Myspace button
Submarino.com.br
Marco Weissheimer Rotating Header Image

Blogueiro egípcio fala sobre revolta em seu país


Hossam el-Hamalawy é um jornalista e blogueiro do site 3arabawy. Mark LeVine, professor da Universidade da Califórnia, conseguiu contactar Hossam por meio do Skype e conseguiu um informe em primeiro mão sobre os eventos que estão ocorrendo no Egito. Hossam destaca o papel que a juventude e o movimento sindical estão desempenhando nos protestos contra a ditadura egípcia e prevê momentos difíceis nas relações com os EUA. “Qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região, entrará em um conflito aberto com os EUA, porque proporá uma redistribuição racional da riqueza e terminará com o apoio a Israel e a outras ditaduras”.

Hossam fala sobre a gênese dos protestos, que não surgiram do nada:

As revoluções não surgem do nada. Não temos mecanicamente uma amanhã no Egito porque ontem ocorreu uma na Tunísia. Não é possível isolar esses protestos dos quatro últimos anos de greves de trabalhadores no Egito ou de eventos internacionais como a intifada al-Aqsa e a invasão do Iraque pelos EUA. A eclosão da intifada al-Aqsa foi especialmente importante porque nos anos 80 e 90 o ativismo nas ruas havia sido efetivamente impedido pelo governo como parte da luta contra insurgentes islâmicos. Só seguiu existindo nos campus universitários ou nas centrais dos partidos. Mas quando estourou a intifada em 2000 e a Al Jazeera começou a transmitir suas imagens, isso inspirou a nossa juventude a tomar as ruas, da mesma maneira que hoje a Tunísia nos inspira. (A íntegra da entrevista)

Apesar das dificuldads do idioma, o site 3arabawy é uma ótima fonte para acompanhar a situação no Egito, trazendo muitas fotos e vídeos dos protestos feitos pelos próprios manifestantes. Outra boa fonte é a The Eletronic Intifada.

6 Comentários on “Blogueiro egípcio fala sobre revolta em seu país”

  1. #1 Fernando
    on Jan 31st, 2011 at 7:12 pm

    Os militares egípcios estão pulando fora do barco de Mubarak que esta indo pique. Agora acabou de vez, podem desligar os aparelhos do regime.

  2. #2 Ary
    on Jan 31st, 2011 at 9:25 pm

    É preciso saber se existe vanguarda, se existe direção. Quem assume a direção quando o movimento se tornar inssurrecional? E se for uma inssurreição armada? Existe algum tipo de união orgânica entre estudantes e trabalhadores, por exemplo? Até que ponto é espontaneísmo? Parece que o povo sabe o que não quer. Resta saber se sabem o que querem e como chegar lá. Estou aqui pensando, por analogia, na queda do Xá Reza Pahlevi.

  3. #3 Omar
    on Feb 1st, 2011 at 7:58 am

    “As revoluções são impossíveis, até se tornarem inevitáveis”.

    Frase de Leon Trotsky

  4. #4 Fernando
    on Feb 1st, 2011 at 3:47 pm

    “Aquele que torna a revolução pacífica impossível, torna a revolução violenta inevitável”.

    John F. Kennedy

  5. #5 Fernando
    on Feb 1st, 2011 at 3:56 pm

    A revolução iraniana começou libertária, uma união de estudantes, sindicalistas e intelectuais. A esquerda iraniana ficou do lado da revolução

    Depois esses grupos foram defenestrados e perseguidos. Grande parte da intelectualidade iraniana deixou o país e a esquerda foi presa ou morta pelos Aitaolás. O Irã virou uma teocracia, transformou mulheres em cidadãs de segunda classe, a esquerda foi banida e uma ditadura foi trocada por outra que não se alinhou nem a Washington nem a Moscou. A ditadura de Khomeini não via diferença entre esquerda e direita, eram todos igualmente ruins na mentalidade dele.

    Que a revolução no Egito acabe em eleições livers e pluripartidárias. Chega de estados liderados por força divina.

  6. #6 Francisco Goulart
    on Feb 2nd, 2011 at 7:01 am

    Boa frase Fernando.
    Esse Mubarak é um irresponsável mesmo, não é?

Deixe um comentário