões; e as opiniões são sempre as de um partido, seja qual for. No tempo da ditadura – a qual ainda não nos desvinculamos, na medida em que, o que é do governo confunde-se amiúde com o que é do estado – e vice-versa – era comum se deparar com o dilema posto por Graciliano Ramos, na boca de Fabiano: “governo é governo” diz o capiau. no “Vida Secas”, diante do soldado inerme, convencido de que vai morrer. Como se sabe, Fabiano desiste de justiçar o soldado. O Governo é o Estado e o Estado é o Governo. Este, na verdade, o drama a que agora junta-se uma espécie de cruzada – de novo – santa. Eis que para ser vencida, Dilma deve ser demonizada. O contraponto seria o mesmo do personagem de Graciliano : uma vez que tenhamos uma presidenta, o governo poderá tudo. “Matar criancinhas” como se dizia dos comunistas, nos idos de 64, é um tema recorrente. Vale para todos os tempos e contextos.
Talvez o espanto seja exatamente o efeito da propaganda. Não bastou que Dilma Rousseff tivesse ultrapassado a barra dos 12 anos, a trabalhar para diferentes governos – do Rio Grande a Brasília. O temor orquestrado de que há um espectro a dirigi-la, faria dela o monstro da vez. De novo, como nos idos de 64.
O espanto, porém, não cessa, mesmo porque a sua essência – a demonização – parece arrostar tudo, a começar pelo arcabouço intelectual, aparentemente infenso a bruxarias, superstições – à propaganda em suma. Fala-se de certos setores intelectuais acoitados tanto nas universidades quanto nessas academias virtuais, digamos, ou seja, os “poetas e escritores oficiais”, os cronistas devidamente encastelados nas colunas de jornais; e que, ao contrário do que nos induziu o Iluminismo desde o século XVIII, lembram o quanto um artista, Francisco de Goya Y Lucientes foi profético ao intitular uma de suas gravuras “O pesadelo da Razão”, ou como ele mesmo escreveu: “El sueño de la razón produce monstros”. (A íntegra do artigo de Enio Squeff)


on Oct 28th, 2010 at 5:42 pm
A folha corrida de José Serra: 17 processos na Justiça
A folha corrida de processos que José Serra responde foi apresentada por ele mesmo ao TSE (por imposição da lei, senão a candidatura é impugnada).
Dilma também apresentou, e as certidões dela nada consta, ou seja, ela não tem nenhum processo.
Serra tem 17 processos, sendo pelo menos 4 por corrupção (Improbidade Administrativa):
No TRF1 (Justiça Federal do Distrito Federal):
1) Processo nº 2000.34.00.033429-7 (Improbidade Administrativa)
2) Processo nº 2002.34.00.007485-9 (Ação Popular, atos administrativos)
3) Processo nº 2009.34.00.030112-0 (Improbidade Administrativa)
4) Processo nº 94.00.11899-6 (Improbidade Administrativa)
5) Processo nº 2003.34.00.039140-7 (Improbidade Administrativa)
No TRF3 (Justiça Federal de São Paulo):
6) Processo nº 2005.03.00.091802-3 e Processo nº 2006.03.00.105675-0 (parecem ser sobre a mesma coisa) – Agravo de Instrumento
No TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo):
7) Processo nº 993.05.064371-9 (Calúnia, Injúria e difamação)
Processo nº 050.06.039436-6 (Crime de Imprensa)
9) Processo nº 993.05.037241-3 (Crimes de responsabilidades)
10) Processo nº 050.10.043792-3 (Interpelação)
11) Processo nº 994.07.003423-6 (Interpelação)
12) Processo nº 994.07.003424-4 (Interpelação)
13) Processo nº 994.07.003425-0 (Interpelação)
14) Processo nº 994.08.001595-0
15) Processo nº 990.09.268296-2
16) Processo nº 994.08.001595-0 (Superlotação Cadeias Públicas)
17) Processo nº 994.08.001598-6 (Superlotação Cadeias Públicas)
on Oct 28th, 2010 at 6:02 pm
Parabéns Enio ! belissima colocação !