Alguns leitores fizeram referência ao governo Olívio Dutra no contexto do debate sobre o Plano de Sustentabilidade Financeira apresentado pelo governo Tarso Genro à Assembleia Legislativa. Estaria faltando, segundo eles, algumas “gotas de governo Olívio” ao atual governo. A referência é interessante e oportuna, pois permite lembrar alguns episódios, no início do governo Olívio que, de certo modo, se repetem agora.
Em maio de 1999, o CPERS realizou uma acalorada assembleia geral no Ginásio Tesourinha. O governo Olívio contava, então, com cinco meses de vida e foi alvo de pesadas críticas, entre outras coisas, por não dar o aumento pretendido pelos professores e por não suspender o pagamento da dívida à União. Argumentava-se que se o governo suspendesse o pagamento da dívida poderia dar um aumento de 99,9% para os professores (não lembro bem se era exatamente esse o valor, mas a ideia era essa). Ali se configurou um bloco partidário dentro do PT que faria oposição “interna” ao longo de todo o governo. O grupo ligado à então deputada estadual Luciana Genro era um dos principais protagonistas desse movimento que contou com o apoio direto ou indireto (pelo silêncio) de outras importantes correntes petistas, formando uma indigesta mistura de esquerdismo e oportunismo.
Na assembleia em questão, chegou-se a apresentar uma proposta para o lançamento de uma campanha de outdoors apresentando os nomes e as fotos de Olívio Dutra, Miguel Rossetto (vice-governador) e Flávio Koutzii (chefe da Casa Civil) como “traidores”. A proposta, apoiada por boa parte da mesa, acabou sendo rejeitada pela maioria da assembleia.
A lembrança é oportuna, uma vez que, nos últimos dias, ouviram-se gritos semelhantes em função principalmente da proposta de Reforma da Previdência, apresentada pelo governo Tarso. O mesmo ocorreu, aliás, no início do primeiro governo Lula, também com a Reforma da Previdência. Acusações enfáticas de “traição” cruzaram os ares com muita rapidez. Nesta terça-feira, foi a vez de Raul Pont receber essa acusação de servidores que estavam nas galerias da Assembleia.
Hoje, ironicamente, alguns petistas e não petistas críticos do governo Tarso lembram com saudade do governo Olívio, sem lembrar, porém, que, naquele período, as acusações de “traição” também foram esgrimidas nos primeiros meses de governo. Algumas das vozes que denunciaram a “traição” naquele maio de 1999 saíram do PT, outras seguem no partido e ocupam hoje cargos de governo. Muitas dessas vozes iradas e enfáticas modulam o seu volume de acordo com as circunstâncias.
O tema do financiamento da Previdência Pública e do Estado é extremamente polêmico e costuma ser causa desse tipo de acusação. O governo Tarso está jogando uma cartada audaciosa, contando com a maioria política que construiu na Assembleia Legislativa, o que, tratando-se da história do PT no Rio Grande do Sul, é uma novidade importante. A aprovação do projeto terá um custo político sem dúvida, cuja dimensão, porém, dependerá do desempenho geral do governo em seus quatro anos. Se Tarso mantiver a Previdência Pública, se não privatizar empresas públicas, se revitalizar a democracia participativa no Estado, se conseguir recursos para fazer novos investimentos no Estado e implementar políticas sociais que beneficiem os setores mais pobres da população terá feito um bom governo.
As “gotas do governo Olívio” desejadas por alguns deveriam servir para refrescar a memória política de quem já esqueceu que aquele governo apontado, justificadamente, como uma referência para a esquerda, foi acusado de traição com cinco meses de vida, sofreu uma oposição interna dilacerante – além da externa, não menos virulenta – e que acabou derrotado numa prévia interna absurda pelo atual governador. A vida dá voltas estranhas e irônicas. Não seria nada mal que as pessoas tentassem aprender um pouco com elas. Se Lula, Olívio Dutra, Tarso Genro, Raul Pont, Miguel Rossetto e Flavio Koutzii são os “traidores” quem é que são mesmo os “heróis”???
Foto: Agência Brasil

on Jun 29th, 2011 at 9:06 am
Perfeitamente, Marco…. Perfeitamente.
Abraço.
on Jun 29th, 2011 at 9:11 am
“Muitas dessas vozes iradas e enfáticas modulam o seu volume de acordo com as circunstâncias.”
Modular o volume segundo as circunstâncias é especialidade do próprio PT. Imagina o que Raul Pont e Tarso Genro estariam falando caso fosse Yeda ou qualquer outro partido a propor essa reforma? Estariam botando o Piratini abaixo.
on Jun 29th, 2011 at 10:22 am
Jamais a Yeda proporia o conjunto de medidas propostas por esse governo, até porque não precisa grande capacidade de compreensão para perceber que governos como o dela foral a própria imagem do fracasso em todos os sentidos, mas, principalmente em termos de valorização do que é público, incluindo aí o funcionalismo. Comparar possíveis divergências internas dentro da esquerda é uma coisa, agora, querer colocar o governo corrupto do PSDB na jogada é piada.
on Jun 29th, 2011 at 10:44 am
Por isso, temos que sempre manter nossa coerência. Falar na situação como se fala na oposição.
Quanto à Previdência, os que ganham mais tem que pagar mais.
Adeli Sell
Vereador e Presidente do PT-POA
on Jun 29th, 2011 at 11:25 am
é verdade, mas isso é do jogo.
on Jun 29th, 2011 at 11:50 am
“Isso é do jogo” é uma frase que aqueles que acompanham a política de perto já estão CANSADOS de ouvir, pq geralmente é utilizada para justificar de tudo, desde a oposição rançosa até as piores canalhices políticas que, por vezes, somos obrigados a assistir.
Estamos – infelizmente – mal habituados a debater política de forma séria e conectada aos interesses e necessidades da sociedade que elege os partidos e seus representantes para exercer o poder.
on Jun 29th, 2011 at 12:17 pm
Caro vereador é exatamente o que não enxergo. O PT tem (ou teve) um discurso na oposição e outro na situação. Esses ajustes na previdência estão há mais de 20 anos para serem feitos e o Partido dos Trabalhadores sempre foi contra, muitas vezes utilizando o próprio funcionalismo como massa de manobra. O que houve agora? É governo e viu que tinha que agir ou simplesmente Lula mostrou e provou porque (e como) deve ser feito (o que petistas “sangue puro” chamam com “asco” de Lulismo de resultados). Só pra constar: Tarso Genro está certo!
Já o texto de Marco Aurélio é irretocável e podemos colocar também na galeria de honra dos traidores, além do grande Olívio Dutra, Luiza Erundina, Vitor Buaiz, Tarso Genro, Adeli Sell, além do próprio Luiz Inácio!
Usar situações como essas que dizem respeito ao funcionalismo e ao próprio estado visando qualquer tipo de beneficio politico é deplorável sob todos os aspectos, principalmente quando envolve sindicatos!
Ser governo é bem diferente, pois requer atitudes e elas vão desagradar sempre! Tenho certeza que o governador usara gotas do governo Lula e gotas de governo Olívio, equilibrar é preciso!
on Jun 29th, 2011 at 12:22 pm
Bravo, Marco!
on Jun 29th, 2011 at 12:44 pm
leiam o texto da Rejane postado aqui nesse blog.
A questão é bem simples quando bem colocada.
Discutir uma matriz salarial e uma matriz tributária é o que um governo de esquerda deveria e deve fazer.
Repito: discutir sem medo do debate e não como fizeram agora votando na “madrugada” “às pressas e às escondidas”!
on Jun 29th, 2011 at 12:56 pm
Marco, fiquei impactado hoje ao saber das repercussões negativas da aprovação das medidas junto às lideranças do funcionalismo público estadual (muitas delas petistas). Minha avaliação modesta diz que houve muito desgaste político interno (dentro do PT e da base aliada) para pouco resultado financeiro (ao contrário do que diz o governador, os dados apontam que a diferença entre receita e despesa previdenciária seguirá excessivamente alta). Com a cabeça fria, dá para concluir que as medidas são realmente necessárias, mas a forma com que o Governo conduziu o assunto sem qualquer prévio debate foi totalmente abominável.
on Jun 29th, 2011 at 1:13 pm
Sou militante histórica do CPERS,CUT,PT e concordo plenamente com as propostas Tarso.Parece que alguns companheiros não levam realmente a sério a possibilidade de futuro da Previdência.
Nossa realidade está dentro de um mundo capitalista.Estamos construindo novos horizontes civilizatórios nesse momento de passagem,estabelecendo futuros sustentáveis e não podemos esperar soluções simplistas.Vamos num laissez-faire até chegarmos à situação da Grécia,Espanha,Portugal?Seria sério agir assim?E defendendo mesmo quem,”cara pálida”?
Para diminuirmos as distâncias salariais,como aliás sempre pregamos,é essa a saída:QUEM GANHA MAIS,PAGA MAIS!
on Jun 29th, 2011 at 1:15 pm
“Reforma da Yeda ou de qualquer partido”, para manter a previdência pública e com aposentadorias integrais?! Otávio, claro que tu deves estar brincando…
on Jun 29th, 2011 at 1:16 pm
Marco,
Enviei uma mensagem pela madrugada e até agora não foi publicada. Favor informar caso não exista liberdade de crítica neste blog, pois neste caso deixarei de lê-lo.
Daniel
on Jun 29th, 2011 at 1:31 pm
O princípio usado para alteração de alíquota da previdência é o mesmo princípio constitucional que institui o Imposto sobre Grandes Fortunas, o princípio constitucional da igualdade. Ou seja, tratamento igual aos que estão em situações idênticas e desigual aos que se encontram em situações desiguais, na medida de suas desigualdades.
Yeda nunca faria um pacote neste sentido, bem pelo contrário.
on Jun 29th, 2011 at 2:03 pm
O Sérgio está coberto de razão. Houve muito desgaste político para pouco resultado financeiro e a forma com que o Governo conduziu o assunto foi totalmente abominável. E a frase do nosso vereador é o exemplo disso: “Quanto à Previdência, os que ganham mais tem que pagar mais.” É o tipo de discurso que o PT jamais fez e jamais deveria fazer. Deveria, no mínimo, reconhecer que os salários de seus funcionários é MUITO mais baixo do que o dos funcionários que desempenham funções análogas na esfera Federal. O salário de um professor da UERGS (que é celetista, ainda por cima) é MUITO menor do que o de um professor da UFRGS, por exemplo. Depois disso, deveria negociar o aumento da alíquota, sem JAMAIS sequer insinuar que um salário de 3 mil e poucos reais é alto salário. Alto salário é a CC absurda de 20 e poucos mil criada especialmente para o Mauro Knijnik e outros do mesmo naipe, que não poderiam ganhar menos para dar sua “valiosa” contribuição…
on Jun 29th, 2011 at 2:13 pm
“Em maio de 1999, o CPERS realizou uma acalorada assembleia geral no Ginásio Tesourinha. O governo Olívio contava, então, com cinco meses de vida e foi alvo de pesadas críticas, entre outras coisas, por não dar o aumento pretendido pelos professores e por não suspender o pagamento da dívida à União. Argumentava-se que se o governo suspendesse o pagamento da dívida poderia dar um aumento de 99,9% para os professores (não lembro bem se era exatamente esse o valor, mas a ideia era essa).”
Naquela época, a discussão era sobre a velocidade da conquista dos direitos. Todos concordavam que os salários deviam aumentar, só se discordava do ritmo. Agora a briga é contra a retirada de direitos por parte do governo. São coisas bem diferentes, não dá para dizer que é o mesmo.
on Jun 29th, 2011 at 2:16 pm
A questão de taxar, de forma maior, os que ganham mais, foi um dos méritos do projeto, talvez o único.
O que é questionável diz respeito ao regime de urgência. Se governo, servidores e deputados sentassem à mesa de negociação, talvez outras fórmulas surgissem na pauta.
Quem sabe um escalonamento deste plus de alíquota atingindo os 4 anos de governo, com aumentos para 13,5%, 14,5%, 15,5% e 16,5% no final do governo Tarso.
Pois, o governo deixou flancos abertos com a remodelação de Secretarias de Estado e loteamento de CCs com partidos aliados.
Sou funcionário municipal e, creio, embora queira uma opção de esquerda para Porto Alegre, vai pesar este ato necessário, mas conduzido de forma açodada pelo governo Tarso.
O tempo vai dizer dos desdobramentos.
on Jun 29th, 2011 at 2:20 pm
Marco: Perfeito!
on Jun 29th, 2011 at 3:01 pm
Daniel, caso deseje exercer a arte do xingamento, sugiro que crie seu próprio blog e a pratique lá. Esse espaço não é para isso. Quanto a deixar de ler o blog, fique à vontade.
on Jun 29th, 2011 at 3:09 pm
Marco, muito bem lembrado.
Ocorreu-me agora um dos lances do Governo Olívio, quando Miguel Rossetto, vice-governador, comenta com os olhos marejados que acabara de receber de volta a proposta feita pelo governo ao magistério…num saco de lixo, é isso mesmo! Num saco de lixo. Rossetto entre atônito e triste, afirmava, “nunca testemunhei um símbolo como este!”
Não sei porque lembrei da música – Geni e o Zepelin…
abração
on Jun 29th, 2011 at 3:19 pm
Vamos por partes.
Vereador Adeli Sell surpreende com sua compreensão: Não existe essa conversa de falar na situação como se fala na oposição. Detesto essa capacidade de achar que as pessoas são estúpidas ou vivem num mundo ideal. Há um governo de coalizão vereador. Co-a-li-zão. Portanto de engessamento, especialmente das pautas à esquerda. Coerência só existe na direita.
O Estado é refém das corporações, que desenvolveram idéias e conceitos completamente equivocados, entre eles, a de “direito adquirido”, o que sustenta privilégios, regalias e estabilidade. Não há nenhum mecanismo de aferição do trabalho no serviço público, então não interessa se o servidor é competente e honesto, o contrário dá no mesmo.
Infelizmente a pratica esquerdista da professora Rejane, mirando seu próprio horizonte eleitoral dentro do CPERS não admite sequer que isso seja discutido. Assim como o Plano de Carreira dos professores, nem de nenhuma outra categoria. É a usurpação do Estado Público pelas corporações.
“Discutir sem medo do debate” é uma piada vindo da nossa corajosa e aguerrida sindicalista, que tem muitas qualidades, mas optou pelo equívoco, talvez de seus pares inconsequentes do PSol e PSTU. O CPERS se negou a discutir junto com todas as categorias e sequer se dispôs a participar do Conselhão.
Para piorar legitima o que há de mais reacionário no Estado, ombro a ombro com quem a menos de meio ano bota a policia e os cachorros para tratar com os professores. Lamentável a cena ontem na Assembleia em relação ao deputado Raul Pont. Um verdadeiro ato de traição a um líder que sempre esteve do lado da causa dos professores.
Espero que passada a eleição do CPERS, nossos sindicalistas ponham a mão na consciência!
on Jun 29th, 2011 at 3:32 pm
Petista consciente,
Nem mesmo esse único ponto que dizes que é positivo é verdadeiro. A mudança de última hora do projeto fez com que as cinco faixas que existiam de salários entre 8 mil e 24 mil caíssem numa única faixa. Detalhe: a faixa mais alta (24 mil, juízes, promotores, desembargadores, etc.) teve a contribuição reduzida de 14,38 para 14%, enquanto a faixa dos 8 mil (servidores do Judiciário e MP) subiu de 13,5 para 14%. Que “socialismo pontiano” é esse que alivia o dos juízes e promotores para apertar os trabalhadores que o assessoram e fazem a maior parte do serviço? Por causa desse PACOTARSO de confisco dos trabalhadores é que de hoje em diante descarto o PT até mesmo como alternativa de segundo turno em qualquer tipo de eleição. Se não houver opção à esquerda, meu voto será nulo.
on Jun 29th, 2011 at 3:46 pm
Esse papo de “horizonte civilizatório”, “futuro sustentável” é muito legal, para dar sono. Errado Rosemary, agora quem ganha mais não paga mais,a gora pagam todos.
on Jun 29th, 2011 at 4:16 pm
Daniel, “traidores, traíras, pelegos e desprezíveis”, essas foram as palavras. Aqui não. Repito, sugiro que crie seu blog e pratique lá esse tipo de “crítica política”.
on Jun 29th, 2011 at 5:04 pm
Muito bem colocado, Marco.
Ainda que seja necessário discutir alguns pontos, a maneira e a rapidez com que o oportunismo se levanta para disputar base são ridículas.
Nesse debate, considero que o governo esteja bem fundamentado, sem deixar de compreender a legitimidade da crítica do CPERS.
Será que cabe uma avaliação a partir de Weber e da ética da responsabilidade?
on Jun 29th, 2011 at 5:16 pm
Repito que considero o regime de urgência como o grande fator de má qualidade deste projeto.
Por uma questão da duvidosa governabilidade o PT deve ter feito as pressas essas modificações.
Mas, vamos considerar de cabeça fria, pior é pegar todo mundo de roldão não importando seu vencimento bruto.
Não é nem de longe um bom projeto, mas pelo menos, aos moldes da taxa Tobin, taxa os mais aquinhoados com um percentual, creio que maior. Pelo menos em valores nominais.
Não tenho por que defender o PT, pois nunca ganhei nada de cargos ou CCs. Mas, posso dizer que aqui no Município a Direita é muito pior…
on Jun 29th, 2011 at 5:56 pm
O pior disso tudo é que essas modificações na Previdência do Funcionalismo Estadual são, pelo que me lembro dos números, bastante insuficientes. Com o deficit acumulado e o gradativo aumento da expectativa de vida das pessoas há um grande caminho ainda a ser percorrido para se atingir o ponto de equilíbrio. Qualquer atuário pode fazer esse cálculo. Claro que alguns acham que o Governo Estadual deve tirar dinheiro dos impostos, da sociedade, para bancar a aposentadoria dos funcionários públicos. Isso pode ser considerado injusto, pois as aposentadorias do setor privado também encontram-se bastante defasadas. É uma discussão estratégica que necessariamente deve levar em consideração um período de longo prazo.
on Jun 29th, 2011 at 6:22 pm
Os governos do RS não respeitam o plano de carreira de categoria alguma! Os planos de cargos e salários preveem promoções de tempos em tempos. É o que está na lei que os criou. Com um detalhe: o governador de plantão paga se quiser! é o chamado “poder discricionário”. E eles nunca querem. Não vem com esse papinho de corporação, de aferição porque não há meritocracia possível se o governo não cumpre o plano de cargos e salários de ninguém! O funcionalismo é a vítima de todos os pacotes, sempre! E o CPERS é o único sindicato que defende o funcionalismo, sem se importar apenas com a sua categoria. Graças ao CPERS, o funcionalismo – todo o funcionalismo- ainda tem um aumento de 3% a cada 3 anos. E que não é incorporado ao básico. O chamado avanço é o único aumento garantido que o servidor possui e que a Yeda queria acabar.
on Jun 29th, 2011 at 7:15 pm
Não se pode comparar o gov. Olívio com o atual. O velho bigode tentou mexer na matriz tributária do Estado, fazendo incidir uma carga mais alta em serviços considerados supérfluos, como TV a cabo, e também em bebidas e cigarros.
Foi completamente atacado por querer “aumentar impostos” e acabou pagando um alto preço na questão política.
Já o que fez o dr. Tarso? Resolveu aumentar a contribuição dos “altos salários” como forma de contentar a RBS e o empresariado gaúcho, com os quais anda de mãos dadas. Incrível como o governador atual parece ter seguido a cartilha de FHC, esquecendo o passado de defensor do funcionalismo.
Para quem não sabe, a contribuição de 11% já fazia com que quem ganhasse mais tivesse um desconto maior. Um simples cálculo matemático comprova isso.
O que mais admira quem tinha simpatia pelo PT é o fim do discurso democrático que imperou ao longo da vida do partido. Regime de urgência, patrola na Assembleia, nenhuma discussão com entidades ou dentro do Conselhão (pra quê mesmo ele foi criado então?).
A única coisa certa disso tudo é que Tarso e o PT que governa ao seu lado querem mesmo é fazer caixa. Querem ter grana para investir em obras, projetos e tudo mais… Pensam eles que só assim poderão aparecer “bem na foto” e se manter à frente do Piratini por mais 4 anos.
on Jun 29th, 2011 at 7:26 pm
Ganha mais, PAGA MAIS!!!! A Lei da justiça é essa!!!!
on Jun 29th, 2011 at 7:52 pm
Não acompanhei de muito perto o fazimento nem a negociação do projeto do governo Tarso, mas o texto de Marco de fato é luminoso, porque rememora e responsabiliza, da maneira mais acertada: historicamente. Baixar 0,5% de uma alíquota e subir 0,5% de outra não constitui exemplo razoável de traição. A proposta de reforma da previdência do governo Lula tem a marca anti-estado de uma certa perspectiva sindicalista do pt paulista e é uma reforma que parece ter sido feita para dar um presentinho à banca no primeiro ano de governo. A proposta de Tarso anti-estado não é. E a progressividade de alíquotas é um ponto civilizador em se tratando de tributação e previdência, no Brasil. Nada menos que isso. Por fim, essa conversa de aceleração de direitos versus conservar direitos estou passando. Pensar sem história é algo que nem na matemática se faz mais.
Não me parece que a concepção de que o financiamento do Estado seja equiparável ao financiamento privado. Quem equipara a ambos está, sabendo ou não, a serviço da banca financeira, a única alternativa ao financiamento público-estatal. Não há, na história do nosso planeta, outra alternativa de financiamento: ou o Estado financia a si e faz investimento por meio da geração de moeda e da administração de déficits, ou o mercado financeiro, a banca, financia o investimento público. Isso serve ao município e ao governo federal.
Não estou certa de que o governo Lula tenha feito e de que o governo Dilma esteja fazendo uma escolha sólida e sustentável do primeiro tipo de financiamento. Mas negar que deram passos sólidos e sustentáveis nesse sentido é falsear a história recente do país e os avanços substanciais na redução das desigualdades. Tampouco acredito ou confio que o governo Tarso vá entregar o financiamento do estado à banca. Bem dizer, só o moleque lá das privatizações o fez, aqui no RS. A Yeda nem se quisesse, dado a sua total falta de autoridade e lastro político elementar, requeridos para esse tipo de negociação.
Sobre apresentar a proposta no início do governo, bem, neste caso, ao contrário do ocorrido no país em 2003, parece uma estratégia voltada à prioridade zero que deve ocupar toda a esquerda: como financiar o Estado? Não foi essa questão, isto mesmo, questão, que orientou a decisão Lula/Palocci/Zé Dirceu/Gushiken et caterva, em 2003. Mas agora parece ser e só por isso vale o voto.
on Jun 29th, 2011 at 8:04 pm
Botando o mérito do projeto entre parênteses: se fosse para dar a mesma confiança para Yeda e para este governo, seria o caso de ter anulado o voto, não?
E quanto a falar “o mesmo” na situação e na oposição, a inocência de Simão indica que talvez não seja possível…mas esse juízo é para quem entende do riscado.
Se Simão estiver muito errado é só avisar, volto a me internar. Não levo mais que duas horas até Itaguaí, em todo caso.
on Jun 29th, 2011 at 10:06 pm
Dá-lhe Marcão: muitas vezes discordo de ti e te escrevo e tu publicas.
O que não vale é ofensas e xingamentos!!!
on Jun 29th, 2011 at 10:08 pm
Caro petista consciente: opção à esuqerda tem: PSTU e PCB.
Não são perfeitos, mas tem!!!
on Jun 29th, 2011 at 10:29 pm
Confesso que não tenho nenhuma simpatia por Tarso e por suas históricas posições políticos dentro do PT.Já com Olívio, que igualmente tenho diferenças políticas, resiste uma identidade cultural popular que nos aproxima; Contudo, fosse Olívio hoje governador, possivelmente estivesse fazendo tudo o que Tarso e sua equipe está fazendo.O motivo é óbvio.Pode não parecer, mas em pouco mais de dez anos o PT do RS sucumbiu tardiamente ao que o PT de SP representava.Uma espécie de modernismo que tenta dizer ser possível domesticar o capitalismo, com todas a correntes do PT que até ontem eram de esquerda, hoje se emparelham com as que outrora era as ditas de direita.
on Jun 30th, 2011 at 1:26 am
Sim, concordo plenamente que Olívio, Raul, Koutzii e Tarso não são traidores. Embora eu goste mais de uns do que de outros, todos são referências importantes para a esquerda no estado e no país.
Considero pertinente esse registro mas acho também que o foco do debate não deve ser o que foi gritado por uns e outros nas galerias.
Além disso, achei inadequada e perigosa certa leitura (provocada pelo clima maniqueísta que existe sobre esse assunto) do artigo do Marco que faz generalizações acríticas do tipo: quem tem críticas ao Pacote apresentado pelo governo são os mesmos que chamam Raul, Koutzii, etc de traidores que, por sua vez, são os mesmos que chamaram Olivio de traidor no passado.
Do meu ponto de vista, esse tipo de generalização é uma simplificação vulgar do artigo e pouco contribui para o debate.
on Jun 30th, 2011 at 9:50 am
Bela análise!
O debate político merece um texto desse nível, hoje, estamos assim: de um lado viuvinhas da ditadura, de outro a esquerdinha de butequim de faculdade, ambos abusam da premissa da pauta da direita, o moralismo raso.
Sou eleitor desde sempre de Raul Pont e Tarso, tenho total confiança neles e também admiro Olívio, o pacote era necessário, o resto é conversa fiada.
on Jun 30th, 2011 at 1:08 pm
Penso que o magistério e demais funcionários do EXECUTIVO NUNCA sairão da M….!
Eu fiz concurso concorridíssimo, contribuí para o INSS e Previdência Privada.
Estou sempre controlando a minha complementação.
Portanto… aprendi a VIDA como ela é!
Concurso por concurso…
Acredito que parte do funcionalismo público está SEM NOÇÃO!
Assisti até de madrugada a votação na Assembléia Legislativa.
Assistir o PP/PMDB/PPS/PSDB adular a Rejane, foi D E P R I M E N T E.
Ela fez uma LEITURA errônea do momento.
Se eu passasse por um momento destes, como ela submeteu-se, pediria um BURACO para me esconder… de vergonha!
Aquelas pessoas que a adulavam JAMAIS estiveram/estariam/estavam do lado dela e de sua categoria!
JAMAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E mais… quem elegeu Rejane no primeiro turno foi: PMDB,PP,PPS,PSDB…
A minha mãe, que votou na Rejane ,eleição passada, não quis votar.
Está muita assustada com a radicalização da Rejane.
Pobre CPERS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A RADICALIZAÇÃO excessiva CEGA as pessoas, ATRASA, DESTRÓI!
Nestas horas esta turma fica igual aos DEMOTUCANOS/PMDB…
on Jun 30th, 2011 at 2:09 pm
Concordo com o comentário do seu Gaúcho, como func. público estadual e associado do CPERS esse pacote é necessário e discordo em parte do posicionamento do Cpers e outros sindicatos, torço para que esses projetos não sejam derrubados pelo judiciário. Uma certeza eu tenho que se não for tomado uma medida em relação a previdência gaúcha em curto prazo, daqui a uns 10 anos quem vai pagar a conta somos nós func. público que ainda estará na ativa, ainda mais se a velha e fascista direita voltar ao poder. Podemos esperar.
on Jun 30th, 2011 at 3:36 pm
‘Gotas do governo Yeda’
Vejo um defensor do pacote. Ok sr. Marcos, está no seu direito. Eu sou petista e penso diferente.
Hoje haverá uma reunião no PT municipal de Poa, as 19h, de petistas contrários ao pacote. A iniciativa é exatamente o contrário do que fez Luciana Genro – essa sim uma política ‘esquerdista’.
Nós nos colocamos na defesa do PT, coisa que essa política atual faz é destruir o partido e desmoralizar a militância – como vimos com a prefeita de Foratelza, tb do PT. Esse pacote nada tem de positivo, são ‘gotas (ou chuva)’ do governo Yeda.
Os 2 governos não são iguais – como diz o Psol e o PSTU – mas a política que tem-se colocado é uma continuidade. Política contra a qual votamos ao eleger Tarso.
Esconder isso é muito ruim, na minha modesta opinião. Dizer que os trabalhadores e sindicatos são oportunistas é um erro colossal ou uma distância espacial do mundo real.
Trechos da carta: Somos PT! Votamos por outra política!
«Fizemos campanha em nossos locais de trabalho e nas ruas porque acreditamos
ser possível um Estado que valorize seus trabalhadores, que enfrente as injustas distorções salariais. Um Estado que pague melhores salários e que qualifique e valorize os serviços e os agentes da política pública. Não fizemos campanha para que a previdência pública fosse questionada dessa forma.»
“Sempre soubemos da grave situação em que se encontram as finanças do Estado e conhecemos os responsáveis por isso: são as isenções fiscais, através da qual as grandes multinacionais embolsam milhões e, a qualquer momento, deixam o Estado em busca de mais vantagens noutro lugar, como aconteceu recentemente no caso da Azaléia/Vulcabrás. É a sangria da dívida com a União onde mais de 20% da receita regular do estado vai para pagar juros de uma dívida que só cresce. Em nível nacional, de janeiro a abril de 2011 foram acumulados pela União, Estados e Municípios R$ 57 bilhões para alimentar o sistema financeiro. Para servir de parâmetro, o pagamento do piso nacional dos professores no Rio Grande do Sul custaria R$ 2 bilhões ao longo de um
ano!”
Saudações.
on Jun 30th, 2011 at 3:54 pm
É contra isso que me insurjo em blogs, sites ou discussões “chapa-branca”. O que nos indigna é isso: Antes Yeda era uma crápula por não pagar o piso. Hoje o bravo Tarso faz das tripas coração para sustentar o estado, antes que se transforme em uma nova Grécia (palavras dele). Antes o fator previdênciario era pura maldade, hoje, Paim ficou cego, surdo e mudo. Antes a previdência, tanto o inss quanto ipe, eram superavitários mas tinham seus recursos desviados em milhões para outros fins, hoje a prvidência vai quebrar ano que vem. Isso é terrorismo ou estou enganado. Não foi para fazer “esse” tipo de política que batalhamos tanto tempo.
on Jun 30th, 2011 at 4:11 pm
Muitos militantes partidários antigos afirmam que a estratégia política do Partido dos Trabalhadores era realizar a revolução socialista através do voto. Vencer as eleições burguesas e se utilizar dos processos democráticos para transformação. Parece que isso não mudou, mas o que mudou?
Podemos dizer que a nossa central sindical a CUT (Central Única dos Trabalhadores) é uma ferramenta de transformação moldada nas lutas sindicais da ebulição social pós-ditadura com objetivos claros no que tange a luta de classes, com forte predomínio de teorias revolucionárias. A CUT tinha em seu seio uma disputa interna saudável porque tinha representação político partidárias de PT, PC do B, PSTU e do PSOL. Hoje cada qual tem sua central sindical, o que indica no mínimo um fracionamento nas representações dos trabalhadores em suas lutas, um claro enfraquecimento.
Podemos afirmar que cada uma das correntes de pensamento que atuavam no seio da CUT tinha uma tática para livrar os trabalhadores do jugo capitalista, estas passavam necessariamente pelas atuações na militância partidária assim como na sindical. A militância nas instituições (parlamentos e poder executivo) como nos movimentos sociais era tratado como meios, ou ferramentas, para construção de algo maior: o estado socialista.
Os caminhos e objetivo final foram teorizados de muitas formas, muitas delas se confundiam e traziam no bojo diferenças que poderíamos dizer pequenas, mas que se aplicadas trariam realidades bem diferentes.
De tantos sonhos e utopias construídas, apenas a eleição, com representações dos trabalhadores, foi concretizada. Há um abismo entre esse objetivo e sua finalidade. Argumentar que o poder político não basta para efetuar as reformas da classe, dentro da correlação de força no capital não pode ser desculpa para a imobilidade, sabemos da grande influência de setores sobre a condução de governos, como a mídia, judiciário, agronegócio, para exemplificar alguns, por isso é importante saber se ao menos temos um governo que é nosso, ou perto disso.
O governo Olívio Dutra foi eleito pela Frente Popular, não tinha apoio de mais ninguém no RS, a não ser dos movimentos sociais, com ênfase o sindical. Era pautado por demandas vidas destes, concatenando nossas necessidades com nosso programa, enfrentamos a falta de experiência na governança e as enormes dificuldades conjunturais. Num terreno totalmente adverso aquele governo instituiu o piso regional de 1,3 do salário nacional, aplicou políticas de inclusão, pacificou as polícias e inverteu a lógica de investimento quebrando o vício de favorecimento aos grandes e apostou na diversificação, atingindo um número maior de beneficiários. Mesmo com risco de rejeição foi um governo que bateu de frente com os poderes instituídos do estado e arriscou tudo para governar de acordo com os projetos saídos do berço dos movimentos. Os partidos de esquerda e a CUT, apesar das divergências, andaram de acordo com seus princípios.
Temos uma conjuntura completamente diferente no governo Tarso Genro. A começar pela quebra de preconceitos em relação às esquerdas. Nesse quesito não teria problema se a própria esquerda não tivesse se transmutado. Aquele objetivo socialista pouco aparece nas teses e resoluções. Muito provavelmente esse governo será parecido ao de Lula, onde as reformas estruturantes não foram realizadas, houve apenas um incremento nas políticas sociais, o que não deixa de ter seus méritos, mas está longe de alcançar uma condução revolucionária, mesmo nos moldes democráticos.
O governo Tarso se caracteriza pela ampla aliança que vem desde antes das eleições, coligações com partidos de histórico nada programático e muito fisiológico, agora no governo tem uma política de aproximação com todos os setores da sociedade, na maioria empresarial. Isso o caracteriza como um governo de coalizão e não um governo de trabalhadores, então a conclusão óbvia é que não é nosso governo e sim um governo onde também estamos.
Para o dia a dia de nossas lutas isso é muito relevante. Não podemos cair no erro de arrefecer as lutas, mobilizações e as críticas. Se difícil foi enfrentar tudo e todos com Olívio hoje é perigoso a cooptação pelo estado burguês. Diárias são as tentativas de nos convencer que a conciliação é o caminho, que a luta de classes não existe mais, vários são os instrumentos utilizados, desde um “Conselhão” no âmbito institucional até uma CCP (comissão de conciliação voluntaria) nos locais de trabalho. Armadilhas que ora colocam nosso representantes de frente com decisões que não nos competem, nos deixam expostos e desmobilizam a classe, ora no cerne da contradição capital trabalho quando depois de anos de burlas trabalhistas os empregadores querem diminuir seus passivos.
Os partidos políticos mudaram, os movimentos sociais mudaram, as visões de mundo mudaram, mas a forma de exploração capitalista continua a mesma: apropriação privada do excedente do trabalho social. A luta de classes está presente e nossa tarefa não mudou.
on Jun 30th, 2011 at 6:14 pm
Rosemary: também era militante do PT e da CUT.
Sou do CPERS também. Que governo é esse que cria maioria na assembleia para não implantar o piso salarial da nossa categoria? Até quando vamos ter que esperar?
A maioria dirigente do PT e da CUT nacional e gaúcha já mudou de lado!
Sai daí também companheira.
Que governo é esse que constitui maioria na assembleia para criar mais CC’s? Para aumentar o salário dos CC’s?
Para não meter a mão na caixa preta das isenções fiscais?
on Jun 30th, 2011 at 6:18 pm
Prezado Gaúcho: só faltou incluir no pacote, revisão das isenções fiscais. Daria para recuperar algo em torno de 800 milhões de reais bem rapidinho!
on Jun 30th, 2011 at 7:38 pm
Tem gente ainda, no século XX!
Estamos no século XXI!!!!!!!!!!!!
Tem muita gente levantando “sonhos” dos anos 70/80 até 90!
HOJE vimos, países do BEM ESTAR SOCIAL, caindo na REAL, independente de políticas neoliberais!
A diferença é muito grande entre um modelo e outro.
Eu não aguento mais trololó… de ditos de esquerda!
E eu…me considerava/considero de esquerda.
Vou “caminhar” com Raul Pont!
A estrada é longa!
on Jun 30th, 2011 at 9:51 pm
Marco, levei a sua sugestão a sério e criei o meu próprio blog para poder chamar os pelegos de “pelegos”. (Brincadeira, na verdade já tinha planos de fazer um blog). Ele está aqui: http://oradicallivre.wordpress.com/
on Jul 1st, 2011 at 2:11 pm
Propiciar a participação cidadã na construção das soluções para o estado e sociedade, propôr, instigar e aprofundar o debate. Tenho ouvido muito que se não for dessa forma as reformas não saem. Bom então que não saiam, se é para fazer política e gestão pública ao modo da direita, com receituário, que parece se aconchêga, ao receituário neoliberal, mais uma vez, “Soy contra!”. Como queremos que nossa sociedade evolua para o socialismo se não permitimos espaços e discussão das políticas, das estratégias e da gestão da “coisa pública”, parafrazeando nosso líder Olívio Dutra!!
É isso mesmo Professor, concordo mais uma vez contigo.
Abraço
Caio
on Jul 1st, 2011 at 4:40 pm
Eu queria ter uma lucidez assim, Marco. Há braços…
on Jul 1st, 2011 at 5:54 pm
Trazer à tona e ordenar em uma linha de tempo os acontecimentos históricos que deixaram o Instituto de Previdência do Estado na situação deficitaria em que se encontra atualmente talvez seja uma ideia importante.
Por outro lado, reconhecer essa situação atual, avaliá-la corretamente e enfrentá-la é uma responsabilidade governamental.
O Governo Tarso tomou uma decisão corajosa, que os governos anteriores ou não quiseram ou não puderam tomar em função da correlação de forças políticas momentânea (como ocorreu no Governo Olívio), no sentido de enfrentar essa situação.
O que foi aprovado na ALERGS está longe de ser uma solução definitiva, porém caminha no sentido de equalizar o grande deficit do IPE, na linha de garantir uma aposentadoria decente e segura para o funcionalismo estadual.
Algumas lideranças sindicais optaram por um caminho fácil: querem eliminar o deficit do IPE com recursos oriundos de impostos ou de outras receitas geradas pelo Governo, cuja destinação natural seria a melhoria do atendimento à população ou o pagamento de despesas correntes.
Essa posição é capaz de colocar, se aprofundada, em frentes contrárias os trabalhadores da área privada e os trabalhadores da iniciativa pública, o que seria uma situação altamente indesejada.
Na área privada alguns governos, anteriores ao Governo Lula, tomaram algumas medidas no sentido de equilibrar a Previdência social simplesmente cortando o valor das aposentadorias.
Não é isso que se deseja para os funcionários do Governo do Estado do RS.
on Jul 1st, 2011 at 6:26 pm
Parabéns Daniel, vou acessar.
on Jul 1st, 2011 at 6:34 pm
Omar: e as isenções fiscais sem controle algum dos governos anteriores e que o Tarso parece não ter muita vontade de rever???
E a enorme quantidade de cargos de confiança existentes e criados por ele no início de seu governo???
Por favor!!!
on Jul 2nd, 2011 at 11:16 am
Calma Professor. Não dá para limpar todas as cagadas dos governos anteriores de uma hora para outra. Esse negócio das isenções foi muito bem montado, com um emaranhado de leis. Terá que ser desmontado gradativamente.
Em relação aos CCs, foi momentaneamente necessário, em função do verdadeiro desmonte de Secretarias, algumas das quais não possuem quadros próprios mínimos para tocar o trabalho. Na lógica de outros governos elas deveriam ser substituídos pela iniciativa privada… Há que se fazer concursos públicos para admissão de funcionários e substituição gradativa dos atuais CCs. Não de todos, obviamente, pois uma equipe de confiança do Governador é necessária.
on Jul 2nd, 2011 at 10:59 pm
“É a usurpação do Estado Público pelas corporações.”
A corporação das professoras (86% são mulheres na educação básica do RS) não usurpa o Estado porque trabalham praticamente de graça. É o contrário, o Estado que usurpa a força de trabalho delas, nos tempos em que não estão em licença para tratamento de saúde.
on Jul 3rd, 2011 at 8:18 pm
Sou professor da rede estadual e fiquei indignado com a pressão que setores e sindicatos, como o meu , por exemplo, quando deram coro e apoiaram a choradeira dos altos escalões, que ganham altos salários. Pergunto? Vocês sabem quando é que um professor de 40h, como eu, vai receber R$ 3.700,00, para passar a descontar 14%, ou um brigadiao, ou um servidor da saúde, ou o baixo clero de vários setores do executivo? Se meu salário fosse maior não teria problema em descontar mais, o engraçado é que justamente os que ganham menos acabam sendo enrolados com o discurso picareta dos grandões e o pior, acabam entrando na conversa e não percebem que defendem o interesse deles. Não dá para acreditar, não pode ser burrice, quero acreditar que seja desinformação mesmo.
on Jul 3rd, 2011 at 10:11 pm
Independente de ser o PT, ou outro partido, todos virão com seus remédios de 4 anos, hoje o PT pra mim igual a qualquer outro como PMDB PDT PTB PPS PP…todos com suas soluções mágicas, mas pouco práticas. Agora a poucos dias vi em algum site que o Tarso vai implantar metas no magistério, pelo seu chefe de gabinete, no modelo de Canoas, isso a anos atrás no PT era impensável, hoje não, e se ele propor vai passar, é assim, a vida ensina e molda as pessoas…
on Jul 4th, 2011 at 12:10 am
Fica, então, claramente demonstrado que o Sr. Herz Genro aprendeu bem a lição dada por Maquiavel (estou falando de Ciências Políticas e não de senso comum).
E o “dividir para (a Agenda 2020) reinar” funciona qual reloginho.
Nunca é demais lembrar que os social-democratas Noske e Ebert “liberaram” os Freikorps e tropas para assassinar Liebknecht e Rosa (1919). Só espero que a “nova” social-democracia gaudéria não chegue a tanto!
on Jul 4th, 2011 at 12:12 am
“Naquela época, a discussão era sobre a velocidade da conquista dos direitos. Todos concordavam que os salários deviam aumentar, só se discordava do ritmo. Agora a briga é contra a retirada de direitos por parte do governo.”
Em 1999, a obrigação do Cpers era “exigir” de volta o poder aquisitivo que o magistério tinha durante o governo Euclides Triches. Os mais velhos lembram da inflação que houve de 1975 a 1998, e de todas as derrotas da categoria contra os governadores Guazzelli, Souza, Soares, Simon, Collares e Britto. É difícil saber quem foi o pior para os professores sem a ajuda de cálculos do Dieese.
Não se tratava então de “aumentar” salários, e sim de conseguir a maior reposição possível.
on Jul 4th, 2011 at 1:40 pm
Exemplos:
Ganho 5.000,00 e pago 10% de previdência = 500,00
Ganho 1.000,00 e pago 10% de previdência = 100,00
Isto quer dizer “ganha mais, paga mais”
Diferenciar as alíquotas é imponderável.
João Luiz
on Jul 4th, 2011 at 6:42 pm
Não é essa a questão Ivanês.
Poderemos todos pagar os 14% em breve.
Mesmo com salários miseráveis como é o nosso caso(professores).
A porteira foi aberta…
on Jul 6th, 2011 at 2:52 am
cálculo atuarial, nem todo economista encara …
on Jul 7th, 2011 at 11:39 pm
Lembro dos ataques do governo Olivio e do papel do CPERS naquele momento entregando sacos de lixo na porta do Piratini. A direita exultava. ela nem precisava bater no Olivio, o esquerdismo fazia isso. Por oportunismo, Luciana mostrou isso e o próprio Tarso e familia tiraram proveito disso. HOje, o CPERS dominado pelo PSOL – da mesma Luciana Genro – e o PSTU, com a ajuda prestativa da Rejane que se passa por cutista, conlutista ou intersindicalista – depende da ocasião e do cargo em mira – repete a mesma prática sob a mesma ética. Defender aposentadoria integral para altos salários, gente que contribui sobre o salário base e recebe pelo salário final, é indecente. Tem que mudar a base tributária? Tem sim. Mas se cria moral começando por arrumar a própria casa.
on Jul 8th, 2011 at 10:43 pm
MUITO BOM O ARTIGO
PERFEITO.
OS CORPORATIVISTAS DE PLANTÃO QUE PAREM DE OLHAR PARA O PRÓPRIO UMBIGO.
E OS DEBAIXO PAREM DE SER MASSA DE MANOBRA PARA OS DE CIMA.
O DIA QUE COMO PROFESSOR EU GANHAR O SALÁRIO DE UM JUIZ, FAÇO QUESTÃO DE PAGAR 30% OU MAIS DE PREVIDÊNCIA.
E VIVA O TARSO, E VIVA O LULA, QUE RESOLVERAM QUE AVANÇAR É PRECISO. O POVO PRECISA.
on Jul 10th, 2011 at 1:37 am
o umbigo do Servidor Público é a Qualidade do Serviço Público. Prejudicado sai a população do rio grande de são pedro … na Saúde (SUS, FEPPS, CRSs), na Educação (EEs, …) e na Segurança. mas não só