Lucas Panitz (*)
- Fazia tempo que a gente não sentia isso não né? Essa coisa da cidadania…
Foi o que disse uma senhora grisalha a seu marido, junto com a filha adolescente, voltando no ônibus Santana, após saírem da manifestação em apoio aos ciclistas feridos na sexta-feira passada. A manifestação, que saiu do Largo Zumbi dos Palmares e percorreu as ruas José do Patrocínio, Luiz Afonso, Lima e Silva e Borges de Medeiros, contou com milhares de manifestantes, que saíram à pé, de bicicleta, de skate e patins, e terminou em frente ao Paço Municipal. O evento, pacífico, foi uma prova que os porto-alegrenses conseguem ser tão civilizados quanto o infrator foi irracional. Não sem alguns momentos de fúria de motoristas que cantavam pneus, roncavam alto os motores de carros e motos, mostravam as carteiras de habilitação ao alto, provando que existem outros espécimes do Sr. Ricardo, e que se não fosse a presença massiva de agentes da EPTC e de dois helicópteros sobrevoando a área, há pouca dúvida se mais alguns ciclistas teriam sido atropelados. Todos eles foram devidamente aplaudidos pelos manifestantes, ganharam alguns apitaços e a passeata prosseguiu. Por isso, não faltaram músicas que exprimissem de forma bem humorada a insatisfação com a brutalidade e opressão a que os ciclistas são submetidos diariamente: “relaxa meu amor, relaxa, tem gente pedalando na cidade baixa”, “bicicleta: um carro a menos”, “mais amor, menos motor”. Não faltaram também pessoas que, das janelas dos prédios, nos comércios, nos ônibus, e ate mesmo nos carros, exprimissem seu apoio em favor dos manifestantes, mostrando que a insatisfação com o ocorrido é generalizada.
À guisa de discussão, não posso deixar de ensaiar uma agenda e alguns cenários futuros que deverão estar na pauta dos cidadãos e da administração municipal, se não quisermos legar o assunto ao ostracismo. Os temas são muitos: meio ambiente, mobilidade urbana, saúde, esporte, entre outros. Vou me concentrar apenas no que tange a estruturação e integração de um sistema cicloviário em Porto Alegre como forma de mobilidade urbana. São observações provisórias, que necessitam de outros interlocutores para que o debate prossiga.
1) Porto Alegre, sabidamente, possui algumas ciclovias fixas, estruturadas sobretudo para o lazer, localizadas ao longo da orla do Guaíba – na Av. Beira Rio, em frente ao Barra Shopping e na Av. Guaíba em Ipanema. Tal ciclovia carece ainda de ligação entre seus trechos, para que o trajeto entre o Gasômetro e a praia de Ipanema possa ser percorrido com a devida segurança.
2) Os corredores de ônibus de algumas avenidas e o “Caminho dos Parques” se constituem em ciclovias intermitentes: funcionam somente aos finais de semana, igualmente para o lazer. O último caso liga os principais parques da cidade – Moinhos de Vento, Redenção, Harmonia e Marinha do Brasil. Inaugurada em 2001, em parceria com um banco privado, essa ciclovia encontra-se completamente obsoleta por falta de manutenção e fiscalização dos agentes de trânsito que fazem vistas grossas aos carros que usam seu espaço como estacionamento. A manutenção dessa ciclovia, diga-se, é baratíssima, pois sua delimitação é feita somente por uma faixa vermelha junto ao meio-fio das ruas e algumas placas indicando os caminhos a percorrer.
3) Outro ponto fundamental é ser discutida a implantação de uma ciclovia que inicialmente contemple o centro da cidade, as Universidades, os grandes colégios e as áreas de trabalho (repartições públicas, áreas comerciais, etc.), e uma progressiva ramificação desse sistema em direção aos bairros. Isso permitirá em um primeiro momento uma mobilidade segura no espaço urbano mais denso, aonde o perigo de acidentes envolvendo carros e ciclistas é maior, e avançar incluindo outras áreas comerciais secundárias e residenciais no sistema. O aproveitamento dos canteiros da Av. Ipiranga, por exemplo, poderá ser casado com um projeto – também inadiável – de revitalização das margens do Arroio Dilúvio (bandeira de todos os partidos políticos em época de eleição, nunca efetivado na prática). A EPTC e outros órgãos de planejamento municipal contam com arquitetos-urbanistas, engenheiros de tráfego, geógrafos e sociólogos que possuem capacidade técnica de avaliar experiências de ciclovias no mundo e propor novas idéias para a sua implantação, medir seus impactos e monitorar suas consequências. Além disso, convenhamos, a implantação de uma ciclovia requer recursos ínfimos se comparada a qualquer outra obra de trânsito.
4) A liberação de um vagão de trem para os ciclistas é prática comum na Europa, em cidades como Madrid, Barcelona e Bordeaux. Em Porto Alegre há bem pouco tempo atrás, era permitido carregar bicicletas no Trensurb somente um domingo ao mês. Além disso, suportes para bicicletas na parte dianteira externa dos ônibus já foram experimentadas em Porto Alegre, e poderão ser re-implantadas, tanto na cidade, como em municípios vizinhos. As duas medidas facilitariam a integração dos municípios da região metropolitana e bairros distantes com a capital.
Fazia tempo que não se via em Porto Alegre uma manifestação que agregasse tantas pessoas e que, embora, não tenha sido gestada por partidos políticos ou organizações de classe. Estudantes secundaristas e universitários, professores, funcionários públicos, mães, pais, filhos, artistas e alguns vereadores – todos estavam lá, exercendo seu direito de ser ouvido. E Porto Alegre ouviu. O quanto isso terá repercussão, só o tempo dirá, e vai depender da organização e da ação coletiva e individual de cada um que lá esteve presente e apoiou a causa como pôde. O grupo Massa Crítica, pela sua recente exposição, deverá ter um acréscimo considerável de novos integrantes. Além disso, se prevê que mais ciclistas agora transitem pelas ruas; acidentes e novas tentativas de homicídio deverão ser vigiadas constantemente e seguramente não serão toleradas.
Os efeitos políticos do que ocorreu na sexta-feira passada foram sentidos na Internet. Milhares de pessoas pelo Brasil manifestaram sua indignação quanto ao tratamento inicial da polícia e da imprensa local, que subestimaram a força das redes sociais e do jornalismo independente como formadores de opinião – exemplo daquilo que alguns chamam de cidadania 2.0. Foram muitos os que contataram, via Twitter e Facebook, o prefeito, o governador, parlamentares e jornalistas, exigindo respeito na condução do caso. A resposta foi imediata: de um dia para o outro mudou-se o tom na polícia e nos noticiários, refutando – ainda que timidamente – a versão de legítima defesa, e o Ministério Público ingressou com pedido de prisão preventiva do motorista, alegando seu histórico de infrações.
Todos esses fatos levam à compreensão que a replicação do ocorrido, por meio de notícias e manifestações individuais, além dos protestos em diversas cidades do Brasil e da América Latina em solidariedade aos ciclistas envolvidos, foi de fato eficaz até agora. O geógrafo e pensador brasileiro Milton Santos, no seu livro A Natureza do Espaço, nos ensina sobre a importância do evento, como categoria para a geografia e outras ciências sociais. Diz ele que “se considerarmos o mundo como um conjunto de possibilidades, o evento é um veículo de uma ou algumas dessas possibilidades existentes no mundo”. Por isso, continua Santos, “são os eventos que criam o tempo, como portadores da ação presente” e completa ainda que “os eventos são, pois, todos novos. Quando eles emergem, também estão propondo uma nova história”. Quando uma manifestação como essa que vimos preenche um espaço, ela territorializa uma idéia e propõe a mudança do estado das coisas: “na verdade, os eventos mudam as coisas, transformam os objetos, dando-lhes, ali mesmo onde estão, novas características”. Significa dizer também, que a cidade não está pronta e nunca vai estar. São os cidadãos, replicando seus inúmeros eventos individuais e coletivos, que modificam o espaço. Finaliza Santos: “não há evento sem ator, não há evento sem sujeito”. Ao acelerar a sua arma irracionalmente sobre os ciclistas, o Sr. Ricardo – além da desaprovação que repercutiu mundialmente – conseguiu mobilizar toda uma a cidade contra os efeitos nocivos do excesso de carros, e uma constelação de manifestações surgiram em repúdio à intolerância.
Agora, estamos todos convidados a escrever um novo capítulo da mobilidade urbana de Porto Alegre e exercer “essa coisa da cidadania” que muitos não sentiam há muito tempo.
(*) Lucas Panitz é geógrafo e doutorando em Geografia na UFRGS.

on Mar 2nd, 2011 at 1:09 pm
Me parece que as ciclovias, na Europa, tem um divisor físico, e não apenas uma faixa pintada no asfalto.
on Mar 2nd, 2011 at 2:15 pm
Já tem mais de um ano que o então sec. de Mobilidade falou de um Plano cicloviário de mais de 500 km de pista. Só papo. A atual administgração não construiu um mísero metro de pista cicloviária, já qua de Ipanema tem mais de 10 anos e a da Diário de Notícias foi construída pelo Shopping. E mais. Sobre os nervosos motoristas tenho dito já a algum tempo que nossa classe média se torna cada vez mais esquizofrênica, neurótica, raivosa e comprovadamente homicida. Coisas deste tempo onde vale muito ter para ostentar do que ser para se orgulhar.
on Mar 2nd, 2011 at 2:23 pm
ótimo post! senti-me duplamente honrado, como cidadão de porto alegre, de ter participado do manifesto de ontem. Milton Santos também nunca deixa a desejar.
on Mar 2nd, 2011 at 4:55 pm
Amigos, uma pequena retificação: segundo minha amiga e geógrafa Ana Mitchel, “as bicicletas são permitidas no trem todos os dias, mas de segunda a sábado não é possível circular nos horários de pico”. Ou seja, entre 16h e 21h não pode. Mas já é um avanço.
Carlos: realmente, muitos lugares da Europa possuem ciclovias com barreira física, o que traz mais segurança a todos – motoristas e principalmente ciclistas. Ainda assim, são soluções baratas de implementar.
on Mar 2nd, 2011 at 5:28 pm
Parabéns pela lucidez e coerência do teu comentário.
São eventos como esse que nos dão a dimensão verdadeira do que é exercer o papel de cidadão. Para nós do Vida Urgente que acreditamos que só é possivel um mundo melhor através da mobilização da sociedade, movimentos como esse são essenciais para que as mudanças que queremos venham acontecer.
on Mar 2nd, 2011 at 5:32 pm
O texto por si só resume o histórico do caso das “As bicicletas e o Débil Mental”, como se resume a atitude tomada por este motorista, poderia o mesmo estar muito estressado, passado não muito condizente com a cidadania, mas a sua punição servirá de exemplo a outros que cometem os mesmos crimes. Pelo menos a sociedade civilizada espera de parte do Poder Judiciário.
Mas convenhamos, não precisamos de tragédias para exercer o nosso direito de cidadania, o impacto que a marcha das bicicletas representou frente a sociedade e ao erário público municipal, que este povo unido pode conquistar seu espaço como cidadão e contribuinte de impostos.
Não fosse a manifestação do povo através das ruas, da mídia escrita e falada e também das câmaras de celulares, este fato teria passado despercebido junto a sociedade, seria mais uma impunidade.
Espero que povo gaúcho e especialmente de Porto Alegre, procure também demonstrar repúdio as autoridades públicas em outras áreas, que estão bem longe dos seus objetivos com relação ao cidadão, seja pela transparência dos atos praticados como também pela lisura dos atos.
A sociedade unida tem poderes que vão além do imaginável, qual seja, exercer o direito de cidadania, isto parece não fazer parte da cultura deste povo brasileiro.
Mas eu continua a acreditar nesse povo, questão de tempo.
on Mar 2nd, 2011 at 6:26 pm
Pessoal: O motorista irresponsável e deliquente é só uma pontinha do iceberg do problema do trânsito em Porto Alegre. Hoje (02/03) ao sair para a rua tanto como motorista e como pedestre observei o caos que está nossa cidade. Desrespeito total as regras de civilidade. Ausência do poder público (agente de fiscalização) e quando estão presentes sua ação é punitiva e não orientadora (isso é problema e grave de formação desses agentes).
A atual administração criou um nome pomposo (Mobilidade Urbana) e a cidade está trancada: transporte coletivo de péssima qualidade, transporte de cargas atuando livremente em qualquer horário e rua, lotações entrando pelos corredores de ônibus e passando sinal fechado adoiadado, pedestres desrespeitados em faixas de segurança e sinaleiras…
on Mar 2nd, 2011 at 7:55 pm
Finalmente um debate muito construtivo é proposto.
Parabéns pelo ótimo texto, e é sempre um prazer ler iluminadas citacoes de Milton Santos.
on Mar 2nd, 2011 at 9:38 pm
Parabéns pelo seu artigo. Muito Bom!
Gostei especialmente do ponto 3: ” Outro ponto fundamental é ser discutida a implantação de uma ciclovia que inicialmente contemple o centro da cidade, as Universidades, os grandes colégios e as áreas de trabalho (repartições públicas, áreas comerciais, etc.), e uma progressiva ramificação desse sistema em direção aos bairros. Isso permitirá em um primeiro momento uma mobilidade segura no espaço urbano mais denso, aonde o perigo de acidentes envolvendo carros e ciclistas é maior, e avançar incluindo outras áreas comerciais secundárias e residenciais no sistema.” . Sou professora da UFRGS, e creio que como Universidade devemos apoiar este projeto!
on Mar 2nd, 2011 at 10:50 pm
Não Carlos, eu acho que a grande maioria é na verdade apenas uma linha sinalizando.
claro que depende de cada país, eu conheço na frança e o que mais tem lá são ciclofaixas pintadas no solo sem nenhuma separação de relevo.
o que falta é respeito e leis aplicadas por aqui…
on Mar 2nd, 2011 at 11:03 pm
orgulho humano!!!
mundofeliz!!!
on Mar 3rd, 2011 at 8:33 am
Que me desculpe o Adão, mas não existem ciclovias em Porto Alegre. Faixas pintadas no asfalto ou espaços que acabam sendo utilizados para caminhadas e corridas de pedestres não fazem uma ciclovia. E nem decretos que ficam bonitos apenas no papel. Se quiserem fazer espaços para a circulação das magrelas tem que haver grande investimento, alargamento das avenidas, separando os carros e motos das bicicletas. Também não sei se a nossa civilização movida a quatro rodas quer estas vias especiais. Não sou contra, nem a favor, apenas descrente.
on Mar 3rd, 2011 at 9:52 am
pois é… a minha opinião é que o que verdadeiramente falta é uma visão mais pacífica e humana no trânsito, por parte de todos, motoristas, ciclistas, pedestres… com o mais forte sempre cedendo preferência ao mais fraco!
não adianta uma infraestrutura européia nas ruas brasileiras se as pessoas não desenvolverem uma cultura de paz e respeito no trânsito. As leis estão aí, mas quem as respeita??
Mais ética e moralidade é a solução mais simples e barata pra maior parte dos problemas brasileiros… não precisamos de mais leis, não precisamos de ciclovias, não precisamos de mais impostos, precisamos de mais respeito, precisamos de cidadãos éticos!!
on Mar 3rd, 2011 at 1:20 pm
Não sou contra as ciclovias ou ciclofaixas, mas não as vejo como solução para o trafego de bicicletas na cidade, salvo em grandes avenidas.
Ciclovia e ciclofaixa não é a solução que a bicicleta precisa. A bicicleta precisa de um mapeamento das rotas seguras e sinalização dessas rotas. Sem um grama de cimento é possível resolver esse problema. Basta colocar os engenheiros da cia de trafego para trabalharem nesse mapeamento e depois sinalizar a cidade.
Abs
Lindóia
on Mar 3rd, 2011 at 1:31 pm
Em Sevilha e em Barcelona, as ciclovias tem um divisor físico.
Trata-se de uma grade de ferro, com mais ou menos meio metro de altura.
Esta grade, naturalmente, não é contínua. É interrompida aonde for necessaria, como por exemplo cruzamentos, entradas de carro, etc.
Com esta legislação e fiscalização frouxa que nós temos, divisor pintado no chão é garantia de acidente.
on Mar 3rd, 2011 at 2:58 pm
Professora,
Sou da UFRGS, porém aluno. Quem sabe movemos um texto com assinaturas de alunos, funcionáris e professores, para propor ao reitor uma movimentação com outras universidades, fazendo pressão sobre isso na Prefeitura?
Abraço!
on Mar 3rd, 2011 at 3:03 pm
Amigos, para manter o debate vivo e tirarmos dúvidas sobre ciclovias e ciclofaixas sugiro assistir o link abaixo, tanto o primeiro quanto o segundo capítulo. O primeiro mostra as cidades na Holanda e Dinamarca. Mas o segundo mostra como é em Bogotá, provando que não é só coisa de países ricos.
http://www.youtube.com/watch?v=WFmR9q1RsUU&feature=related
Dêem uma olhada aí. Vale muito a pena.
on Mar 3rd, 2011 at 4:38 pm
Motorista é motorista, pobre,rico ou classe média, tem que haver fiscalização que recolha o veículo na hora da infração, mas só multa em dinheiro é o que interessa a fiscalização.
on Mar 3rd, 2011 at 5:11 pm
Sou solidário com todas estas pessoas que foram atropeladas por este motoristas desvairado.
Mas gostaria que houvesse a mesma indignação com os milhares de trabalhadores que usam a bicicleta para locomoção para o trabalho e cujas vidas são seifadas por motoristas tão imprudentes e ou inconsequentes como o de agora.
Gostaria, também, que estes ciclistas que hoje foram vitimas tenham o mesmo respeito para com os pedestres como o que exigem para si.
on Mar 3rd, 2011 at 5:31 pm
Caro Lucas
Um grupo de Professores da UFRGS tem conversado, desde o fim de janeiro, exatamente sobre como poderíamos nos mobilizar, professores, funcionários e alunos, para tentarmos avançar, dentro da Universidade, na implementação de propostas sustentáveis para uma vida saudável.
O mote inicial foi um projeto de extensão interdisciplinar em Saúde Urbana, Ambiente e Desigualdades, iniciado por nós em 2010. A partir de um dado momento passamos a discutir se não seria interessante fazermos coisas dentro de casa – na UFRGS.
Vários aspectos foram abordados na rede que temos – alguns até num primeiro momento utópicos – como demolir o viaduto da João Pessoa e afundar a via, de modo a permitir a revalorização dos predios históricos maravilhosos que temos e qualificar o espaço do Campus com uma barreira verde que reduzisse a poluição sonora, visual e auditiva, .. Um sonho, talvez, precisamos de sonhos, ou só faremos puxadinhos…
Uma das sugestões com mais apoio foi a do Prof. Aloyzio Satler, de ciclovias levando ao Campus Central, estendida para ciclovias interligando os Campus Central, o da Saúde e a ESEF. Todos nós -ciclistas ou não – (Prof. Olga Falcetto (medicina), Prof. Roberta Reis (Fono), Prof. Roger Celeste (Odonto), Prof. Darci Campani (Engenharia), Prof. Achutti (Medicina, aposentado) e eu – evoluímos para a ideia de convidar o Prof. Senna para conversarmos sobre isto em Março.
Com o evento de sexta-feira do grupo Massa Crítica, a tentativa de nos mobilizarmos torna-se ainda mais oportuna… e especialmente importante se envolver os alunos, os tomadores de decisão logo adiante, com os quais precisamos produzir a mudança de cultura que é necessária para vivermos no século XXI.
A Universidade, como formadora de opinião, deve dar o exemplo e participar ativamente das questões que são importantes para a comunidade.
Acho que temos que ir adiante nesta conversa…
São Paulo já está fazendo isto.
Abaixo transcrevo um email que recebemos há alguns dias…
Um abraço
Maria Inês Azambuja, FAMED/UFRGS
Assunto: Lançamento do projeto inovador “Campus Aberto” de Mobilidade Urbana Sustentável
Para: sustentabilidade IV
Prezados Srs. (as)
Com o apoio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de SP, CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) Catraca Livre e Green Mobility, o Instituto Mobilidade Verde lança nesta, segunda-feira, um projeto ambicioso e importante para melhorar a mobilidade de universitários da Cidade de São Paulo.
Trata-se de um projeto piloto que poderá ser expandido futuramente para os bairros em caso de sucesso. O site reúne uma série de ferramentas que permitirá com que os universitários possam fazer integração modal com maior eficiência, compartilhar uma carona, rotas de bicicletas e até táxi. A idéia dos organizadores do projeto é facilitar a vida das pessoas, oferecendo-as formas mais baratas e alternativas ao uso de deslocamentos individuais motorizados. Outras ferramentas já estão em estudo pelo IMV, como integração com o Metrô e com sistemas de ônibus e trens da cidade. Com todas estas formas de deslocamentos integradas virtualmente, os usuários do sistema poderão planejar melhor suas rotas, de forma mais sustentável, econômica e social possível, através do compartilhamento dos carros particulares e do táxi. O Projeto será ampliado para outras cidades através da parceria com a Capsula, empresa de TI de Recife, a qual fará a expansão do programa Campus Aberto para todo Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O projeto é visto como uma ferrenta de estudos e investigação sobre como os universitários se deslocam na cidade de São Paulo, o impacto destes deslocamentos na cidade e foemA de influencia-los para utilização de meios mais sustentáveis de deslocamentos.
De acordo com o Ministério da Educação, ingressam todos os anos nas universidades paulistas cerca de 500 mil universitários e o número de matriculados já passam de 1 milhão, dos quais muitos fazem parte dos mais de 60 milhões de deslocamentos diários da cidade de São Paulo. Ainda em formação, grande parte deste público seria influenciada para uma mobilidade mais sustentável nas cidades e estaria mais preparada para viver em cidades mais densas e congestionadas do futuro. É o que pensa a bióloga Penélope Valente, do Instituto Mobilidade Verde (IMV), “Os jovens de hoje têm maior facilidade em lidar com as questões de meio ambiente urbano e o projeto Campus Aberto e um bom exercício de Mobilidade Urbana Sustentável”, enfatiza.
Estima-se que grandes cidades como São Paulo, percam mais de R$ 30 bilhões por ano em horas parada no trânsito e congestionamentos.
Para o universitário participar basta estar matriculado numa das universidades cadastradas no sistema, fazer o cadastro e solicitar ou oferecer uma carona, encontrar usuários para irem de bicicleta na universidade ou formar um grupo para dividir um táxi.
Para conhecer mais sobre o projeto:
penelope@institutomobilidadeverde.com
on Mar 3rd, 2011 at 6:40 pm
Professora, gostaria muito de estar em contato com esse grupo em prol das ciclovias, bem como o projeto de extensão interdisciplinar em Saúde Urbana, Ambiente e Desigualdades. Se puder me escrever dizendo como entro em contato, agradeço.
lucaspanitz@gmail.com
on Mar 4th, 2011 at 10:38 am
Este assunto tem muitas nuances técnicas, tantas quanto as sócio culturais. É fácil enxergarmos os exemplos europeus, onde a população é culturalmente, socialmente e economicamente mais madura – e, por consequência, as estrutura e atores políticos ilustram essa realidade (OK, o Berlusconi não é parâmetro, hehehe).
Há muitas e variadas soluções para implementar-se uma política de transporte público eficiente, concordante com os “n” fatores associados a realidade local.
Um ótimo exemplo é Bogotá. Neste caso, coloco a PMPA no banco dos réus, pois, de Bogotá trouxe unicamente a idéia do deslocamento por ônibus – o famifegerado e maldito projeto “portais da cidade”.
No entanto, a mesma PMPA esqueceu-se (ou foi esquecida, por conta da mentalidade “trasnsporteira” do então secretário de mobilidade, Sr. L. A. Sena) do outro lado da mobilidade em Bogotá e que fez o sistema ser reconhecido internacinalmente… Falo do deslocamento por biciletas. Este teve prioridade total nos pontos capilares do deslocamento, inclusive tendo sido construídas vias, nos bairros, onde SÓ TRAFEGA-SE DE BICICLETA, ou seja, nem vbeículo particular acessa. chegando o ciclista numa estação dos ônibus, deixa sua bicicleta e só então acesso o sistema motorizado e coletivo.
Como sempre, vemos q
on Mar 4th, 2011 at 10:40 am
…perdão, o comentário ficou incompleto. Segue a conclusão.
Como sempre, vemos que os interesse por trás, melhor as mentes por trás dos interesses são o fator de sucesso ou insucesso na implementação de políticas públicas, seja em que área for, podendo transformar ótimos conceitos e idéias em fracassos certos
on Mar 4th, 2011 at 11:11 am
A Massa não seria Crítica se não se importasse com os pedestres e o que chamamos “cidade para as pessoas”. Portanto se há ciclistas imprudentes – e, há, porque são humanos e os humanos não primam pela civilidade até que sejam educados para isso -, certamente não são os que pactuam com o ideário da Massa Crítica.
on Mar 6th, 2011 at 9:08 pm
Espero que o grupo de ciclistas envolvido no protesto atacado pelo bancário e os demais ciclistas de Porto Alegre envolva-se também, com empenho, na batalha contra a construção do metrô subterrâneo na capital.
Não moro em Porto Alegre, mas quero dar o meu pitaco quanto à questão do metrô, assim como fiz a um ciclista que foi candidato a deputado no ano passado.
Posso estar equivocado e não haver possibilidade técnica de ser concretizada minha idéia.
O que propus ao candidato é, ao invés do metrô, que seja instalado o chamado Aeromóvel nas grandes avenidas de Porto Alegre, nos lugares onde temos, atualmente, corredores de ônibus.
Creio que sobraria espaço suficiente para a instalação, em conjunto com o Aeromóvel, de ciclovias.
Vejo a questão do metrô intrinsecamente ligada à das ciclovias.
Além disso, obviamente, o dispêndio de recursos públicos, sempre escassos, seria muito menor que na construção do metrô.
Bom para todo mundo, menos para os lucros de uns poucos.