O povo gaúcho – em especial, o leitor de Zero Hora – foi bombardeado nos últimos quatro anos por notícias que anunciavam e elogiavam a fantástica recuperação das finanças do Rio Grande do Sul, façanha maior do governo Yeda Crusius, o badalado “déficit zero”.
Não é preciso ser técnico em finanças, qualquer cidadão bem informado sabe que o “déficit zero” foi uma fórmula fantasiosa criada para esconder a desordem financeira estrutural que surgiu e se agrava no estado. Essa desordem tem inúmeras causas, todas decorrentes de decisões insensatas e imprudentes de quase todos gestores públicos estaduais das últimas quatro décadas e que resultaram numa enorme dívida fundada e num imenso passivo judiciário. Dívida contratual, aliás, cujas condições – extremamente prejudiciais -, foram negociadas por um governador ex-funcionário da RBS, portanto íntimo da casa e à época o número 1 na lista dos “queridinhos de ZH”. Além disso, há uma grande despesa com os aposentados – hoje representam mais de 50% da folha – que significa um crescente déficit previdenciário. Nada disso avançou um milímetro no governo Yeda.
O que Yeda fez foi obter uma pequena melhora no equilíbrio receita-despesa à custa do desvio de bilhões e bilhões de reais que deveriam ser destinados à saúde e à educação e não o foram; à custa de um forte arrocho salarial e do sucateamento dos serviços essenciais. Só nas áreas da educação e na saúde o número de servidores ativos diminuiu 10%.
Yeda que, até o último minuto de seu governo, insistiu na absurda tese do “déficit zero” tentou um “grand finale”, um golpe de mestre, verdadeiro “fecho de ouro” para seu desastrado governo. Ao rufar de tambores e ao som de fanfarras, anunciou a herança bendita: deixava 3,6 bilhões em caixa para o novo governo que assumia! Os desavisados e mal informados soltaram foguetes e festejaram o “milagre”.
Ledo engano, farsa barata. Poucos dias depois o secretário da Fazenda que assumia anunciava o quadro real: déficit orçamentário, dívida de bilhões no caixa única e cofres zerados. A farsa do “déficit zero” virou fumaça.
ZH – em especial a sua página 10 – dá agora um giro de 180 graus. Passa a anunciar, com destaque e constante repetição a “novidade”: a crise das finanças estaduais! Nas entrelinhas, subliminarmente passa a ideia de que com o novo governo surge uma nova realidade, que maus ventos começam a soprar nos céus do Rio Grande. Mas o déficit zero não tinha sido um sucesso?


on Mar 14th, 2011 at 4:23 pm
Em recente debate televisivo, com a presença de representantes do governo estaudual,do Judiciário e do MP,ficou claro que o RS deixa de arrecadar pelo menos 8 bilhões de reais com renúncias ou exonerações fiscais
Não estaria aí a chave de tudo?
CArla Shumanster
on Mar 14th, 2011 at 5:47 pm
E o meu Internacional deu um emprego para o farsante Aod Cunha entregar o Beira-Rio para uma construtora. Barbaridade.
on Mar 14th, 2011 at 7:08 pm
E o emprestimo de bilhoes com o banco mundial? Essa bomba prestes a explodir!
O tal aod ta la no meu Inter dizendo as messa coisas que dizia quando estava com yeda…
Ja arranjou um socio pro Inter…:(:(:(:(
on Mar 14th, 2011 at 10:49 pm
Assim como o deficit zero era uma mentira, o futebol tb é um engodo. É tudo negociata. Não existe jogo, existem negociatas entre os “empresários” do futebol. Os torcedores fanáticos são manipulados e sustentam esses parasitas.
on Mar 14th, 2011 at 11:40 pm
O Sr. Lasier não teria CORAGEM de fazer um Conversas Cruzadas sobre o assunto??? Duvidoódó!!!
E, aos Colorados que nem eu: pois o aod se aninhou com os amiguinhos no Inter e já começou com suas falcatuagens… O Inter já não é mais time de futebol e sim empresa, já não tem mais coréia, só sócios (e do modo que anda qualquer dia esses deixam de pagar as mensalidades e eles terão saudades do quem, realmente, sustentam o time), refinaram, elitizaram o Inter que deixou de ser o TIME DO POVO!
on Mar 15th, 2011 at 4:06 am
Então por que o PT não começa democratizando os meios de comunicação?
on Mar 15th, 2011 at 8:12 am
Por questões higiênicas me abstenho de acessar conteúdos emanados da RBS. Como gremista torço para que AOD repita no emprego atual o desempenho que teve no anterior (pelo menos por um exercício social, pois ficaria muito chato ter somente um time de grande porte na capital gaúcha).
on Mar 15th, 2011 at 8:50 am
E o Papai Noel vai resolver tudo no final do governo Tarso, e no seguinte.. e no seguinte…e no seguinte…
Não compreendo como ainda não estão estabelecidas em Lei, para o setor público (pois para o privado já é tudo bem definido, e ái de quem sair da linha…) o modo como se deve apresentar a contabilidade.
Então, entra governo, sai governo e são apresentadas contas que se adequam à situação requerida, seja para “enterrar” um governo que sai, seja para criticar um que entre, seja para “salvar” uma situação sabidamente vergonhosa.
E as normas de contabilidade? Onde ficam? Não sou especialista, mas domino alguns termos como “receita” e “despesa”, “faturamento” etc. Por que a esfera pública tem tanta dificuldade em empregar estes conceitos claramente??? Serão os “interésses???”
Se houver gente com peito no atual governo, tomaria como primeira atritude colocar em Lei a forma como o governo deve apresentar suas contas, sem uso de chicanas contábeis, como este empréstimo vergonhoso que se afirmou haver sanado as contas gaúchas… Não entendo como se paga uma dívida contraindo outra e isso não parecer como despesa…
on Mar 16th, 2011 at 11:22 pm
E, como acontecia nos governos anteriores, a única esperança de ascensão social dos professores do Estado são os concursos da área fiscal.