A proposta de reformulação do Código Florestal tem se baseado em vários argumentos. Um deles, defendido pelo deputado Aldo Rebelo, relator do projeto sobre reformulação do Código, é que as mudanças são necessárias pela ameaça à possibilidade de produção de alimentos. Claramente é colocada a dicotomia: ou preservamos ou produzimos alimentos. Essa dicotomia é falsa e inexiste. A afirmação é de um grupo de pesquisadores das universidades de São Paulo, de Campinas, de Piracicaba, de Stanford (EUA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em um artigo intitulado “A falsa dicotomia entre a preservação da vegetação natural e a produção agropecuária”. O texto é assinado pelos seguintes pesquisadores:
Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (USP); Pesquisador convidado do programa de Segurança Alimentar e Meio Ambiente, da Universidade de Stanford (EUA);
Carlos Alfredo Joly, do Departamento de Biologia Vegetal, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp);
Carlos Afonso Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais;
Gerd Sparovek, do Departamento de Ciência do Solo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz, de Piracicaba.
No artigo, os autores sustentam que “o Brasil tem área suficiente para preservação de nosso patrimônio biológico e para também continuar aumentando a produção de alimentos para o consumo interno e exportações”. “A alegação defendida pelo deputado Aldo Rebelo para mudança do Código Florestal, baseada no argumento que falta área para a produção de alimentos não se sustenta frente à análise feita neste estudo”, dizem os pesquisadores. E apontam a razão:
“A área ocupada com alimentos consumidos diretamente pela população tem diminuído e existe uma área significativa ocupada por pastagens ineficientes. Além de ocupar uma área maior, a produção de soja e cana-de-açúcar concentra-se em grandes propriedades, enquanto a produção de culturas destinadas à alimentação como arroz e, especialmente, mandioca e feijão são produzidas em pequenas e médias propriedades”.
Segundo os autores, a dificuldade de acesso a financiamento para os pequenos agricultores e a existência de quase 800 mil proprietários que não possuem títulos de suas terras, são um fator “muito mais importante como limitante da produção do que a alegada falta de área para se produzir alimento no país e, consequentemente, induzir mudanças no atual Código Florestal”.
A íntegra do artigo pode ser lida aqui (disponível em português e inglês).

on Jun 1st, 2011 at 10:30 pm
Claro como a luz do dia. O tal comunista está sendo o porta voz dos ruralistas, do agronegócio. É um inimigo dos pequenos e da natureza. Lamentável!
on Jun 2nd, 2011 at 2:54 pm
Nada de surpreendente. O próprio PCdoB é uma farsa.
on Jun 2nd, 2011 at 4:30 pm
Eu li toda Exposição de Motivos do PL 1768. Lá o Aldo enaltece posição Papal que agride os anti antropocentristas, pois como a Igreja conservadora ele acha que o homem como o centro do universo pode tudo. Fala também de Tomás Malthus em suas teses sobre crescimento da população em detrimento a pouca oferta de alimentos,e ele Aldo, alude falta de terra, não dizendo que chega a 50 milhões de hectares de terras ociosas no Brasil, sem nada plantado. Fala do famoso tratado de Josué de Castro, a Geografia da Fome, onde friza as palavras de 1940 do escritor, como:” A guerra do homem contra a floresta e contra a imensidão de água..”Isto é, nesta batalha o homem tem de derrotar a natureza. Fora isso tem outras papagaiadas desse anticomunista, que gastou 2 mi, para fazer 130 mil votos em SP, e que na próxima eleição, decerto seus financiadores agroquímicos e fazendeiros não lhe faltarão com seus milhões. Mas que o PCdoB e sua degeneração façam bom uso desse dinheiro, principalmente comprando a consciência de pessoas pobres nas periferias para eleger traidores dessa envergadura.
on Jun 2nd, 2011 at 7:34 pm
Toda e qualquer relação política no Brasil, seja do partido que for, é uma farsa. É uma troca doentia de favores, cargos e liberação de verbas em troca de empregos e influência para sua gente. Olha o que fizeram com o projeto da homofobia. Foi incinerado pelo governo para salvar o Código Florestal.
E agora vá carinho, cargos e verbas para o PMDB limpar a barra do Palocci. E olha, pra saciar o PMDB haja cargos e verbas….
on Jun 18th, 2011 at 1:59 pm
Abismada com o que li acima. Convido-os todos a passar um dia no campo e ver de perto a sua realidade, sem esses ataques frontais preparados por pseudo ambientalistas de paletó e gravata que mal saem de suas salas com ar condicionado.
O novo Código não faz apologia ao desmatamento e muito menos seu relator, Aldo Rebelo. Incutir na população leiga a ideia de que a agricultura é responsável pelo desmate do Brasil é uma grande falácia!Há um estudo do IBGE, feito entre os anos de 1995 e 2006, demonstrando que a agricultura teve uma redução líquida de área de 23,7 milhões de hectares e ainda assim, houve um crescente e anual aumento da produção.
O código veio para estabelecer caminhos para um novo equilíbrio entre a preservação ambiental e o fortalecimento da agricultura. Trouxe metas.Trouxe definições. Trouxe, inclusive, multa para os desmatadores.
Portanto, aconselho-os a lerem o Código antes de emitirem opiniões tão distantes da realidade.