Matéria de Marjulie Martini, publicada hoje no Correio do Povo, traz grave denúncia de racismo e violência policial:
“O estudante de História da Unipampa, Helder Santos, que denunciou ser vítima de racismo e agressões por integrantes da Brigada Militar (BM) de Jaguarão, no Sul do Estado, abandonou o município na noite dessa quinta-feira. Ele está em Porto Alegre, onde será recebido por representantes da Secretaria Estadual de Direitos Humanos. O acadêmico, que trabalhava na prefeitura, alega que foi obrigado a deixar a cidade por conta de ameaças recebidas de Policiais Militares (PMs). Ele pretende voltar à Bahia, onde nasceu, e ainda não sabe se conseguirá tocar os estudos.
O caso está sob análise da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, ligada à Presidência da República, e da Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público gaúcho. A Brigada Militar tem duas sindicâncias em andamento contra um soldado, um sargento e o comandante da BM de Jaguarão, major José Antônio Ferreira.
O major disse que houve “sensacionalismo” e afirmou que está apurando o que aconteceu. No entanto, o secretário Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Fabiano Pereira, afirma que a denúncia é grave e será alvo de atenção da pasta. Ele designou duas equipes, uma de investigação e outra de proteção, para a cidade de Jaguarão.
Na Capital, Santos será enviado para um abrigo de acolhimento provisório. Depois, vai voltar para a Bahia. “Eu não sei nem o que falar, porque eu vim pra cá com tantos sonhos, já estava concretizando alguns deles trabalhando como estagiário de história na prefeitura, e vou ter que abandonar tudo e retornar para casa”, lamentou ele, em entrevista à Rádio Guaíba.
Santos é o primeiro integrante da família a iniciar formação universitária, mas corre o risco de ter de parar de estudar, caso o Ministério da Educação não consiga sua transferência para uma universidade no Nordeste.
Entenda o caso
Os transtornos de Santos começaram na semana anterior ao Carnaval, quando foi parado em uma abordagem da Brigada Militar (BM) na saída de uma festa. Um amigo de Santos teria sido agredido pelos policias e o estudante interveio. Na confusão, Santos também teria apanhado dos PMs e teria sido chamado de “negão”.
Santos procurou a corregedoria da Brigada Militar, que instaurou processo para investigar os responsáveis, apontados por colegas. O estudante também fez denúncia ao Ministério Público da cidade por abuso de autoridade e discriminação racial. Ele ainda registrou ocorrência na Polícia Civil.
Após as denúncias, Santos recebeu uma carta de um soldado da BM, dizendo que ele deveria se cuidar, porque os envolvidos eram perigosos. A mensagem recomendava que ele deixasse Jaguarão, visando sua própria segurança.
Pouco tempo depois, o estudante recebeu uma nova carta – essa com tom de amaça – com selo de Bento Gonçalves, na Serra. A correspondência começava com “Baiano Nego Sujo”. Em um dos trechos, o texto dizia: “Se tu for lá na Brigada e falar a verdade e me caguetar no meu processo, eu vou te cobrir de porrada. No carnaval, tu escapou, mas dei um jeito de embolachar teu amiguinho Seco Edson sem sujar as mãos. Deixamos a cara dele mais feia e preta que a tua, seu otário””.

on Mar 25th, 2011 at 12:46 pm
É o nosso estado culto e quase europeu…Nem sei o que dizer. Mas isso é tão frequente…tenho um amigo que viajava frequentemente para a Serra a serviço…sofria muito com abordagens “desse tipo”…..e agora isso em Jaguarão. Vemos que não é exclusivo da Serra esse tipo de imbecilidade. E os tribunal “militar”? Rio Grande chinelo……
on Mar 25th, 2011 at 12:56 pm
Racismo é crime. Cadeia com eles.
on Mar 25th, 2011 at 1:07 pm
Gravíssima a denúncia!
Muito importante a ação rápida da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos; no entanto é indispensável, pela gravidade do caso, manifestação da Ouvidoria da Segurança Pública – que também tem a obrigação legal de acompanhar o caso – e da própria Secretaria da Segurança do Estado.
Não se trata de sobreposição de competências, mas de tratar um fato com tamanha seriedade de forma transversal e integrada; de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Governo Estadual.
Fatos como esse, se não acompanhados de perto; com rapidez, eficiência e transparência; acabam por repercutir de forma negativa sobre a corporação e tendem a se tornar perigosamente recorrentes.
É bom lembrar que, por ocasião dos episódios de tortura contra jovens em Flores da Cunha, a Ouvidoria foi a primeira tratar do caso; acompanhando as investigações, exigindo o afastamento preventivo dos policiais envolvidos e punição aos torturadores.
Essa é a função indelegável da Ouvidoria; o que garante sua independência e assegura um legítimo protagonismo em ações desse tipo; em benefício da sociedade e dos cidadãos.
on Mar 25th, 2011 at 3:27 pm
Por falar em Brigada Militar
Moro na Zona Sul da Capital, mas precisamente na Av. Doutor Campos. Então… nessa Av. há um supermercado chamado BOM e todos os dias perto das 20h (horário de fechamento, acredito eu) fica um automóvel Prisma da Brigada Militar parado bem na frente do estabelecimento. Gostaria de saber o que caracteriza essa prática, tendo em vista que no resto da Avenida é bem difícil ver qualquer tipo de policiamento.
on Mar 25th, 2011 at 5:39 pm
Com referência ao comentário de Gustavo, o que ocorre junto ao Supermercado Bom é o uso da máquina pública para proteção do referido estabelecimento, aliás há um Supermercado na Av. Oscar Pereira esquina Intendente Azevedo que tal prática também é consumada, com viatura à disposição do proprietário do estabelecimento, que por coincidência chega e fica até o fechamento do estabelecimento.
O que ocorre na Brigada Militar é que as ocorrências ou denúncias com a mesma não são fiscalizadas pelo Comando da Brigada Militar.
Com referência aos atos praticados de racismo em Jaguarão, se não houver a articulação imediata como está ocorrendo com os órgãos públicos competentes o caso acaba não dando em nada.
Engraçado que toda vez que a Brigada Militar está envolvida em atos ilegais os seus Comandantes alegam sempre que há sensacionalismo, isso quando não tentam inverter a história, em que a vítima se torna réu no caso.
Parabéns pela atitude do Governo do Estado do RS em tomar as providências de imediato.
on Mar 25th, 2011 at 7:26 pm
Caracteriza uma costela e um vazio pro churrasco do batalhão…
on Mar 25th, 2011 at 9:26 pm
Ao sr. Sobradinho
Obrigado pelas complementações. Não coloquei o nome completo, agora que eu notei, o nome certo é Av. Doutor Campos Velho, conhecida antigamente como Faixa Preta.
Hoje à tarde estourou outra notícia com integrantes da BM, foi um assalto no interior do Estado onde os ladrões eram policiais…
To cansado de todo essa situação, as coisas só pioram.
on Mar 25th, 2011 at 9:28 pm
Infelizmente é verdade. Mas é tão pouco…
on Mar 26th, 2011 at 2:23 am
Que policia gaucha podre, podre, podre!!! Onde esta a secretaria da segurança para investigar este comportamento nojento? Quando isto vai acabar? Parece filme da vida real.
on Mar 26th, 2011 at 12:01 pm
Isso foi absurdo! Além do Helder, quem perde mais com isso é o RS, pois a impressão que passa para o resto do Brasil é que o racismo é algo comum aí. Creio que as pessoas sensatas devem exigir a expulsão desses marginais fardados da corporação.
on Mar 26th, 2011 at 12:13 pm
Entra e sai governo e a formação técnica dos profissionais da segurança cotinua aquela que objetiva formar pessoas para a violência contra pobres e pretos principalmente. Alí no curso de formação, a disciplina de direitos humanos é pró forma.Portanto a gestação de facistinhas a rodo não é novidade. No comadno de nossa briosa BM um outro problema. Sai governo entra governo e a maçonaria com sua doutrina TFP continua nos postos chaves de mando.
on Mar 26th, 2011 at 6:48 pm
é muito triste é de indignar qualquer um , o que eles pensam que sao, os donos da lei ,é repugnante . da vergonha na gente ver esse tipo de coisa ! esses caras devem ser banidos das ruas pra sempre .
on Mar 26th, 2011 at 10:51 pm
Essa polícia foi a polícia POLÍTICA do governo da tYa. Mataram de forma covarde um sem terra com um tiro pelas costas e o processo está em banho maria. Roubaram telhas dos miseráveis, quadrilha chefiada por um coroné dentro do Piratini. Ontem uma quadrilha deles roubou um banco. Antes assaltaram um quartel do Exército. Esses tais de temporários são na verdade mercenários. A formação de um grupo deles em Osório foi de TRINTA DIAS. Nesse tempo só aprendem a bater continência e dizer sim senhor aos coronés. Na Assembléia há centenas deles que deveriam estar nas ruas
Ou o Tarso poda a unha deles ou eles derrubam o Tarso.
on Mar 28th, 2011 at 12:19 pm
Só para lembrar que durante o governol YEDA simplesmente não tínha-mos Gestão Pública!! Então é isso que está acontecendo na segurança Pública em nosso Estado! Lamentável situação! Desviu de verbas no Detran , MUDANÇA DE SECRETÁRIOS A TODA HORA ENVOLVIDOS E SUSPEITOS DE FALCATRUAS !!
on Mar 28th, 2011 at 1:41 pm
Bem lembrado, João!
Ainda durante muito tempo teremos que conviver com os efeitos da verdadeira calamidade ética e institucional que representou a gestão Yeda Crusius para o RS.
O atual Governo recebe, sem dúvida, uma herança maldita e extremamente difícil de administrar. Vai precisar de muita habilidade, vontade política e compreensão da sociedade para desmontar as estruturas criminosas que foram montadas na máquina pública.
Até por isso, não poderá vacilar.
on Mar 28th, 2011 at 4:26 pm
E qualquer reclamação que se faça, a mídia sempre dá um jeito de dizer que ” a imensa maioria dos policiais é composta de pessoas dignas…blábláblá”…o povo não presta, empresários, sociedade…só a “valorosa brigada militar” que nojo disso..
on Mar 28th, 2011 at 8:53 pm
Isso tudo é nojento!
Helder, volta pra casa, nêgo, aqui vc é bem vindo!!
on Mar 28th, 2011 at 11:24 pm
Acho que seria de bom tom o governo do RS oferecer, urgentemente, uma oportunidade de estudo para esse rapaz em outro município do estado, bem como a interferência junto à empresas que possam colocá-lo em um estágio. E isso não apenas para reparar a situação com mais agilidade do que a que ele terá da justiça, mas para mostrar que a sociedade gaúcha não coaduna com o comportamento grotesco exibido por esses péssimos profissionais da (in)segurança.
on Mar 29th, 2011 at 10:10 am
Sempre fui a favor da extinção da instituição “polícia militar”. Acho que todos eles deveriam fazer concurso par a polícia civil, caso passassem, claro. Ser profissional técnico caçador de homens, mulheres e criança, isso soldados do exército já fazem esse papel. O que é preciso é uma policia cidadã.