E se foi mais um carniceiro da ditadura militar argentina. Emilio Massera, julgado e condenado por crimes contra a humanidade, assassinatos, torturas, roubo de bebês, roubo de bens e propriedades de opositores políticos. “O inferno é pouco”, disse hoje o jornal Página 12, em matéria de capa. Morreu o Mengele da última ditadura argentina, escreveu o jornalista Martín Granowsky. Há capítulos envolvendo Massera e o Brasil que ainda estão para ser contados. Granowsky menciona um deles: a relação do militar argentino com a organização fascista Propaganda Dois, que tentou se infiltrar na maçonaria italiana e manteve relações obscuras com setores do Vaticano. Os dois pontos de apoio da P-2 fora da Itália estavam no Brasil e na Argentina. Há vários personagens desse período ainda vivos. O Página/12 resgata um pouco da memória desse triste período. (leia mais aqui)

on Nov 10th, 2010 at 10:59 am
Enquanto aqui, o fascista e torturador Romeu Tuma recebeu elogio do Lula.Quanta diferença.
on Nov 10th, 2010 at 11:08 am
A P-2 era, sim, um loja da Maçonaria. Não sei se era uma banda podre, ou somente aquela que foi flagrada expondo os expedientes comezinhos do chamado Grande Oriente. Também não dá pra dizer que ela ‘tentou se infilrar na maçonaria italiana’ (já era parte), quando sabe-se, s.m.j., que sua origem era lá mesmo, na Itália.
on Nov 10th, 2010 at 12:39 pm
mais um pra encher o saco de belzebu.
on Nov 10th, 2010 at 4:29 pm
Massera além de todos os adjetivos negativos que merece era um doente mental megalomaníaco. Vi um documentário sobre a ESMA, onde uma das únicas 200 pessoas sobreviventes(Das 5000 pessoas que passaram pela ESMA, em torno de 200 sairam com vida, ou com o que restou dela) deu um depoimento no mínimo assustador. Enquanto outros centros de tortura(Garage Olimpo, Club Atlético, La Tablada) não passavam de playgrounds de sadismo dos militares,a ESMA era uma laboratório de Massera, onde ele objetivava usar a intelectualidade lá presa como “consultora” no surgimento de um movimento “Masserista”, nos moldes do Peronismo.
Massera detestava a imagem de ignóbil truculento, gostava de posar de “gentleman”, um intelectual de farda que queria criar uma nova elite política na Argentina, onde ele naturalmente seria o “Duce”. Conta-se que era alguém extremamente vaidoso, de hábitos refinados e gostos caros, nada de espartano. Não admitia violências em suas presença, nem sequer o uso de palavrões. Depois que o Almirante se retirava, a história era outra.
Ela conta um fato no mínimo pitoresco, quando soldados do Exército tentaram entrar na ESMA para retirar um grupo de presos, sabe-se lá para que, e os marinheiros da ESMA pegaram em armas para impedir a remoção. Ou seja, a ESMA era algo praticamente à parte do estado terrorista argentino, era o brinquedo sádico do Almirante Massera. As sessões de tortura eram intercaladas por palestras ministradas pelos presos considerados intelectuais para demonstrar como construir o novo movimento político que Massera queria liderar.
Não era apenas um projeto de extermínio da oposição, de esquerda ou não, como dizia o Capitão Montilli, um dos comandantes da ESMA, “aqui, comunistas tem o mesmo tratamento dos indiferentes”. Para Massera aquela a intelectualidade era necessária nos seus propósitos futuros.
Essa ex-presa conta que Massera era contra a desocupação das Villas Miséria feitas durante a Copa do Mundo de 78 pois achava que ali estava um quinhão popular que ele poderia cooptar. Chegava ao ponto de usar caminhões da Marinha para distribuir comida e brinquedos em bairros pobres no natal. Quando Videla perguntou porque ele fazia isso, o que ele objetivava com isso, a respota de Massera era seca, “Um dia Videla será um nome na história, e o nome de Massera será história”.
Seu pupilo, Tenente Alfredo Astiz, o “Anjo Loiro”, terrível assassino, autor de raptos que gostava de se infiltrar em organizações de Direitos Humanos, se rendeu ao ingleses na Guerra das Malvinas sem disparar UM ÚNICO tiro. Vi seu uniforme exposto no Imperial War Museum em Londres, um exemplo de canalhice, covardia e falta de caráter. Soldado temível diante de seu povo, covarde diante de um inimigo de verdade.
Nessas horas lamento ser ateu por não ter como desejar uma eternidade de enxofre a Massera, mas saber que um terrível câncer pancreático devora o Tenente Astiz atualmente me faz desejar uma longa vida de dores e quimioterapias.
on Nov 11th, 2010 at 11:53 pm
Estes monstros não caem do céu, eles são apenas a ponta do iceberg. Uma parcela significativa da sociedade (argentina, no caso, mas acontece igual em outras nações) os apoiou. E todos são doentes mentais, alguns mais outros menos. Mas, mais doente ainda é esta parcela (muitas vezes significativa) da sociedade que os apoia. E não precisamos ir muito longe.
Peguemos a nossa leal e valorosa Porto Alegre, que no 2º turno deu uma vantagem de 11% para o discurso fascista, obscuro e preconceituoso (digno de gorilas como Massera) do candidato José Serr,, Realmente, Porto Alegre é demais…