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Algumas questões sobre poder e transparência

Por que é mesmo que a transparência deve ser considerada uma viurtude? Julian Assange diz que ela, a transparência, é algo que se aplica ao poder, ao Estado, mas não aos indivíduos. Mas o poder estatal pode (e deve) ser transparente? Segredos de Estado não devem existir? E segredos entre Estados? Neste último caso, qual o limite entre o “jornalismo investigativo” e a espionagem?

E no reino do mercado, também deve imperar a transparência? Segredos industriais devem ser devassados? As empresas devem abrir seus segredos para o mundo (e para suas concorrentes)? O sigilo bancário deve continuar existindo?

Uma resposta possível a tais questões é dizer que a transparência deve ser encarada como um ideal regulativo, uma linha no horizonte a indicar o caminho a ser seguido. Ela não significa que a sociedade e o poder estatal se tornarão radicalmente transparentes, mas sim que se perseguirá o máximo de transparência nestas relações. A pergunta retorna: qual o máximo de transparência a ser almejado em uma democracia?

Os portais de transparência de governos, que começam a se multiplicar, priorizam a contabilidade estatal, os gastos dos governos em especial. Essa transparência deveria ser ampliada, por exemplo, aos debates internos dos governos? O que seria a Política com um tal nível de transparência? Poderia existir? Há algum nível de opacidade que seria constitutivo da própria idéia de Política?

Outra possibilidade: o aumento da concentração do poder e a privatização crescente do espaço público pelo grande capital devem ser os principais alvos de organizações e redes como o Wikileaks. Nâo se trata, propriamente, de cobrar transparência do poder, mas sim de expor a sua apropriação por grupos privados. O problema, assim, não estaria na “falta de transparência da política e dos políticos”, mas sim na transformação cada vez mais profunda do Estado em anexo de grandes negócios privados. Estaria aí, portanto, a agenda central, uma antiga e bem conhecida agenda: defender a democracia, os espaços, serviços e bens públicos contra o avanço do grande capital em todas as suas dimensões, em especial, aquela que se manifesta no interior dos Estados.

2 Comentários on “Algumas questões sobre poder e transparência”

  1. #1 Rafael
    on Dec 24th, 2010 at 12:54 pm

    Belas perguntas. Gostaria de ver o Lula responder algumas.

    Agora, porque a política não poderia existir com tal nível de transparência? Essa é a utopia máxima do exercício democrático da política.

  2. #2 Luis Armidoro
    on Dec 27th, 2010 at 7:56 am

    Caros Marco e amigos do blog:

    Quando o wikileaks vazar informações sobre “negociações” empresariais (e deve tê-las, pois Assange disse possuir informações sobre um grande banco), tenho certeza de que “não fica um, meu irmão”

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