A matéria é de Eduardo Febbro, do Página/12:
A chamada Revolução dos Jasmins que iniciou na Tunísia há algumas semanas se estendeu como um rastilho de pólvora para vários países árabes, e não os menores. O Iêmen e, sobretudo, o Egito, vivem hoje revoltas que têm características revolucionárias. Trata-se de um fenômeno tanto mais único na medida em que o discurso ocidental sempre tratou os países árabes como incapazes de assumir coletivamente um destino democrático. Tunísia, Argélia, Mauritânia, Iêmen e Egito não só desmentem esses argumentos como também abalam desde a raiz as ditaduras que governam esses países há décadas com mão de ferro e privilégios exorbitantes.
Alguns analistas asseguram hoje que já não se trata de saber que regime cairá primeiro, mas sim qual se salvará dessa onda de aspirações democráticas cujos protagonistas são as classes médias, os setores menos favorecidos e os jovens, que se organizam por meio da internet e das redes sociais. O mais moderno do mundo irrompe como instrumento de comunicação e protesto contra poderes dinossáuricos. Os protestos revelam também a ruptura sem remédio entre autocracias longevas, respaldadas historicamente pelo Ocidente, e a legitimidade popular.
O sociólogo e filósofo Sami Naïr, professor de Ciências Políticas na Universidade Paris VIII, presidente do Instituto Magreb-Europa da mesma Universidade, analisa em entrevista ao jornal Página/12 a originalidade e as causas desta revolução árabe. Autor de ensaios e análises sobre política internacional, Naïr aponta como primeiro fator alimentador da revolta o fato central de que o medo mudou de campo. É o poder que enfrenta agora um povo que perdeu o medo. (Clique aqui para ler a entrevista em português)

on Jan 28th, 2011 at 7:19 pm
Se for uma revolução democrática, uma insurreição política contra déspotas entronados a décadas no poder é algo muito postivo numa região onde se convencionou que nenhum governo democrático é capaz de sobreviver.
Se for um levante religioso, uma revolução teocrática para jogar estes países ainda mais no despotismo, trocando déspotas políticos por déspotas religiosos e clérigos burros ou safados demais para interpretar seu livro sagrado corretamente é algo muito preocupante.
Governos indicados por força divina em pleno século XXI não tem mais espaço.
on Jan 28th, 2011 at 8:35 pm
Esse é mais um exemplo de um país,assim como a Tunisia, que caiu no conto dos “liberais” da decada de 90 e aderiu a religião do livre mercado,mais “fundamentalista” que qualquer outra.Uma ditadura política e ideológica que nossos bravos democratas de ocasião,os mesmos que defendem torturadores, esqueceram de combater. Sera que esse desciudo,esse esquecimento, aconteceu por que esse país era também apresentado pelo tio sam como exemplo(economico) a ser seguido? Parece que o muro do “mundo livre” está ruindo.
on Jan 29th, 2011 at 1:54 pm
O que o Ocidente dizia do Norte da África?
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/01/o-que-o-ocidente-dizia-do-norte-da.html
on Jan 30th, 2011 at 8:39 pm
Tô com o Fernando. Acho que é um negócio meio espontaneísta, tanto quanto possível; resta saber de quem será a hegemonia. Se for dos aiatolás, adióos tia chia. Haja pedra!
Saravá!