Na semana passada, o Núcleo de Economia Alternativa (NEA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) teve negada a solicitação para a realização de uma feira orgânica quinzenal no Campus Central da UFRGS, sob alegação de que a mesma “não daria lucro” à Universidade. Indignado, Carlos Schmidt, coordenador do NEA e professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, escreveu um artigo e publicou-o no blog do núcelo. Reproduzimos o artigo abaixo:
Indignai-vos!
Peço desculpas à Stéphane Hessel por plagiar o título de seu manifesto, mas acredito que ele não se importaria, pois deve pensar que sua iniciativa pode ser multiplicada. Como alguns sabem, coordeno o Núcleo de Economia Alternativa (NEA) que desenvolve trabalho de pesquisa, ensino e extensão voltado para formas alternativas de práticas econômicas e especula sobre a viabilidade da transformação social.
Um dos trabalhos que realizamos é o apoio à comercialização dos produtos da agricultura familiar, em particular, dos assentamentos da
reforma agrária, na perspectiva da sustentabilidade social, ambiental e da segurança alimentar. Na prática, busca-se através de um ponto de comercialização da economia solidária (Contraponto), a venda dos produtos agroecológicos e o abastecimento do sistema dos restaurantes universitários, com produtos desta natureza, por agricultores dos assentamentos.
Evidentemente, como é papel da Universidade nesta prática extensionista, está se buscando a geração de conhecimento que possa servir a formulação de políticas públicas, bem como, a discussão de elementos centrais da economia como a teoria do consumidor. Como parte da estratégia de atendimento dessa demanda socialmente orientada, programamos, junto com colegas da engenharia de produção a realização de uma feira agroecológica ao lado da Contraponto (espaço ocioso) a ser feita por mulheres do assentamento de Viamão, filhos de Sepé. Esta feira seria semanal.
Como de praxe, fizemos uma solicitação à Superintendência de infra-estrutura, garantindo a não utilização do estacionamento e a limpeza
pós realização da feira. Para surpresa nossa, a demanda foi negada e depois de inúmeras tentativas de contatar os responsáveis, estes, concederam a graça de nos receber.
Surpresa novamente! Deparamo-nos com um doublé de funcionário do capital e chefete latino-americano, na robusta pessoa do Professor Tamagna. Funcionário do capital nos propósitos e chefete no método autoritário. O referido professor ao ser interrogado sobre o direito que tinham os bancos de espalhar seus quiosques pelo pátio da Universidade, disse que estes tinham direito porque pagavam. E quando perguntado sobre a existência de regras escritas a este respeito, alegou que neste assunto, quem mandava era ele.
Se alguém tem dúvida que para alguns personagens da administração central da universidade, esta deve funcionar, exclusivamente, para o andar de cima da sociedade, a situação acima relatada fala por si só. Aliás, recordando das posições do Professor Tamagna no Conselho Universitário, estas, eram sempre alinhadas com o bloco da UFRGS/S.A.
Tivemos, recentemente em nossa Universidade, um seminário da corrente universitária “Universidade Popular”, que discutiu ampla e profundamente as dificuldades da Universidade ser plural quanto as suas finalidades, assim muito mais dificuldade teria de ser uma instituição voltada para os interesses da maioria da população.
Portanto, o fato antes relatado, mostra o quanto estão seguros os setores que propugnam uma Universidade voltada aos interesses do capital, com métodos que privilegiam os critérios de mercado (quem paga pode) e exclui, despudoradamente, “esta gente diferenciada” que ousa querer fazer da Universidade um espaço que também é seu, que estuda suas questões, que os acolhe para o diálogo de saberes e que os assume como membros do corpo discente.
Se permitirmos que atitudes truculentas como esta tenham livre curso, outras bandeiras democráticas e inclusivas pelas quais lutamos ficarão cada vez mais distantes. Portanto indignai-vos e ajam em conseqüência.

on Sep 29th, 2011 at 3:17 pm
Este é um bom exemplo da privatização dos espaços públicos, em especial das nossas universidade públicas. Ora, seu próprio nome já as qualifica – públicas – as ações de sua nata diriginte, entretanto, as privatiza, não só nessa manifestação de autoritarismo e mercantilização de espaços públicos citadas pelo professor Schmidt, mas nos perguntamos “quantas pós-graduações lato sensu tem a UFRGS gratuitas? Para onde vai o recurso destes cursos e destes espaços?” Ou nos pergutemos ainda “Qual o espaço da sociedade nas discussões e decissões dessa universidade (consuni 70% docente; 15 estudantes; 15% técnicos)?”
Precisamos nos indignar e para além disso, precisamos recuperar o sentido público de nossas universidades.
on Sep 29th, 2011 at 4:10 pm
Sendo a UFRGS uma instituição UNIVERSITÁRIA pública, é no minimo absurdo negar uma feira de economia solidária, que além de servir de laboratório prático para atividades de extesão – que são obrigações constitucionais das universidades – ainda permitem levar até a comunidade academica produtos com valores economicos e sociais diferenciados.
O prof. Shimidt classificou muito bem o responsavel da decisão, como “funcionário do capital e chefete latino-americano”, eu acrescentaria ainda como “incapaz” a medida que ele nem ao menos passou o “verniz” em sua decisão, alegando alguma desculpa técnica, que certamente aparecerá agora, vinda de algum orgão superior, dirigido por outro funcionário do capital que ocupa nossas universidades, mas com um pouco mais de capacidade de “respaldar” suas decisões.
Temos que defender nossas universidades públicas e a defesa delas é não é apenas contra o favorecimento dado pelas politicas educacionais as instutuições mercadologicas, a defesa delas é contra os próprios privatistas que estão dentro delas.
on Sep 29th, 2011 at 7:13 pm
É só mais um lamentável episódio da administração Hadad/Alexandre Neto e em última instância Lula-Dilma que deram continuidade a nefasta política de FHC.
Como comenta acima a Marlise, é uma vergonha a pós graduação ali.
É difícil… para um pobre mortal conseguir participar de alguma atividade/curso nesta universidade “pública”.
on Sep 29th, 2011 at 7:40 pm
Então quando virem o reitor entreguem uma moedinha para ajudar a financiar a feira e o resgate ao papel social da universidade.
on Sep 29th, 2011 at 8:03 pm
Com certeza essa atitude nos deixa muito indignados. A Universidade é pública, portanto, é dessa “gente diferenciada”. O momento não é de excluir mas sim de tornar a Universidade cada vez mais popular.
on Sep 29th, 2011 at 8:09 pm
Tem umas coisas na UFRGS que eu não entendo, sinceramente. O pessoal da UFRGS ainda se acha o centro do universo.
Quando eu estudava lá a pegação de pé era terrível, principalmente com quem era considerado “alienado”, era quase um bullying. Por exemplo, você vai para a faculdade de carro(Seja um Fusca, seja uma BMW)? “Alienado”. Você não se envolve com com CA/DA/DCE? “Alienado”. Tá “arrumadinho” demais? “Alienado”.
Numa aula estavamos discutindo sobre software livre, e um colega discordou em alguns pontos da maioria, até nem foi nada demais. Só faltaram botar uma suástica no coitado! O cara nem era de falar muito, depois daquela não falou o resto do semestre.
Uma manhã cheguei na aula com uma cara terrível, olheiras, cansado. Eu já era mau visto por ter cometido o crime de ter uma Parati. Enfim, cheguei na aula e perguntaram, “que cara é essa?”, eu respondi que havia ido a uma extinta boate de Porto Alegre com alguns amigos e estava caindo de sono. Pronto, virei playboy, bon vivant e o escambau. Pior, enquanto eu estagiava na PROCERGS, tive que ouvir esta bobagem de um infeliz que não fazia nada da vida além de estudar, sempre apavorado pq iam jubilar ele. Depois daquilo até arrumar grupo para fazer trabalho virou um pepino.
O que quero dizer? Sei lá quem é o Professor Tamagna, não vejo motivo para negar fazer uma feira no campus. Tem quisoque, tem que venda coisas no meio das aulas(eu tinha um colega muambeiro, trazia peças de computador do Paraguai e vendia na sala de aula) então, qual o problema de vender hortaliças? Parece implicância pessoal, gente de mau humor com o mundo, mas automaticamente botar um funcionário da UFRGS como “agente do capital” é cômico. Agora o tal professor Tamagna é um infiltrado, agente da CIA, parte de alguma conspiração. Quem sabe se abre uma sindicância contra ele, passível de demissão da universidade? Quebra-se o sigilo bancário e fiscal do Prof. Tamagna, vai que ele recebe dinheiro da Cargill ou Monsanto. Ele só é um turrão, tosco, vai ver prefere uma feira de, sei lá, doces de Pelotas ou uma carrocinha de pipocas.
Não entendi esta importância dada a ele, uma tese por causa da negativa de algum burocrata frustrado e autoritário. Se eu conheço ainda como funciona a universidade onde me formei se venderem cachaça artesanal, de cana sem agrotóxicos, vai vender feito pão quente! E ainda vão comprar Coca-Cola pra misturar.
on Sep 29th, 2011 at 8:39 pm
Particularmente, não me agrada a ideia de circular pelo Campus em meio ao pessoal vindo de um assentamento, sem contar que a promessa de manter o espaço limpo nunca é cumprida. O fato de a Universidade ser pública não significa que qualquer um possa fazer o que bem entende, transformando o espaço em uma verdadeira casa-da-mãe-joana. E quanto aos recursos advindos da pós-graduação, cada unidade tem suas próprias necessidades. Necessidades estas que nem sempre são supridas pela administração Central. É compra de material, manutenção dos prédios, etc… Meu total apoio ao Prof. Tamagna.
on Sep 29th, 2011 at 10:32 pm
O professor Carlos, as pessoas envolvidas e todos nós não podemos considerar o’não’ do burocrata-professor Tamagna como uma barreira instransponível. Acima dele há outros níveis hierárquicos, chegando a um pró-reitor e ao próprio reitor, que devem ser acionados. Acredito que se possa chegar a um acordo.
PR
on Sep 30th, 2011 at 1:12 pm
Eu teria muita preocupação de que meus filhos convivessem com esse tal “Han”, vá que preconceito seja contagioso.
on Sep 30th, 2011 at 1:56 pm
Todo o meu APOIO ao Professor Shimidt, e que as ‘PESSOAS DIFERENCIADAS” principalmente se pequenos produtores, e de assentamentos, de favelas, de escolas públicas de periferia, saibam que a Universidade é PÚBLICA, e que podem sim transitar por ela. Quem não quiser encontrar essas “pessoas diferenciadas” não circule pelo Campus, por exemplo o Sr/Sra? HAN, poderemos nos encontrar, pois tenho aulas no Campus central também, e venho lá da periferia, lá da Vila Júlia, de Uruguaiana.
on Sep 30th, 2011 at 6:30 pm
Vergonhosa e truculenta tal situação.
Como aluna de mestrado na FURG/Rio Grande em 2007-2008, sei que desde aquele período, há uma iniciativa de feira ecológica todas as quartas-feiras pela manhã. A iniciativa surgiu por um projeto do NUDESE-FURG e agora é referência de compra de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos, livre das corporações-transnacionais. Produtores estes que vem da Ilha dos Marinheiros e arredores.
Infelizmente é inadimissível que uma universidade pública, tenha servidores públicos a serviço do grande capital. Interesses privados a mercê do interesse público.
As vezes me pergunto se cabe um servidor concursado, ou seja, que está ocupando uma vaga que era publica ( mas agora privatizada) estar completamente alheio ao interesse público que tal cargo pressupõe e continuar, anos a fio trabalhando em tal instituição sem qualquer penalidade.
on Oct 1st, 2011 at 1:29 am
Cíntia, eu tb não vejo motivo algum para o tal Tamagna ter vetado a feira. Até acho que se forem a instâncias superiores dentro da UFRGS serão bem sucedidos, afinal, a universidade não termina no diktat do prof. Tamagna.
Tu pode te perguntar à vontade, mas a questão é que não se pode caçar o cargo de um servidor concursado por ele estar em desacordo seja lá com quem for. Uma vez que ele não cometeu nenhum ato ilegal passível de punição é um direito dele estar alheio, alienado, na contramão, etc. Já imaginou que coisa terrível uma comissão avaliando o espectro ideológico de um funcionário público, e assim decidindo seu futuro? Ah, isto tem nome próprio, TOTALITARISMO.
Vamos fazer um exercício de imaginação aqui, aonde o professor Tamagna poderia ser enquadrado para ser vítima num inquérito/sindicância administrativa? Outra coisa, uma vez o cidadão aprovado no concurso, psicotécnico, exame médico e após o estágio probatório ele se torna estável, portanto, passível de demissão apenas por falta grave e após inquérito/sindicância administrativa, com direito a ampla defesa.
Não creio que tu sejas uma neoliberal que defende o fim da estabilidade dos funcionários públicos, transformando o estado num enorme cabidal de CC`s. Antônio Britto criou o PDV neste sentido, diminuir o número de funcionários públicos no estado. Aliás, esta tua definição, a “vaga era pública, mas agora privatizada” não sei se é infantil ou mal intencionada. Primeiro, o cidadão passou num concurso! Ele não comprou a vaga num leilão nem ela caiu do céu como um presente de algum ser superior. Se tu quer discutir chefias, funções gratificadas, bom, é outra questão. Segundo, de novo, é a mesma teoria dos neoliberais que diziam que a Petrobrás, o Banco do Brasil, etc, não eram “‘públicos”, mas haviam sido “privatizados” pelas coorporações de funcionários, se tornado pouco produtivas, engessadas…
Se o prof. Tamagna estiver recebendo algum tipo de benesse ou vantagem de alguma “coorporação transacional”, bom, aí sim ele merece ser alvo de uma investigação e se condenado arcar com as responsabilidades previstas. Se não, vivemos num país livre até para ser retrógrado, alheio, conservador, reacionário, turrão, implicante, chato, indiferente, etc…
on Oct 2nd, 2011 at 11:25 pm
Essa decisão está mais que certa, local de feira desse tipo é no mercado público e olhe lá….e digo o mesmo daquelas feiras indigenas que tinham a um tempo atrás com um monte de porcarias e os caras tocando “carnavalito” o dia inteiro.
Bando de bicho grilo maconheiro…
on Oct 3rd, 2011 at 3:04 pm
o pessoal de assentamento não é qualificado o bastante para frequentar o mesmo lugar q você, dondoca?
on Oct 3rd, 2011 at 3:06 pm
ahh… preconceito é mato aqui..