A diretoria do BNDES aprovou financiamento de R$ 445,7 milhões para a construção de oito parques eólicos no Rio Grande do Sul. As usinas, em conjunto, terão capacidade instalada de 150 MW e entrarão em operação em prazos diferentes. Os investimentos totais, de R$ 725,2 milhões, responderão pela criação de 2,3 mil empregos diretos e indiretos.
Três parques, que totalizam 30 MW, já estão gerando e vendendo energia, sendo dois deles com entrada em operação antecipada de 12 meses em relação à data planejada. Os demais têm prazo para iniciar operação comercial em julho de 2012, janeiro de 2013 e setembro de 2013.
Os recursos serão destinados a três Sociedades de Propósito Específico (SPEs): Parques Eólicos Palmares S/A, com quatro parques eólicos e financiamento do BNDES de R$ 153,6 milhões; Ventos da Lagoa S/A, com dois parques eólicos e financiamento de R$ 150,8 milhões; e Ventos do Litoral Energia S/A, com outros dois parques e financiamento de R$ 141,2 milhões.
Todas as usinas já possuem contratos de comercialização de energia de 20 anos no Ambiente de Contratação Regulado (ACR), sendo um parque com contrato no âmbito do Proinfa, cinco vencedores do 2º Leilão de Energia de Reserva (2009), um do 3º Leilão de Energia de Reserva (2010) e um do Leilão de Fontes Alternativas (2010).
Controladas pela Enerfin do Brasil, as sociedades são responsáveis pelos projetos, nos municípios de Palmares do Sul e Osório. Os parques a serem implantados por Ventos da Lagoa e Ventos do Litoral, em Osório, que somam 100 MW, são a extensão direta do complexo da empresa Ventos do Sul, instalado naquele município em 2006, no âmbito do PROINFA, com 150 MW e financiamento de R$ 465 milhões do BNDES.
O apoio do Banco à construção dos parques eólicos contribuirá para a diversificação da matriz energética brasileira com uma fonte de recursos renovável, além de permitir a redução das emissões de gases do efeito estufa por MWh de energia gerada no sistema interligado. As usinas também possibilitarão a complementaridade sazonal do regime eólico com o hídrico, evitando o despacho das hidrelétricas nos períodos de menor vazão dos rios.
Desde 2005, o BNDES já aprovou financiamentos de R$ 4,5 bilhões para investimentos em usinas eólicas, que respondem por uma capacidade instalada de 1.520 MW. Atualmente, o Banco tem em carteira outros R$ 4,2 bilhões referentes a novos projetos para o setor eólico.
Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini


on Jul 28th, 2011 at 9:59 pm
A Enerfin, se não me engano é uma multinacional estrangeira. Se for, temos a privatização e desnacionalização de um setor estratégico e para piorar com dinheiro público.
Lamentável!
on Jul 29th, 2011 at 4:40 pm
Parece que o PROPÓSITO das SPEs (Sociedades de Propósito Específico) é esse mesmo: garantir que grandes empresas sigam mamando na “vaca de divinas tetas” que se chama tesouro público. Um PROPÓSITO bem neoliberal implementado por um governo que tem alguma origem popular.
Infelizmente, tal governo parece, cada vez mais, deixar essa característica somente na origem mesmo.
Concordo com o Nogueira. Lamentável!
on Jul 29th, 2011 at 4:57 pm
No artigo “A desnacionalização da economia (II)”, de novembro de 2010, o economista e diplomata, Adriano Benayon, revela dados simplesmente estarrecedores sobre a entrada e saída de recursos no Brasil.
Segundo Benayon, “Os investimentos diretos estrangeiros (IDEs) [1] registrados no Brasil de 1947 até 2008 totalizaram U$ 222,6 bilhões de dólares. Entretanto, as rendas remetidas do Brasil para o exterior, apenas entre 1995 e 2008, somaram US$ 292,2 bilhões”.
E, ao que tudo indica, devemos nos preparar para vermos números ainda mais absurdos. O setor de energia é altamente estratégico e o governo federal deveria estar implementando uma retomada do mesmo para rígido controle público. Não é o que acontece. Ao contrário disso, põe o BNDES a financiar o setor privado a juros baixos. Com isso, amplia-se a abertura da porta por onde escorre quantidade inimaginável de recursos para o exterior.
Recursos esses, que, desesperadamente, o Brasil precisa para investir, por exemplo, em educação, saúde e saneamente básico, garantindo assim, não apenas crescimento econômico mas um desenvolvimento realmente sustentável a seu povo.
Com a privatização dos aeroportos e outras que, ao que parece, virão, a sangria vai continuar.
Quem disse que o Brasil tinha se desvencilhado do duo FMI/Banco Mundial? As medidas que o governo Dilma vem tomando e mesmo algumas que foram tomadas pelo governo Lula seguem o receituário neoliberal prescrito pelo duo citado.
Não elegemos Dilma para isso.
Deprimente.