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“Isso é obra de Mubarak”: o legado de uma ditadura

Impressionante – e, para variar, extraordinário – relato do jornalista Robert Fisk sobre os confrontos de rua ontem no Cairo:

A contra revolução do presidente Hosni Mubarak entrou em choque ontem com seus oponentes em meio a uma chuva de pedras, paus e barras de ferro, em uma batalha que durou todo o dia no centro da capital que ele afirma governar entre dezenas de milhares de jovens que – e aqui está a mais perigosa das armas – brandiam a bandeira do Egito no rosto de seus adversários.

A luta ao meu redor na praça Tahrir era tão terrível que podíamos sentir o cheiro do sangue. Os homens e mulheres que estão exigindo o fim da ditadura de 30 anos de Mubarak – vi jovens mulheres arrancando pedras do pavimento enquanto caíam rochas ao seu redor – lutavam com imensa coragem que, mais tarde, se converteu em uma crueldade terrível. Ao final, o governo informou que houve 3 mortos e 637 feridos; segundo a cadeia Al Jazeera os feridos chegavam a 1500.

Alguns arrastavam homens de segurança de Mubarak pela praça, golpeando-os até que o sangue saído de suas cabeças tingisse sua roupa. O Terceiro Exército egípcio, famoso por cruzar o Canal de Suez em 1973, não pode – ou não quis – sequer cruzar a praça Tahrir para ajudar os feridos. Milhares de egípcios gritavam – e isso é o mais próximo de uma guerra civil –, lançavam-se uns contra os outros como lutadores romanos, e simplesmente empurraram as unidades de paraquedistas que “vigiavam” a praça para cima de seus tanques e veículos blindados que logo acabaram sendo usados como escudo de proteção.

“Isso é obra de Mubarak”, disse-me um atirador de pedras ferido. “Ele conseguiu que os egípcios se voltassem uns contra os outros por apenas nove meses mais de poder. Está louco. Vocês do Ocidente também estão loucos?” (A íntegra do artigo de Fisk)

Enquanto isso, no Marrocos:

Milhares de jovens marroquinos estão se organizando via Facebook, para promover um “levante popular” no próximo dia 20 de fevereiro. Há cerca de dez dias, quatro pessoas decidiram abrir um grupo no Facebook denominado “Democracia e Liberdade Agora”. Hoje, já são cinco páginas reunindo mais de 12 mil pessoas com o mesmo objetivo: mudar o regime (monárquico) do país (Fonte: Opera Mundi)

Foto: Huffington Post

3 Comentários on ““Isso é obra de Mubarak”: o legado de uma ditadura”

  1. #1 Joel Santana
    on Feb 3rd, 2011 at 12:05 pm

    Prezado Amigo Marco

    Há anos te acomponho no blog, seja aqui no opsblog ou em outro espaço, tens sido uma referência de qualidade de blog que quem sabe um dia pretenda chegar.
    Sendo assim, gostaria muito que meu blog estivesse em sua lista de indicações de leitura, pois acredito que estou atuando para a diversificação de informações, principalmente da metade sul do RS, e para contrapor informações descabidas que chegam em formato de notícias e com certo ar de verdade.
    Espero contar com a sua ajuda para divulgação de meu modesto blog e aguardo a sua visita que muito me honrará.
    blog: joelsantana13.blogspot.com

    Grato

    Joel Santana

  2. #2 Marco Aurélio Weissheimer
    on Feb 3rd, 2011 at 12:54 pm

    Muito obrigado pela leitura, Joel. E parabéns pelo blog. A melhor forma de ajudar na divulgação é avisar por esse espaço mesmo (ou por email) sobre novas publicações para que eu possa fazer os devidos links com a indicação de leitura. Um abraço.

  3. #3 Véio Zuza
    on Feb 6th, 2011 at 7:12 pm

    Perco o amigo mas não perco a piada. JOEL SANTANA, o próprio? O “Tio Janjão”? O técnico do Botafogo, ex-Inter? O da prancheta?
    Saravá!

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