O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) promove, entre os dias 24 e 26 de novembro, em Brasília, a 1ª Conferência do Desenvolvimento (Code), um encontro destinado a discutir planejamento e estratégias de desenvolvimento para o Brasil. Será uma conferência diferente das tradicionais lembrando um pouco o formato do Fórum Social Mundial. Um espaço de 10 mil metros quadrados foi construído no canteiro central da Esplanada dos Ministérios (em frente à Catedral de Brasília) para a Code.
Durante os três dias, serão nove painéis temáticos sobre o desenvolvimento, 88 oficinas, 50 lançamentos de livros, vídeos, exposições e shows artísticos e culturais. São esperados mais de 200 palestrantes e debatedores, entre conselheiros, diretores e técnicos de planejamento e pesquisa do instituto e acadêmicos de autoridades de todas as regiões do país. Até sexta-feira, já havia cerca de 4 mil inscritos para o encontro.
Possivelmente, será um dos maiores eventos sobre o tema já realizados no Brasil, diz Marcio Pochmann, presidente do IPEA. A Code se assemelha às grandes conferências temáticas realizadas no governo Lula, explica Pochmann, com a diferença de que não tratará de apenas um tema. Ao tratar da questão do desenvolvimento, estaremos discutindo estratégias e políticas sobre saúde, educação, ciência e tecnologia, entre outras áreas.
O objetivo do encontro é criar um espaço nacional de debates no coração do Brasil, no momento em que o país volta a discutir planejamento e estratégias de desenvolvimento. Esses debates estarão organizados em torno de sete grandes eixos temáticos do desenvolvimento definidos pelo IPEA: inserção internacional soberana; macroeconomia para o desenvolvimento; fortalecimento do Estado, das instituições e da democracia; estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; infraestrutura econômica, social e urbana; proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental.
“Para nós do IPEA”, diz Pochmann, “é uma mudança institucional de grande porte”. “Até aqui, historicamente, os nossos debates sempre foram mais internos. Agora, estamos nos abrindo ao público e convidando representantes da sociedade a debater o presente e o futuro do país”. Essa novidade apareceu já na organização do evento, que conta com o apoio de 45 instituições da sociedade civil, entre sindicatos de trabalhadores e de empresários, entidades de classe, instituições de pesquisa e outras organizações. (Clique aqui para ler mais sobre a conferência)

on Nov 21st, 2010 at 11:20 pm
Para variar, quase que o tema “sustentabilidade ambiental” fica de fora (entrou na rabeira, como se diz). Minha opinião: inegável a boa vontade, mas será apenas mais um evento, dentre centenas (ou milhares) já realizados pelo mundo. Lembram da Eco-92 (Cúpula da Terra)? Na ocasião, representantes de 179 paíises (sociedade civil e governos) debateram de tudo: “falaram de piscina e de feijão”. E daí, melhorou? A questão central é: como crescer (sonho de consumo de todos) num planeta geograficamente limitado, já que a natureza não pode suprir, com seus recursos naturais finitos, todas as crescentes demandas? Espero que achem uma utilização sustentável para o sol (que brilha o ano inteiro) por exemplo. Boa sorte!
on Nov 22nd, 2010 at 8:40 am
O evento foi mal divulgado. Uma pena.
on Nov 22nd, 2010 at 1:29 pm
Uma boa sugestão para o futuro governo do RS é realizar uma grande conferência sobre o desenvolvimento do Estado. Esta mais do que na hora de repensar as estratégias de desenvolvimento do RS, que nos últimos anos está cada vez mais perdendo em relação a outros estados.
on Nov 22nd, 2010 at 4:45 pm
Por falar em desenvolvimento por onde andam os Lasie Martins da vida que falavam tão bem da Irlanda que aplicou o receituario NeoLiberal? Todos lembram das grandes reportagens da ZH enaltecendo o “tigre Celta” e recomendando o mesmo ao Brasil mas que o Lula ( analfabeto) felizmente adotou o caminho oposto.
on Nov 23rd, 2010 at 12:33 pm
Em meados da década de 70, Fritjof Capra, investigando os motivos pelos quais os índios californianos haviam resistido e superado a insustentabilidade do modelo político, econômico e social, mantendo quase intacta a estrutura de vida, descobriu o seguinte: Os índios californianos, como estratégia de sobrevivência alicerçada em bases sustentáveis, haviam incorporado as leis da natureza ao processo econômico e ao convívio social. Ou seja, a ecologia era o elemento fundante e que ditava as regras econômicas. Nesse sentido, o termo mais correto é “sustentabilidade econômica” e não sustentabilidade ambiental. A Terra é um sistema fechado, onde não há trocas e nem comércio com outros planetas (a não ser a troca de luz e energia). Os países desenvolvidos só podem manter os atuais padrões de produção, comercialização e consumo por que ampliam seus territórios, buscando recursos naturais, matérias-primas e mão-de-obra para além de suas fronteiras. Se os EUA fossem depender apenas de seu território para manter o atual padrão insustentável de consumo, sua população precisaria ser reduzida a meros 29 milhões de habitantes. Portanto, o seminário que se apresenta, deve se debruçar sobre estratégias que permitam barrar o crescimento e implementar o desenvolvimento sustentável – o primeiro, por ser limitado e o segundo por ser de caráter infinito. A natureza não tem recursos naturais suficentes para que 7 bilhões de pessoas tenham um nível médio de vida. O luxo de uns, obrigatoriamente é o lixo de outros. Exemplo: Um grama de ouro movimento 300 toneladas de terra e deposita 25 toneladas de rejeitos na natureza. Noventa por cento do ouro que existe no mundo é utilizado no fabrico de jóias. Ou seja, “para se unir em matrimônio, homens e mulheres se divorciam da natureza”. Um quilo de carne bovina exige da natureza, em toda a sua cadeia (im)produtiva, oito mil litros de água e 170m3 de madeira. Se os EUA reduzissem em 20% o consumo de carne, haveria alimentos suficientes para alimentar o planeta inteiro. Desconfio que o planeta Terra foi organizado de tal forma que somente uma vida frugal (tocando o planeta de leve) permitiria a todos viver em sociedade.