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“Velhinho do PMDB” tinha grande influência sobre grupo acusado de lesar o Banrisul, diz MP

Dois dos 25 denunciados pelo Ministério Público sob a acusação de integrarem uma quadrilha que teria desviado cerca de R$ 10 milhões do Banrisul são figuras políticas conhecidas no Estado: Rubens Bordini, ex-tesoureiro da campanha eleitoral de Yeda Crusius e ex-vice-presidente do Banrisul, e Rodolfo Rospide Neto, ex-deputado estadual por quatro mandatos pelo MDB/PMDB e ex-secretário geral do partido. Segundo a denúncia encaminhada pelo MP à Justiça, o envolvimento dos dois no esquema foi o seguinte:

Rubens Salvador Bordini, na condição de Vice- Presidente do Banrisul e de Diretor do Departamento de Marketing do banco, manteve, na condição de seu superintendente de marketing, Walney José Wolkmer Fehlberg, ciente de que Walney operava, juntamente com João Batista Rieder, Davi Antunes de Oliveira, Antônio João Carlos Flório D´Alessandro, Armando D´Elia Neto e Gilson Fernando Storck, um esquema de desvio e apropriação de recursos do Banrisul, por meio do pagamento de ações de comunicação superfaturadas, majoração indevida de honorários e apropriação indevida de bônus por volume. Rubens Salvador Bordini recebia parte dos valores desviados do Banrisul e beneficiava-se do esquema. (Páginas 58 e 59 da denúncia)

Rodolfo Rospide Neto valeu-se de sua condição de ex-assessor da Presidência do Banrisul, na gestão do ex- Presidente Fernando Guerreiro de Lemos, bem como de seus contatos políticos, para estabelecer e manter o esquema de desvios e apropriação de recursos do Banrisul, primordialmente por meio do pagamento de ações de marketing superfaturadas. Rodolfo Rospide Neto mantinha contatos frequentes com Davi Antunes de Oliveira, de quem recebia, por vezes, parte dos recursos desviados do Banrisul. (Páginas 61 e 62 da denúncia)

Segundo as investigações realizadas durante a Operação Mercari, iniciada em novembro de 2009, Rospide Neto exercia grande influência sobre o grupo de denunciados, sendo denominado por alguns como o “velhinho do PMDB”. Uma conversa telefônica entre Davi Antunes de Oliveira e Armando D’Elia Neto, no dia 31 de agosto de 2010, desnudou, segundo o Ministério Público, “a orquestração política envolvendo o velhinho do PMDB que sustentou a contratação das agências de publicidade DCS e SLM e das empresas de Davi Antunes de Oliveira”.

Ainda segundo a avaliação do MP, extrai-se deste diálogo que “o apoio dado pelas empresas no período da campanha eleitoral aos partidos políticos, como era o caso, é pago em 50%”. A denúncia do Ministério Público explica assim como funcionava o esquema:

Se o partido que recebeu os serviços das empresas vence a eleição e os empresários são afinados com os representantes do partido, os outros 50% não serão pagos diretamente pelos partidos, de modo que os empresários deverão compensar-se pelos contratos a serem firmados com os órgãos públicos. Se o empresário não é tão próximo dos políticos do partido vencedor, recebe o pagamento dos outros 50%, exatamente para eliminar créditos e, assim, evitar pedidos de favores por aqueles não tão próximos. Se o partido que recebeu os serviços das empresas perde a eleição, os empresários mais amigos dos políticos recebem integralmente e os menos próximos ficam com o crédito em haver. (Páginas 60 e 61 da denúncia)

A conversa telefônica em questão dá mais detalhes sobre as preocupações eleitorais envolvidas no caso:

“ARMANDO – tá já falei disto lá com o nosso amigo, que se der PMDB é grande a chance de voltar novembro e dezembro as coisas lá

DAVI – é mas mesmo que seja PSDB e tal alguma campanha eles vão ter que botar no ar né, mesmo que em novembro quando voltar o dinheiro de campanha alguma coisa eles vão ter que botar né eles não podem ficar sem botar nada né

ARMANDO – sim volta, e outra coisa e as pernas de anão lá dos amigos aí do PMDB

DAVI – olha meu perna de anão para caralho velho para caralho, para caralho, eu chamei o velhinho aqui hoje de manhã e ele vai vir aqui de manhã e eu vou dar um nó cú dele, mas ele disse não DAVI tu pode ficar tranquilo na hora em que apertar mesmo na hora em que não tiver dinheiro para pagar ninguém o que têm eu te pago , não é o problema não te transtorna, se tu perder perde trinta ou quarenta pila , um carro trinta ou quarenta conto, tão afim de me fuder né, ai ele já disse bom, mas se nós ganhar, é barbada por que os negos vão dizer esses aqui são os parceiros e nós ganhamos e que se foda ai eles vão buscar lá dentro, se nós perder ele vai tentar tomar o dinheiro de qualquer jeito

ARMANDO – entendi entendi vamos ficar em passinho de espera desta ai

DAVI – é a verdade é a seguinte ele vai nos deixar sempre pelo meio do caminho se nos der cem nós vamos estar sempre com cinquenta atrás se nós ganhar a eleição já era os cinquenta se nos perder a eleição ele vai tentar nos pagar tudo , por que ai vai te que pagar alguns mesmos então foda-se os outros, vamos pagar os amigos, agora se nós ganhar os amigos vão pagar os chatinhos de baixo, para dizer como assim tu me fez um favor eu te paguei, entendeu para eliminar estes, um jogo antigo mas correto né

ARMANDO – a cem anos

DAVI – não entendi

ARMANDO – o jogo é este já há cem anos.

O Banrisul, cabe lembrar, juntamente com o DAER e o DETRAN, foi citado pelo então chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius, Cézar Busatto, na famosa conversa com o vice de Yeda, Paulo Feijó, como sendo uma fonte de financiamento para campanhas de partidos políticos:

“Hoje é o DETRAN, no passado foi o DAER. Quantos anos o DAER sustentou? Na época das obras polpudas. Depois foi o Banrisul, depois a CEEE. Se tu vai ver é onde os partidos querem controlar. Não querem saber se é área social. Onde têm as possibilidades de financiamento, pode ter certeza que tem interesses poderosos aí controlando”.

11 Comentários on ““Velhinho do PMDB” tinha grande influência sobre grupo acusado de lesar o Banrisul, diz MP”

  1. #1 ademir pinto ribeiro
    on Apr 29th, 2011 at 6:38 pm

    … Está ai o porquê que a nossa mídia não fazia investigação paralela á CPI do Detran… Fazem e descobrem coisas que o MP nem sonha, para dar manchete no Programa de Televisão no domindo e vender jornais durante a semana, mas quando encontrava um fio da meada a companhia jornalistica não punha os seus jornalistas investigativos nos rastros deixados e descobertos pela CPI… Interesses paralelos movem estes desvio distibuidor dos bens públicos.

  2. #2 Renato Arthur
    on Apr 29th, 2011 at 7:02 pm

    Vinha tentando entender esta ação do Ministério Público no Banrisul, mas por meio da nossa imprensa não se fica sabendo nada, como seria de esperar. Mas como suspeitava muita sujeira vai aparecer desses 8 anos de governo Yeda e Rigotto. Esperamos que RS se recupere da farra desses gatunos que saquearam a nossa economia a vontade. Grato Marco pela informação.

  3. #3 mano
    on Apr 29th, 2011 at 11:26 pm

    agora a cobra vai fumar

  4. #4 Thomas Morus
    on Apr 30th, 2011 at 12:06 am

    Mas quem é o velhinho? O Papai Noel?

  5. #5 elektrofossile
    on Apr 30th, 2011 at 1:55 am

    geeente. nada disso. não
    é o pedrinho. enrascado.
    verdade, né?
    vcs tão acordando hoje?

  6. #6 lelezinhamattos
    on Apr 30th, 2011 at 2:49 am

    o governo da Yeda (Cruzes!)foi tão sujo e corrupto que até agora ainda escorre a lama e cheira mal …Ainda bem que essa corja não foi reeleita pra continuar saqueando os cofres públicos e o pior, contando com a complacência e exagerada compreensão da mídia guasca daqui.

  7. #7 Lau Mendes
    on Apr 30th, 2011 at 6:32 am

    Ao que parece “padrinho e pupilo graduado” continuam preservados. “Viajo na maionese” ou partido é entidade do além mesmo e não tem/tinha niguém com posição de “mando” que responda/respondia pelo partido ? Ou depois que secar o Mampituba a fronteira da ética se estenderá até o Chuí?

  8. #8 giovani montagner
    on Apr 30th, 2011 at 10:19 am

    rodolfo rospide neto. também pensei que fosse outro velhinho.

  9. #9 panoramix
    on Apr 30th, 2011 at 10:32 am

    O principais problemas aconteceram nos últimos anos e era questão de tempo até aparecerem situações suspeitas. Publicidade é uma delas!
    Já o MPE está seguindo seu caminho constitucional, o qual deve ser livre e desimpedido de qualquer tipo de influências…sempre.
    Cai sobre o DAER também inúmeras suspeições, é só esperar o trabalho mais profundo da força tarefa que garimpa lá dentro!

    Como sempre diz um conhecido e esperto coelho…

    Que é que há, ‘velhinho’?.

  10. #10 Professor Sílvio Alexandre
    on May 1st, 2011 at 9:54 am

    Pessoal: vocês observaram o que eles gastaram em publicidade, ou melhor, desviaram?
    Quanto um governo estadual precisa gastar em publicidade por ano?
    Quantos milhões que poderiam ser canalizados para obras em escolas públicas.
    Dessa quantia anual que um governo gasta em publicidade eu queria só 100 milhões alocados para a educação gastar em obras e melhorias nas escolas que é o que as nossas crianças e adolescentes merecem.
    Marco: bem que vocês dos blog’s de esquerda poderiam começar uma campanha moralizadora dos gastos do governo. Investigar e punir essa canalhada do Rigotto e da Yeda e o Tarso reduzir a gastança em CC’s, mordomias palacianas, publicidade.
    O que vocês acham?

  11. #11 Gunther Heller
    on May 1st, 2011 at 11:26 pm

    Conheco pessoalmente o sr Rodolfo Rospide Neto ha’ muitos anos.
    E’ um individuo que tem seu excelente carater demonstrado em varias oportunidades ao longo de sua trajetoria.

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