A possibilidade de reabertura das escolas Itinerantes dos acampamentos do MST reabre um debate caro para a educação no estado do RS. Quem conhece sabe que, para além de garantir o direito das crianças acampadas à educação, as Itinerantes representam um espaço de formação e convivência fundamental na luta pelo direito a terra. Um dos principais argumentos utilizados pelo Ministério Público e pela antiga gestão do estado para o fechamento dessas escolas era o de que elas praticavam uma “lavagem cerebral”, isto é, um trabalho pedagógico de cunho ideológico específico.
Para virar do avesso esse frágil argumento, podemos dizer que todas as escolas, sejam elas públicas, particulares de cunho religioso, comunitárias ou cooperativadas, todas praticam um trabalho ideológico específico vinculado aos seus interesses. A base curricular das Itinerantes segue os parâmetros da legislação estadual como qualquer outra, o que se agrega é uma metodologia e conteúdos que são peculiares da vida do campo e politicamente legítimos, sendo preservada a autonomia didática dos movimentos sociais.
A falsa polêmica desse debate se desnuda ao entendermos a razão do desconforto de setores da sociedade com a existência do MST e de suas escolas. A escola tradicional urbana e grande parcela da mídia, (precavendo-me de qualquer generalização) refletem valores hegemônicos e reproduzem como única versão de sociabilidade as relações sociais estabelecidas. Porém, a referência da prática pedagógica do MST é uma interpretação da realidade que problematiza e relativiza essas relações estabelecidas. É condição sine qua non que o processo de reabertura garanta estrutura física mínima para as Itinerantes e que os educadores sejam vinculados ao movimento e com formação para trabalhar a Educação do Campo e não no campo.
(*) Doutorando em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Foto: Leonardo Melgarejo/MST


on May 6th, 2011 at 10:03 pm
Não existe nada mais revolucionário que o saber. Aquele menino debruçado sobre o caderno e de lápis na mão, quando crescer saberá muito mais que seus país, não saberá apenas quem foi que lhe roubou a terra e o trabalho, mas saberá como reconquistar o que é seu por direito, por ser homem e gaúcho. É esse o medo desta elite burra do campo.
on May 7th, 2011 at 2:42 pm
Sim, todos devemos defender as escolas itinerantes junto aos acampamentos do MST com o mesmo vigor para defender a Reforma Agrária pra valer no Brasil e agora com Tarso que diz ter “sintonia” com o governo federal deslanchar a reforma agrária no RS.
on May 7th, 2011 at 9:02 pm
O MST é motivo de orgulho para todo o povo brasileiro.
Particularmente, eu me sinto ainda mais orgulhoso porque o movimento nasceu aqui, pertinho da minha cidade, uns 50 km de distância, na Encruzilhada Natalino, em 1979. Ali, trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra empreenderam uma heróica luta pela desapropriação de uma grande área de terra improdutiva, ainda sob a ditadura civil-militar que assolava nosso país.
Vida longa ao MST!
on Dec 2nd, 2011 at 6:05 pm
Como esta a questão das Escolas Itinerantes hoje no Rio Grande do Sul?
on Feb 1st, 2012 at 8:28 pm
Não existe humanidade sem valores. Não existem escola sem ideias. Mas certamente não podemos comparar o nível de saturação ideológica que recebe uma criança acampada em uma escola itinerante, sujeita a rituais e místicas diárias, com uma criança que convive com a diversidade e a pluralidade. Que pese o direito e o dever de sermos responsáveis por formar pessoas verdadeiramente emancipadas e autonômas, capazes de pensar por si e criticar as estruturas roídas e corrompidas em qualquer nível e condição social. O MST não está também isento da corrupção que assola nossas estruturas políticas e econômicas e ele tbm tem que ser objeto de nossa reflexão, para que os espaços de reflexão intern dos movimentos sociais não seja monopolizado pelo silêncio. Mais vale a participação da crianças em um espaço democrático e plural, aberto aos questionamentos e a diversidade que a lógica excludente de manter crianças segregadas da cidadania comum, como se não fossem dignas de partilhar e influenciar as práticas sociais que se desenrolam em escolas públicas, que queremos democráticas.