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Destruição ambiental: um ponto sem retorno?


Terra Futura é uma importante iniciativa da sociedade civil italiana dedicada a debater questões globais. Todos os anos, mais de 70 mil pessoas visitam suas exposições e participam de seus debates. Este ano, o encontro que será realizado em Florença no mês de maio, terá como tema central os bens comuns. O documento que servirá de base para os debates do encontro sustenta que já ultrapassamos um ponto sem retorno no tema da destruição ambiental:

Assistimos, dia após dia, com uma velocidade e uma intensidade inimagináveis há uma década, à “tragédia dos bens comuns”: um empobrecimento contínuo e irremediável de recursos naturais, de bens e valores que compõem a biodiversidade natural, social e cultural do planeta. Essa é também uma das manifestações da crise da qual não conseguimos ver o fim, não tanto pelas tendências flutuantes das bolsas de valores ou pela lentidão da “reativação econômica”, mas sim porque não há sinais tangíveis de uma inversão de orientação na governabilidade mundial da economia (…).

Em 2010, assistimos a um número impressionante de eventos extremos relacionados com um modelo de desenvolvimento destruidor dos bens comuns e com seu uso desequilibrado e irresponsável. Estes eventos nos sugerem que é urgente ter outro olhar, uma mudança radical de rota na forma de utilizar esses recursos. O desastre ecológico causado pelo acidente petrolífero da BP no Golfo do México mostrou a impotência inclusive dos EUA para prevenir o desastre e avaliar suas reais consequências. Os incêndios dos bosques russos; as mudanças climáticas produzidas pelo deslocamento de 260 quilômetros quadrados do maior iceberg do mundo na Groenlândia; temperaturas inéditas como os 37,2° na Finlândia ou os 54° no Paquistão.

Mas 2010 também foi o ano em que, segundo avaliação da Global Footprint Network, cruzamos a fronteira crítica para além da qual o consumo global dos recursos naturais superou a taxa de regeneração dos mesmos por parte da natureza. Apesar de que há décadas a comunidade científica e o movimento ecológico venham assinalando o risco de superação desse ponto, não soubemos parar, moderar nosso consumo, estabelecer um limite, e fizemos a coisa mais irresponsável que poderíamos fazer: decidimos gastar as reservas de recursos de nossos netos, nos demos o direito de comer o futuro. (A íntegra do documento)

1 Comentário on “Destruição ambiental: um ponto sem retorno?”

  1. #1 Ary
    on Jan 31st, 2011 at 7:27 am

    Em algum ponto futuro, arqueólogos encontrarão, em quase todas as partes do planeta, objetos e vestígios das centenas de milhares de eventos destinados à salvação do planeta: pedaços de canecas, sobras de kits, sacolas de plástico com folders, CDs e DVDs, restos de faixas e banners, restos de aparelhagem de vídeo e áudio, canecas e canetas, pedaços de camisetas, resquícios de leis, tratados e acordos nacionais e internacionais, etc. Espero que os arqueólogos do futuro não exclamem: De que valeram tantos trololós e “é-ventos”? Eles não conseguiram!

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