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SOS Rio Pelotas questiona matéria de ZH sobre “obras” de Pai-Querê

Enviado por Paulo Brack

Do blog SOS Rio Pelotas

A capa da Zero Hora de 12 de dezembro de 2010, se intitula: As promessas ao RS que Lula deixa para Dilma. Entre as “pendências” do governo Lula ao estado na área de energia, o jornal da RBS coloca a Hidrelétrica de Pai-Querê na categoria “avançou” no status “em obras”. A previsão de operação da usina seria para 2011.

Segue a carta de Adriano Becker à Zero Hora:

Prezado pessoal do jornal Zero-Hora, se a Usina Hidrelétrica Pai-Querê estiver realmente em construção no rio Pelotas, como divulgado na ZH de 12/12/2010, isso acontece de maneira irregular e fora da lei, pois até o momento o empreendimento não conta nem com a Licença Prévia do Ibama. Com ou sem as licenças ambientais previstas em lei, a construção da UHE Pai Querê, se efetivada, acarretará prejuízo ambiental – e, consequentemente, social e econômico para a coletividade a longo prazo – muito maior que o benefício dos meros 292 MW de energia previstos no pico de geração, pois os milhares de hectares de florestas e campos naturais a serem destruídos pela barragem e seu lago integram a Área Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica no RS e SC, e são consideradas de Alta Prioridade para a Conservação da Biodiversidade pelo Ministério do Meio Ambiente, por conterem inúmeras espécies de animais e plantas raras, endêmicas e ameaçadas de extinção. Também devemos considerar que a região contém grande potencial turístico pela beleza singular de suas paisagens naturais. Informo, ainda, que área a ser diretamente afetada pela obra em questão já foi indicada por vários cientistas como a única e mais própria para “compensar” o enorme passivo ambiental da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, o qual até hoje continua pendente, passados mais de 5 anos desde a sua consumação. Se a sociedade deseja mesmo alcançar o desenvolvimento sustentável, ele não passa por obras como Pai-Querê; por outro lado, o Brasil e o RS, absolutamente, não irão “parar” pela falta de 292 MW.

De fato, a obra da hidrelétrica de Pai Querê está longe de começar, o que foi constatado pela saída realizada pelo Diretório Acadêmio do Instituto de Biociências da UFRGS e o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, um mês antes da publicação da notícia. O local estava intocado, com todo seu esplendor e sua biodiversidade. Mesmo após a manifestação em frente ao Grupo RBS, no dia 23 de setembro (ver aqui), juntamente da entrega de um documento que explica sobre toda a situação do Rio Pelotas-Uruguai, cobrando a falta de notícias sobre o assunto pela mídia, o jornal parece não ter dado importância ao fato e cometeu mais um de seus “erros”. Além disso, faltou avisar ao Lula, à Dilma e à RBS que essa promessa não é bem-vinda.

Para saber mais sobre a UHE Pai Querê acesse aqui.

Foto: Trecho do Rio Pelotas próximo onde estaria previsto o canteiro de obras da UHE Pai Querê (SOS Rio Pelotas)

8 Comentários on “SOS Rio Pelotas questiona matéria de ZH sobre “obras” de Pai-Querê”

  1. #1 flavio cunha
    on Dec 22nd, 2010 at 11:53 am

    Mesmo fugindo do assunto parcialmente, pois trata tbém de manipulação da zero hora; eu vi na sua pág. matéria insinuando que o Lula estaria finalizando a obra da duplicação da 101 começada pelo FHC, chega a ser ridículo a posição desse lixo de jornal.

  2. #2 Omar
    on Dec 22nd, 2010 at 1:27 pm

    É só uma “barriga” ou tem algo mais?

  3. #3 Véio Zuza
    on Dec 23rd, 2010 at 8:07 am

    “Meros 292 kw”? Ué, agora são contra as pequenas usinas e favoráveis às gigantescas (e, por supuesto, mais danosas ao meio ambiente)? Ou continuam a favor da volta do candieiro (na casa dos outros)? Ah Ah Ah
    Feliz Natal, digo, Saravá!

  4. #4 Véio Zuza
    on Dec 23rd, 2010 at 8:08 am

    Corrigindo o anterio “Meros 292 MW”?

  5. #5 Ismael Verrastro Brack
    on Dec 24th, 2010 at 2:19 am

    Prezado “Véio Zuza”

    O que acontece é que os meros 292MW gerados por essa hidrelétrica não são de uma hidrelétrica pequena. As dimensões da UHE Pai Querê são enormes. Com um muro de 150m de altura e alagando mais de 100km de rio, o lago dessa hidrelétrica afetará mais de 400 famílias e inundará mais de 6mil hectares, dos quais 4mil são de florestas com araucária em bom estado de conservação e mais mil hectares de campos naturais, numa área considerada pela Constituição Brasileira como de extrema importância para a conservação e área núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Além disso, é considerada como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

    Considerando que os 292MW gerados só acrescentariam menos de 5% da energia já gerada na região pelas quatro hidrelétricas em série já construídas, quando se é analisado conjuntamente com os danos socioambientais, a obra mostra-se inviável.

    O rio Pelotas-Uruguai, em vários pontos, está desaparecendo debaixo de uma coluna d’água de mais de 100m de altura!

    Reforço que, para se informarem melhor, acessem nosso blogue: sosriopelotas.wordpress.com

  6. #6 Paulo Renato
    on Dec 24th, 2010 at 10:28 am

    Está soterrada a tese de que produção de eletricidade por hidrelétrica é ‘energia limpa’ – os impactos podem ser gigantescos, como sabemos. Enquanto isso, a Alemanha, com um terrítório bem menor e com muito menos insolação que o Brasil, é o maior produtor de energia solar do mundo. Sem falar das outras formas de produção de energia, como a dos ventos – apenas o Parque Eólico de Osório produzirá 300 MW, mais que produziria a Pai-Querê. E sem esquecer que o pico do consumo de eletricidade no Brasil acontece às 19h, por causa do banho-nosso-de-cada-dia por chuveiro elétrico, facilmente substituíveis ou complementados com aquecimento solar doméstico. E mais: há tecnologia disponível para reduzir barbaramente a perda do nosso sistema elétrico. Enfim, há ‘n’ providências possíveis e factíveis para empreendermos antes de sairmos alagando florestas e destruindo a bio-diversidade dos nossos rios…

  7. #7 Vicente Medaglia
    on Dec 24th, 2010 at 2:56 pm

    Pequenas Centrais são de até 30MW. Pai Querê é uma das grandes. Os meros 292 MW são “meros” frente à destruição da biodiversidade que esse monstro causaria, como está bem claro na matéria. Somos contra pequenas e grandes que estejam sustentando um modelo de depredação do planeta e do ser humano em prol da ganância e do acúmulo da elite alienada a quem os partidos da situação se aliaram em parte (no núcleo duro do governo: minas e energia, fazenda, BC, Planejamento, Casa Civil, etc).

  8. #8 vanessa
    on Jan 1st, 2011 at 10:02 am

    Fazer essa Pai Querê é chutar no próprio pé… porque as energias limpas não são adotadas nesse país?

    Será um lobbie das indústrias de hidrelétricas? Cadê o lobbie limpo da energia solar e eólica?

    Ambientalistas merecem ser ouvidos, do contrário só servirão para explicar o que já é obvio…

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